“Chove. É Dia de Natal”, poema de Fernando Pessoa

4 12 2017

 

 

 

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Chove. É Dia de Natal

 

Fernando Pessoa

 

Chove. É dia de Natal.

Lá para o Norte é melhor:

Há a neve que faz mal,

E o frio que ainda é pior.

 

E toda a gente é contente

Porque é dia de o ficar.

Chove no Natal presente.

Antes isso que nevar.

 

Pois apesar de ser esse

O Natal da convenção,

Quando o corpo me arrefece

Tenho o frio e Natal não.

 

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez,

Pois se escrevo ainda outra quadra

Fico gelado dos pés.

 

Em: Cancioneiro, Fernando Pessoa, Cyberfil: 2002 –  página 34





Lendo: Gabrielle Zevin

2 12 2017

 

 

 

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Lendo

A Vida do Livreiro A.J. Fikry
Gabrielle Zevin
São Paulo, Paralela: 2014
186 páginas

SINOPSE

Uma carta de amor para o mundo dos livros
“Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é
um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Trova de Natal

1 12 2017

 

 

papai noel, dan andreasenPapai Noel, ilustração de Dan Andreasen.

 

 

Minha maior alegria,

no Natal, era a emoção

do amor, que meu pai

trazia sob a barba… de algodão!

 

(Sérgio Ferreira da Silva)

 





“Matéria escura”, de Blake Crouch, resenha

27 11 2017

 

 

eliot-elisofon-marcel-duchamp-descending-a-staircaseMarcel Duchamp descendo a escada, 1952

Fotografia de Elioy Elisofon (EUA. 1911-1973)

40 x 50 cm

 

Matéria escura de Blake Crouch é um livro de ficção científica que foge aos parâmetros de distopia, para causar boas e interessantes reflexões ao leitor interessado na exploração de universos paralelos. Este livro pode ser lido como entretenimento e alerta para a conscientização das escolhas que fazemos. O resultado é uma obra ágil, interessante, que prende a atenção e levanta mais perguntas do que responde.  Excelente resultado para um dos mais interessantes best-sellers que li nos últimos tempos.

Quem nunca se questionou sobre decisões tomadas?  Quem nunca imaginou como teria sido a vida se no lugar de uma escolha, tivesse feito outra?  E se não tivesse filhos?  E se os tivesse? E se no lugar do piano tivesse aprendido a tecer?  E se não tivesse casado com o atual parceiro?  E se tivesse ficado casado com a primeira mulher?  Onde estariam?  Que estariam fazendo? Sua vida seria diferente se no lugar de engenharia tivesse seguido matemática, ou se dedicado  à fotografia?  De que maneira?

 

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A noção de vidas alternativas ou multiverso tem já há algum tempo fomentado a imaginação de escritores que  não se inserem no nicho de ficção científica.  Recentemente obras como O fio da vida de Kate Atkinson, Lágrimas na chuva de Rosa Montero, 1Q84, de Haruki Murakami ou A terra inteira e o céu infinito, de Ruth Ozeki têm demonstrado curiosidade e preocupação com descobertas da física quântica. Multiverso, teoria das cordas são conceitos difíceis de absorvermos, porque temos a tendência da leitura linear de tempo, é o assunto desta segunda década do século. Como entender que o mundo tridimensional  pode ser apenas uma ilusão? E que pode não haver distinção entre o presente e o futuro? Precisamos de uma mudança na maneira de pensar e uma porta se abre para um sem número de possibilidades ainda não imaginadas. Em algum lugar pode haver uma duplicata de mim mesmo ou mais de uma versão de mim.  Não como gêmeos, mas duplicata verdadeiras físicas e emotivas. Um mundo onde nada é único.

O autor americano, Blake Crouch, talvez tenha algumas de suas ideias conhecidas pelo leitor, já que a série televisiva Wayward Pines é baseada em um de seus livros.  No entanto, em Matéria Escura ele parece dar um passo além, mesmo sendo um thriller que se aproxima de uma explicação do multiverso.  Para isso Blake Crouch trabalhou uma história de amor, um romance, sobre um homem que não se dá conta de quanto  ama a vida que tem até o momento em que se encontra em outra realidade, tentando voltar para o mundo que conhece.  Nessas tentativas é apresentado a uma enormidade de versões de si mesmo, no multiverso.

 

blake crouchBlake Crouch

 

Além de ser um thriller, este livro convida o leitor a reavaliar decisões, escolhas e  possibilidades deixadas para trás.  Porque assim como Jason Dessen, personagem principal, professor de física em Chicago, descobre outras versões de si mesmo, nós também podemos e temos que aceitar nossa duplicação a cada escolha feita.  Aceitar que pode haver milhares de outros eus, leitores, versões diferentes de nós mesmos é produzir verdadeira revolução no pensamento e reavaliar conceitos de nós mesmos e do mundo em que vivemos.  Em suma de tudo que conhecemos.

Esse livro não trata de ciência, mas mostra conceitos de realidades múltiplas e universos paralelos de maneira que podemos começar a nos familiarizar com esses preceitos, pois na trama eles parecem críveis e lógicos.  Blake Crouch consegue equilibrar a trama com  ilustração de conceitos científicos que acabam por nos dar a sensação de entendimento, de compreensão.

Na tradução de Alexandre Raposo, Matéria escura se torna uma maneira divertida de entreter e aprender algumas noções de física quântica.  Muito bom, agradável e enriquecedor.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

 





LENDO: Yoav Blum

6 11 2017

 

 

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Lendo

OS CRIADORES DE COINCIDÊNCIAS
Yoav Blum
São Paulo, Planeta: 217, 320 páginas

SINOPSE

E se o trem que você perdeu, o café que derrubou, o bilhete que encontrou não forem eventos aleatórios? E se o destino do mundo estiver sendo manipulado por pessoas especializadas em criar acasos?
Neste romance best-seller do israelense Yoav Blum, o destino é o protagonista – mas ele não depende de sorte ou intervenção divina.
Emily, Eric e Guy trabalham numa espécie sobrenatural de organização secreta há alguns anos. Eles estudaram disciplinas como interferências em sonhos, distribuição de sorte e como ser amigos imaginários, até se tornarem criadores de coincidências. Agora, de tempos em tempos, recebem complexas missões a serem executadas. Seu trabalho é permanecer na área cinzenta entre destino e livre arbítrio, onde eles criam situações que criam situações que criam mais situações que darão origem a pensamentos e decisões, gerando os mais diversos resultados: o encontro de almas gêmeas, invenções que podem mudar o mundo, a inspiração que dará origem a obras-primas.
Mas, quando Guy recebe uma missão especial, que vai além daquilo que ele acredita poder fazer, as coisas começam a se mover de forma a mudar tudo o que os criadores de coincidências entendem sobre a vida e a verdadeira natureza do amor.
Um thriller improvável sobre os operários invisíveis que mantêm girando as engrenagens do acaso.





Os mortos, poema de Ruy Espinheira Filho

2 11 2017

 

 

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Os mortos

 

Ruy Espinheira Filho

 

Há uma luz suave em que respiram.

Não mudaram nada e fingem não ver

como sou mais moço na fotografia.

 

Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio

(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).

Não mais precisam beber, só se refletem no copo

 

que ergo e em que bebo, por eles e por mim,

trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma

de que se iluminava o moço nas fotografias.

 

Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.

 

 





O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

22 10 2017

 

 

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O elefantinho

 

Vinícius de Moraes

 

Onde vais, elefantinho,

correndo pelo caminho,

assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho,

espetaste o pé no espinho,

que sentes, pobre coitado?

 

— Estou com um medo danado

encontrei um passarinho.

 

Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas,  Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 61.

Em:








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