Motivo, poema de Cecília Meireles

17 10 2019

 

 

 

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)Mulher lendo (esposa do pintor), 1962, pastel sobre papelão, 50 x 44 cmMulher lendo (esposa do pintor), 1962

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)

pastel sobre papelão, 50 x 44 cm

 

Motivo

 

Cecília Meireles

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

 

Em: Antologia Poética, Cecília Meireles,  Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001





Imagem de leitura –Eilif Peterssen

10 10 2019

 

 

 

Eilif Peterssen, Noite de verão na ilha de Sando

Noite de verão na ilha de Sando, 1890

Eilif Peterssen (Noruega, 1862 – 1928)

Coleção Particular





Imagem de leitura — Charles-Clos Olsommer

4 10 2019

 

 

 

charles-clos-olsommer-mystische-versenkungImersão mística

Charles-Clos Olsommer (França, 1883 – 1966)

 





Imagem de leitura — Eliseu Visconti

2 10 2019

 

 

 

Eiseu VIsconti, Primavera em Saint Hubert - 1916 Visconti pinta sua família (Louise de azul, Yvonne, Afonso no carrinho e Tobias).Primavera em Saint Hubert, c. 1915

Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866 – 1944)

óleo sobre tela, 36 x 49 cm

Coleção Airton Queiroz





Imagem de leitura — Chen Bolan

28 09 2019

 

 

 

Chen Bolan (China, 1955) Girl Reading Near a WindowMenina lendo próximo à janela

Chen Bolan (China, 1955)





Leitura silenciosa, conosco a partir da Idade Média

28 09 2019

 

 

 

4b Benson, Ambrosius Benson - Young Woman in Orison Reading a Book of Hours, 1520sJovem em oração lendo o Livro de Horas, 1520

Ambrosius Benson ( Itália, 1495 – Flandres, 1550)

óleo sobre madeira, 21 x 13 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Uma das consequências inesperadas do IV Concílio de Latrão, também chamado de O grande Concílio, em 1215,  sob liderança do papa Inocêncio III, foi o nascimento da leitura silenciosa, individual.

Neste concílio, o maior concílio  ecumênico  da  Idade  Média,  a Igreja decidiu que as confissões de pecados seriam mandatórias para o povo, para as massas.  E que todo cristão que tivesse atingido a idade de discrição (primeira comunhão) deveria, pelo menos uma vez ao ano, confessar seus pecados ao padre de sua paróquia. (cânone 21, conhecido como Omnis utriusque sexus).

Até então a catequese tinha base no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações.  Seguia-se os passos da Igreja nos seus primórdios em que fiéis passavam seus bens para  a causa cristã e dividiam tudo entre eles. Com esse espírito houve maior adesão de leigos à Igreja e, entre outros hábitos,  a leitura da Bíblia  era comunitária.  O sistema feudal muito colaborou  para a manutenção de atitudes comunitárias.

A Igreja sempre considerou importante manter domínio sobre a  interpretação dos Evangelhos, portanto, não foi sem controvérsia, que aceitou os hábitos comunitários, baseados nos primórdios do desenvolvimento cristão. O concílio de 1215, tentou colocar um fim nisso, trazendo, entre outras modificações, a leitura para o âmbito individual.  Enquanto a confissão individual foi uma tentativa da Igreja  de se aproximar do povo, conhecer as verdadeiras preocupações do indivíduo,  na intimidade do confessionário pessoal, íntimo e velado.

 

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Com esta decisão o conceito de moralidade na Europa passou de externo, comunitário, onde todos eram responsáveis por todos;  para ser pessoal, ou seja, moralidade dependente do caráter, do juízo pessoal  e não mais dependente do julgamento da comunidade.  O nascimento da responsabilidade individual, que dois séculos depois fomentou o humanismo da Renascença, no século XIII deu espaço a hábitos solitários, como a leitura individual.

Mais tarde, esse individualismo na leitura,  foi auxiliado  com a invenção dos tipos móveis de Gutenberg que permitiu a publicação de livros com custo muito menor.

Mesmo assim, a leitura, silenciosa, individual, crescendo no íntimo do leitor, só passou a ser comum em meados do século XVIII.  Até então, a leitura pública era comum.





Imagem de leitura — Alfredo Rodriguez

5 09 2019

 

 

 

ALFREDO RODRIGUEZ (Mexico, 1954)

Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011

Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)

óleo sobre tela








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