Chuva, texto de Gilberto Amado

1 08 2020

 

 

chuva 2Cebolinha em dia de chuva © Maurício de Sousa

 

“…Chuva para menino é festa, é rego barrento cachoeirando à porta de casa, chamando a gente para brincar com a água que passa fazendo cócegas nos pés … É goteira pingando, é de noite música no telhado. Na calçada, reúne-se a meninada, na exuberância, no contentamento de ver a água cair, meninada pançudinha, inchada pelas sezões, de frieira rosada nos pés, de boca sem dentes caídos na muda, de boqueira, meninotas de tranças, ossudinhas, uma de olhos de sapiranga, batendo palmas e se esgoelando:

 

Chove chuva

pra nascê capim

pro boi comê

pra papai matá

pra mamãe comê!”

 

Em: História da minha infância, Gilberto Amado, Rio de Janeiro, José Olympio:1966, 3ª edição, p. 72.


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