Imagem de leitura — John Callcott Horsley

2 07 2020

 

 

John Callcott Horsley (British 1817-1903), At The Window, the Terrier Anxious to Join the Hunt in the Distance, nd, ostÀ janela, terrier ansioso para ir à caçada na distância, 1877

John Callcott Horsley (GB, 1817-1903)

óleo sobre tela, 61 x 53 cm





Imagem de leitura — Géza Polgáry

28 06 2020

 

 

Geza Polgary (Hungria 1862-1919) Moça lendo em um barco, 1889, ostMoça lendo num barco, 1889

Géza Polgáry (Hungria, 1862 – 1919)

óleo sobre tela





Resenha: “A distância entre nós”, Thrity Umrigar

25 06 2020

 

 

Girl reading, Painting by Vishalandra Dakur (India), Oil on Wood. Its dimensions are 25.4x20.3x0.5 cm.Jovem lendo

Vishalandra Dakur (India, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 24 x20 cm

 

Na geometria projetiva duas linhas paralelas se encontram no infinito.  No livro A distância entre nós de  Thrity Umrigar elas não só se encontram como colidem por volta da página trezentos.  Trata-se da história de duas famílias lideradas por mulheres viúvas, na maior e mais importante cidade indiana, Bombaim.  Sera Dubash é uma mulher de classe média alta, parsi, que vive confortavelmente num apartamento na zona residencial da metrópole.  Tem uma filha, casada, passando pela primeira gravidez e cuida da sogra idosa e acamada.  Sera tem uma empregada doméstica há mais de vinte anos, Bhima, com mais de sessenta anos, cujas dores do corpo maltratado precisa ignorar para trabalhar e manter a neta estudando.  Bhima é extremamente pobre. Vive numa favela na cidade, numa casa sem banheiro próprio. Necessita usar o sanitário comum do local e,  sem móveis, dorme no chão.

Ainda que Sera e Bhima vivam em mundos distantes, cada qual, à sua maneira, trata da outra, conhecendo os segredos que cada uma esconde, a vergonha social que as domina.  Sera foi protagonista de casamento violento e foi constantemente maltratada pela sogra que hoje depende de sua assistência. Bhima foi abandonada pelo marido, que ao sair de casa levou com ele o filho, deixando para trás a pequena irmã do menino.  Ao longo das décadas de serviço as duas mulheres vieram a se solidarizar com os sacrifícios que sabiam a outra fazia.  Bhima perde a filha e o genro para a AIDS e cria, agora, nos últimos anos de vida a neta, que, recipiente da generosidade de Sera, estuda na universidade, o que seria impossível de outra forma.  No entanto, quando o livro inicia, sabemos que uma grande desgraça acontece com Maya, neta de Bhima.  Ela engravida ainda solteira, enquanto cursa a faculdade e  Bhima se vê sem meios de resolver o problema a não ser com a ajuda de Sera e sua família. A solução e as razões evocadas para tal são fonte de grande conflito interior para Bhima e Maya e só no final, entendemos perfeitamente os motivos de tanto sofrimento.

 

A_DISTANCIA_ENTRE_NOS_1228172001B

 

Temos, portanto, uma prato cheio de emoções conflitantes. agravadas por preconceitos sociais, pobreza, intolerância e separação de castas sociais culturalmente mantidas, a despeito da constituição indiana de 1947, que as abole.

Thrity Umrigar é excelente escritora.  Mantém bom ritmo na narrativa, descreve, através dos pensamentos dos personagens, ambientes à sua volta. Diálogos e linhas de pensamento, reflexões sobre eventos passados abrem a porta para vislumbramos conflitos presentes. O texto corre solto, sem soluços,  visita cada família esboçada, e reflete das dúvidas às ações nem sempre dignas dos personagens.  Em menos tempo do que se imagina, é possível ver que as duas famílias se espelham e o paralelismo entre as realidades é conduzido com maestria.

 

MG_3278_mcavottaThrity Umrigar

 

Há leitores e leitores. Nos meus grupos de leitura A distância entre nós teve aprovação quase unânime.  O livro foi considerado repleto de questões relevantes, uma entrada para a cultura milenar da Índia, reflexivo sobre as emoções humanas mais conhecidas, arrebatadoras. Amor, traição, decepção, esperança, sacrifício, felicidade são todas emoções fortes, tratadas no desenvolver da história.  Sinto revelar que fui a voz da discórdia. Justamente porque há leitores e leitores.  A mim, agradam textos mais sutis. A meia palavra fere mais do que a altercação. Querelas sentimentais me cansam.  Não sou adepta da novela, muito menos das explosões emotivas tradicionalmente retratadas nos seriados mexicanos, por exemplo.  Arroubos de emoção (seja ela a que for) me distanciam.  Acho-os de difícil empatia. E a escrita de Thrity Umrigar, neste livro, detalha as fortes emoções que levam a decisões extremas.  Um pouco fora da minha preferência.

Mas, se você acredita nas emoções violentas, nas emoções mais básicas do ser humano, do amor à traição e não se incomoda com os dramalhões.  Se você é noveleiro, se entende e simpatiza com o sofrimento escancarado dos personagens, este livro é para você. Boa história, resolução final esperançosa.  Vá em frente. Você vai gostar.





Três poemas de José Ildone

22 06 2020

 

 

Martha Wendelin (Finnish. 1893-1986).Oma Koti, March 1934.Oma Koti, 1934

Martha Wendelin (Finlândia. 1893-1986)

óleo sobre tela

 

 

Três poemas de José Ildone

 

Receita

Tome este remédio.

É excelente,

Cura dores reumáticas,

traumáticas, gramáticas

e matemáticas.

 

Ode à distância

Nada é tão longe

que não se chegue

lá.

(Mesmo a morte)

 

Gaiola

Entre grades

passa

o canto

-manco.

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 243-4

 

 

 





Imagem de leitura — Alexis Grimou

20 06 2020

 

 

Alexis Grimou (1680-1740),ReaderLeitora

Alexis Grimou (França, 1680-1740)





Imagem de leitura — Murman Kuchava

17 06 2020

 

 

 

Murman Kuchava (Georgia) sem título do portal, kuchava-art.narod.ruJovem lendo

Murman Kuchava (Geórgia, 1962 – Radicado nos EUA)

óleo sobre tela





10 de junho, dia de Camões

10 06 2020

 

JESSER VALZACCHI - Tarde de domingo - Óleo sobre tela - 90 x 70 - 2014Tarde de domingo,  2014

Jesser Valzacchi (Brasil, 1983)

óleo sobre tela,  90 x 70 cm

 

Quem vê, Senhora, claro e manifesto

 

Luís de Camões

Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder a vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.





Bombaim moderna, por Thrity Umrigar

10 06 2020

 

 

Robin FreedenfeldRetrato de Merry

Robin Freedenfeld (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 66 x 81 cm

 

 

“Antigamente, as mulheres pelo menos eram poupadas das cotoveladas e dos empurrões que aconteciam sempre que um ônibus aparecia no ponto como se fosse uma fera mitológica. Mas, na Bombaim de hoje, é cada um por si, e os delicados, os fracos, os mais novos e os mais velhos, entram nos ônibus superlotados por sua própria conta e risco. Bhima se sentiu como se mal conhecesse a cidade agora — algo de confuso, perverso e cruel se desencadeou dentro dela. Via os sinais dessa nova perversidade em todo lugar. As crianças das favelas amarravam bombinhas nos rabos dos vira-latas e depois riam e batiam palmas ao ver o pobre animal correndo em círculos , enlouquecido de medo. Universitários ricos ficavam loucos de raiva se um pivete de rua de cinco anos sujasse a janela de seus BMWs e de seus Hondas faiscantes.  Todos os dias, Serabai lia o jornal e lhe contava a última desgraça — um representante de um sindicato morto a pauladas por ter ousado exortar os operários da fábrica a organizar um movimento reivindicando um aumento de duas rúpias; o filho de um político absolvido depois de atropelar três crianças faveladas a caminho de uma festa; um casal de idosos parses assassinado na cama por uma empregada que trabalhou para eles durante quarenta anos; jovens nacionalistas hindus escrevendo com seu próprio sangue notas de congratulações para celebrar o teste bem-sucedido de uma nova arma nuclear. A cidade parecia ter enlouquecido de ganância e fome, de poder e impotência, de riqueza e pobreza.

Bhima podia sentir a maldade correndo como lodo em suas veias enquanto esperava o ônibus. Quando a fera vermelha aparecia em meio a uma nuvem de fumaça, sentia seu coração disparar enquanto observava os outros passageiros, na tentativa de avaliar quem parecia mais fraco e vulnerável, e que, portanto, podia ser empurrado a cotoveladas para fora do seu caminho. Assim que o ônibus parava, a fila se desintegrava e se transformava numa multidão amorfa. Outras pessoas chegavam correndo de todas as direções, tentando entrar no ônibus, antes mesmo de ele parar. Uma vez, um idoso com um pé no degrau e o outro ainda na calçada foi arrastado durante meio quarteirão até que os gritos de outros passageiros fizeram com que o motorista parasse. Bhima notou que as pernas do homem estavam tremendo tanto que seria impossível para ele embarcar. O motorista o olhou com impaciência, do alto do seu poleiro imperial.

— Vai entrar ou não vai? — perguntou, mas o pobre homem ficou parado ali, ofegante.

O motorista estalou a língua e tocou o sinal novamente.  O ônibus partiu, deixando o passageiro no meio da rua, despejado como um pacote sem destinatário.”

 

Em: A distância entre nós, Thrity Umrigar, tradução de Paulo Andrade Lemos, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2006, pp 97-99.

 





Curiosidade sobre Goethe

8 06 2020

 

Coffee and Parasol, Aldo Balding(GB,1960), Oil on canvas, 50cm x 40cmCafé e guarda-sol 

Aldo Balding (GB, 1960)

óleo sobre tela,  50 x 40cm

 

O humor do escritor alemão Johann Wolfgang Goethe pode ser vislumbrado na ocasião em que escreveu uma longa carta para um de seus amigos.  No final ele adicionou uma  nota explicando:  “Sinto muito por mandar uma carta tão longa, mas não tive tempo suficiente para escrever uma menor.”





Imagem de leitura — Fritz von Uhde

7 06 2020

 

 

Fritz_von_Uhde_-_Das_Bilderbuch_I_(1889)O livro de figuras, 1889

Fritz von Uhde (Alemanha, 1848 – 1911)

óleo sobre tela, 60 x 49 cm

Frye Art Museum, Seattle

 








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