Resenha, “A trança”, de Laetitia Colombani

24 06 2021

Leitura da tabela

Armand Schönberger (Hungria, 1885 – 1974)

óleo sobre tela, 49 x 69 cm

Não tenho me dedicado a resenhas de livros que não me encantaram. Mas o boca-à-boca está grande a respeito deste livro: dois dos três grupos de leitura que frequento decidiram lê-lo.  Aproveito para mostrar o que me levou a não confiar na narrativa de A trança, de Laetitia Colombani, traduzida por Dorothée de Bruchard.

Vamos primeiro ao enredo que inclui três mulheres, de diferentes continentes, em diferentes períodos.  Uma vive na Índia, outra na Itália e a terceira no Canadá. A história é contada em capítulos intercalados e podemos apreciar em detalhe o desenvolvimento de cada uma das personagens principais, entendemos porque pensam e agem. Todas três estão em momentos de extrema tensão, precisam tomar decisões que afetarão suas vidas para sempre.  Se elas um dia se encontram, ou se conhecem, vai ficar ao encargo do leitor, descobrir.

 

Laetitia Colombani começa a narrativa na Índia, seguindo o dia a dia de uma mulher da casta dos Intocáveis.  A narrativa se atém às dificuldades de seu trabalho e preocupações com a filha.  A rotina diária tem o toque de narrativa realista com impressionante número de detalhes.  Podemos portanto imaginar que assim será, daí por diante.  E, de fato, os problemas diários da jovem italiana, assim como os sacrifícios que a canadense faz para se manter empregada, todos parecem estar em contrato rígido com o realismo.

  Não há personagem masculino que tenha voz.  Não há personagem masculino que tenha verdadeira importância. No entanto, o primeiro sinal de alerta, de que algo não estava certo, veio justamente na introdução do personagem Kamal, um Sikh, imigrante na Itália, religioso o suficiente para nunca ter cortado o cabelo,  Religioso bastante para preferir ser preso a retirar o turbã que leva à cabeça,  um homem delineado como preocupado com a família, e que de repente se encontra em meio a um relacionamento, primeiramente sexual, levado às vias de fato numa gruta, por um tempo indeterminado, sem se questionar por um único momento sobre este relacionamento.   Não conheço a Índia, nem a religião Sikh. Mas esse comportamento sem qualquer dúvida por parte dele sobre suas próprias ações, me pareceu estranho. Consultei a internet, procurando as diretrizes religiosas dos seguidores do siquismo. Castidade está entre os primeiros requisitos dos seus praticantes. Ora, por que, então, não ajustar o conteúdo religioso desse personagem em algo mais crível? 

Laetitia Colombani

 

Mais adiante, outra falha de plausibilidade: uma pessoa no final do século XX ou início do século XXI, de vinte-um anos, que herda uma indústria familiar, que está imersa nessa indústria familiar, que cresceu com esse conhecimento, mas que tendo um computador, ignora o papel de concorrentes no mundo, ignora fontes da matéria prima para o produto que produz.  Não convence. Depois disso foi fácil achar outras falhas de lógica, nesta narrativa que pretende (com suas detalhadas descrições do dia a dia destas mulheres) retratar uma realidade que cada uma das mulheres precisa superar.

Portanto, o que concluo é que tendo em mãos três excelentes tópicos que realmente se relacionam,  tópicos que têm muito a ver com a vida de mulheres que lutam diariamente pela sobrevivência Laetitia Colombani, no afã de escrever este roteiro, esqueceu-se de fazer uma pesquisa básica para mostrar seus personagens em contexto mais plausível.  Se me perguntassem o que achei do livro, em poucas palavras, eu diria: escritora com pressa, preguiçosa, que poderia ter tido direção de um editor para ajudá-la a transformar uma boa ideia num livro que realmente valesse a pena ler.





Mantenham aberto o Colégio Pedro II

24 06 2021

Como ex-aluna do Colégio Pedro II, filha de ex-aluno do Colégio Pedro II, é com horror que descobri que o colégio pode fechar por falta de verbas governamentais.  No meu tempo de escola, o Colégio Pedro II era um dos mais difíceis de entrar, par, no seu exame de admissão, com o Colégio Militar.  No ano em que saí da escola primária, municipal, Escola México em Botafogo, e prestei exame para o Colégio Pedro II, havia dez mil candidatos para mil vagas. Primeiro eram provas escritas, depois, provas orais de Português, Matemática, Geografia e História.  O ponto era sorteado ali, na hora.  O próprio local era intimidante.  Exames feitos na sede da escola, nas salas de aula, anfiteatros, em diversos níveis.  Você era chamado e ia lá na frente, lá embaixo, onde  sorteava o ponto em cada uma das quatro bancas das matérias e respondia às perguntas orais.  Isso tudo aos 11 anos de idade.  Mas, se você passasse, sabia que estava entre os melhores alunos daquela geração.  Fiz todo o meu curso secundário lá.  Primeiro no Humaitá, depois na sede no Centro da Cidade.  Fui aluna de brilhantes professores a quem devo muito da minha paixão pelo conhecimento.  Fiz parte do coral do colégio,  fiz diversas atividades relacionadas à educação, como curso de teatro, no Teatro Martins Pena.  Tive oportunidade, por merecimento, de estudar com os melhores.  Não vejo como podemos deixar de lado, por falta de fundos, essa fabulosa instituição. 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

23 06 2021

Jarro de flores e frutas, 1978

Humberto da Costa (Brasil, 1941)

óleo sobre tela colado em cartão, 45 X 52 cm





Leitura de verão do Bill Gates

22 06 2021

O estudante

Jeannette Perreault (Canadá, 1958)

óleo sobre tela

Há um hábito nos Estados Unidos que bem poderíamos copiar.  Copiamos tanta coisa que não se aplica ao Brasil e deixamos de lado algo que é aplicável, interessante, informativo e incentiva a leitura:  todos fazem uma lista do que lerão no verão.  Do pensador importante, ao aluno nos primeiros anos escolares, o hábito de ler no verão, nas férias de verão está inculcado no modo de viver americano.  Por isso mesmo, por volta de final de maio e início de junho não é raro vermos nas revistas sugestões de leituras para o verão, para as férias, para o tempo de lazer.  Muitas figuras da mídia prestam serviço à leitura, publicando os livros que levarão para a praia, montanha, estação de águas.  Hoje republico aqui a lista de Bill Gates. 

SINOPSE

Depois de causar tantos danos ao planeta, será que conseguimos transformar a natureza, mas dessa vez para nos salvar? Em reportagem original, Elizabeth Kolbert, vencedora do Pulitzer pelo alarmante A sexta extinção, entrevista biólogos, engenheiros genéticos e atmosféricos e outros especialistas para tentar responder a essa pergunta e nos mostrar como os cientistas estão remodelando a Terra. Com uma linguagem direta e por vezes bem-humorada, este livro é uma injeção de esperança e informação, e aponta que ainda há tempo de corrigir os problemas que colocam em risco a vida como a conhecemos.

A autora examina com atenção o mundo novo que estamos criando. Ao longo de sua trajetória, Kolbert encontra biólogos tentando preservar o peixe mais raro do mundo, que vive em uma pequena piscina no meio do Mojave; engenheiros transformando a emissão de carbono em pedras na Islândia; pesquisadores australianos desenvolvendo um “supercoral” capaz de sobreviver a temperaturas mais altas; e físicos analisando a possibilidade de atirar fragmentos de diamantes na estratosfera para refrescar a Terra.

Segundo Kolbert, a civilização pode ser vista como um exercício de dez mil anos desafiando a natureza. Em A sexta extinção, ela explorou como nossa capacidade de destruição remodelou o mundo natural. Dessa vez, reflete como muitas formas de intervenção que colocaram a Terra em risco estão cada vez mais sendo vistas como a única esperança para sua salvação. Sob um céu branco é uma investigação surpreendente dos desafios que enfrentamos.

SINOPSE

Um relato íntimo e fascinante da história em formação — feito pelo líder que nos inspirou a acreditar no poder da democracia.

No comovente e aguardado primeiro volume de suas memórias presidenciais, Barack Obama narra, nas próprias palavras, a história de sua odisseia improvável, desde quando era um jovem em busca de sua identidade até se tornar líder da maior democracia do mundo. Com detalhes surpreendentes, ele descreve sua formação política e os momentos marcantes do primeiro mandato de sua presidência histórica — época de turbulências e transformações drásticas.

Obama conduz os leitores através de uma jornada cativante, que inclui suas primeiras aspirações políticas, a vitória crucial nas primárias de Iowa, na qual se demonstrou a força do ativismo popular, e a noite decisiva de 4 de novembro de 2008, quando foi eleito 44º presidente dos Estados Unidos, o primeiro afro-americano a ocupar o cargo mais alto do país.

Ao refletir sobre a presidência, ele faz uma análise singular e cuidadosa do alcance e das limitações do Poder Executivo, além de oferecer pontos de vista surpreendentes sobre a dinâmica da política partidária dos Estados Unidos e da diplomacia internacional. Obama leva os leitores para dentro do Salão Oval e da Sala de Situação da Casa Branca, e também em viagens a Moscou, Cairo e Pequim, entre outros lugares. Acompanhamos de perto seus pensamentos enquanto monta o gabinete, enfrenta uma crise financeira global, avalia a figura de Vladímir Pútin, supera dificuldades que pareciam insuperáveis para aprovar a Lei de Assistência Acessível (Affordable Care Act), bate de frente com generais sobre a estratégia militar dos Estados Unidos no Afeganistão, trata da reforma de Wall Street, reage à devastadora explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon e autoriza a Operação Lança de Netuno, que culmina com a morte de Osama bin Laden.

Uma terra prometida é extraordinariamente pessoal e introspectivo — o relato da aposta de um homem na história, da fé de um líder comunitário posta à prova no palco mundial. Obama fala com sinceridade sobre os obstáculos de concorrer a um cargo eletivo sendo um americano negro, sobre corresponder às expectativas de uma geração inspirada por mensagens de “esperança e mudança” e sobre lidar com os desafios morais das decisões de alto risco. É honesto sobre as forças que se opuseram a ele dentro e fora do país, franco sobre os efeitos da vida na Casa Branca em sua esposa e em suas filhas e audacioso ao confessar suas dúvidas e desilusões. Jamais duvida, porém, de que no grande e incessante experimento americano o progresso é sempre possível.

Brilhantemente escrito e poderoso, este livro demonstra a convicção de Barack Obama de que a democracia não é uma bênção divina, mas algo fundado na empatia e no entendimento comum e construído em conjunto, todos os dias.

SEM TRADUÇÃO NO BRASIL

How could General Electric—perhaps America’s most iconic corporation—suffer such a swift and sudden fall from grace?

This is the definitive history of General Electric’s epic decline, as told by the two Wall Street Journal reporters who covered its fall.

Since its founding in 1892, GE has been more than just a corporation. For generations, it was job security, a solidly safe investment, and an elite business education for top managers.

GE electrified America, powering everything from lightbulbs to turbines, and became fully integrated into the American societal mindset as few companies ever had. And after two decades of leadership under legendary CEO Jack Welch, GE entered the twenty-first century as America’s most valuable corporation. Yet, fewer than two decades later, the GE of old was gone.

Lights Out examines how Welch’s handpicked successor, Jeff Immelt, tried to fix flaws in Welch’s profit machine, while stumbling headlong into mistakes of his own. In the end, GE’s traditional win-at-all-costs driven culture seemed to lose its direction, which ultimately caused the company’s decline on both a personal and organizational scale. Lights Out details how one of America’s all-time great companies has been reduced to a cautionary tale for our times.

SEM TRADUÇÃO NO BRASIL

The Overstory, winner of the 2019 Pulitzer Prize in Fiction, is a sweeping, impassioned work of activism and resistance that is also a stunning evocation of—and paean to—the natural world. From the roots to the crown and back to the seeds, Richard Powers’s twelfth novel unfolds in concentric rings of interlocking fables that range from antebellum New York to the late twentieth-century Timber Wars of the Pacific Northwest and beyond. There is a world alongside ours—vast, slow, interconnected, resourceful, magnificently inventive, and almost invisible to us. This is the story of a handful of people who learn how to see that world and who are drawn up into its unfolding catastrophe.

SINOPSE

Um paciente com câncer terminal consegue recuperar sua vida. Um talentoso médico desafia o HIV. Duas mulheres com doenças autoimunes descobrem que seus corpos se viraram contra elas. Imune entrelaça de maneira única essas histórias com o desejo e os esforços da humanidade para desvendar os mistérios da saúde e da doença, lançando nova luz sobre o sistema imunológico.

O sistema imunológico é a linha essencial de defesa do corpo, um guardião vigilante que enfrenta doenças e cura feridas, mantendo a ordem e o equilíbrio para que possamos continuar vivos. Suas legiões de soldados microscópicos — das células T até as “exterminadoras naturais”” — patrulham nosso corpo, passando informações por uma rede quase instantânea de comunicação. Com o decorrer dos milênios, ele foi aperfeiçoado pela evolução para encarar um número praticamente infinito de ameaças.

Apesar de toda a complexidade impressionante, o sistema imunológico pode ser danificado por cansaço, estresse, toxinas, idade avançada e nutrição pobre — características quase indispensáveis da vida moderna — e até mesmo por excesso de higiene. Paradoxalmente, é uma arma magnífica mas frágil, que pode se voltar contra o próprio corpo com resultados alarmantes, levando desordens autoimunes a níveis epidêmicos.

De maneira clara e fácil, Richtel guia seus leitores em uma investigação científica que vai da Peste Negra, passando por importantes descobertas do século XX, como vacinas e antibióticos, até os laboratórios de tecnologia de ponta que estão revolucionando a imunologia — talvez a história mais extraordinária e significativa da medicina de nossa época. Imune torna acessível revelações sobre imunoterapia para o tratamento de câncer, microbiomas e autoimunologia que estão mudando milhões de vidas, além de capturar em detalhes como estas terapias poderosas, junto com nosso comportamento e ambiente, interagem com o sistema imunológico, muitas vezes com consequências positivas, mas sempre com o risco de causar um desequilíbrio desastroso. Fazendo uso de sua experiência como jornalista do The New York Times e entrevistando dezenas de cientistas renomados mundialmente, Matt Richtel produziu um livro notável: tanto uma investigação dos enigmas profundos da sobrevivência quanto uma reportagem incrivelmente humana sobre a vida a partir do ponto de vista de seus quatro personagens principais, cada um contribuindo com um detalhe essencial de nosso sistema de defesa.

Escolha um desses títulos, leia e se insira no debate mundial sobre a nossa sobrevivência no planeta.  Eu, certamente irei ler pelo menos dois desses livros, assim que terminar A dança do universo, de Marcelo Gleiser.  Outro livro imperdível.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

17 06 2021
Ilustração Kate Greenaway.

 
“A paciência é uma árvore de raiz amarga e fruta muito doce.”




Imagem de leitura: Ricard Canals i Llambí

16 06 2021

Menino estudando, 1922

Ricard Canals i Llambí (Espanha, 1876-1931)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Museu Nacional de Arte da Catalunha





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

16 06 2021

Natureza morta, 1936

Arthur Kaufmann (Alemanha/Brasil, 1888 -1971)

óleo sobre tela, 60x 80 cm





Trova das lembranças

15 06 2021
Ilustração de Steven Noble.

 

Lembranças, quem não cultiva ?

Afinal, a nossa mente,

faz questão de manter viva,

além do fruto, a semente…

 

(Nélio Bessant dos Santos)





Noite de São João, poesia de Alberto Caeiro

14 06 2021

Festa de São João, 2007

Enrico Bianco (Itália/Brasil, 1918 – 2013)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

 

 

Noite de São João

Alberto Caeiro

 

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.

Do lado de cá, eu sem noite de S. João.

Porque há S. João onde o festejam.

Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,

Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.

E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

 

 

Em: Poemas completos de Alberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 242





Flores para um sábado perfeito!

12 06 2021

Vaso com flores

Moisés (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 80 x  100 cm








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