FLORES, de Oscar Araripe na Galeria Manuel Bandeira na ABL

24 09 2010
Galeria Manuel Bandeira, Academia Brasileira de Letras.  Foto: Ladyce West

Desde o início de setembro a Galeria Manuel Bandeira, da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, está com uma exposição do artista carioca, radicado em Tiradentes, MG,  Oscar Araripe.  A mostra, intitulada FLORES, é uma excelente e sucinta demonstração do estilo leve e risonho desse pintor que tem como característica a pintura gestual e um uso de cores quase expressionista.  A assinatura pictórica de Oscar Araripe está justamente na alegria transmitida pela sua escolha de temas e cores.  Suas flores, ocasionalmente tão leves quanto borboletas, transmitem uma imensa leveza, felicidade, jocosidade que não pode deixar o observador indiferente. 

Flores XXII, 2010

Oscar Araripe, ( Rio de Janeiro, contemporâneo)

Acrílica sobre tela sintética.  110x120cm.

Tradicionalmente o tema das telas apresentadas nessa exposição cairia no gênero: Natureza Morta, que trata da representação pictórica de flores, frutos, entre outros objetos inanimados.  Esses temas tradicionais retornam às primeiras representações na civilização ocidental onde tanto na Grécia como na Roma antigas pintores já compunham cenas inteiras com flores e frutos e outros objetos.  Mas o movimento capturado nas telas de Oscar Araripe, as cores, a alegria brigam para serem consideradas “naturezas vivas”.  

Galeria Manuel Bandeira, ABL, exposição de Oscar Araripe.  Foto: Ladyce West.

Flores, tem um eco de arte francesa, de Matisse: são as cores, é o desenhista por trás do pintor,  é a superimposição de imagens dando um ar de estamparia.  Mas, conhecendo outros trabalhos, anteriores, de Oscar Araripe e principalmente suas paisagens sabemos que se trata de um vocabulário personalíssimo,  de uma sofisticação desenvolvida pelo traço rápido e preciso que aparece mesmo na tinta, longe do esboço de desenhos.

Oscar Araripe

É um prazer percorrer esta pequena – 31 telas – exposição  e sair da galeria leve, feliz, de bem com a vida.  Recomendo a visita, vale a pena!

Para contato com o pintor: www.oscarararipe.com.br

 

SERVIÇO

Flores

Exposição de telas de Oscar Araripe

Até dia 8 de outubro

Galeria Manuel Bandeira

Mezanino do Palácio Austregésilo de Athayde

Academia Brasileira de Letras

Av. Presidente Wilson ao lado do Petit Trianon

CENTRO

Rio de Janeiro

Horário: de 2ª  a 6ª feira das 13 às 18 horas

ENTRADA FRANCA





Vª Feira de livros de Porto de Galinhas começa esta semana!

2 11 2009

fliporto 2009

HOMENAGEADO
JOÃO CABRAL DE MELO NETO

 PROGRAMAÇÃO 2009 
CENTRO DE CONVENÇÕES 1 DO HOTEL ARMAÇÃO
NA INTERNET – www.fliporto.net

DIA 5 (QUINTA-FEIRA)

12:30h – Inauguração da Fliporto Digital: Exposição, Biblioteca Virtual (1) e Sala de Conferências do Centro de Convenções (2)

13h – 1ª Vídeo-conferência – BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA | FLIPORTO
Palestra de Antônio Campos: “O livro: reflexões no século XXI”. Apresentação e mediação de Antonio Miranda
13:30 às 14:00h – Debate. Participantes DF: Carlos Alberto Xavier (assessor especial do Ministro da Educação) e Salomão Sousa, poeta e editor das obras da Bienal Internacional de Poesia de Brasília
14:10h – 2ª Vídeo-conferência – BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA | FLIPORTO
Palestra de Antonio Miranda: “Literatura na Internet, uma nova ‘Utopia’?” Apresentação e mediação de Cláudia Cordeiro
14:45 às 15:10h – Debate. Participantes DF: Dra. Elmira Simeão, chefe do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasilia e o webdesigner e programador de midia interativa Alexandre Rangel, autor do software de animação de textos Quase-Cinema
17:00h – Início da transmissão ao vivo da programação literária, no Centro de Convenções 2 do Hotel Armação
DIA 6 (SEXTA-FEIRA)
13:30h – Vídeo Conferência. “O cão sem plumas”, João Cabral de Melo Neto. Universidade de Lecce – Fliporto. José Paes de Lira lê o poema e alunos da Universidade de Lecce, mediados pela professora e tradutora Kátia de Abreu Chulata abrem debate com convidados mediados pelo escritor e tradutor Antônio Miranda.
DIA 7 (SÁBADO)
13:00h – “Mix Leitor D”, palestra de Diego Mello e Murilo Marinho (Transmissão ao vivo)
14:00h – “Edição de sites literários, investimento ou disperdício?” Participação de Antônio Miranda e intervenções dos vencedores do 3º Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo – Lis Paim, Daniel Retamoso Palma, Simone Costa –e 2º Prêmio Literatura no Celular – César Jácome Philippini, Eduardo Sales de Souza, Edna Rubia Mendes Facundo – mediados por Cláudia Cordeiro

DIA 8 (DOMINGO)
16:00h – Solenidade de encerramento (transmissão ao vivo)
Homenagem a Antônio Campos, por Diva Pavesi e Delasnieve Daspet. (16 às 16:15h) || Entrega da premiação aos Vencedores do 5º Prêmio Maximiano Campos de Literatura (16:15 às 16:30h) || Entrega da premiação aos vencedores do 3º Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo e do 2º Prêmio Literatura no Celular (16:30 às 17h) || Palavras de Antônio Campos
_________________
(1) A Exposição e a Biblioteca Virtual permanecerão acessíveis durante os quatro dias do evento com a assistência de personal trainers tecnológicos.
(2) A Sala de Conferências funcionará durante os quatro dias reproduzindo em TV DIGITAL toda a programação literária ao vivo, vídeos dos prêmios das versões anteriores, além de vídeos produzidos por demanda, editados pela equipe e disponibilizada no http://www.fliporto.net (videocast) : a) em outras áreas do evento: Fliporto Criança e Espaço Latino-américa; Tribuna Livre, Espaço Casa Latino-América b) Entrevistas





12 de junho, Dia dos Namorados!

12 06 2009

amor 10





Prêmio São Paulo, Literatura, Finalistas

9 06 2009

premio

Chico Bento e Rosinha, ilustração de Maurício de Sousa.

 

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo divulgou no dia 3 da semana passada os nomes dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura. O anúncio foi feito durante o II Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, realizado no último final de semana, no distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos. Este ano, o prêmio recebeu 217 inscrições.

Os vencedores nas categorias Melhor Livro do Ano de 2008 e Melhor Livro – Autor Estreante do Ano de 2008 serão anunciados no dia 3 de agosto, em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa. Cada um receberá prêmio de R$ 200 mil.

Conheça os finalistas.

FINALISTAS PARA: Prêmio de Melhor Livro do Ano:

Carola Saavedra – Flores azuis — Editora: Companhia das Letras  –

No apartamento para onde se mudou depois de se separar da mulher e da filhinha de três anos, um homem recebe uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial “A”. Também separada, a autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário.
Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso, o que acaba por desestabilizar a sua relação com o trabalho, com a ex-mulher, com a filha e com a atual namorada, todas elas mulheres que ele não compreende e pelas quais se sente acuado.
Desse extravio de correspondência, que talvez não seja tão acidental como parece à primeira vista, constrói-se aos poucos uma trama virtual que funde as trajetórias da misteriosa “A” e do perplexo protagonista.
asp, flores azuis, carola saavedraAlternando as cartas com o relato em terceira pessoa do cotidiano e da perturbação mental do homem que as lê, Flores Azuis pode ser visto como uma atualização crítica do gênero do romance epistolar. Seu desfecho inesperado e vertiginoso instiga o leitor a construir novos nexos e imaginar toda uma outra história oculta.
Com uma prosa refinada e uma construção engenhosa, que valoriza ao extremo as potencialidades do não-dito, a jovem autora Carola Saavedra confirma o talento revelado em seu romance anterior, Toda terça.

João Gilberto Noll – Acenos e afagos — Editora: Record

Acenos e Afagos  são palavras doces que soam a todo momento como notas musicais nessa epopéia libidinal, como define esse livro, em certo momento, divertidamente, o personagem-narrador. Como em “A Fúria do Corpo” (de 1981), outra grande obra de João Gilberto Noll, é a libido, radicalmente, que move a escrita (e não será sempre assim, em toda arte, por mais que se disfarce?). Uma libido, no presente caso, quase sempre homoerótica, sem freios, culpa ou pecado e, por isso mesmo, pode- se falar, a respeito de Noll, em santidade, como no caso Genet visto por Sartre. Mas tudo isso, que já é muito, não bastaria para tornar JGN um dos maiores escritores de todos os tempos no país, e sim por que o caso Noll é o de uma Palavra única, inicial, que tem origem, como em outros grandes mestres, naquela zona de sombra entre o inconsciente e o consciente. Palavra que dificilmente pode ser explicada por outro código que não ela mesma. Pois, como está no Livro, os mistérios não gostam de ser nomeados. O que não me impede de dizer que em Acenos… estará o leitor também diante do nu e do cru, de um desapego literário, que o podem levar a um estado de choque, literalmente, sem abdicar, até pelo contrário, dos raios de poesia que sempre iluminaram a prosa do autor. Em Acenos e Afagos, entre tantas coisas, o masculino – o narrador, ex-morto – se torna mulher, asp, acenos e afagos, nollque no entanto come o seu homem, o engenheiro que vem de um submarino alemão de sodomitas para salvar o narrador com uma respiração boca-a-boca no caixão. Ri muito nessa passagem, como não? Leitores como eu sempre encontraram nos livros de Noll um senso de humor um tanto secreto, mas que em Acenos… pode chegar ao hilariante, como na cena de libidinagem radical entre o protagonista e uma senhora de mais de oitenta anos, sequiosa de esperma. E o autor ainda conseguiu a proeza de tornar cheia de graça e amor as relações desse protagonista com uma cabra. Sim, talvez seja da natureza de algumas grandes artes um certo, ou pleno, desvio, que obrigatoriamente deve passar pelo estético (sem frescura).

José Saramago – A viagem do elefante — Editora: Companhia das Letras

“Por muito incongruente que possa parecer…”, assim começa o novo romance – ou conto, como ele prefere chamá-lo – de José Saramago, sobre a insólita viagem de um elefante chamado Salomão, que no século XVI cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. O episódio é verdadeiro. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d´Áustria, resolveu numa bela noite de 1551 oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos V, nada menos que um elefante. O animal viera de Goa junto com seu tratador, algum tempo antes. De início, o exotismo de um paquiderme de três metros de altura e pesando quatro toneladas, bebendo diariamente duzentos litros de água e comendo outros tantos quilos de forragem, deslumbrara os portugueses, mas agora Salomão não passava de um elefante fedorento e sujo,mantido num cercado nos arredores de Lisboa. Até que surge a idéia mirabolante de presenteá-lo ao arquiduque, então regente da Espanha e morando no palácio do sogro em Valladolid. Esse fato histórico é o ponto de partida para José Saramago criar, com sua prodigiosa imaginação, uma ficção em que se encontram pelos caminhos da Europa personagens reais de sangue azul, chefes de exército que quase vão às vias de fato, padres que querem exorcizar Salomão ou lhe pedir um milagre.Depois de percorrer Portugal, Espanha e Itália, a caravana chega aos estreitos desfiladeiros dos Alpes, que Salomão enfrenta impávido. A viagem do elefante, primeiro livro de José Saramago depois do relato autobiográfico Pequenas memórias (2006), é uma idéia que ele elaborava há mais de dez anos, desde que, numa viagem a Salzburgo, na Áustria, entrou por acaso num restaurante chamado O Elefante. asp, aviagem do elefante, saramago

Com sua finíssima ironia e muito humor, sua prosa que destila poesia, Saramago reconstrói essa epopéia de fundo histórico e dela se vale para fazer considerações sobre a natureza humana e, também, elefantina. Impelido a cruzar meia Europa por conta dos caprichos de um rei e de um arquiduque, Salomão não decepcionou as cabeças coroadas. Prova de que, remata o autor, sempre se chega aonde se tem de chegar.

Lívia Garcia-Roza – Milamor — Editora: Record

Uma das mais importantes vozes da literatura brasileira, Livia Garcia-Roza a cada novo romance nos impressiona pela beleza e profundidade asp,milamor, garcia-rozade suas histórias. Maria é uma mulher com quase 60 anos que, desde a morte do marido, mora com a filha que a trata como se fosse uma senhora incapaz de tomar conta de si própria. Com a esperança de recuperar a alegria em sua vida e determinada a criar novas memórias, ela alimenta uma paixão platônica por um homem que mal conhece em uma história envolvente.

Maria Esther Maciel – O livro dos nomes — Editora: Companhia das Letras

Os vinte e seis capítulos deste livro, cada um deles correspondendo ao nome de um personagem, compõem um quebra-cabeças ficcional que aos poucos ganha forma e sentido na imaginação do leitor. Hildegarda, asp, o livro dos nomes, maria esther macielFausto, Plínio, Odília, Ulisses, Vanessa – cada um é examinado detidamente num capítulo próprio e apresentado de modo parcial e oblíquo nos capítulos referentes a outros personagens. Aqui, todos têm suas razões e sua loucura e cada destino refrata e matiza os outros. Organizando seus personagens em ordem alfabética, de Antônio a Zenóbia, Maria Esther Maciel joga com o formato dos dicionários de nomes, descobrindo ou inventando etimologias, erigindo crenças, teorias e clichês para dissipá-los logo em seguida.

Milton Hatoum – Órfãos do Eldorado — Editora: Companhia das Letras

Numa cidade à beira do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e, incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta para Arminto Cordovil começar a contar a história de Órfãos do Eldorado: a história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, mas também a crônica de uma família, de uma região e de toda uma época que, à base da seiva da seringueira, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico. Essa miragem mítica e histórica serve de pano de fundo a Órfãos do Eldorado e ao destino de Arminto Cordovil, dividido entre o amor pela moça misteriosa e as pretensões dinásticas do pai, Amando, armador enriquecido com a borracha.asp, orfaos, hatoum

Na casa elegante em Manaus ou no palacete de Vila Bela, Amando nutre fantasias de proprietário e armador, que seu filho único teima em minar. Entre esses extremos que mal se tocam, uma galeria notável de mulheres . Angelina, a mãe morta; Florita, o anjo da guarda morena; Estrela, a bela sefardita e os homens de Estiliano, o advogado grego, a Denísio Cão, o barqueiro infernal que vivem na própria pele o fausto e os conflitos do ciclo da borracha nos anos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. E, no centro de tudo,Dinaura, corpo estranho entre as órfãs das Carmelitas em Vila Bela, moça que parece filha do mato, lê romances, enfeitiça Arminto e sonha com a Cidade Encantada, a Eldorado submersa de que tanto se fala à beira do rio Amazonas.

NOTA: Em agosto de 2008 postamos uma resenha deste livro.  Para vê-la, clique AQUI.

Moacyr Scliar – Manual da paixão solitária — Editora: Companhia das Letras

Inspirado no pequeno e enigmático relato do Livro do Gênesis História de Judá e de Tamar, o autor de A Mulher que Escreveu a Bíblia e Os Vendilhões do Templo fala em seu novo livro dos sentimentos e emoções básicos do ser humano

Retomando o ambiente e a temática de A Mulher que Escreveu a Bíblia, Moacyr Scliar lança um novo romance que reconta de forma inesperada um relato do Antigo Testamento.
Num congresso de estudos bíblicos, um famoso professor e sua rival evocam, em momentos diferentes, duas figuras singulares: o jovem Shelá e a mulher por quem ele está apaixonado,Tamar. Os dois vão narrar, de pontos de vista distintos, uma intriga passional que mostra quatro homens e uma mulher às voltas com costumes ancestrais que até hoje governam boa parte da população de nosso mundo e que são fonte de conflitos e tragédias.asp, manual da paixão, scliar
O primeiro filho de Judá, Er, casa-se com Tamar.Como não a engravida, é castigado por Deus com a morte. De acordo com a tradição, compete ao segundo filho, Onan, assumir o papel do falecido; Onan se recusa a cumprir sua missão por considerá-la humilhante, optando por derramar seu sêmen sobre a terra para que a esposa não conceba herdeiros – e Deus também o pune com a morte. Resta Shelá, que o pai não quer entregar a Tamar por temer que o rapaz tenha o mesmo destino dos irmãos. Desqualificada e privada de filhos, Tamar recorre a um ardil que se tornaria lendário e que, recontado aqui na chave do humor, torna-se inesquecível.
Grande narrador, Scliar conta histórias que têm o dom do encantamento e do humor, e que lhe permitem explorar os aspectos tragicômicos de uma trama insólita como a de Manual da Paixão Solitária.

Ronaldo Correia de Brito – Galiléia — Editora: Objetiva

Três primos atravessam o sertão cearense para visitar o avô Raimundo Caetano, patriarca de uma família numerosa e decadente que definha na sede da fazenda Galiléia. Ismael, Davi e Adonias passaram parte da infância ali, mas fizeram o possível para cortar seus laços com a terra de origem. Fazem parte de uma geração que largou o campo para nunca mais voltar. Foram viver no exterior, procuraram reconstruir a vida em Recife, em São Paulo, na Noruega.
asp, galileia, ronaldo correia brito
O que espera os três primos ao final da viagem é uma volta radical a esta origem, a esta fazenda que um dia foi próspera, que oculta segredos e traições e “onde as pessoas se movem como nas tragédias”. Por mais que os protagonistas tenham se distanciado da violência que ronda a família, voltarão a senti-la de perto, descobrindo que nunca escaparam – ou escaparão – ao destino que os cerca. Terão de se reencontrar com a família e seus fantasmas, e reviver histórias de adultério, vingança e morte.

Silviano Santiago – Heranças — Editora: Editora Rocco

A burguesia abordada com raro despudor através da história de um cafajeste da alta sociedade. É este o ponto de partida de Heranças, novo romance do consagrado escritor Silviano Santigo – romancista, ensaísta, crítico literário, poeta e contista, ganhador por quatro vezes do Prêmio Jabuti nas categorias de romance e conto. Protagonizado por um conterrâneo do autor, o mineiro Walter, o título retoma a tradição cínica e jocosa que vem do realismo machadiano, em amálgama com o melodrama rodriguiano, para desmascarar a burguesia nacional ao longo do século XX.
asp, heranças, santiago
Na trama, o personagem, velho e debilitado, deixa a Belo Horizonte natal e vai morar no Rio de Janeiro, onde decide narrar seus setenta anos de vida, da infância na provinciana capital mineira à maturidade à beira-mar, no Rio de Janeiro. O acúmulo de bens e mulheres perfaz o capital do relato, conduzido com lentidão e cinismo para dar conta das peripécias melhor dizer negociatas deste homem sedutor, mulherengo, perdulário, canalha e sem quaisquer escrúpulos. Confrontado com a proximidade do fim, ele se pergunta para quem deve deixar toda a sua fortuna.

Walther Moreira Santos – O ciclista — Editora: Autêntica Editora

Emocionante e surpreendente. Assim pode ser definido o livro O Ciclista, obra vencedora da primeira edição do Prêmio José Mindlin de Literatura. Segundo o autor, Walther Moreira dos Santos,já premiado e conhecido da crítica especializada, trata-se de um livro sobre a beleza do perdão, da esperança e da compaixão. Com uma narrativa atraente, O Ciclista tem ingredientes capazes de conquistar e envolver o leitor que aprecia uma história bem contada, com personagens interessantes que se relacionam de forma intrigante e curiosa. asp, o ciclista, walther moreira santos

Como dizem os jurados da comissão julgadora do concurso, Antônio Torres, Maria Esther Maciel e Maria Amélia Mello: “a obra premiada se destacou das demais por apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída. De acordo com eles, o autor demonstra habilidade no manejo da linguagem, criando personagens intrigantes e uma atmosfera que alicia, a cada capitulo, o leitor. O livro é um exercício de destreza e imaginação”.

FINALISTAS PARA: Prêmio de Melhor Livro – Autor Estreante:

 

Altair Martins – A parede no escuro— Editora: Record

Duas famílias, repentinamente, ficam sem a figura paterna: Adorno, dono de uma padaria e pai de Maria do Céu, com quem tem uma relação difícil, é morto em um atropelamento; Forjo o pai do atropelador está em estado grave no hospital, cercado por tubos, aumentando ainda mais a angústia do filho. Em uma narrativa densa, os diversos narradores deste romance expõem e expiam suas culpas e sentimentos de perda.

asp, a parede no escuro, altair

Contardo Calligaris – O conto do amor — Editora: Companhia das Letras

O conto do amor  se inicia com a visita de Carlo Antonini, psicoterapeuta que vive em Nova York, ao convento de Monte Oliveto Maggiore, na Toscana. Ali ele se depara com algo inusitado: a figura do jovem São Bento, pintada em um dos afrescos nas paredes, é parecida com o seu pai, que morreu doze anos antes. Isso o remete ao próprio motivo de sua ida à Itália: uma estranha conversa que ambos tiveram pouco antes de o pai morrer, quando este revelou ao filho, em tom de confissão, que em outra vida teria sido ajudante do pintor maneirista Sodoma (1477-1549), justamente o autor daquelas imagens. É o início de uma história cheia de surpresas, envolvendo um caso amoroso em meio à Segunda Guerra e seus desdobramentos da época até o presente.

Contardo Calligaris estréia no romance brincando com certos limites entre a imaginação e a vida real. A exemplo do autor, o protagonista de O conto do amor é psicanalista, atende pacientes em Nova York e teve um pai engajado na resistência anti-fascista italiana. “O primeiro capítulo, em seus detalhes, é total e fielmente autobiográfico”, diz ele. “Nunca soube bem o que fazer com aquela estranha ´confidência´ do meu pai na hora de sua morte. Claro, fui para Monte Oliveto e tudo, mas não achei nada. Nada, a não ser uma ficção. E toda ficção é, quem sabe, um pouco isto: um jeito de continuar um diálogo que ficou truncado na realidade.”

Não por acaso, a trama nascida dessa inspiração tem como principal tema a busca da identidade. A jornada de Antonini em direção ao passado do pai, levada adiante em arquivos e encontros com personagens de cidades como Milão, Siena, Florença e Paris – além de Monte Oliveto Maggiore, claro -, no fundo é uma grande investigação sobre sua própria origem. Uma trajetória que mimetiza, de certa maneira, um processo psicanalítico de autodescoberta. “Na psicanálise, há um quê de ´investigação´ no sentido policial-jornalístico”, afirma Calligaris. “Mas o que muda no livro é que a investigação do protagonista é ação e aventura ´real´.”
asp, o conto do amor
Ao final desse caminho por vezes tortuoso, que envolve os mistérios por trás da reprodução sem assinatura de uma imagem de Sodoma, de um atentado ao trem Roma-Mônaco nos anos 1970 e de uma noite inesquecível na Toscana narrada nos diários do pai, Antonini se surpreenderá ao perceber que suas descobertas apontam também para o futuro. E que nele ainda há lugar para paixões que podem mudar

Estevão Azevedo – Nunca o nome do menino — Editora: Terceiro Nome

Em Nunca o nome do menino,  a personagem principal, uma asp, nunca o nome do menino, estevão azevedomulher, relata os dias de sua vida que se seguiram ao momento em que ela descobre seu status de personagem de uma ficção que não aprecia e cujo autor despreza. Em seu labirinto literário, dois tempos distantes de sua vida são narrados, duas linhas que se estendem da primeira à última página como serpentes ávidas por devorar o próprio rabo e criar uma narrativa de vertigem, repleta de ciclos e espelhamentos, mas também de sentimentos e paixões.

Francisco Azevedo – O arroz de Palma — Editora: Record

Primeiro romance a tratar da imigração portuguesa para o Brasil no século XX, O arroz de Palma narra a saga de uma família em busca de um futuro melhor, superando diversas dificuldades. Nos cem anos em que acompanhamos suas vidas, irmãos brigam e fazem as pazes. Uns casam e são felizes, outros se separam. Os filhos ora preocupam, ora dão satisfação. Tudo sempre acompanhado pelo arroz jogado no casamento dos patriarcas, José Custódio e Maria Romana, em 1908. Grão que serve de fio condutor desta história, como migalhas de pão jogadas no labirinto da memória.

Estréia na literatura do roteirista e dramaturgo Francisco Azevedo – autor das peças Unha e carne e A casa de Anais Nin, sucessos de público e crítica -, o livro começa com Antônio, filho de José e Maria, aos 88 anos, preparando o almoço que será servido à família, finalmente reunida após muito tempo. Enquanto combina os ingredientes, vão se misturando em sua mente as histórias que Tia Palma, irmã de seu pai, lhe contava. Mitologias familiares, que gravitam em torno desse arroz e também em torno das dificuldades em se largar uma terra amada por um futuro duvidoso.

asp, arroz de palma, francisco azevedo
No casamento dos pais, em Viana do Castelo, norte de Portugal, seguindo a tradição, o casal saiu da igreja sob uma chuva de arroz. Recolhido por Palma, esses 12 quilos de arroz foram acompanhando a família, sendo fundamentais em vários momentos. Como quando, para tratar da infertilidade da cunhada e do irmão, Palma dá a ele um laxante e depois prepara uma canja com esse arroz. O mesmo que ela presenteia ao sobrinho Antônio no dia de seu casamento. Uma união selada num almoço em que a família serviu esse arroz com bacalhau. O arroz de Palma é um romance delicado, que emociona e comove. Com um certo ar de Isabel Allende, a trama tem um forte componente sentimental. Uma nostalgia por um tempo em que a família abrigava as pessoas. Um ideal que, portugueses ou não, todos herdamos.

Javier Arancibia Contreras – Imóbile — Editora: 7 Letras

Em Navisur, cidade latino-americana oprimida por uma onda de calor, asp, imobile, javier contrerashomem desperta de mais uma das noites intranquilas que o mantêm em constante degradação física e mental e se vê com as mãos lavadas em sangue e empunhando um pequeno revólver. Sem compreender nada com clareza e absorto numa crise de amnésia temporária, ele se vê perseguido por um policial solitário, mas principalmente pelas dúvidas e culpas que tem do passado e do presente. Imóbile é uma história sobre a incomunicabilidade e sobre como o martírio da dúvida de uma decisão pode afetar toda uma vida.

Marcus Vinicius de Freitas – Peixe morto — Editora: Autêntica Editora

“Os peixes inundavam a boca. Meia dúzia de acarás foi enfiada pela boca do morto, com os rabos deixados para fora, presos por uma espécie de cambão de arame que varava as bochechas, num arremedo de anzol. asp, Peixe_Morto
O corpo boiava meio de lado, massa inerte entre a marola e a sujeira da lagoa, mordiscado por carazinhos. Não notei logo o inusitado da boca – o pescador foi quem me apontou o detalhe grotesco – pois o estado terrível do corpo absorvia toda a atenção. A pele do tronco havia sido arrancada a partir de cortes regulares na base do pescoço e nas dobras das axilas. ‘Talho de taxidermista’, pensei comigo, numa sensação misturada de assombro e encantamento.”

Maria Cecília Gomes dos Reis – O mundo segundo Laura NI — Editora: Editora 34

Em sua obra de estréia na ficção, Maria Cecília Gomes dos Reis narra asp, o mundo segundo, Maria gomesum dia na vida de Laura Ni, uma pesquisadora de letras clássicas, e de seu marido Mario, diretor-financeiro de uma empresa multinacional em São Paulo. A partir de vozes e de gêneros narrativos díspares, incorporados de forma criativa ao enredo e à paisagem psíquica de Laura, a prosa desvela, entre mergulhos vertiginosos na consciência dos personagens e rastreamentos na superfície de situações prosaicas, a porosidade do pensamento humano e as afecções da realidade sobre ele.

 

Rinaldo Fernandes – Rita no pomar — Editora: 7 Letras

Como diz Silviano Santiago no posfácio do livro, “Rita no Pomar é um asp, rita no pomar, rinaldo de fernandesesdrúxulo mónologo-a-dois”, entre a personagem-título e seu cachorro Pet. A vida solitária de Rita serve como matéria-prima tanto para esses desabafos quanto para seu diário e para alguns contos, que se intercalam ao longo do romance. Rinaldo de Fernandes conta a história de Rita aos pedaços; sua narrativa é entremeada por reticências e lacunas, criando novos sentidos a cada leitura.

Sérgio Guimarães – Zé, Mizé, camarada André — Editora: Record

O último vencedor do Prêmio SESC Romance é hoje um dos 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom. É apenas uma amostra da importância desta democrática premiação, que tem revelado talentos asp, ze, mize, camarada andré, sergio guimarãessólidos da literatura brasileira. Neste livro, um brasileiro recebe uma caixa com fitas cassetes que revelam conversas entre um jornalista estrangeiro e uma angolana em plena revolução vivida pelo país africano. O romance é todo construído em diálogos entre esses dois personagens, que comentam desde o processo político, a ligação com o comunismo, até as mudanças sociais e de costumes que Angola passava no período pós-independência.

 

Vanessa Bárbara e Emilio Fraia – O verão do Chibo — Editora: Objetiva

O verão do Chibo é uma das obras mais originais da safra dos escritores brasileiros contemporâneos. Escrito a quatro mãos, o livro revela a extraordinária habilidade narrativa desses dois jovens autores. Emilio Fraia e Vanessa Barbara trabalharam de forma exaustiva, mesclando idéias e estilos, até alcançar uma voz nova, vibrante e coesa.
asp-overao-do-chibo-vanessa-barabara
No livro, um menino de não mais de sete anos, mergulhado num universo muito particular, descreve suas aventuras nas férias de verão, embrenhado num milharal ao lado de outros amigos. Mas esse é um verão diferente. Pois Chibo, seu irmão mais velho, some misteriosamente, e os outros garotos parecem seguir o mesmo caminho.

O verão do Chibo é uma obra sutil, muitas vezes cômica, outras vezes emocionante, sobre os mistérios que cercam o amadurecimento





Aleijadinho no Museu do Forte de Copacabana

1 06 2009

aleijadinho banner

 

       Felizmente consegui um tempinho para dar uma passada pela exposição de trabalhos de Aleijadinho no Museu do Forte de Copacabana: uma exposição muito melhor do que eu esperava, e por isso corro a sugerir a quem possa ir, que o faça.   A exposição inclui diversas obras pequenas de Antônio Francisco Lisboa,  mas verdadeiras obras-primas.  Um exemplo entre muitos é a imagem de São Francisco de Gusmão, que reproduzo abaixo.

 

domingos

Foto do catálogo da exposição: São Domingos de Gusmão.

 

São Domingos de Gusmão, 1781-1790

Antônio Francisco Lisboa (Brasil, 1730-1814)

Madeira policromada, 17 cm de altura

 

Talvez porque algumas das peças estejam em condições de inusitada conservação, como a peça acima, guardando ainda toda a beleza da pintura e da ornamentação a ouro,  esta exposição  brinca com a nossa imaginação e prima por trazer mais do que as obras do nosso grande escultor, mas a sensação de uma época inteira, mostrando a importância da religiosidade no Brasil setecentista. 

Ao som de música religiosa numa tonalidade bastante atraente ( alta o suficiente para ser apreciada, baixa o suficiente para não atrapalhar), a exposição começa numa sala do primeiro andar com diversas pinturas de mestres do Barroco brasileiro assim como santos, um antar, bancos de capela, e mais…

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 Aspecto da sala no primeiro andar, antes da exposição propriamente dita.

Depois de uma pequena caminhada, onde podemos apreciar a beleza do cenário carioca, olhando-se do Forte para a praia de Copacabana, chegamos ao segundo andar.  Aí sim, a totalidade da força do trabalho de Antônio Francisco Lisboa, nos invade.   Cada peça extremamente bem iluminada e ao alcance de até mesmo dos mais míopes olhos, tem seu lugar de destaque.  A grande maioria é de pequenos santos, pertencendo a altares particulares,  onde o drapeado dos mantos, o encaracolado dos cabelos, a posição dos pés pode ser facilmente apreciada.  Não são obras monumentais, assim podemos estabelecer um relacionamento íntimo com cada qual.    

 

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Santa Bárbara, 1791-1812

Antônio Francisco Lisboa (Brasil,  1730-1814)

Cedro, sem policromia, 68 cm de altura.

 

A exposição é completada por reproduções de documentos do Arquivo Público Mineiro, onde podemos ver a assinatura do mestre escultor;  com anedotas da vida diária e algumas interessantes comparações entre ele e Michelangelo; documentos, um belíssimo catálogo com um preço mais do que amigo. 

Em suma, perderá um boa oportunidade para se enriquecer, quem por qualquer motivo faltar à esta exposição.  Vá!  Não perca!

Serviço:

Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana 

 Av Atlântica,  Posto 6,

 Copacabana Rio de Janeiro-RJ Brasil CEP 22070-020

Tel: +55 21 2521-1032

Exposição: “O Aleijadinho e a Religiosidade Brasileira” — até 14 de junho de 2009.

Curador: José Marcelo Galvão de Souza Lima

Quando: 15/05 a 14/06/09 (terça a domingo)

Horário: 10 às 20h

Entrada

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

– Meia entrada: estudantes com carteira e maiores de 60 anos;

– Isentos: maiores de 65 anos, crianças até 10 anos, portadores de necessidades especiais e grupos escolares agendados.





PUC-RIO Abre concurso de artes visuais

8 05 2009

pintora 2Ilustração Maurício de Sousa.

 

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) já está com as incrições abertas para o seu 1° Concurso de Artes Visuais, para candidatos de todo o país.  A partir do tema RIO DE JANEIRO: PAISAGEM E ARQUITETURA, os participantes devem  mostrar  a cidade do Rio de Janeiro por meio de pinturas, gravuras e desenhos.   As obras podem ser desenvolvidas a partir de técnicas de acrílica, vinílica, óleo, aquarela, guache, têmperas, mista, mosaico e gravura.  As inscrições podem ser realizadas até 3 de julho, no campus da universidade (Rua Marquês de São Vicente 225, Gávea, Rio de Janeiro), na Coordenação de Atividades Comunitárias e Culturais [CACC], sendo necessária a entrega da obra no ato da inscrição, ou via Correios.  Mais informações no site:

 

www.ccesp.puc-rio.br/minhaalmapinta

 FONTE: O Jornal do Comércio, 8,9 e 10 de maio de 2009, [edição impressa], página C-6.





Quadrinha para o Dia das Mães

6 05 2009

Nossa Senhora, artista desconhecido

 

Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria:
— Era uma Santa escutando
o que a outra santa dizia.
 

(Ermírio Barreto Coutinho da Silveira)








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