Mais um ângulo da colonização brasileira, Francisco Antonio Doria

22 10 2020

 

 

 

Nuremberg_chronicles_f_58v_1 The city of Genoa in a woodcut from the Nuremberg Chronicle, 1493Vista da cidade de Gênova, encontrada nas Crônicas de Nuremberg, 1493, 58 v 1, xilogravura policroma Afonso a.

 

 

“…Gênova comercia com Bizâncio, possui interesses em Creta e em Chipre, onde os genoveses competem em constantes escaramuças com os venezianos. Associam-se os genoveses aos normandos na Sicília, onde são, apenas os genoveses, senhores feudais — e comerciantes. E dominam sem contestação, o Mediterrâneo ocidental.

Os genoveses revoam, por sobre o Mediterrâneo ocidental, também desde fins do século XI. Sua presença na península ibérica é muito antiga; devemos lembrar que em  1092, Afonso VI o bravo de Castela fez uma aliança com Sancho Ramírez, rei de Aragão, e com este convidou Gênova e Pisa para, todos juntos, atacarem Valência.  As duas cidades italianas teriam fornecido 400 navios à empresa, e teriam participado de um cerco infrutífero a Tortosa. Em 1147 Afonso VII o imperador, por sua vez, conquista Almeria com a ajuda dos genoveses.

Exploram, enfim, o Atlântico e buscam as Índias. Em 1291, os irmãos Guido e Vadino Vivaldi partem de Gênova à busca do caminho das Índias costeando a África.  Atingem a costa da Guiné onde naufragam, segundo nos deixa em seu testemunho Antoniotto Usodimare, mercador e cronista.  Mais ou menos ao mesmo tempo certo messer Emmanuele Pezagno, mercador também, também genovês, organiza a pedido de D. Diniz o lavrador (n. 1261, f.1325; rei em 1281) a marinha portuguesa.  Todos Usodimare, como o diz o nome desta família: têm o hábito das coisa do mar. Nos Pezagno fica hereditário o posto de almirantes de Portugal; são os almirantes Peçanhas.

 

City by the sea, a view of Lisbon, 1548, Spanish woodcut.Vista da cidade de Lisboa em 1548.  Xilogravura espanhola.

 

Chegam à Madeira. Em 1446, Bartolomeu Perestrelo, português, neto de um lígure ou lombardo, messer Gabriele Palastrelli, mercador sempre, recebe a donatária da ilha de Porto Santo.  Sua filha caçula, Filipa Perestrelo Moniz, casa-se com mais um genovês, Cristoforo Colombo, o descobridor. Concentrados em Sevilha e em Cádiz, os genoveses espraiam-se de vez, na segunda metade do século XV, por sobre o Atlântico. Giovanni Usodimare fixa-se na Madeira; e também Urbano Lomellini, junto com o parente de ambos, o banqueiro de Cádiz que financiará Colombo, Lodisio d’Oria.  Lodisio d’Oria esteve comprovadamente na Madeira em 1480, onde possui engenhos de açúcar em Santa Cruz, Santana e Porto de Seixo.

Por que este avanço por cima do Atlântico? Os genoveses espalham o cultivo da cana de açúcar, que viera do oriente e fora primeiro cultivada em Creta.  Usodimare, Lomellini, d’Oria, são todos senhores de engenhos açucareiros na Madeira. O dinheiro das casas bancárias de Gênova é sacarino, e vem do mel da cana. Colombo fora, provavelmente, agente comercial destes potentados da Ligúria, assim como os filhos segundos, bastardos, os parentes pobres. Cristoforo d’Oria, nascido em Faro no Algarve e filho de Lodisio d’Oria, leva a cana de açúcar às ilhas São Tomé e Príncipe, cuja governança recebe, e onde morre, talvez no mesmo naufrágio no qual provavelmente morrem seus primos os mercadores, e genoveses, Lazzaro e Lorenzo d’Oria.

Os Dorias da ilha da Madeira descendem de Leonor Doria, “filha de um Cavalheiro Doria, genovês,” conforme se indica no título “Velloza” do Nobiliáriosa Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha.  Os da Bahia descendentes de Clemenza Doria filha de Lorenzo ou Lorenzino d’Oria, conforme Ferlgueiras Gayo no seu Nobiliário, título “Silvas”.”

 

Em: Herdeiros do poder, Francisco Antonio Doria, e outros, Rio de Janeiro, Revan: 1994, pp 91-92





Tijuco (Diamantina) visita de Auguste Saint-Hilaire, 1817

13 08 2020

 

 

 

Wilde Lacerda,Paisagem de Diamantina – ost,1972 - 46 x 55Paisagem de Diamantina,  1972

Wilde Lacerda (Brasil, 1929 – 1996)

óleo sobre tela,  46 x 55 cm

 

“Antes mesmo de chegar a essa bonita aldeia o viajante fica bem impressionado, vendo os caminhos que a ela vão ter. Até uma certa distância os caminhos tinham sido reparados (escrito em 1817) pelos cuidados do Intendente e por meio de auxílios particulares.  Ainda não tinha visto tão belos em nenhuma parte da Província.

……….

As ruas de Tijuco são bem largas, muito limpas, mas muito mal calçadas; quase todas são em rampa; o que é consequência do modo em que a aldeia foi colocada. As casas construídas umas em barro e madeira, outras com adobes, são cobertas de telhas brancas por fora e geralmente bem cuidadas. A cercadura das portas e das janelas é pintada de diferentes cores, segundo o gosto dos proprietários e, em muitas casas, as janelas têm vidraças. As rótulas, que tornam tão tristes as casas de Vila Rica, são muito raras em Tijuco, e os telhados aqui não fazem abas tão grandes para fora das paredes. Quando fiz minhas visitas de despedida, tive ocasião de entrar nas principais casas de Tijuco e elas me parecem de extrema limpeza.  As paredes das peças onde fui recebido estavam caiadas, os lambris e os rodapés pintados à imitação de mármore.  Quanto aos móveis, eram sempre em pequeno número, sendo em geral também cobertos de couro cru, cadeiras de grande espaldar, bancos e mesas.

Os jardins são muito numerosos e cada casa tem, por assim dizer, o seu. Neles veem-se laranjeiras, bananeiras, pessegueiros, jabuticabeiras, algumas figueiras, um pequeno número de pinheiros e alguns marmeleiros. Cultivam-se também couves, alfaces, chicória, batata, algumas ervas medicinais e flores entre as quais o cravo é a espécie favorita. Os jardins de Tijuco pareceram-me geralmente melhor cuidados que os que havia visto em outros lugares ;  entretanto eles são dispostos sem ordem e sem simetria. De qualquer modo resultam perspectivas muito agradáveis desta mistura de casas e jardins dispostos irregularmente sobre um plano inclinado. De várias casas veem-se não somente as que ficam mais abaixo,  mas ainda o fundo do vale e os outeiros que se elevam em face da vila; e não se poderá descrever bem o efeito encantador que produz na paisagem o contraste da verdura tão fresca dos jardins com a cor dos telhados das casas e mais ainda com as tintas pardacentas e austeras do vale e das montanhas circundantes.”

 

Em: As lavras de diamantes (Diamantina e arredores- 1817),  texto de Auguste Saint-Hilaire,  incluído no livro O ouro e a montanha: Minas Gerais, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-39-40.

 

NOTA: Auguste Saint-Hilaire (França, 1779 – 1853) botânico, naturalista e viajou pelo Brasil entre os anos de 1816 – 1822.

 





Os portugueses na época da colonização, Francisco Antonio Doria

9 07 2020

 

 

 

tumblr_a3488f721d0454090b7eefee465976f9_25304cc8_640Sala dos brasões, Palácio Nacional de Sintra

 

 

“As genealogias tradicionais portuguesas, todas dos séculos XIII e XIV, o Livro Velho de Linhagens, o Livro de Linhagens do Deão e o Nobiliário do conde d. Pedro, deduzem a origem da nobreza de Portugal a partir de meia dúzia de famílias, velhas então de dois ou trÇes séculos; as investigações, hoje em dia, de José Mattoso revelam, nos século X e XI, alguns poucos mais troncos familiares, de modo que podemos supor que a classe dominante de Portugal, no século XI, cristalizou-se em boa parte à volta de um grupo de não mais que cem indivíduos que viviam no antigo Condado Portucalense (ou junto às suas fronteiras), entre o Douro e o Minho, e sobretudo nos arredores do Porto.

Pulemos uns séculos. Thales de Azevedo estima em 1.200.000 indivíduos a população portuguesa em 1530, quando começam a exploração e colonização sistemáticas do Brasil. Destes, 20% eram judeus ou cristãos-novos, alguns provindos de Castela e da Andaluzia, expulsos em 1492 pelos reis católicos, mas o restante autóctones  (ou pelo menos residindo na região lusitana da península desde o tempo dos visigodos). A elite, no começo do século XVI, era pequena: qualitativamente, víamos no seu topo o rei e sua família imediata, os infantes; depois, a família real extensa, que incluía os duques de Bragança e de Vizeu,  bastardos reais, e mais a respectiva parentela. Seguiam-se uma dúzia de titulados, como os condes de Marialva, de Atouguia ou de Vila Real, e o barão de Alvito, e o resto da nobreza, sem título, até, na base deste grupo que formava a elite, as duas ordens de fidalgos da casa real (ordem que conferia nobreza hereditária), e os cavaleiros fidalgos, escudeiros fidalgos e moços de câmara da casa real (ordem que conferia apenas um foro pessoal, sem caráter hereditário). Se juntarmos a estes os grandes comerciantes de Lisboa e do Porto, e mais os letrados e bacharéis sem origem fidalga que serviam à máquina judiciária, e ainda alguns poucos funcionários administrativos, teremos que a classe dominante portuguesa, por volta de 1530, era constituída de 10.000 indivíduos.”

 

Em: Herdeiros do poder, Francisco Antonio Doria, e outros, Rio de Janeiro, Revan: 1994, pp 20-21





O nome América …

23 06 2020

 

 

 

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889), Américo Vespucio,1848, ost, 50 x 40 cmAmérico Vespúcio, 1848

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

“Por iniciativa do jovem cosmógrafo Martin Waldessemüller [sic], o Ginásio Vosgense decidiu ‘revisar e ampliar’ a obra de Ptolomeu, tendo como base as ‘descobertas’ feitas por Vespúcio. E assim, em um texto que se tornaria profético, Waldessemüller [sic] escreveu: “Agora que uma outra parte do mundo, a quarta, foi descoberta por Americum Vesputium, de nada sei que nos possa impedir de denominá-la, de direito, Amerigem, ou América, isto é, a terra de Americus, em honra de seu descobridor, um homem sagaz, já que tanto a Ásia como a Europa receberam nomes de mulheres.”

Em um dos mapas que fez para acompanhar o livreto de 52 páginas, Waldesemüller [sic] usou pela primeira vez a palavra ‘América’, colocando-a sobre o território que representa o Brasil, na mesma latitude em que se localiza Porto Seguro. O novo continente estava batizado.

Cristóvão Colombo morrera quase que exatamente um ano antes, em 20 de maio de 1506, amargurado e na miséria. Os eruditos de Saint-Dié não ignoravam suas descobertas. Mas, até pelo menos 1514, muitos geógrafos – Waldessemüller entre eles – acreditavam que as ilhas achadas por Colombo em outubro de 1492 de fato eram os limites ocidentais da Ásia, enquanto que a América do Sul (supostamente descoberta por Vespúcio na viagem de 1497 e de fato explorada por ele próprio entre 1501 e 1504) seria um continente autônomo, totalmente separado delas ou, quando muito, interligado ao arquipélago por um istmo. Foi só depois da descoberta do oceano Pacífico, feita por Vasco Nuñes de Balboa, em setembro de 1513, que os cartógrafos do século XVI passaram a ter uma ideia um pouco mais próxima da realidade. E somente após o descobrimento do estreito de Magalhães, em 1519, o quadro geográfico iria adquirir molduras mais definidas.

 

Waldseemuller_map_closeup_with_AmericaO Mapa de Waldseemüller, ou Universalis Cosmographia

 

Em fins de 1513, cedendo às pressões da Coroa castelhana, Martim Waldesemüller[sic] retirou sua proposta de batismo. Chegou a sugerir que o Novo Mundo fosse chamadode Colômbia. Mas era tarde demais: as múltiplas ressonâncias da palavra América caíram no gosto popular. Em 1516, até o genial Leonardo da Vinci passaria a utilizas esse nome, colocando-o em um mapa que preparou a pedido da poderosa família Médici.

Vinte anos mais tarde, quando ficou claro que Vespúcio — ou alguém agindo em seu nome, com ou sem conhecimento dele – havia forjado a viagem em 1497, o nome ‘América’ começava a se popularizar na Europa, tendo sido adotado até por cartógrafos portugueses e, embora com muita relutância, aceito até pelos espanhóis. Desta forma, a ‘quarta parte do mundo’ acabou sendo batizada com o nome de um homem que não fora o seu descobridor. De acordo com um texto escrito em 1900 pelo historiador brasileiro Capistrano de Abreu, a ‘falsidade e a galanteria’ foram ‘pavoneadas pela imprensa e, por força delas, temos hoje o nome de americanos’.”

 

Nota — Martin Waldseemüller –  no texto aparece com 2 grafias ambas diferem da grafia padrão.

Em: Náufragos, traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998, p. 61-63.





Bananeiras, por Gandavo, 1576

28 05 2020

 

 

PAULO GAGARIN (1885-1980). Bananeiras ao Fundo Serra dos Órgão - RJ, óleo s tela, 41 X 34.Bananeiras, ao Fundo Serra dos Órgão – RJ

Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)

óleo s tela, 41 X 34 cm

 

“Uma planta se dá também nesta província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruta da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar na terra. Esta planta é muito tenra e não muito alta, não tem ramos senão umas folhas que serão sei ou sete palmos de comprido. A fruta dela se chama bananas; parecem-se na feição com pepinos, e criam-se em cachos; alguns deles há tão grandes que tem de 150 bananas para cima. E muitas vezes é tamanho o peso delas que acontece quebrar a planta pelo meio. Como são de vez colhem-se estes cachos, e dali a alguns dias amadurecem. Depois de colhidos, cortam esta planta, porque não frutifica mais que a primeira vez, mas tornam logo a nascer dela uns filhos que brotam do mesmo pé, de que se fazem outros semelhantes. Esta fruta é mui saborosa, e das boas que há na terra; tem uma pele como de figo (ainda mais dura) a qual lhe lançam fora quando a querem comer; mas faz dano à saúde e causa febre a quem se demanda nela.”

 

Em: História da província de Santa Cruz, Gandavo [Pero Magalhães de Gandavo], organização de Ricardo M. Valle, São Paulo, Editora Hedra: 2008, pp 89-90.





O caminho do sertão, Hercules Florence, 1826

14 05 2020

 

 

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)Bênção dos canhoões (Porto Feliz) Museu Paulista da USP, 1920, Óleo sobre tela, 101 x 134 cm Museu PaulistaBênção dos canoões (Porto Feliz), 1920

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)

óleo sobre tela, 101 x 134 cm

Museu Paulista da USP

 

 

“Porto Feliz é uma cidadezinha assente na margem esquerda do Tietê, em terreno elevado e desigual. As casas são térreas e as ruas tortas, e não como as de Itu e Jundiaí. Estão tão mal calçadas que à noite é impossível das um passo sem muita cautela. A classe dos habitantes agrícolas a mais numerosa sem dúvida, não concorre a ela senão aos domingos e dias santos, de modo que só nessas ocasiões é que se vê alguma gente nas ruas.

Com o auxílio do cirurgião-mor pude sem demora achar os mestres construtores e operários de que precisava. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Tinham cinco pés de çargo sobre cinquenta de comprimento e três e meio de profundidade, feitas de um tronco só de árvore, cavado e trabalhado por fora, de fundo chato e com pouca curvatura.  Esse fundo era de duas e meia polegadas de espessura, à qual ia diminuindo até à borda, onde não tinha mais de uma polegada. Uma larga faixa de madeira, pregada solidamente, guarnecia as duas bordas e bancos deixados no interior das canoas aumentavam-lhes a solidez, além de duas grandes travessas que concorriam para o mesmo fim. Estas embarcações, assim construídas, são muito pesadas: entretanto, embora fortes, não podem comumente resistir ao choque nos baixios, quando impelidas pela rapidez das águas.

Além de uma canoinha, de uso para caçadas e pescarias, arranjei um batelão que, como as duas canoas grandes, lavava uma barraca de pano verde armada à popa.

Não tive grande trabalho em contratar gente para as tripulações. Consegui um guia, e seu substituto, um piloto e dois ajudantes, três proeiros (homens que vigiam à proa) e dezoito remadores.

…………….

Acompanhados de Francisco Álvares, sua família, o capitão-mor e o juiz, dirigimo-nos para o porto, onde achamos o viário paramentado com suas vestes sacerdotais, a fim de abençoar a viagem, como é costume, e rodeado de grande número de pessoas que viera assistir ao nosso embarque. Os parentes e amigos se abraçavam, despedido-se uns dos outros.  Dissemos adeus à mulher e filha de Francisco Álvares e, como este amigo que quisera vir conosco até os últimos lugares povoados da margem do rio, tomamos lugar nas canoas.  Romperam então da cidade salvas de mosquetaria correspondidas pelos nossos remadores e, ao som desse alegre estampido, deixamos as praias, onde tive a felicidade de conhecer um amigo, de conviver com gente boa e afável e de passar vida simples e tranquila.”

 

Em: O caminho do sertão (Descendo o Tietê- 1826),  texto de Hércules Florence incluído no livro O planalto e os cafezais: São Paulo, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-74-75.

 

NOTA: Hércules Florence, (França, 1804 – Brasil, 1879) participou como desenhista da expedição do Barão de Langsdorff, através das províncias de São Paulo, Mato Grosso e Pará, de 1825 a 1829.  O diário de Florence foi publicado, em português,  com o título de “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”.

 





Visita de George Gardner ao interior do Brasil, 1839-1840

9 05 2020

 

 

fungos-bioluminescentes-grande11Exemplo de cogumelos luminosos, Mycena lucentipes.

 

“Certa noite, em princípio de  dezembro, quando passeava pelas ruas da vila de Natividade, observei alguns meninos que se divertiam com uns objetos luminosos, que a princípio supus fossem pirilampos; mas, fazendo indagações, descobri que era um belo fungo fosforescente, do gênero agaricus, que se produzia abundantemente nos arredores dali sobre as folhas murchas de uma palmeira nanica. No dia seguinte obtive grande número de espécimes e notei que variavam de uma a duas polegadas e meia de largura. Toda a planta dá à noite uma viva luz fosforescente, de um verde-pálido, semelhante à que emitem os vaga-lumes ou aqueles curiosos animais marinhos, os pyrosomae.  Por este fato e por crescer em palmeiras o povo lhe dá o nome de flor-de-coco. A luz emitida por uns poucos destes fungos, em quarto escuro, é suficiente para a gente ler.”

 

Em: Os campos e os arraiais (Natividade-Arraias- 1839-1840),  texto de George Gardner,  incluído no livro As selvas e o pantanal: Goiás e Mato-Grosso, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-83-84.

 

NOTA: George Gardner, (GB, 1812- 1849), médico, botânico e entomologista inglês,  percorreu algumas regiões do Brasil do Nordeste ao Brasil Central, entre 1836 – 1841,  registrando suas impressões no livro “Viagens no Brasil”.





Retrato do Imperador, Paulo Setúbal

8 05 2020

 

`D. Pedro I, Imperador do Brasil - Paisagem com Casario ao Fundo`. Miniatura s marfim. Passpartout em casco de tartaruga burilado e moldura de bronze em filetados com laços e encordoamento13 x 10 cm.D. Pedro I, Imperador do Brasil – Paisagem com Casario ao Fundo

Miniatura sobre placa de  marfim.

Passpartout em casco de tartaruga burilado

e moldura de bronze em filetado com laços e encordoamento

13 x 10 cm

 

 

“Nascendo e vivendo numa corte onde a ilustração era um luxo desconhecido, onde o gosto pela educação artística não chegou nunca a deitar raízes, D. Pedro possuía, por um dom da natureza, a impressionabilidade vibrátil que, se tivesse sido devidamente desenvolvida e disciplinada, poderia ter feito dele um artista, um poeta, um homem intelectualmente distinto.

Mas, entregue a si mesmo, depois da morte do erudito João Rademaker, que lhe guiou os primeiros passos, o herdeiro de D. João VI não passou nunca dum curioso, dum amador incorreto, que amava a música e a poesia e que, com mau feitio, revelava , em lances difíceis, agudeza de espírito e facilidade de percepção.

Esse “mau feitio era, em muitas ocasiões de sua vida, o bom humor imoderado, que chegava até o sarcasmo; era a expansão inconveniente que chegava à indiscrição irritante; era o azedume desregrado que não  escolhia palavras, nem poupava pessoas; era a desconfiança, o receio da perfídia, a dúvida constante que tinha aprendido com seu pai.

De resto, não havia pessoa de hábitos mais simples, príncipe menos ostentoso na sua maneira de viver, D. Pedro passou sempre como um burguês trabalhador que se levanta com o sol e que se deita às 10 horas da noite, tendo uma mesa frugal, um guarda-roupa escasso e uma aproximação facilmente acessível. Predominava nele a alegria expansiva; mas não era raro vê-lo descair de repente na irritabilidade agreste ou no obumbramento taciturno. Com a gente moça, especialmente com as crianças, mostrava-se ordinariamente afetuoso, muito jovial.”

 

Em: ‘Um retrato do Imperador‘, Ensaios históricos, Paulo Setúbal, São Paulo, Saraiva: 1950, páginas 69-70.





Gemas da Arquitetura Carioca: Casa da Fazenda do Engenho D’Água

11 01 2020

 

 

 

Fotografada em 25 de setembro de 2014 por Eddie CordFotografada em 25 de setembro de 2014 por Eddie Cord

 

Exemplar representativo dos engenhos de açúcar do século XVIII, pertenceu  a um grande proprietário de terras da região, o Visconde de Asseca, Martim Correa de Sá, ( O rei do açúcar da velha baixada de Jacarepaguá). É uma construção localizada no bairro de Gardênia Azul, em Jacarepaguá, RJ, RJ.  Apesar de tombada pelo Patrimônio Histórico (IPHAN) em 1938, ainda é propriedade particular.

Trata-se de um casarão branco de dois andares de portas e janelas azuis. Bom exemplo de construção colonial rural. Note-se o alpendre colunado.  Era, provavelmente, uma construção simétrica, que perdeu os traços originais, como vemos hoje, com a adição de uma capela para a família à esquerda da fachada original.  Note também escada que se abre em forma de curva e azulejos que decoram o espelho da escada de acesso.

Só os jardins podem ser acessados pelo público, já que a propriedade é particular.

 

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Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

1 02 2017

 

 

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Natureza morta, 1990

Emílio Silvestre Wolff  (Brasil, 1902-1995)

óleo sobre tela, 65 x 48 cm

Coleção Particular








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