Esmerado: caneta e tinteiro, século XVI

30 04 2019

 

 

 

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Conjunto de caneta e tinteiro (Cavat-I Dawlat), 1575-1600, final do século XVI

ouro cravejado com esmeraldas, rubis e diamantes, com o pássaro sagrado (hamsa) gravado no tinteiro.

Deccan, India Central

 

Objetos como esses, decorados com pedras preciosas, tiveram grande e conhecida importância simbólica no mundo islâmico, onde eles eram um distintivo tanto da importância imperial quanto do alto posto do governo ocupado por seu proprietário.

Essa ressonância ainda era maior no contexto muçulmano por causa do valor da palavra escrita no Corão.  Estojos de canetas eram objetos valiosos dos sultões e de seus principais ministros – o estojo real para uma caneta demonstrava erudição e autoridade reforçada.

Na dinastia Mughal, estojos de canetas e tinteiros foram presenteados pelos imperadores como sinal da mais alta distinção.

Fonte: Revista semanal da loja de leilões Christie’s.





Tesouro italiano em Como

19 02 2019

 

 

 

 

befunky_collage300 moedas de ouro encontradas dentro de ânfora na Itália (Foto: Mibac)

 

 

A internet tem dessas coisas.  Hoje eu procurava informações sobre uma cidade na Itália e de repente me vejo com essa notícia de um tesouro da época romana, encontrado no norte do país na cidade de Como, na Lombardia.  [Nota: esta é a mesma cidade que dá nome ao conhecido noturno, Le Lac de Come, Nocturno No.6, Op.24. publicado em 1871, da compositora Giselle Galos, de origem desconhecida [italiana ou francesa], que se assinava C. Galos.  Quem como a Peregrina já passou por anos de aprendizado de piano, deve certamente conhecer duas de suas composições, esta e Le chant du Berger (Noturno No.3, Op.17, publicado em 1861].

 

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Conhecimentos musicais à parte, é excitante sabermos que a construção de um complexo de apartamentos de luxo no lugar do conhecido Teatro Cressoni, na cidade de Como, que funcionou desde 1870 a 1997,  levaria à descoberta de 300 moedas de ouro do período final do império romano.

Escondidas em uma ânfora de pedra, usada para armazenar líquidos como vinho e azeite, as moedas podem ter sido colocadas em algum esconderijo de um muro de uma das residências privadas dos nobres romanos, construídas nesta região, para evitar saque.

 

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Estudiosos suspeitam que as moedas, encontradas no nível do porão do prédio demolido, possam ter sido escondidas durante as invasões dos Vândalos, no século V, especificamente nos quarenta anos entre 410-455 E. C.  As moedas encontradas, em excelente condição de preservação, foram cunhadas nas eras dos imperadores Honório (393-423), Valentiniano III (424-455) e Líbio Severo (461-465).  A região da cidade onde foram encontradas era próxima à antiga cidade romana: Novum Comum. Arqueólogos, agora, estudam essas descobertas, feitas em setembro de 2018, em um laboratório em Milão.

 





Cuidado, quebra!

9 02 2018

 

 

 

louvre-bassin-devise-ardet-aeternumBacia, c. 1579

Ateliê Patanazzi

Faiança,  45 x 47 cm

[Parte do serviço de jantar de Alfonso II d’Este, Duque de Ferrara (1533-1597)]

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Peças de jantar com narrativa [istoriato] como esta eram feitas para grandes serviços, em Urbino. Em geral decoradas em toda superfície como nesta bacia com três lóbulos que fez parte do serviço de jantar comemorando o casamento de Alfonso II d’Este com Margherita de Gonzaga em 1579.  Foi atribuído  ao ateliê Patanazzi.  Nele encontra-se duas marcas do Duque de Ferrara: a pedra em chamas e a legenda “Ardet Aeternum” que representam a família dos duques de Ferrara.

 

 

a532604243ca0e8480a3f3ed11779a15Reverso, parte de baixo da bacia.

 

outo5a8adfe10468e327ac7fb8048048618b detalheDetalhe no topo a pedra em chamas e a legenda dos duques de Ferrara.

 

 





Esmerado: pote chinês com tampa e ormolu

9 01 2018

 

 

 

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Pote de porcelana com acabamento em verde-jade [celadon] decorado com desenhos de pinheiro e bambu crescendo por entre pedras, uma corça e dois pássaros em azul cobalto sob o vidrado,  com acabamentos em bronze dourado no estilo de Luis XV e carrapeta final em forma de crisântemo.

Fabricado na China, e na França, 34 x 31 x 21 cm

Coleção Real da Inglaterra, [Royal Trust Collection]© Her Majesty Queen Elizabeth II, 2017

 

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Provavelmente esta é a mesma peça de porcelana listada em 1826 como pertencente ao Pavilhão Brighton, antiga residência real localizada em Brighton, Inglaterra. Depois de importado da China, foi ornamentado com bronze dourado [ormolu].

 

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Lendo: William Somerset Maugham

17 12 2017

 

 

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ASSUNTO PESSOAL

William Somerset Maugham

Editora Globo: 1959, 226 páginas

 

SINOPSE

A deflagração da 2ª guerra mundial surpreende Somerset Maugham a viver no conforto de sua principesca Villa Mauresque, em Cap Ferrat, na Riviera francesa. O escritor, como um protegido dos deuses, colhia em vida os generosos frutos da glória literária.

Mas o conflito não o deixa insensível nem inativo. Oferece seus préstimos ao Ministério de informações da Inglaterra e recebe a tarefa de observar o moral das forças francesas e do operariado nas fábricas de munições e armamentos.

Isso lhe dá a oportunidade de ver a guerra por dentro e de acompanhar dia a dia aquele lamentável estado de coisas que conduziu a França à derrota, fazendo descer sobre o mundo civilizado a longa “noite de agonia” a que se referiu Maritain.

Sobrevém a capitulação. Maugham é obrigadoa dispensar a criadagem e a abandonar à própria sorte sua magnífica vivenda em Cap Ferrat, embarcando para a Inglaterra num pequeno navio carvoeiro na companhia de mais quinhentos refugiados.  Que viagem espantosa! Mais de vinte dias sob ameaça dos submarinos alemães, sujeira, desconforto, privações de toda sorte. Momentos trágicos, cômicos e patéticos nessa verdadeira odisseia em busca da velha Albion, a ilha da resistência. Depois: Londres, a blitzkrieg, a fleuma britânica e as durezas de uma guerra impiedosa e sem entranhas, cenas comoventes e heroicas daquela luta que exigiu “sangue, suor e lágrimas”, e o desfilar, diante de nossos olhos, de algumas figuras de dirigentes nacionais, que pertencem à história.

Finalmente, a viagem do autor para os Estados Unidos, onde permanecerá até 1945. A história de uma derrota – a da França – e de uma resistência – a da Inglaterra, contada por um homem vivido e experimentado, eis a matéria deste livro, que constituindo um dos capítulos mais agitados de sua biografia,  William Someset Maugham apresentou, ao público como sendo estritamente pessoal.





Esmerado: bolsa militar, século IX

31 10 2017

 

 

00purseBolsa militar, c.  800-20

Couro

Museu Nacional da Hungria, Budapeste

 

 

Os magiares  das estepes da Europa do Leste, invadiram a Itália no século IX, antes de se estabelecerem na Hungria.  Aqui temos um ‘sabretache‘ ou bolsa militar usada na cintura dos oficiais da cavalaria, do início do século IX.

 





Constantinopla no século VI

3 07 2017

 

 

Constantine_I_Hagia_SophiaImperador Constantino I, cujo reinado foi dos anos 310 a 337, oferece uma representação da cidade de Constantinopla em homenagem à Virgem Maria e Menino Jesus, c. 1000

[Detalhe da entrada sudoeste da antiga basílica de Santa Sofia em Constantinopla, hoje Istambul, Turquia]

Mosaico

Basílica de Santa Sofia

 

 

Uma das coisas que me fascina a respeito das obras do historiador francês Francis Fèvre é a reconstituição imaginária de um ambiente, de uma realidade, que às vezes parece próxima, ainda que ele esteja descrevendo algo que se passou há mais de mil anos. Sua habilidade de usar dados existentes, como historiador que é, e recriar o mundo antigo é inigualável, quer o leiamos em francês ou em tradução para o português. Não é à toa que pertence à Academia Francesa de Letras. Seu livro, Teodora, a imperatriz de Bizâncio, publicado em 1991 (Nova Fronteira), é uma das obra à qual retorno de vez em quando para degustar as descrições de um império surgido há mais de 1.500 anos. Aqui fica um exemplo de sua prosa… estamos no primeiro capítulo. A tradução é de Léa Novaes.

“… As muralhas de Teodósio acompanham a orla da Propôntida e continuam ao longo de um grande vale fluvial, o Corno de Ouro, que contribui para isolar a região rochosa em que está situada a cidade. É um vasto triângulo em que dois lados limitam-se com a água, dando a essa antiga colônia de marinheiros gregos uma vocação portuária. No mesmo nível das ondas da Propôntida, agitadas pelo frio vento do norte, os altos muros de pedra constituem a base de um quadro  impressionante que se espelha na água azulada. Apoiada nas colinas, a cidade imperial ergue casas e palácios em direção ao céu, e a primeira impressão é de uma confusão anárquica. Patamares em diferentes planos sustentam os edifícios e os jardins da cidade, o conjunto formando um relevo ondulado. Nos bairros populares acumulam-se as pequenas construções de habitações pobres. Mas os tetos de madeira e as primeiras cúpulas das igrejas dominam a paisagem urbana. Apesar de sua enorme população, a capital conserva uma presença etérea, diluída na atmosfera inconstante dos confins do Mar Negro. O marinheiro que navega nas grandes barcas que cruzam as águas da Propôntida conhece uma a uma as espessas folhagens dos parques imperiais, que abrem no espaço urbano grandes espaços verdes. Os edifícios do Palácio Sagrado, assim chamado devido à presença de seus habitantes imperiais quase divinizados, assentam-se sobre patamares que se abrem sobre a Propôntida (atual Mar de Mármara) e para o calor do sul. De uma maneira geral, os inúmeros edifícios públicos e religiosos destacam-se nitidamente das ruelas sombrias onde se comprime a população cosmopolita em Constantinopla.”

 

Em: Teodora, a imperatriz de Bizâncio, Francis Fèvre, tradução de Léa Novaes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1991, p. 14.

 

 

Mosaïques de l'entrée sud-ouest de Sainte-Sophie (Istanbul, Turquie)Mosaico da antiga Basílica de Santa Sofia em Constantinopla (Istambul, Turquia).

A Virgem Maria no centro segura o Menino Jesus em seu colo. À sua direita o imperador Justiniano I, oferece um modelo da basílica.  À esquerda, o Imperador Constantino apresenta para ela um modelo da cidade.

 

Map_of_Constantinople_(1422)_by_Florentine_cartographer_Cristoforo_BuondelmonteMapa de Constantinopla de 1422 [900 anos após a descrição acima]

Cartógrafo Cristoforo Buondelmonti (Florença, 1386-c. 1430)

Este é o mapa da cidade mais antigo que se conhece e o único que trata de Constantinopla antes da invasão turca em 1453.

Liber insularum Archipelagi (1824), versão na  Bibliothèque nationale de France, Paris

 








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