Feliz Ano Novo, são os votos da Peregrina

31 12 2020





Resenha: “A caderneta de endereços vermelha”, Sofia Lundberg

31 12 2020

Interior com Lia

Dirk Cornelis Breed (Holanda 1920-2004)

óleo sobre tela colada em madeira, 35 x 43 cm

 

 

 

Durante os meses de reclusão social por causa da pandemia, meu marido se tornou fã de filmes leves, comédias românticas.  Por isso mesmo conversamos sobre melhores scripts do gênero, concluindo que Richard Curtis talvez seja o detentor do melhor script de comédia romântica, com o filme Um lugar chamado Notting Hill, de 1999. É difícil escrever algo romântico, contemporâneo, sem cair no óbvio, sem sentimentalismo, com personagens interessantes e tridimensionais  e no caso deste filme, com cenas inesperadas e extremamente engraçadas. 

Essa é entrada pela porta dos fundos, reconheço, para minha avaliação de A caderneta de endereços vermelha, de Sofia Lundberg, traduzido no Brasil por Cláudio Carina, que peca justamente pelo oposto. Apesar de ter uma ideia repleta de possibilidades para a exploração de personagens fora do comum, que poderia ter sido bastante rica, esse livro fica aquém das possibilidades.     

 

 

 

 

Sofia Lundberg cai então no excessivo sentimentalismo, na ausência de um mínimo de credibilidade e nos dá a sensação de ter primado por escrever  um best-seller,  não escondendo a  intenção de se firmar no gosto do público com passagens ou frases de efeito que se retiradas do contexto parecerem profundas e prontas para serem repetidas nas redes sociais:  “Eu desejo a você… Muito sol para iluminar sua vida, muita chuva para apreciar o sol… Muita alegria para fortalecer sua alma, muita dor para apreciar os pequenos momentos de felicidade da vida, muitos encontros para você poder dizer adeus…” [41][342] ou “O maior prazer na vida é poder expressar livremente a própria opinião sem receber nada além do amor em troca, mesmo quando as opiniões divergem.” [292] Isso certamente me tornou avessa à narrativa da autora.

Trata-se da história de uma mulher que está na nona década de vida.  Teve vida rica em experiências interessantes, viajando e  trabalhando fora de seu país de origem.  Apaixona-se por um homem, que também tem uma vida encantada, rico se passando por pobre.  Ambos se dizem apaixonados  um pelo outro.  Mas a vida é feita de desencontros.  A vida deles inteira é feita de desencontros.

 

 

Sofia Lundberg

 

Esse tipo de desencontro só existe (principalmente agora, com a facilidade de comunicação que temos) se nenhum dos dois envolvidos estiver verdadeiramente interessado no outro.  Se houver interesse, por mais difícil que seja, há de haver uma maneira de se procurar e se encontrar, como acontece no script de Um lugar chamado Notting Hill, onde diversos obstáculos atravessando continentes são superados.   Causas para desencontros irão sempre existir. É a derrubada dos obstáculos ao amor que torna uma vida comum,  romântica.  É a busca incessante do amor incendiando o coração, que transforma uma história comum em trama romântica, desde os tempos dos romances de cavalaria. Mas  A caderneta de endereços vermelha mostra dois personagens para quem os obstáculos são grandes demais e nenhum dos protagonistas interessado em dar mais de si para ir ao encontro do outro. Essa é a grande falha narrativa de Sofia Lundberg.  Há muitos altos e baixos, muita repetição.  É obra para corações românticos sem discernimento crítico.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

30 12 2020

Peixes e bowl chinês, década de 1940

Evilásio Lopes (Brasil, 1917 – 2013)

óleo sobre tela, 48 x 58 cm





Trova das árvores

29 12 2020

Paisagem

Edgar Walter (Brasil, 1917- 1994)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

 

 

O arvoredo se arrepia,
amante dos mais sensíveis,
quando a brisa o acaricia
com seus dedos invisíveis.

(Soares da Cunha)

 

 





Minhas leituras em 2020

28 12 2020

O livro aberto

Felix Appenzeller (Suíça, 1892- 1964)

 

Nem sempre consegui ler durante o período de reclusão social da pandemia do Corona VIrus.  Muita mudança.  Nem sempre  tranquilidade me acompanhou  e me encontrei de março a dezembro lendo e relendo as mesmas passagens de livros, com a sensação de que não as entendia ou de que os livros eram intermináveis.  Mesmo assim li quarenta e três livros, dos quais 3 foram relidos

 

 

Aqui está a lista do que li, sem qualquer ordem

 

Salvando a Mona Lisa, Gerri Chanel

Quatro mulheres sob o sol da Toscana, Frances Mayes

A vida pela frente, Émile Ajar

A distância entre nós, Thrity Umrigar

O maravilhoso bistrô francês, Nina George

Uma fortuna perigosa, Ken Follett

A caderneta de endereços vermelha, Sofia Lundberg

 A casa holandesa, Ann Patchett

Ninguém precisa acreditar em mim, Juan Pablo Villalobos

Uma dor tão doce, David Nicholls

Caçando carneiros, Haruki Murakami

Um lugar bem longe daqui, Delia Owens

Vasto mundo, Maria Valéria Rezende

Nenhum olhar, José Luís Peixoto

Me chame pelo seu nome, André Aciman

Nada ortodoxa, Deborah Feldman

Três irmãs, três rainhas, Philippa Gregory

O desvio, Gerbrand Bakker

Os sete maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid

Os segredos que guardamos,  Lara Prescott

A paciente silenciosa,  Alex Michaelides

Pátria, Fernando Aramburu

Eleanor Oliphant está muito bem, Gail Honeyman

A espiã vermelha, Jennie Rooney

O crepúsculo e a aurora, Ken Follett

Herdando uma biblioteca, Miguel Sanches Neto

Trânsito, Raquel Cusk

The plot against America, Philip Roth

[Complô contra a América, na tradução em português, Cia das Letras]

A maçã envenenada, Michel Laub

The essays of Leonard Michaels

Eve in Holywood, Amor Towles

The Secret Cypher of Albrecht Durer, Elizabeth Garner

She wolves, Helen Castor

O canto da rosa, Rosa Goldfarb

James Abbott McNeil Whistler, William Miller

The Hammock, Lucy Paquette

21 Lessons for the 21st century, Yuval Noah Harari

[21 lições para o século XXI, na tradução em português, Cia das Letras]

The Impressionist Quartet, Jeffrey Meyers

Biografia do Língua, Mário Lúcio Sousa

As verdadeiras riquezas, Kaouther Adimi

A herdeira, Daniel Silva

Branca Bela, Geraldo França de Lima

O jogo das contas de vidro, Herman Hesse

4321, Paul Auster

Esses três últimos livros foram relidos. 

 

De todos, quais as minhas recomendações?  RECOMENDO SEM RESTRIÇÔES

Caçando carneiros, Haruki Murakami

Complô contra a América, Philip Roth

Espiã vermelha, A  Jennie Rooney

Me chame pelo seu nome, André Aciman

21 lições para o século XXI, Yuval Noah Harari

 

 

Não preciso dizer que os três livros relidos são todos também recomendados sem restrições:

Branca Bela, Geraldo França de Lima

Jogo das contas de vidro, O, Herman Hesse

4321, Paul Auster

 





Em casa: Robert Weise

27 12 2020

Mágica natalina, 1905

[Crianças debaixo da árvore de Natal]

Robert Weise (Alemanha, 1870 – 1923)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

26 12 2020

No vaso azul

Ana Goldberger (Brasil, 1947 – 2019)

acrílica sobre tela, 40 x 40 cm





Melhores leituras do ano para o grupo ENCONTROS NA PRAÇA

25 12 2020

 

O grupo de leitura Encontros na Praça, inaugurado em 2020, teve  um único encontro físico, em março.  Desde então os encontros foram virtuais, por causa da pandemia do CORONA-VIRUS.  O grupo é formado por dez mulheres, de diferentes ramos de atividade,  que através dos meses de reclusão social, mudaram seus hábitos, maneiras de exercer profissões, mudaram de endereço e assim mesmo escolheram a leitura como uma das muitas maneiras de manter os longos dias fora do que era normal, preenchidos de maneira agradável.  O grupo um dia voltará a se encontrar  pessoalmente, mas por enquanto não tem previsão da data para isso acontecer, principalmente agora, no final do ano quando a cidade do Rio de Janeiro vê nova onda de contágio, pior do que no início do ano.

 

Por causa da própria pandemia houve meses em que o grupo leu mais de um livro.  Por isso, mesmo tendo só nove encontros essas leitoras se dedicaram à leitura de treze livros.

 

 

Os melhores do ano:
  • A distância entre nós, Thrity Umrigar
  • Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles
  • A trégua, Mario Benedetti

LIVROS LIDOS

 

1 – A uruguaia, Pedro Mairal

2 – Salvando a Mona Lisa, Gerri Chanel

3 – Quatro mulheres sob o sol da Toscana, Frances Mayes

4 – A vida pela frente, Émile Ajar

5 – A distância entre nós, Thrity Umrigar

6 – Nora Webster, Cólm Toibín

7 – O leitor do trem das 6:27, Jean-Paul Didierlaurent

8 — O último amigo, Tahar Ben Jelloun

9 – Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles

10 – O maravilhoso bistrô francês, Nina George

11 – Uma fortuna perigosa, Ken Follett 

12 – Cerejas de maio, Judy Botler

13 – A trégua, Mario Benedetti





Natal

24 12 2020

Sergey Yakovlevich Dunchev  (Rússia, 1916 – 2004)





Belas Naturezas Mortas Natalinas de Sansão Pereira

23 12 2020

Natureza morta

Sansão Pereira (Brasil, 1919 – 2014)

Óleo sobre tela, 80 X 100 cm

 

 

 

 

Natureza morta

Sansão Pereira (Brasil, 1919 – 2014)

Óleo sobre tela, 80 X 100 cm

 

 

Natureza morta

Sansão Pereira (Brasil, 1919 – 2014)

Óleo sobre tela, 100 X 80 cm

Natureza morta

Sansão Pereira (Brasil, 1919 – 2014)

Óleo sobre tela, 80 X 100 cm

 

 

Natureza morta

Sansão Pereira (Brasil, 1919 – 2014)

Óleo sobre tela, 80 X 100 cm








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