Sublinhando…

31 05 2020

 

 

Ivanov, Anatoly - Woman w Book, Table by WindowMoça com livro em mesa junto à janela

Anatoly Ivanov (Cazaquistão- Rússia, 1928 – 2012)

óleo sobre tela

 

“O suicídio é uma traição aos  outros e a si mesmo, ao que você poderia se tornar no futuro, uma pessoa diferente que nunca poderá existir porque a linha foi interrompida antes que os erros sejam corrigidos.”

Em: A maçã envenenada, Michel Laub, São Paulo, Cia das Letras: 2013, p. 103





Domingo, um passeio no campo!

31 05 2020

 

 

JENNER AUGUSTO (1924 - 2003). Paisagem do Dique na Bahia, óleo stela, 37 x 61. Assinado e datado (1980)Paisagem do dique na Bahia, 1980

Jenner Augusto (Brasil, 1924 – 2003)

óleo sobre tela, 37 x 61cm





Lendo em francês, texto de José de Alencar

30 05 2020

 

 

Louis Leopold Boilly (França, 1971-1845, jovem senhora lendo nu campo, 1798, carvão com detalhes em pastel vermeho, Hood Museum of Art, dartmouth college

Jovem senhora lendo no campo, 1798

Louis Leopold Boilly (França, 1971-1848)

carvão com detalhes em pastel vermeho,

Hood Museum of Art, Dartmouth College

 

 

“Naquele tempo o comércio dos livros era, como ainda hoje, artigo de luxo; todavia, apesar de mais baratas, as obras literárias tinham menor circulação.

Provinha isso da escassez das comunicações com a Europa, e da maior raridade de livrarias e gabinetes de leitura.

Cada estudante, porém, levava consigo a modesta provisão que juntara durante as férias, e cujo uso entrava logo para a comunhão escolástica. Assim correspondia São Paulo às honras de sede de uma academia, tornando-se o centro do movimento literário.

Uma das livrarias, a que maior cabedal trazia a nossa biblioteca, era de Francisco Otaviano, que herdou do pai uma escolhida coleção das obras dos melhores escritores da literatura moderna, a qual o jovem poeta não se descuidava de enriquecer com as últimas publicações.

Meu companheiro de casa era dos amigos de Otaviano, e estava no direito de usufruir sua opulência literária. Foi assim que um dia vi pela primeira vez o volume das obras completas de Balzac, nessa edição em folha que os tipógrafos da Bélgica vulgarizam pôr preço módico.

As horas que meu companheiro permanecia fora, passava-as eu com o volume na mão, a reler os títulos de cada romance da coleção, hesitando na escolha daquele pôr onde havia de começar. Afinal decidia-me pôr um dos mais pequenos; porém, mal começada a leitura, desistia ante a dificuldade.

Tinha eu feito exame de francês à minha chegada em São Paulo e obtivera aprovação plena, traduzindo uns trechos do Telêmaco e da Henriqueida; mas, ou soubesse eu de outiva a versão que repeti, ou o francês de Balzac não se parecesse em nada com o de Fenelon e Voltaire; o caso é que não conseguia compreender um período de qualquer dos romances da coleção.

Todavia achava eu um prazer singular em percorrer aquelas páginas, e pôr um ou outro fragmento de ideia que podia colher nas frases indecifráveis, imaginava os tesouros que ali estavam defesos à minha ignorância.

Conto-lhe este pormenor para que veja quão descurado foi o meu ensino de francês, falta que se deu em geral com toda a minha instrução secundária, a qual eu tive de refazer na máxima parte, depois de concluído o meu curso de direito, quando senti a necessidade de criar uma individualidade literária.

Tendo meu companheiro concluído a leitura de Balzac, a instâncias minhas, passou-me o volume, mas constrangido pela oposição de meu parente que receava dessa diversão.

Encerrei-me com o livro e preparei-me para a luta. Escolhido o mais breve dos romances, armei-me do dicionário e, tropeçando a cada instante, buscando significados de palavra em palavra, tornando atrás para reatar o fio da oração, arquei sem esmorecer com a ímproba tarefa. Gastei oito dias com a Grenadière; porém um mês depois acabei o volume de Balzac; e no resto do ano li o que então havia de Alexandre Dumas e Alfredo Vigny, além de muito de Chateaubriand e Victor Hugo.

A escola francesa, que eu então estudava nesses mestres da moderna literatura, achava-me preparado para ela. O molde do romance, qual mo havia revelado pôr mera casualidade aquele arrojo de criança a tecer uma novela com os fios de uma ventura real, fui encontrá-lo fundido com a elegância e beleza que jamais lhe poderia dar.”

 

Em: Como e porque sou escritor, José de Alencar, 1893, p. 13-14 [em domínio público]

 





Flores para um sábado perfeito!

30 05 2020

 

 

SÉRGIO TELLES,Mesa com Flores,ost, 2012,73 x 60 cmMesa com flores, 2012

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

29 05 2020

 

 

GIAN PAOLO (1965).Paisagem do Canal da Barra da Tijuca, Casario e Pedra da Gávea ao Fundo, óleo s eucatex, 50 X 60.Paisagem do Canal da Barra da Tijuca, casario e Pedra da Gávea ao fundo

Gian Paolo (Brasil, 1965)

óleo s eucatex, 50 X 60 cm





Imagem de leitura — Alexander Mark Rossi

29 05 2020

 

 

Alexander_M__Rossi_British_artist_18401916___The_Morning_NewsNotícias matutinas

Alexander Mark Rossi (GB, 1840 – 1916)

óleo sobre tela, 60 x 91 cm





Bananeiras, por Gandavo, 1576

28 05 2020

 

 

PAULO GAGARIN (1885-1980). Bananeiras ao Fundo Serra dos Órgão - RJ, óleo s tela, 41 X 34.Bananeiras, ao Fundo Serra dos Órgão – RJ

Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)

óleo s tela, 41 X 34 cm

 

“Uma planta se dá também nesta província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruta da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar na terra. Esta planta é muito tenra e não muito alta, não tem ramos senão umas folhas que serão sei ou sete palmos de comprido. A fruta dela se chama bananas; parecem-se na feição com pepinos, e criam-se em cachos; alguns deles há tão grandes que tem de 150 bananas para cima. E muitas vezes é tamanho o peso delas que acontece quebrar a planta pelo meio. Como são de vez colhem-se estes cachos, e dali a alguns dias amadurecem. Depois de colhidos, cortam esta planta, porque não frutifica mais que a primeira vez, mas tornam logo a nascer dela uns filhos que brotam do mesmo pé, de que se fazem outros semelhantes. Esta fruta é mui saborosa, e das boas que há na terra; tem uma pele como de figo (ainda mais dura) a qual lhe lançam fora quando a querem comer; mas faz dano à saúde e causa febre a quem se demanda nela.”

 

Em: História da província de Santa Cruz, Gandavo [Pero Magalhães de Gandavo], organização de Ricardo M. Valle, São Paulo, Editora Hedra: 2008, pp 89-90.





Trova da fé

28 05 2020

 

 

1c4106e83f878db09e55e0d43b1a50a5Tintin ia viajar, ilustração de Hergé.  (O trem para Nyon?…  Muito tarde, Senhores: lá vai ele, agora mesmo.)

 

 

Quem vai sem fé… sem coragem,

no embarque do trem da vida,

decreta o fim da viagem

antes mesmo da partida!

 

(José Almir Loures)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

27 05 2020

 

 

Olimpia Couto, Natureza Morta, ose, 50 x 70 cmNatureza morta

Olímpia Couto (Brasil, 1947)

óleo sobre eucatex, 50 x 70 cm





Meus dias de menino, Oscar Negrão de Lima

26 05 2020

 

 

cavalgando

 

“Os meus dias de menino eram bem movimentados, não obstante a pacatez da vida do arraial. Trançando da rua para o quintal, em carreirinhas espertas, entrava eu em casa e atravessava a sala de jantar onde furtava biscoito fofo e broa de fubá mimoso, toda vez que roçasse pelo grande armário rústico, encostado à larga parede sem janelas.

Mas, ai de mim! Nem tudo era flores na boa vidinha da roça! O meu cavalo Brinquinho, pequira e pedrês, escorregou certa tarde de chuca, no facão da estrada de carro e pinchou-me no barranco, virando-se de costas. Apertou-me a perna esquerda que não se quebrou por milagre. Uma outra ocasião, um cachorro de boiadeiro, cortando a capoeira, da estrada de carro para o trilho de cavaleiros, surgiu-me pela frente, e o Brinquinho refugou, rodando, imprevisto, nos pés. Largou-me de borco na poeirinha do caminho.”

 

Vocabulário

pequira – raça brasileira de cavalos dóceis,  marchadores e de fácil manejo

borco — voltado para baixo

 

Em: Tamboril, Oscar Negrão de Lima, Rio de Janeiro, editora José Olympio: 1961, p.27-8








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