Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

31 07 2015

 

FERNANDO CORRÊA E CASTRO (1933). Jardim do Palácio do Catete - Rio, óleo stela, 27 X 35.Jardim do Palácio do Catete

Fernando Corrêa e Castro (Brasil, 1933)

óleo sobre tela, 27 x 35 cm





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

3 07 2015

 

 

RANZINI, FelisbertoPaisagem iconografica - aquarela - med. 49 x 32 cmIgreja de Nossa Senhora do Brasil, Urca, década de 1940

Felizberto Ranzini (Itália/Brasil, 1881 – 1976)

aquarela sobre papel, 49 x 32 cm





Rio de Janeiro comemorando 450 anos!

26 06 2015

 

 

gerson_coutinho.Santuário da Penha óleo sobre eucatex datado 1937 18x25cm.Santuário da Penha, 1937

Gérson [de Azeredo] Coutinho (Brasil, 1900-1967)

óleo sobre eucatex, 18 x 25 cm





A missa da Capela Imperial, texto de Paulo Setúbal

4 06 2015

 

 

BRENNO TREIDLER - Rua Primeiro de Março, RJ, 1895 - aquarela - 23,3 x 35Rua Primeiro de Março, RJ, 1895

[Capela Imperial, antiga Sé, à direita]

Benno Treidler (Alemanha/Brasil, 1857-1931)

Aquarela sobre papel, 23 x 35 cm

PESP [Pinacoteca do Estado de São Paulo]

 

 

“A Capela Imperial… Ah! a mais bela coisa do Rio de Janeiro, nos começos do século passado, foram, sem dúvida alguma, as solenidades da famosa Capela. D. João VI, curiosa mistura de Rei e de frade, mandou decorá-la suntuosamente. Vieram trabalhar nela os nomes mais brilhantes da época. José de Oliveira pintou as paredes. Manuel da Cunha, o teto. Raimundo da Costa e Silva, a “Ceia”. E José Leandro, o célebre José Leandro, figura culminante do tempo, a grande tela do Altar-Mor. D. João VI, como todos os Braganças, adorava as pompas religiosas. Com generosidade de nababo, gastando às mãos cheias, el-Rei mandava buscar na Europa artistas reputadíssimos, compositores e músicos, castrati de larga fama, a fim de abrilhantar com eles as festas de sua Capela. Naquele recinto, com efeito, nos dias de gala, fremiu muita vez o gênio do padre José Maurício. Flamejou o talento magnífico de Neukomm. Ecoou a larga inspiração de Marcos Portugal. Ali, nas grandes cerimônias da religião, retumbou muita vez a voz de Mazziotti e de Tanners, os dois famosos contraltos italianos. Ali foram admirados e louvados, com grande entusiasmo para o bairrismo dos brasileiros, o tenor Cândido Inácio, que era a mais doce e a mais sonora garganta de Minas, assim como o baixo João dos Reis, cuja voz poderosa, da mais larga ressonância, fazia tremer nos caixilhos as vidraças da Capela.

Havia, portanto, razões de monta, e de sobejo, para que D. Domitila de Castro ansiasse por assistir à missa de domingo. O que mais a seduzia, porém não era, seguramente, o ir ver, entre os entalhes dourados da Capela, os painéis de José Leandro; nem escutar a música do padre mulato que enchia a Corte com a fama de seu gênio; nem tampouco ouvir a flamância de Mont’Alverne,o apregoado orador franciscano, cuja glória, que subira tão alto, começava então a crescer. O que a seduzia, o que a espicaçava mais agudamente, tornando-a tão alvoroçada por assistir àquela missa era poder — enfim um dia! — contempla a Corte bem de perto, misturar-se com orgulho às Damas do Paço, roçar por entre aquelas fidalgas emproadas, e mostrar, do alto de uma tribuna, acintosamente, as graças e os feitiços de sua mocidade e do seu fascínio.

Ah! Os requintes que pôs a perturbante senhora em se alindar para tão suspirado triunfo! As águas de cheiro! Os pós de França! As luvas de doze botões! O leque de marfim e ouro! Madame de Saissait, a modista francesa da rua do Ouvidor, preparou-lhe um vestido ousadamente bizarro, à Zamperini, moderníssimo, cor de cenoura, de corpete muito teso, com imensa e donairosa sobre-saia, caindo em ondas largas, bordado a fio de prata. E que apuro de detalhes… Desde o penteado alto, com o trepa-moleque de safiras, até o escarpim pequenino, de fivela dourada, tudo nela era encantador. E quando, diante do toucador, depois de empoada e perfumada, a cintilar de joias, D. Domitila se remirou no seu espelho de Veneza, correu-lhe a epiderme um arrepio voluptuoso, seus lábios sorriram o sorriso da vaidade. Estava magnífica! Olhos úmidos e negros, boca sangrenta, talhe ondeante, todo pluma, aqueles vinte e quatro anos, quentes, sazonados, irradiavam frescura e trescalavam juventude. “

 

Em: A Marquesa de Santos, romance histórico, Paulo Setúbal, Rio de Janeiro, Cia Editora Nacional: 1984, 12ª edição, pp, 76,77. Originalmente publicado em 1925.





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

29 05 2015

 

Grover Chapman, OSE, Arcos da Lapa 25 x 20 cm , ass. no CID , datado de 1982Arcos da Lapa, 1982

Grover Chapman (EUA/Brasil, 1924-2000)

óleo sobre eucatex,  25 x 20 cm





Paraty em seu começo…

23 09 2014

 

 

Salvador Rodrigues Jr. (1907-1995)Rua da árvore - ParatiÓleo sobre tela40 x 50 cmRua da árvore, Paraty

Salvador Rodrigues Jr. (Brasil, 1907-1995)

óleo sobre tela, 40 x 50  cm

 

” A data de fundação de Paraty é motivo para divergências entre historiadores. Alguns pendem para o ano de 1600, quando Paraty era apenas um povoamento de paulistas de São Vicente. Outros preferem a data de 1606, quando se deu a chegada a Paraty dos primeiros sesmeiros, beneficiados com doações feitas em nome do Conde da Ilha do Príncipe, donatário da Capitania de Itanhaém.

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“O primeiro núcleo de povoamento surgiu em um morro distante 25 braças para norte do Rio Perequeaçu, onde foi erecta  uma capela em louvor a São Roque”(*). Depois, por volta de 1646, em local mais favorável, se erigiu outra capela em honra de Nossa Senhora dos Remédios, em terreno doado por Maria Jácome de Melo, para ampliação da vila, sob duas condições: a primeira, que a mesma fosse feita em devoção àquela santa, e a segunda, exigindo a segurança dos índios guaianazes moradores naquele local.

Como de hábito, o nome do santo orago foi acrescentado ao topônimo Paratii, vocábulo tupi, que significa “peixe da família das tainhas”, muito encontrado na região.

(*) Citação no texto referindo-se ao livro do Monsenhor José de Souza Azevedo Pizarro e Araújo, titulado: Memórias históricas do Rio de Janeiro e das Províncias anexas à jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil.

 

Em: Paraty, religião e folclore, Thereza Regina de Camargo Maia, Rio de Janeiro, Arte e Cultura (LTC Editora): 1976, pp. 20-21.





Arsène Lupin nos Salões cariocas na primeira metade do século XX

8 09 2014

 

1930Cartaz para a opereta em 3 atos, Arsène Lupin, o banqueiro, 1930.

 

Os primeiros anos da minha adolescência, dos 12 aos 14,  foram preenchidos por muitas leituras detetivescas.  Era a leitura mais leve que eu encontrava na biblioteca municipal do meu bairro.  Mesmo não tendo livros muito novos, recém-saídos da editoras, essa biblioteca me ajudou a preencher muitos fins de semana pós praia, muitos dias de férias quer no Rio de Janeiro ou na Serra.  Assim li todos os livros que pude dos mais famosos detetives de Sherlock Holmes, a Hercule Poirot, a Charlie Chan e sem dúvida Arsène Lupin Todos, cada qual a seu modo, foram personagens queridos.  Qual não é a minha surpresa ao ler A vida literária no Brasil, 1900 e descobrir que, por aqui,  Arsène Lupin foi muito popular logo no início do século.  A passagem abaixo, sobre os Salões no Rio de Janeiro de então, dá uma ideia.

 

“Mais mundanos que literários seriam os salões de Sampaio Araújo, na rua Voluntários da Pátria, e o do casal Azeredo, na praia de Botafogo. Não raro via-se ali Caruso ao lado de um poeta estreante; um cronista conversando com figurões da política ou milionários banqueiros, gente da alta finança. Na seção “Cinematógrafo”, de Joe, na Gazeta de Notícias, aparece constantemente o nome de madame Gomensoro, que possuía igualmente um salão, onde procurava oferecer novidades e surpresas aos convivas. Era, às vezes, uma orquestra típica; outras um artista original que ela ia descobrir para dar a nota de sensação da noitada. E muitos escritores consentiam, prazerosamente, em repetir ali as conferências que haviam pronunciado por um vasto auditório a 2$500 (dois mil e quinhentos réis) a cabeça.

Que se conversava, de preferência, em tais ambientes? Antes de tudo, as novidades parisienses, depois o último romance de Anatole France, o fracasso do Chantecler, de Rostand, a peça mais recente de Bataille, etc.

As temporadas francesas tinham grande repercussão nos salões. E quando André Brulé apareceu pela primeira vez no palco do Municipal, encarnando com a mesma desenvoltura o herói de L’enfant de l’amour e o papel de Arsène Lupin, o gentilhomme cambrioleur, conquistou de chofre a simpatia e o culto do alto mundanismo carioca. Nos salões discutia-se o talhe de suas famosas casacas, a elegância insuperável de seus gestos e a dicção macia com que procurava cinzelar as palavras. Lá esteve Brulé, uma noite, no palacete da sra. Santos Lobo, a ouvir a leitura de Roberto Gomes, Berenice, feita pelo próprio autor, na versão francesa.”

 

Em: A vida literária no Brasil 1900, Brito Broca, Rio de Janeiro, José Olympio:2005, 5ª edição, pp: 61-62

 

NOTA: A pedidos de leitores, procurei colocar todos os links sobre escritores, personagens e locais, para facilitar a expansão do conhecimento e dar peso à leitura. Mas é extremamente trabalhoso, para cada nome colocar o link necessário. Vou tentar continuar a prática, mas confesso que meu tempo é escasso. A pesquisa na internet é rápida. Se o leitor estiver realmente interessado, um breve digitar deve trazer a informação necessária.  Entendo que a GRANDE  maioria dos meus leitores — professores — está no interior do Brasil e muitos não têm o acesso fácil e rápido à internet de que desfruto. Mas nem sempre poderei prover estes links.  Minhas desculpas.








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