Eu, pintor: Jean Fouquet

2 02 2020

 

 

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Auto-retrato, 1450*

Jean Fouquet (França, n. 1420-?)

esmalte sobre placa de cobre, 6 cm diâmetro

Louvre

*Possivelmente o primeiro autorretrato.  Certamente entre os conhecidos, este é o primeiro.

 

 

 





Cuidado, quebra! Frasco de peregrino

16 01 2020

 

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Frasco de peregrino, c. 1480-1489

Vidro Veneziano

31, 8 cm altura, 17,8 cm diâmetro, 11 cm corpo, 8,6 cm pé

Corning Museum of Glass,  Corning, Nova York

 

Este frasco (cantil) tem em seu corpo, esmaltado, o brasão de Albertino della Rovere, Bispo de Pesaro.





Leitura silenciosa, conosco a partir da Idade Média

28 09 2019

 

 

 

4b Benson, Ambrosius Benson - Young Woman in Orison Reading a Book of Hours, 1520sJovem em oração lendo o Livro de Horas, 1520

Ambrosius Benson ( Itália, 1495 – Flandres, 1550)

óleo sobre madeira, 21 x 13 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Uma das consequências inesperadas do IV Concílio de Latrão, também chamado de O grande Concílio, em 1215,  sob liderança do papa Inocêncio III, foi o nascimento da leitura silenciosa, individual.

Neste concílio, o maior concílio  ecumênico  da  Idade  Média,  a Igreja decidiu que as confissões de pecados seriam mandatórias para o povo, para as massas.  E que todo cristão que tivesse atingido a idade de discrição (primeira comunhão) deveria, pelo menos uma vez ao ano, confessar seus pecados ao padre de sua paróquia. (cânone 21, conhecido como Omnis utriusque sexus).

Até então a catequese tinha base no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações.  Seguia-se os passos da Igreja nos seus primórdios em que fiéis passavam seus bens para  a causa cristã e dividiam tudo entre eles. Com esse espírito houve maior adesão de leigos à Igreja e, entre outros hábitos,  a leitura da Bíblia  era comunitária.  O sistema feudal muito colaborou  para a manutenção de atitudes comunitárias.

A Igreja sempre considerou importante manter domínio sobre a  interpretação dos Evangelhos, portanto, não foi sem controvérsia, que aceitou os hábitos comunitários, baseados nos primórdios do desenvolvimento cristão. O concílio de 1215, tentou colocar um fim nisso, trazendo, entre outras modificações, a leitura para o âmbito individual.  Enquanto a confissão individual foi uma tentativa da Igreja  de se aproximar do povo, conhecer as verdadeiras preocupações do indivíduo,  na intimidade do confessionário pessoal, íntimo e velado.

 

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Com esta decisão o conceito de moralidade na Europa passou de externo, comunitário, onde todos eram responsáveis por todos;  para ser pessoal, ou seja, moralidade dependente do caráter, do juízo pessoal  e não mais dependente do julgamento da comunidade.  O nascimento da responsabilidade individual, que dois séculos depois fomentou o humanismo da Renascença, no século XIII deu espaço a hábitos solitários, como a leitura individual.

Mais tarde, esse individualismo na leitura,  foi auxiliado  com a invenção dos tipos móveis de Gutenberg que permitiu a publicação de livros com custo muito menor.

Mesmo assim, a leitura, silenciosa, individual, crescendo no íntimo do leitor, só passou a ser comum em meados do século XVIII.  Até então, a leitura pública era comum.





Em 2018, novas descobertas em Pompeia!

28 04 2019

 

 

 

pompeia 6aAfresco com pintura de cobras e pavão.

 

 

Um antigo oratório de mais de 2.000 anos foi descoberto nas ruínas da cidade romana de Pompeia,  preservado em meio às cinzas vulcânicas após a devastadora erupção do Monte Vesúvio em 79 EC que destruiu a cidade e matou 16.000 pessoas. Paredes vermelho-sangue e pinturas de touros, bem como cenas encantadoras de pássaros delicados, árvores e cobras apareceram à medida que arqueólogos foram limpando as paredes vizinhas ao altar.   O altar, que se denominava lararium, está muito bem preservado.

 

 

pompeia 12aOratório, larário.

 

O altar, que se denominava lararium, está muito bem preservado.  Na Roma Antiga, os larários eram espaços para um oratório na entrada das casas das famílias, onde oferendas e orações eram feitas aos espíritos daquela casa, chamados lares. [Mesma origem da nossa palavra LAR, em português (ETIM lat. Lar,Lăris ‘deus protetor da casa, domicílio, lareira’)]. Além deste belo santuário, na sala onde ele ficava, havia uma piscina elevada e um jardim, características que sugerem este local ter pertencido a uma família muito afluente. No momento, arqueólogos tentam descobrir a quem esta casa pertencia.

 

pompeia 5aLimpando as cinzas

 

Massimo Osanna, chefe do sítio arqueológico de Pompeia, descreveu a descoberta como “uma sala maravilhosa e enigmática que agora precisa ser estudada em profundidade“. A sala, que ainda não foi totalmente escavada, está embutida na parede de uma pequena casa e apresenta pinturas dos principais deuses romanos nos rituais domésticos.

Pinturas de animais em uma cena de jardim encantado são típicas do estilo romano ilusionista, com um pavão desenhado ao longo do fundo de uma parede para dar a aparência de que ele estava andando no jardim.

 

pompeia 3aMassimo Osanna mostra detalhes da pintura.

 

Outra parede desta sala está pintada de vermelho sangue e decorada com uma grande cena de caça, com cães caçando um javali e um cervo. Outra pintura retrata um homem com a cabeça de um cão, que os especialistas sugerem que poderia ser uma versão romanizada do deus egípcio Anúbis. Os santuários eram comuns às famílias romanas. Cada casa tinha um lararium de algum tipo, mas apenas as pessoas mais ricas poderiam ter um lararium dentro de uma câmara especial com uma piscina elevada e decorações sumptuosas, como essas, lembrou a professora Ingrid Rowland, historiadora da Universidade de Notre Dame.

 

 

pompeia 8aParede vermelho-sangue com cena de caça.

 

Abaixo do nicho do santuário há uma prateleira-altar coberta com traços de oferendas queimadas no local há quase dois mil anos.  O altar é decorado com pinturas de ovos – um símbolo romano de fertilidade – e é possível que os restos queimados fossem oferendas de comida que também representavam fertilidade, como figos, nozes ou mais ovos.

 

 

pompeia 9aDetalhe da cabeça de um cavalo.

 

As pinturas espalhadas pelo local foram preservadas em cinza vulcânica após a erupção do Monte Vesúvio em 79 EC.  Camadas grossas de rocha e cinzas expelidas durante os dois dias de erupção impediram que a luz solar e a água alcancem esses artefatos por quase dois milênios.  Essas mesmas nuvens de cinzas que cobriram Pompeia preservaram as cores e as pinturas murais neste local que agora foi descoberto repleto de imagens de pássaros, plantas e animais diversos.

 

 

pompeia 7aParedes da sala

 

 

Revista History, Outubro 12, 2018.





São Jorge, 23 de abril!

23 04 2019

 

 

 

Orlando Teruz, São Jorge e o dragão – ost, 1975 - 101 x 81São Jorge e o dragão, 1975

Orlando Teruz (Brasil, 1902 – 1984)

óleo sobre tela,  101 x 81 cm





Descobrimento do Brasil: 22 de abril de 1500

22 04 2019

 

 

 

DESEMBARQUE DE PEDRO ÁLVARES CABRAL EM PORTO SEGURO – OSCAR PEREIRA DA SILVA – 1922Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1922

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)

óleo sobre tela, 190 x 333 cm

Museu Paulista, São Paulo





Esmerado: cálice da Rainha Dona Urraca

25 03 2019

 

 

 

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Cálice da Infanta Urraca de Zamora (1033-1101), século XI
Ourives desconhecido
Bronze
Tesouro de San Isidro, León, Espanha

 

 

Mantido no Museu da Congregação de San Isidro em León, na Espanha, o cálice da Infanta Urraca de Zamora, filha mais velha de Fernando I de Leão ede sua esposa, rainha Sancha I de Leão. Urraca viveu entre os anos 1033 e  1101, tendo vida longa para este período, 68 anos.  Herdou, como determinado ainda em vida, os territórios de Zamora.

O cálice é composto por duas taças  muito antigas de  origem greco-romana anterior ao cristianismo.  Uma serve de base, outra de recipiente.  Feitas em pedra ônix,  elas apresentam algumas lascas anteriores à construção do cálice. Desconhece-se a origem destes dois copos assim como não se sabe porque Doña Urraca decidiu entregar aos ourives da corte algo que materialmente não tinha grande valor. Especula-se sobre uma possível consagração destas duas peças ao culto litúrgico, feito talvez por algum personagem venerável da primitiva Igreja Cristã, mas não existem documentos ou testemunhos escritos a este respeito. Mas os ourives de Leão fizeram um excepcional trabalho artístico.  E converteram o que na época era um objeto pagão, em uma taça digna de admiração.

As peças de ônix são cobertas em ouro: copo, haste e base, expondo parte do copo e quase toda a base. O interior da taça também é forrado em ouro. Os ourives fizeram com grande maestria e delicadeza as filigranas que formam desenhos, arcos, espirais e pequenos caracóis. Pérolas, esmeraldas, ametistas e safiras foram embutidos nos buracos. Incorporada também há uma máscara de vidro imitando uma camafeu,  adicionado após o trabalho da composição do cálice. Na base e antes do nó, vê-se a inscrição:  EM NOMINE DOMINI VRRACA FREDINANDI.

No século XI o reino de Leão teve um de seus momentos de maior esplendor. Fernão I, o Grande, tornou-se um dos reis mais importantes da cristandade na Europa, levando a cabo a reconquista, de Coimbra a Valência. Quando faleceu, Fernão I, entregou a seus filhos terras: a Alfonso, León; Sancho herdou Castela; Galícia a Garcia; Toro foi para as mãos de Elvira e Urraca foi feita Senhora de Zamora.

 

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