O relógio, poema de Jorge de Lima

17 05 2020

 

 

l27horlogedesapience28theclockofwisdom29fromabout1450O relógio do saber, século XV. — L’Horloge de Sapience (Bruxelles, Bibliothèque Royale , ms. IV 111

 

O relógio…

 

Jorge de Lima

 

Relógio, meu amigo, és a Vida em Segundos…

Consulto-te: um segundo!  E quem sabe se agora,

Como eu próprio, a pensar, pensará doutros mundos

Alma que filosofa e investiga e labora?

 

Há de a morte ceifar somas de moribundos.

O relógio trabalha… E um sorri e outro chora,

Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos

Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora…

 

Relógio, meu amigo, és o meu companheiro,

Que aos vencidos, aos réus, aos párias e ao morfético

Tem posturas de algoz e gestos de coveiro…

 

Relógio, meu amigo, as blasfêmias e a prece,

Tudo encerra o segundo, insólito — sintético:

A volúpia do beijo e a mágoa que enlouquece!

 

[A Instrução, Maceió, 1907]

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. I, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 45


Ações

Informação

2 responses

17 05 2020
Sonia

Bom dia.
Há um equívoco, não é patience e sim
Sapience – sapiência, sabedoria

17 05 2020
peregrinacultural

Certíssima. Trabalhar em casa em dias de isolamento requer mais atenção do que posso dar.. minhas desculpas. Bom domingo!

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