Natividade da Serra, poesia de Cesídio Ambrogi

31 08 2020

Casario

Francisco Céa (Brasil, 1908 – 1978 ?)

Natividade na Serra

 

Cesídio Ambrogi

 

Meu vilarejo – um cromo estilizado:

O Largo da Matriz. Uma palmeira.

A cadeia sem preso nem soldado.

Calma em tudo. Silêncio. Pasmaceira.

 

Andorinhas em bando, no ar lavado.

O rio. O campo além de uma porteira.

Um velho casarão acaçapado

— Nossa casa tranquila e hospitaleira.

 

O Cruzeiro lá em cima, em plena serra,

Braços abertos para minha terra…

E eu criança e feliz.  Que doce idade!

 

Hoje, porém, meu Deus, quanta emoção!

Do meu peito no triste mangueirão,

Cavo e soturno, o aboio da saudade…

 

Em: 232 Poetas Paulistas: antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 209.

 

Cesídio Ambrogi nasceu em Natividade da Serra, a 22 de maio de 1894. Faleceu em 27 de julho de 1974. Professor, escritor, jornalista, poeta eclético.  Fundador da “Sociedade Taubateana de Ensino” e considerado presidente perpétuo da União Brasileira de Trovadores (UBT-Taubaté).   Casou-se em 1920 com Petronilha Chiaradia, que faleceu em 1933. Tiveram dois filhos. Cinco anos depois, contraiu matrimônio com a advogada, professora e também trovadora Lígia Teresinha Fumagalli com quem teve mais cinco filhos.

Obras:

As moreninhas, 1923

 





Em casa: John White Alexander

30 08 2020

Um momento de descanso, 1885

John White Alexander (EUA, 1856-1915)

óleo sobre tela, 66 x 86 cm





Flores para um sábado perfeito!

29 08 2020

Flores de março, 1998

Wega Nery (Brasil, 1912-2007)

óleo sobre tela, 98 x 68 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

28 08 2020

Igreja da Glória

Bruno Lechowsky (Polônia-Brasil, 1889 – 1941)

aquarela, 31 x 21 cm





Meus favoritos: Franz Xaver Simm

27 08 2020

 

 

 

Simm_StickerinBordadeira

Franz Xaver Simm (Áustria, 1853 – 1918)

óleo sobre tela,  94 x 68 cm

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

26 08 2020

Natureza morta com peixes, 1946

Ernani Vasconcellos (Brasil, 1912 – 1988)

óleo sobre tela, 60 x 81 cm





Resenha: “Poesia Pura”, Binnie Kirshenbaum

25 08 2020

Sem título

Alan Feltus (EUA, 1943)

óleo sobre tela

Voltei a um livro que li no finalzinho do ano passado, Poesia Pura de Binnie Kirshenbaum, [tradução de Lourdes Menegale], publicado no Brasil em 2002. Cansada da mesmice dos best-sellers, este livro mostrou-se bom antídoto para o tédio.  Não se trata de obra prima merecedora de prêmio, mas uma distração inteligente, com uma heroína pronta para seduzir essa leitora.   Lila Moscowitz é tipicamente nova-iorquina, com um pouco mais de trinta anos, grandessíssima mentirosa que ocasionalmente racionaliza suas fábulas: “é um daqueles casos em que uma mentira personifica uma verdade maior. Uma verdade metafórica, porque a verdade literal serviria apenas para distorcer a realidade…” [15].  Poeta de sucesso, sem pudor na linguagem ou no sexo, encontra-se permanentemente estressada, sem poder escrever uma linha satisfatória, desde que seu casamento com Max terminou.  Angustiada com tarefas cotidianas e vida amorosa insossa, quer ser especial, como qualquer heroína de Woody Allen ou Almodóvar e um pouco das mulheres de Sex and the City. Lila passa os dias pensando no casamento falido.  Enquanto isso aproveitamos de pequenas e deliciosas reflexões cotidianas, em passagens até mesmo prosaicas, como uma visita a um hospital, que valem ser ressaltadas.

“É cruel, pensei, levar flores para pessoas que estão morrendo. É como se você estivesse apressando o funeral. Sem falar em esfregar no nariz deles a fragilidade da vida. Uma lembrança brutal de como uma coisa suave e fresca torna-se marrom nas bordas, o perfume se transforma em mau cheiro, tudo numa questão de dias. Os moribundos não precisam ter isso num vaso na mesa-de-cabeceira”[76].

Lila não quer a vida comum, porque ela é só “para os que não fazem questão do melhor.” Procura desesperadamente sentir-se especial, e aí está a fonte do desespero e a prisão em que se encontra.  Definitivamente uma mulher contemporânea, que se imagina merecedora de muito mais do que o que consegue, vive correndo de lugar em lugar, de pessoa em pessoa, em círculo com assustadora velocidade, à procura do que parece inatingível: felicidade e satisfação consigo mesma.  Lila é adorável na sua franqueza,  mas às vezes cruel. Inteligente, ela mostra a desconcertante procura por uma felicidade inatingível.

Binnie Kirshenbaum

Talvez seja o humor a característica mais encantadora deste livro, quer nas observações do dia a dia, quer nas justificativas que Lila encontra ou fabrica para si mesma,  um sorriso é inescapável do leitor atento.  Encontrei-me frequentemente suspendendo a leitura para poder refletir sobre o que acabara de ler, com a sensação de surpresa e diversão sobre o ponto de vista adotado.  Fora isso, Poesia Pura é um livro sem maiores ambições, cuja grande virtude está no entretenimento inteligente.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Harry Elsas

24 08 2020

Homem lendo, 1995

Harry Elsas (Alemanha-Brasil, 1925 – 1994)

óleo sobre tela, 80 x 60cm





Balaio, poema de Wilson W. Rodrigues

24 08 2020

Homem com cavalos

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885 – 1962)

óleo sobre  tela, 32 x 40 cm

 

 
Balaio

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

Deixa o meu balaio velho

que guardei como lembrança

do tempo em que no balaio

levava muita esperança…

 

Eu mesmo fiz o balaio,

entrancei-o em sua trança,

cantando as minhas cantigas

que aprendi quando criança.

 

Com o balaio nas costas,

tive tanta ilusão mansa,

pensei até que amaria

a filha do rei de França.

 

Com tanta coisa sonhei!

Tudo se foi sem tardança…

Só meu balaio ficou

com minha desesperança.

 

Em: Bahia Flor: poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949.p. 55.





Em casa: Elena Oleniuc

23 08 2020

Dia de chuva, 2017

Elena Oleniuc (Romênia, 1956)

óleo sobre tela, 40 x 35 cm








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