Trova para o cansaço da vida

16 08 2016

 

 

pensando na vidaPiteco pensando na vida © Maurício de Sousa

 

 

Da vida ao brando balanço

diz o malandro, folgado:

— Se a morte é mesmo descanso,

prefiro viver cansado.

 

 

(Maia D’Athayde)

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Resenha: “A delicadeza” de David Foenkinos

15 08 2016

 

 

Marc Chalmé (França, 1969) New windows 162 x 130 cm,ostNew windows

Marc Chalmé (França, 1969)

óleo sobre tela, 162 x 130 cm

 

 

Acho surpreendente a chuva de elogios ao livro A delicadeza do escritor francês David Foenkinos.  Trata-se de uma história sobre a lenta recuperação, o processo de luto, sofrido por uma viúva.  A história culmina na escolha de um novo parceiro; uma escolha que parece improvável e imprevisível por aqueles que conheciam a viúva.   O luto como tema, não é surpreendente. Muitos livros já foram escritos sobre o assunto. Recentemente lançado no Brasil, Nora Webster, do irlandês Colm Tóibin, trata justamente do tema, com muito maior complexidade.

Aqui, no entanto, temos uma história banal.  Previsível.  Um livro que pretende descrição de emoções complexas, mas cai no enfoque raso e simplório. O texto, repleto de frases intencionalmente forjadas com o desejo de parecerem “pensamentos profundos”,  não é nada mais do que  uma maneira superficial de explorar os sentimentos humanos.  Não recomendo.

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Receitas e outras interrupções irrelevantes na literatura

14 08 2016

 

 

 

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Moda? Tendência?  Já notou como está na moda a sequência de notas totalmente irrelevantes ao desenvolvimento de uma narrativa, no meio de um texto?  Digamos um romance?  Não consigo imaginar a razão desse fenômeno.  Há alguns anos parecia uma característica de um ou outro escritor, mas agora, talvez por coincidência, parece que estou rodeada desses textos.  Nessas férias li dois livros seguidos com interrupções da narrativa para a apresentação de receitas culinárias.  Para quê?  Para parecer mais real?  Por que tenho que ler como se faz um risoto de aspargos quando os personagens de A delicadeza, de David Foenkinos, estão num restaurante conversando sobre outras coisas, não relacionadas à culinária?  Por que de repente me encontro com a receita do prato que eles pediram para o garçom?  Por que  isso é relevante?   Por que gastar a energia e a atenção do leitor quando esse detalhe não terá nenhuma relevância na história?

O mesmo ocorre com o recém-lançado Etta e Otto e Russell e James de Emma Hooper,  onde de repente, na página 54, não é suficiente sabermos que “Otto pegou  um cartão da seção de café da manhã/lanches” – e fez pãezinhos de acordo com a receita que encontrou.  Não.  Temos que gastar o nosso tempo de leitura com toda a receita, verbatim, de Pãezinhos de canela, para  logo em seguida, na página 56, sermos apresentados à receita de Testar o fermento, para os referidos pãezinhos.  Nada além disso irá acontecer a respeito desses pães.  Ninguém vira padeiro, ninguém é envenenado.  É uma aparição gratuita.

Não se trata em nenhum desses casos da história de um personagem envolvido numa cozinha, cozinheiro, ajudante de cozinha, ou alguém num programa de televisão de culinária.  Não.  São personagens com outras profissões. Com outros problemas. Não se trata de obras como A festa de Babette,  filme de 1987, onde o próprio fazer de uma refeição é o ponto central da trama.

Entendo que é uma moda: a mistura de receitas com texto.  Mas há que haver uma razão para isso, como houve  em  2011.  O oficial dos casamentos, livro do inglês Anthony Capella é um exemplo.  Um romance leve sobre o finalzinho da Segunda Guerra Mundial na Itália.  Havia receitas no texto, mas havia também uma cozinheira que era um personagem principal.

Reclamo de toda essa informação  descartável, desnecessária, desimportante que atola a imaginação do leitor com dados  insignificantes e totalmente desprezíveis.

Emma Hooper abusa do truque da informação irrelevante.  Depois da personagem Etta receber uma carta, a autora lista verbatim, cada carta resposta possível que Etta não escreveu. São sete as cartas começadas com a seguinte introdução:  “Quando Etta respondeu, não disse, [seguida de uma carta].  Sete vezes esse detalhamento do que não aconteceu.  Na oitava versão, a introdução: “O que ela disse foi, [páginas 140 e 141].  Ora pura preguiça de narrar e selecionar o que  é importante.

Espero que passe logo essa nova estética de “reality show” na literatura. Porque se eu quisesse novas receitas, acreditem ligaria a televisão nos canais especializados em culinária e aprenderia a fazer um jantar com os melhores professores, não iria ser um romancista a me dar aulas de pãezinhos ou risoto.  Posso aprender com os grandes chefes, diretamente de suas cozinhas.

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Nossas cidades: Cabo Frio

8 08 2016

 

 

VAN DIJK, Wim (1915 - 1990) - Rua de Cabo Frio, com igreja de São Benedito, o.s.t. - 28 X 46 - Assinado cid e verso, datado 1980Rua de Cabo Frio com igreja de São Benedito, 1980

Wim van Dijk (Holanda/Brasil, 1915- 1990)

óleo sobre tela, 28 x 46 cm





Soneto à Bomba Atômica, de Lêdo Ivo

8 08 2016

 

 

atomic-garden-ii-carissa-rose-stevensJardim Atômico II, 2010

Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)

aquarela e marcador permanente sharpie

 

 

Soneto à Bomba Atômica

Lêdo Ivo

 

 

O mundo em peso cai-me sobre os ombros

e em seguida se evola, sol de urânio.

Arquipélago branco, sai da terra

a rosa nuclear da anunciação.

 

Fossem meus braços límpidas colunas

e eu deteria o mundo enfurecido

por esta luz atômica que sobe

ao convívio dos céus despedaçados.

 

Ó corola de átomos, leitosa

flor da quinta estação da terra em pânico

que se exibe à feição do Apocalipse,

 

sê para nós igual à rosa branca

da paz, sempre banhada pelo orvalho

monumental das lágrimas dos homens!

 

 

Em: Central poética, Lêdo Ivo,  Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.

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Flores para um sábado perfeito!

6 08 2016

 

 

wega nery, saudades, ostSaudades

Wega Nery (Brasil, 1912-2007)

óleo sobre tela





31ª Olimpíada — RIO DE JANEIRO!

5 08 2016

 

 

Pão300aPão de açúcar, 2011

Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)

acrílica sobre tela, 30 x 70 cm

http://www.luciadelima.com

 

 

 

 

atletas vicente do rego monteiro, ost,91 x 122 cmAtletas, s/d

Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)

óleo sobre tela, 91 x 122 cm

Acervo do Banco Central do Brasil

 

 

Eugênio Proença Sigaud (1899-1979) O lançador de Dardos, osm, 33x29O lançador de dardos, s/d

Eugênio Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)

óleo sobre madeira, 33 x 24 cm

 

 

José Zaragoza. Desenho%20de%20ZaragozaCorrida de obstáculos

José Zaragoza (Espanha, 1930, radicado no Brasil)

desenho

 

 

inos-corradin, basquette I, ost, 80x60,sdBasquete

Inos Corradin (Itália, 1929, radicado no Brasil)

óleo sobre tela, 80 x 60cm

 

 

Bia Betancourt [Beatriz Falanghe Betancourt] (Brasil, 1963) Pelotão na curva. ast. 150 x 120Pelotão na curva, s/d

Bia Betancourt [Beatriz Falanghe Betancourt] (Brasil, 1963)

acrílica sobre tela, 150 x 120 cm

 

 

TAIGO MEIRELES, OST Gol do Pelé, 50x61 cm, 2013, assinadoO gol de Pelé, 2013

Taigo Meireles (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 51 x 60 cm

 

Glauco Rodrigues, salto ornamental,Ícaro  [também conhecida como Salto Ornamental], 1987

Glauco Rodrigues (Brasil, 1929)

serigrafia

 

 

Claudio Tozzi - Tênis - 67 x 67 cm - ASP - Ass. CID e Dat. 1999 -Tênis, 1999

Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)

acrílica sobre placa,  67 x 67 cm

 

 

SERGIO BEBER- Sailing LXX - OST 20x40 cm - 2013 - A.C.I.DSailing LXXI, 2013

Sérgio Beber (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 20 x 40 cm

 

 

Boxeur, Francisco ParlagreccoBoxeur

Francisco Parlagreco (Brasil, 1916-1974)

óleo sobre tela, 84 x 64 cm

 

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