Sobre o Natal: Cecília Meireles

3 12 2019

 

 

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“São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.”

 

Em: Ilusões do mundo, Cecília Meireles, Global: 2019





Trova do Natal

1 12 2019

 

 

 

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Que saudades dos folguedos

dos meus Natais mais risonhos…

em que singelos brinquedos

amanheciam meus sonhos!

 

(João Freire Filho)





Trova de Natal

18 11 2019

 

 

Margaret W TarrantIlustração Margaret Tarrant.

 

 

No meu Natal é rotina

deixar tudo no “capricho”:

no peito faço faxina e

jogo as mágoas no lixo!

 

(Élbea Priscila de S e Silva)

 





Trova da separação

7 11 2019

 

 

 

adeus, da janela, Alice HaversIlustração de Alice Havers.

 

 

“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!

Antes que a minha ansiedade

faça com que o “sentir falta”

passe a chamar- se… “saudade”…

(Izo Goldman)





“A foca” poesia infantil de Vinícius de Moraes

4 11 2019

 

StacyCurtis19_7aslf4Ilustração Stacy Curtis.

 

 

A foca

 

Vinícius de Moraes

 

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É por uma bola

No seu nariz.

 

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha.

 

Quer ver a foca

Fazer uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga!

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.





O pavão vermelho, poesia de Sosígenes Costa

28 10 2019

 

 

Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963) Figura feminina, Óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cmFigura feminina

Angelo Simeone, (Itália/Brasil, 1899 -1963)

óleo sobre tela colada sobre eucatex, 60 X 48 cm

 

 

O pavão vermelho

 

Sosígenes Costa

 

Ora, a alegria, este pavão vermelho,

está morando em meu quintal agora.

Vem pousar como um sol em meu joelho

quando é estridente em meu quintal a aurora.

 

Clarim de lacre, este pavão vermelho

sobrepuja os pavões que estão lá fora.

É uma festa de púrpura. E o assemelho

a uma chama do lábaro da aurora.

 

É o próprio doge a se mirar no espelho.

E a cor vermelha chega a ser sonora

neste pavão pomposo e de chavelho.

 

Pavões lilases possuí outrora.

Depois que amei este pavão vermelho,

os meus outros pavões foram-se embora.





Motivo, poema de Cecília Meireles

17 10 2019

 

 

 

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)Mulher lendo (esposa do pintor), 1962, pastel sobre papelão, 50 x 44 cmMulher lendo (esposa do pintor), 1962

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)

pastel sobre papelão, 50 x 44 cm

 

Motivo

 

Cecília Meireles

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

 

Em: Antologia Poética, Cecília Meireles,  Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001








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