Meus dias de menino, Oscar Negrão de Lima

26 05 2020

 

 

cavalgando

 

“Os meus dias de menino eram bem movimentados, não obstante a pacatez da vida do arraial. Trançando da rua para o quintal, em carreirinhas espertas, entrava eu em casa e atravessava a sala de jantar onde furtava biscoito fofo e broa de fubá mimoso, toda vez que roçasse pelo grande armário rústico, encostado à larga parede sem janelas.

Mas, ai de mim! Nem tudo era flores na boa vidinha da roça! O meu cavalo Brinquinho, pequira e pedrês, escorregou certa tarde de chuca, no facão da estrada de carro e pinchou-me no barranco, virando-se de costas. Apertou-me a perna esquerda que não se quebrou por milagre. Uma outra ocasião, um cachorro de boiadeiro, cortando a capoeira, da estrada de carro para o trilho de cavaleiros, surgiu-me pela frente, e o Brinquinho refugou, rodando, imprevisto, nos pés. Largou-me de borco na poeirinha do caminho.”

 

Vocabulário

pequira – raça brasileira de cavalos dóceis,  marchadores e de fácil manejo

borco — voltado para baixo

 

Em: Tamboril, Oscar Negrão de Lima, Rio de Janeiro, editora José Olympio: 1961, p.27-8


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