“Histórias ao vento”, poesia infantil de Adalgisa Nery

2 03 2020

 

 

 

vento no outonoIlustração inglesa, 1950s.

 

 

Histórias ao vento

 

Adalgisa Nery

 

O vento veio correndo

Assoviando, gritando

Que vira a lua nascendo,

Que vira a estrela brilhando,

Que o beija-flor vira voando,

Que o rio vira cantando

E o fruto amarelando.

Que vira o orvalho caindo

Sobre a relva e sobre a flor,

Que vira a abelha zumbindo

Dentro das pétalas em cor,

Que vira a semente no chão,

Nas águas, o peixe mudo,

O pastor tangendo as ovelhas

Cantando por nada e por tudo.

O vento veio correndo,

Assoviando, cantando

Que vira o mais belo mundo:

Uma criança nascendo,

Uma criança brincando,

Uma criança sorrindo, vivendo,

Uma criança cantando.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 185.

 





Livros bons para crianças e adolescentes

27 02 2020

 

 

American Folk Art Painting, Unknown artist, Girl in Green, 1800Garota de verde, 1800

Pintura folclórica americana

óleo sobre madeira

 

Volta às aulas.  Hora de esforço para melhorarmos o português, a maneira de pensar, o reconhecimento de sentimentos.  Hora de desenvolver empatia e encontrar semelhantes nos livros que lemos.  De vez em quando me debruço sobre leitura para crianças e adolescentes.  É assunto fascinante.  O que é próprio para uma criança de  nove anos pode ser infantil demais para seu colega de turma.  Pais e professores devem ser flexíveis.  Também não acredito em forçar ninguém a ler.  Forçar a ler é contra producente.

No ano passado Euler de França Belém publicou um artigo interessante na Revista Bula, que reproduzo aqui na íntegra.  Trata de livros que são bons para crianças e adolescentes.  Como todas as listas há limites.  Mas no todo esse é um ótimo guia para leitura.  Trabalhe e tente achar algo que seu filho goste de ler.  Você vai conseguir.  Não desista.

 

25 livros que são diamantes para o cérebro de crianças e adolescentes

Por Euler de França Belém

Bons livros para crianças e adolescentes — a chamada literatura infanto-juvenil — são eternos e, mais, podem ser lidos por adultos com igual prazer. Muitos livros, mesmo de qualidade mediana, se tornaram clássicos. As obras de Monteiro Lobato, Alexandre Dumas, Irmãos Grimm, Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, H. C. Andersen não morrem jamais. São para sempre. “Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar, para ficar num exemplo, é um clássico universal e atemporal.

Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár

O húngaro Ferenc Molnár escreveu um dos mais belos livros juvenis (que todo adulto lê com prazer). Paulo Rónai, húngaro que veio para o Brasil fugindo do nazismo, é o exímio tradutor desta obra-prima. Brigas de meninos, nas ruas de Budapeste, no século 19, poderiam render uma reportagem de jornal. Nas mãos de Ferenc Molnár resultaram num romance delicioso, escrito com graça e grande compreensão do universo dos garotos.

O Pequeno Nicolau, de Sempé-Goscinny

Com ilustrações de Jean-Jacques Sempé, o livrinho aparentemente despretensioso escrito pelo francês René Goscinny, criador de Asterix, que viveu em Buenos Aires durante a infância e parte da juventude, narra em primeira pessoa as aventuras do menino Nicolau. Contando suas experiências na escola, em casa com os pais e com os amigos, Nicolau diverte e ao mesmo tempo apresenta uma narrativa de como uma criança percebe o mundo ao seu redor. Para os interessados pela língua francesa, vale a pena ler o livro no original. A prosa da obra é fluente, precisa e acessível.

20 Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne

Um dos criadores da ficção científica, Júlio (Jules) Verne é uma espécie de Nostradamus da literatura e, mesmo, da ciência. Invenções às quais não teve acesso, pois morreu em 1905, foram anunciadas em seus livros. Prisioneiro do capitão Nemo, o professor Aronnax e Ned Land vivem a bordo do submarino Náutilus. Sem o didatismo de alguns autores, privilegiando a imaginação, a sua e a dos leitores, Verne mostra a riqueza do mundo marinho.

O Jardim Secreto, de Frances Rodgson Burnett

O romance “O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett, é sobre o encontro entre uma menina e um menino, sobretudo é uma celebração da amizade entre dois seres e a descoberta, por assim dizer, do mundo. O garoto vive numa cama, mais morto do que vivo, até a chegada de uma menina esperta que injeta vida em seu ser e o retira do quarto. Juntos, descobrem um jardim secreto e uma história, que, como o belo jardim, não pode mas é devassada.

4 Contos, de e. e. cummings

Não estranhe: é assim mesmo — e. e. cummings. É como o poeta assinava seus livros, com minúsculas. Todos conhecem cummings como um poeta extraordinário, traduzido no Brasil por Augusto de Campos. No seu único livro para crianças, o bardo mostra que tem a imaginação adequada. Os contos versam sobre nascimento, amor. Quem aprecia Tolkien não se espantará com o elfo criado pelo vate americano. Imagine um elefante que tem carinho por uma borboleta e uma casa, meio solitária, que se declara apaixonada por um passarinho. Há duas meninas, Eu e Você. Lúdico e inteligente.

Vozes no Parque, de Anthony Browne

Anthony Browne ganhou o prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infanto-juvenil. O livro convida o leitor para pensar sobre a diversidade do mundo, sobre a interpretação dos fatos. Um passeio, feito num parque, é relatado por quatro vozes diferentes, com suas nuances. Resulta que um passeio pode ser muitos passeios, ao incorporar vozes diversas.

O Que Me Diz, Louise?, de Slade Morrison e Toni Morrison

Nobel de Literatura, a americana Toni Morrison é uma escritora notável. O livrinho “O Que Me Diz, Louise?” é uma celebração da leitura, da cultura, do aprendizado. Sobretudo, do prazer e não da obrigação de ler. Mesmo num dia chuvoso, Louise sai de casa em busca de um refúgio quase secreto: a biblioteca, espécie de porta aberta para todas as coisas do mundo. A biblioteca, com seus vários livros, transforma os seres humanos e, daí, o mundo. Ah, o livro nada tem de chato.

Huckleberry Finn, de Mark Twain

Pense em Mark Twain como o Monteiro Lobato dos Estados Unidos, com uma pitada a mais de humor. O menino Huck Finn é esperto, inteligente e até malandrinho. Suas histórias divertidas sempre levam o leitor a sorrir. É quase um romance de formação, preciso e enxuto. O menino amadurece durante suas peripécias. Fica-se com a impressão, às vezes, de que Huck Finn é um menino-adulto ou um adulto-menino. É o mais importante livro da literatura juvenil (ou infanto-juvenil) dos Estados Unidos, inclusive adaptado para o cinema.

As Aventuras de Robin Hood, de Alexandre Dumas

Robin Hood é um clássico da literatura universal (poucas pessoas não sabem quem é). As histórias estabelecidas por Alexandre Dumas são as mais bem cuidadas e são ambientadas nos séculos 12 e 13, sob o reinado de Ricardo Coração de Leão. O criminoso que rouba dos ricos para doar aos pobres é admirador do rei Ricardo e batalha para que volte ao trono. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, Robin Hood e seus aliados, como João Pequeno, lutam contra o xerife de Nottingham e os soldados do rei usurpador. Há também a bela Lady Marian, paixão de Robin Hood, e o frei Tuck, seu aliado.

Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas

Uma das graças do livro do escritor francês Alexandre Dumas é saber que os três mosqueteiros são, na verdade, quatro — Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan. O romance de capa e espada se tornou universal. Os quatro heróis permanecem encantando os leitores. Não só. A história, levada ao cinema, encanta os espectadores.

O Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry

Há um preconceito intelectual contra este belo livro, sobretudo no Brasil. Crianças e adolescentes (se não tiverem absorvido a ranzinzice dos adultos) podem lê-lo com proveito. As mensagens podem soar piegas, num mundo feito de racionalismo consumista e sempre apressado, mas a história, com suas frases (dizem que moralistas), é bonita. Vale ler a tradução, mais madura e precisa, de Ferreira Gullar. O livro, na pena de um dos maiores poetas brasileiros, ficou mais adulto.

Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato

O Brasil está cada vez mais urbano, com espaço cada vez menor para a área rural. Crianças, adolescentes e mesmo adultos sabem cada vez menos sobre assuntos que tenham a ver com o campo. O belo “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, se torna, portanto, mais interessante do que nunca. Porque põe seus leitores em contato com a natureza, com um garoto que inventa coisas para se divertir. Hoje, tirar uma criança das teclas de computadores e smartphones não é fácil. Monteiro Lobato, com sua rica imaginação, às vezes pecando por certo didatismo, provavelmente ainda consegue encantar as crianças e, até, os adolescentes.

Andira, de Rachel de Queiroz

Andira é uma criança? Não, Andira é uma andorinha-criança, quer dizer, um filhote. Pequena, e como não sabe voar, as demais andorinhas, que se preparam para migrar no inverno, deixam-na para trás. Como muitas andorinhas, Andira nasceu numa igreja e, na ausência dos parentes, é criada por morcegos. Estes se tornam seus mestres.

Marcelo, Marmelo e Martelo, de Ruth Rocha

Ruth Rocha conhece como poucos o que se passa pela cabeça das crianças e adolescentes. Ela escreve com uma clareza impressionante e não subestima seus leitores. Por isso seus livros são tão lidos e adorados. Em “Marcelo, Marmelo e Martelo”, a escritora explora a vida de meninos que moram na cidade. São garotos espertos e ativos. Marcelo é um criador de palavras novas. Nas livrarias podem ser encontradas as belas e precisas adaptações que Ruth Rocha fez para a “Ilíada” e a “Odisseia”, de Homero”, e “Tom Sawyer”, de Mark Twain. Crianças ganham, muito, se lerem as adaptações.

A História de Emília, de Monteiro Lobato

Talvez seja possível dizer que Monteiro Lobato inventou a literatura infantil e infanto-juvenil no Brasil. Suas histórias não perdem vitalidade e permanecem modernas, ou, diria Carlos Drummond de Andrade, eternas. O escritor era um homem sisudo, mas tinha uma capacidade de imaginação imensa e, principalmente, não menosprezava a capacidade de entendimento de crianças e adolescentes. A história de Emília, uma boneca falante, é uma de suas principais criações Mexe com a percepção criadora das crianças. O curioso é que a personagem, com sua irreverência, agrada tanto meninas quanto meninos. É tão moleca, esperta e divertida quanto qualquer criança.

Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos

O romance “Meu Pé de Laranja Lima” não deixa de ser piegas e, em alguns momentos, até primário. A exploração do sentimentalismo ganharia se incluísse, de modo mais incisivo, o humor, o riso (o mundo infantil raramente é tão lamentoso). Mas uma coisa é certa: José Mauro de Vasconcelos sabe comover crianças, pelo menos as do meu tempo de menino (entre as décadas de 1960 e 1970). A história do menino e do Portuga tem um quê de Mark Twain? Um quê, no caso, significa uns 20%.

O Estribo de Prata, de Graciliano Ramos

“Vidas Secas” é, claro, um romance adulto. Mas a história de Fabiano e da cachorra Baleia pode ser lida com proveito por jovens perceptivos. “O Estribo de Prata” é, ao contrário, um livro mesmo para garotos. Trata-se de um causo contado por Alexandre, um misto de caçador e vaqueiro. Simples, direto e muito bem escrito. Menos seco que a prosa tradicional de Graciliano Ramos. Há, por assim dizer, um pouco mais de emoção.

Raul da Ferrugem Azul, de Ana Maria Machado

Ganhadora do Prêmio Hans Christian Andersen, Ana Maria Machado é autora de livros de alta qualidade, como “Raul da Ferrugem Azul”, “História Meio ao Contrário?” e “Bisa Bia Bisa Bel”. Raul aparece com manchas azuis em todo o corpo. Depois de se lavar, usando xampu, álcool e detergente, conclui que tem ferrugem azul. A escritora conta a história com graça e sempre levando em consideração que o leitor é inteligente e perspicaz.

A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga

Lygia Bojunga é uma escritora de livros infanto-juvenis? Consagrou-se assim. Acima de tudo, é uma grande escritora. Em conflito com a família e consigo mesma, uma menina esconde na sua bolsa “três grandes vontades”: “a de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora”. Afinal, criança tem vontade ou sua vontade é a dos adultos? A garota relata como é seu cotidiano, intercambiando o mundo real, no qual vive com a família, e seu próprio mundo, no terreno da imaginação.

Histórias da Velha Totônia, de José Lins do Rego

José Lins do Rego tem livros magníficos sobre a infância. “Menino de Engenho”, às vezes subestimado, é um belíssimo romance. O escritor paraibano escreve muito bem sobre meninos. “Quisera que todos eles (os meninos) me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho”, disse o autor paraibano. A linguagem coloquial, oralizada, torna o livro extremamente acessível, divertido e delicioso.

A Árvore dos Desejos, de William Faulkner

O escritor americano William Faulkner é mais conhecido por seus romances mais complexos, como “O Som e a Fúria”, “Luz em Agosto”, “Absalão, Absalão” e “Enquanto Agonizo”. “A Árvore dos Desejos”, ao contrário dos chamados livrões, é escrito numa prosa mais simples e acessível. O menino Maurice convida a garota Dulcie para saírem em busca da Árvore dos Desejos. Eles vão para a floresta, ao lado de outras crianças. O Nobel de Literatura manipula bem o entrelaçamento entre o real e o fantástico.

Os Gatos de Copenhague, de James Joyce

O autor de “Ulysses”, James Joyce, escrevendo para crianças? Sim e, melhor, o faz muito bem. O autor de “Ulysses” envia, da Dinamarca, uma carta para seu neto Stephen Joyce, na qual conta a história de que não há gatos em Copenhague. Que o leitor não se assuste: a história é simples, sem as firulas experimentais dos outros textos do escritor irlandês.

Discurso do Urso, de Júlio Cortázar

O escritor argentino Julio Cortázar é mais conhecido por “O Jogo da Amarelinha”, romance para adultos. O conto poético “O Discurso do Urso”, seu primeiro texto infantil, versa “sobre a vida e os seres humanos, vistos através dos olhos de um ursinho que vive passeando pelos canos dos prédios. Neste vai e vem ele ouve conversa e explora” o “cotidiano” das pessoas — “e suas qualidade e imperfeições — com curiosidade, deslumbre e audácia”.

Caninos Brancos, de Jack London

Jack London é um escritor brilhante, porém, como pouco dado a firulas experimentais, às vezes é sugerido como do segundo time. O autor de “O Chamado Selvagem” é responsável, em larga medida, pela formação e ampliação do número de leitores. Sua prosa é de qualidade, densa e, ao mesmo tempo, simples. Pode ser lida, com igual prazer, por crianças, adolescentes e adultos. “Caninos Brancos” é um de seus mais belos romances. Um lobo do Yukon, aprisionado, é utilizado como puxador de trenó e como cão de rinha. Resgatado por um homem “não-selvagem”, readquire, por assim dizer, sua “dignidade” e, aos poucos, volta à natureza. As relações homem-natureza são mostradas com rara felicidade por Jack London. A história foi adaptada para o cinema, mas nada substitui a leveza contagiante do texto do escritor americano.





Uma educação a longa distância, trecho Paul Auster

29 12 2019

 

 

 

Summer reading, 2011 by Natalia Andreeva born in Novosibirsk, Russia living in Tallahassee (Florida), USALeitura de verão, 2011

Natalia Andreeva (Rússia/ EUA, contemporânea)

 

 

“Nenhum outro menino em seu círculo de conhecidos tinha lido o que ele tinha lido e, como tia Mildred escolhia os livros cuidadosamente para ele, assim como havia escolhido para a irmã, em seu período de confinamento, treze anos antes, Ferguson lia os livros que ela mandava com uma avidez que parecia fome física, pois sua tia compreendia quais livros iam dos seis para os oito anos de idade, dos oito para os dez, dos dez para os doze — e daí até o fim do ensino médio. Contos de fadas, para começar os Irmãos Grimm e os livros muito coloridos compilados pelo escocês Lang, depois os fantásticos e assombrosos romances de Lewis Carroll, George MacDonald e Edithh Nesbit, seguidos pelas versões de mitos gregos e romanos escritas por Bulfinch, uma adaptação infantil de Odisseia, A teia de Charlotte, uma adaptação de As mil e uma noites, remontadas com o título de As sete viagens de Simbad, o Marujo, e mais adiante, uma seleção de seiscentas páginas de As mil e uma noites originais, e no ano seguinte O médico e o monstro, contos de horror e mistério de Poe, O príncipe e o mendigo, Raptado, Um conto de Natal, Tom Sawyer e Um estudo em vermelho, e a reação de Ferguson foi tão forte ao livro de Conan Doyle que o presente que ele ganhou da tia Mildred em seu décimo primeiro aniversário foi uma edição imensamente gorda, abundantemente ilustrada, de Histórias Completas de Sherlock Holmes.

 

Em: 4321, Paul Auster, tradução de Rubens Figueiredo, Cia das Letras: 2018, páginas 109-110





Ler livros para crianças

29 04 2019

 

 

 

Beth Palser, (EUA, contemporânea), Hora da Leitura, 2007, aquarelaHora da leitura, 2007

Beth  Palser (EUA, contemporânea)

aquarela

 

 

Recentemente Dr. Katherine Rundell, autora de livros infantis e também pesquisadora sobre o poeta John Donne no All Souls College, Oxford, deu entrevista ao jornal inglês The Guardian, onde explica sua teoria: adultos deveriam ler livros para crianças e adolescentes.

Não pense que ela defende essa ideia pensando em censura para os livros que seus filhos devam ou possam ler.  Nada disso.  Ela acredita que nos beneficiamos ao ler essas obras porque livros infantis lembram aos adultos o que é sonhar, desejar o impossível, pensar no que talvez não seja tão impossível.  Acreditar que pode haver justiça, amor, aventura e felicidade.  E também a ter esperança.

Tudo indica que ela não está sozinha nesta volta as livros da infância.  O mercado livreiro na Inglaterra mostra um aumento substancial de vendas de livros infantis para adultos. Numa pesquisa feita pelo jornal The Observer em 2018, foram vendidos 10 milhões e meio de livros de ficção para crianças, para serem lidos por pessoas acima dos 17 anos.  Isso reflete um aumento de 42% sobre 2015, quando só 7 milhões e 400 mil livros de crianças foram comprados para serem lidos por adultos.

Katherine Rundell acredita que isso faz parte do processo de auto conhecimento, de se voltar a ter contato com a criança que fomos. “Leia essa ficção e veja o mundo com olhos duplos: os seus e os da criança em você.”  Porque ler é uma das primeiras atividades que fazemos por nós mesmos. Ler os livros infantis que nos encantaram nos lembra de quem éramos quando criança, e mostra os elementos que fizeram a pessoa em que você se transformou.

Para leitura completa do artigo:

The Guardian





Papalivros, um grupo de leitura, 15 anos de existência!

16 04 2018

 

 

30708363_10216448248102687_3601373864887582720_nBolo de comemoração dos Quinze Anos do Grupo de Leitura Papalivros

Da Graça Pâtisserie, em Copacabana

 

 

Em março de 2003, três meses após o meu retorno ao Brasil, pensei abrir caminho para novas amizades e atiçar fogo nos velhos relacionamentos depois de décadas fora do país. Resolvi fazer no Rio de Janeiro um grupo de leitura nos moldes que conhecera no estrangeiro.

Nos Estados Unidos, nos meus primeiros anos, tive o apoio da Secretaria de Estudantes Estrangeiros da Universidade Johns Hopkins.  Através deles fui apresentada a maneiras de complementar  renda e também, modos de me integrar à vida do país, o que incluiu pertencer a grupos que se encontravam não mais do que uma vez por mês.

Participei de grupos de culinária, onde a cada mês uma pessoa mostrava em sua cozinha, como fazer uma especialidade de seu país de origem.  Participei de grupo de estudos (leituras) de história da Europa. E antes mesmo de completar seis meses no país, entrei para um grupo de leitura. Grupos de leitura são comuns nos EUA.  Morei por muitos anos no país, em três diferentes estados e no Distrito de Columbia e em todos os locais fui membro de um grupo de leitura.

É um meio de se conhecer pessoas, de descobrir afinidades, aprofundar o conhecimento geral.  Ainda me lembro com prazer de algumas leituras dos dois anos em que pertenci ao primeiro grupo, na cidade de Baltimore: John Steinbeck, Of mice and men;  John Fowles, The MagusThe once and future king, T. H. White, All creatures great and small, James Herriot, Watership Down, Richard Adams, Breakfast of Champions, Kurt Vonegut,  Burr, Gore Vidal.  Desses tornei-me fã de Vidal, de Vonegut, e Fowles.  E apaixonada pela história do Rei Artur. Em outros grupos de leitura, conheci dezenas de autores americanos e estrangeiros que me roubaram o coração e a atenção.  E mais, fiz grandes amizades nesses grupos.  Pessoas com afinidades.  E aprendi, sobretudo, a respeitar os gostos de cada um, a ouvir as opiniões dos outros sem interferir e a aceitar que cada um de nós tem gosto único e que ele pode mudar através dos anos.

Minha intenção de abrir um grupo de leitura aqui no Rio de Janeiro, cidade de festa, sol, samba e extroversão, foi recebida com surpresa e descrença. Mas à maneira americana, fui pragmática.  Segui em frente até ver no que dava.  E deu samba.  Muito além das minhas expectativas.  Neste mês de abril o Grupo de Leitura Papalivros (nome escolhido por votação logo no primeiro encontro) completa 15 anos de existência.  Começamos com seis pessoas.  Minhas primas, minha cunhada, uma amiga de mamãe.  Quinze anos depois, ainda temos sete membros que entraram no primeiro ano, dos familiares só minhas primas. Somos 22 pessoas, todas mulheres, mas já foi um grupo misto. Somos leitoras.  E amigas. Nossas idades variam dos 34 anos aos 90.  E continuamos muito amigas, a cada ano, mais amigas.

15 anos, 180 livros, 180 encontros, sem nenhuma falha.  É para nos orgulharmos de nós mesmas, do nosso comprometimento, que melhor acontece quando a verdadeira amizade brota e é cuidada.  Que venham mais 15 ou 30.  É um prazer pertencer a esse grupo.

 

 





A lágrima, poesia de Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape

21 10 2013

Antônio Rocco,Pensativa,ost,. 50 x 60 cmPensativa

Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

A lágrima

Carmen Freire

Nascida na ternura ou na tristeza

Límpida gota dos orvalhos d’alma

Tu, lágrima saudosa, muda e calma,

Que força enorme tens nessa fraqueza?

Possuis mais que o poder da realeza,

Quando és filha da dor que o pranto acalma,

E, qual gota de orvalho em verde palma

À pálpebra chorosa ficas presa!

Estrela da saudade, flor de neve,

Que o vento da tristeza faz  brotar,

Amo o teu brilho nessa luz tão breve

De breve globo teu… imenso mar

Cujos fundos arcanos não se atreve

Nem se atreveu ninguém jamais sondar!

Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —

Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.

“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...”  [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]

Obras:

Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)





A cobra e o gaturamo, fábula de Coelho Neto

23 02 2013

hokusai-katsushika--schlange-und-voeglein-Katsushika Hokusai - Snake and bird - Cobra e pássaro

O pássaro e a cobra, s/d

Katsushika Hokusai ( Japão, 1760-1849)

Pintura sobre papel, 25,6 х 36,3 cm

Coleção Particular

A cobra e o gaturamo

Coelho Neto

O tempo era de grande esterilidade e os animais andavam esfomeados. Uma cobra, que se arrastava, todo o dia, ao sol, pelo areal abrasado, à procura de alguma cousa com que atendesse à fome que lhe roía as entranhas,  perdida toda esperança, enroscou-se em uma pedra e ali deixou-se ficar à espera da morte. Iam-se lhe fechando os olhos de fraqueza, quando um passarinho se pôs a cantar num ramo seco, lançando tão alegres vozes, que a cobra, que era matreira, logo percebeu que tinha  de avir-se com um novato, porque passarinho velho não seria tão indiferente a rolar gorjeios em tempo tão infeliz. Assim, instruída pela experiência, imaginou uma traça astuta e, espichando o pescoço, pôs-se a gemer com altos guaiados: — “Ai! de mim, que vou morrer sem alguém que me valha. Ai! de mim…” – Ouviu-a o gaturamo e, porque era curioso, voou do galho ao chão. Pondo-se diante da cobra, interrogou-a. “Que tendes senhora cobra? Por que assim gemeis tão aflita?” – “Ai! de mim! Fui ali acima à fonte, achei água tão fresca e pus-me a beber tão sôfrega, que engoli um diamante do tamanho de uma noz.  Tenho-o atravessado na garganta e morrerei se não encontrar pessoa de caridade que mo queira tirar. Vale um reino a pedra e eu a darei por prêmio a quem me fizer o benefício de arrancar-ma da goela, onde se encravou.”  — Tufou-se em agrado pretensioso o enfatuado gaturamo e, pensando no tesouro que ali tinha ao alcance do bico, redargüiu à cobra: “Não é pelo que vale o diamante, mas pelo alto preço em que vos tenho, que me ofereço para aliviar-vos. Abri a boca!” – Não se fez a cobra rogar e, tanto que sentiu o passarinho, foi um trago. Então, saciada e rindo – como riem as cobras, — enrodilhou-se de novo e adormeceu, contente.





As Florestas texto de Afonso Celso

9 02 2013

ANDERSON CONDE - manhã com neblina,2008, ost, 60x80.andersoncondecombrManhã com neblina, 2008

Anderson Conde (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

www.andersonconde.com.br

As Florestas

Afonso Celso

Não é monótona a selva brasileira. Cada árvore exibe fisionomia própria, extrema-se da vizinha; circunspectas ou graciosas, leves ou maciças, frágeis ou atléticas. Conforme reflexão de ilustre viajante, as matas brasileiras, tão compactas que se lhes poderia caminhar por cima, representam a democracia livre das plantas, democracia cuja existência consiste na luta incessante pela liberdade, pelo ar, pela luz. Preside a essa democracia perfeita igualdade. Não há família que monopolize uma zona com exclusão de outras famílias ou grupos. Espécies as mais diversas medram conjuntamente, fraternizam, enleiam-se. Daí a variedade na unidade, múltiplas e diversas manifestações do belo.

Notabiliza-se ainda a floresta brasileira pela ausência relativa de animais ferozes. É muito menos perigosa do que as da Índia. Habitam-na incalculáveis populações de mamíferos, abelhas, vagalumes, miríades de borboletas com asas de inefável colorido. Em lindas aves é a mais opulenta terra.

Garridos regatos deslizam por ela, derramando frescor. Cortam-na caudalosos rios, tão coalhados de plantas aquáticas que, apesar de profundos, não são navegáveis. O sol doura simplesmente o cimo das árvores. Não penetra através das grossas cortinas verdes senão de modo crepuscular, produzindo a grave penumbra das catedrais, ou  o lusco-fusco das grutas marinhas. Só em espaçadas clareiras, avistam-se nesgas de azul. Em geral, a luz soturna e misteriosa empresta às coisas feições sobrenaturais. O conjunto é sublime.

Todos os sentidos aí ficam extasiados. Gozam todos os nossos sentidos artísticos. Com efeito, deparam-se-nos na floresta brasileira primores de arquitetura, de pintura e, sobretudo, de divina poesia.

Em: Criança brasileira: quinto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949.

AAA

Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, titulado Conde de Afonso Celso pela Santa Sé, mais conhecido como Afonso Celso, (Brasil, MG, 1860 — RJ, 1938) professor, poeta, historiador e político brasileiro. É um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 36.

Obras (lista parcial)

Prelúdios –  poesias, publicado aos quinze anos de idade (1876)

Devaneios (1877)

Telas sonantes (1879)

Um ponto de interrogação (1879)

Poenatos (1880)

Rimas de outrora (1891)

Vultos e fatos (1892)

O imperador no exílio (1893)

Minha filha (1893)

Lupe (1894)

Giovanina (1896)

Guerrilhas (1896)

Contraditas monárquicas (1896)

Poesias escolhidas (1898)

Oito anos de parlamento (1898)

Trovas de Espanha (1899)

Aventuras de Manuel João (1899)

Por que me ufano de meu país (1900)

Um invejado (1900)

Da imitação de Cristo (1903)

Biografia do Visconde de Ouro Preto (1905)

Lampejos Sacros (1915)

O assassinato do coronel Gentil de Castro (1928)

Segredo conjugal (1932)





O labirinto em Serena, de Ian McEwan

4 10 2012

Relatividade, 1953

M. C. Escher (Holanda, 1898-1972)

Litografia

Inicialmente pensei que a imagem mais apropriada para ilustrar o livro Serena de Ian McEwan fosse uma das paisagens de Estaque do pintor francês e fundador do cubismo, Georges Braque, tal como Viaduto de Estaque ilustrado abaixo.   Nesta tela vemos uma paisagem com algumas casas rodeadas de vegetação e um viaduto romano ao fundo.  Nós compreendemos a cena, e ainda a vemos mais completa, porque somos instruídos — através da criativa maneira de pintar desenvolvida pelos cubistas, inspirados por Cézanne —  sobre as demais facetas da paisagem que revela diversos elementos vistos por diferentes ângulos, que não estariam dentro das nossas possibilidades entrever.  Com o  uso de múltiplas perspectivas Georges Braque neste caso permite que  conheçamos “o outro lado da lua”, ou seja: os dois lados de um telhado que nossa visão não permitiria perceber, ou a fachada de uma casa,  que ele levanta  ligeiramente,  por cima das casas na frente, para que vejamos a série de janelas paralelas corridas.  Essa visão compreensiva, giroscópica,  do tema, dos objetos ou pessoas retratadas, explorada pelos cubistas constitui em grande parte a maneira narrativa de Ian McEwan.

Viaduto de Estaque, 1908

Georges Braque (França, 1882-1963)

óleo sobre tela, 72 x 59 cm

Museu de Arte Moderna, Centro Pompidou, Paris

Mas à medida que o texto avançou e certamente depois que cheguei ao fim do romance,  a visão cubista, ainda que interessante,  não me satisfez.  Porque é um texto que se renova, que se reencontra e que recomeça.  É um labirinto com alguns becos, algumas passagens em múltiplos níveis, com algumas realidades paralelas, como se estivéssemos num jogo digital e uma vez ou outra achássemos a porta que nos leva direto até o próximo nível, sem termos que lutar com o dragão ou algum inimigo inesperado.  Esta é uma história que vai e volta e se aprofunda em diversos níveis sem que saibamos por que estamos sendo levados por aquele caminho e de repente, parecemos voltar ao ponto inicial como em um rondó musical ou em uma fita de Möebius.  E foi pensando nela que acabei selecionando uma das muitas gravuras de M. C. Escher para dar o tom visual do que acontece com o leitor de Serena.  Escolhi a gravura Relatividade, uma litografia cuja primeira tiragem foi feita em 1953, porque esse artista holandês é quem, nas artes plásticas, de meu conhecimento, melhor exemplifica a minha experiência ao terminar esse texto.

É a habilidade narrativa de McEwan que permite que se chegue ao final da trama capaz de entender os diversos níveis em que ela se desenvolve. E ser surpreendido.  Totalmente surpreendido.  Este é um romance, um thriller, que aparenta tratar de espionagem na década de 60 do século passado. Espionagem envolvendo o fabuloso serviço inglês MI5 já bastante caracterizado na literatura, no cinema e em programas televisivos pela sua invencibilidade.   Não há nenhum James Bond, mesmo em se tratando de Londres, cidade onde Serena,  que acabou de terminar o curso superior numa excelente universidade inglesa, arranja seu primeiro emprego.  A jovem é a nossa porta de entrada para esta aventura literária que insiste em parecer simples e direta.  Até que, em certo momento, temos a sensação de que talvez não estejamos lendo coma atenção necessária.  No meu caso foi lá pela página 140, quando parei e voltei ao início.  Mas tive relatos de outros leitores, talvez mais sensíveis, mais perceptíveis, que o fizeram umas 50 páginas antes.  De qualquer modo, o leitor sente que  há algo no ar mas não sabe onde, nem o quê, nem o porquê. E assim se desenrola a narrativa.

Ian McEwan

Mais do que um thriller, Serena é um livro sobre ficção.  Sobre diversos níveis de ficção. Sobre a ficção que encontramos no dia a dia, na fabricação de quem somos, no contar e recontar de nossos movimentos de nossas ações.  Temos a ficção de espiões e a ficção de quem escreve ficção.  Este é um   romance baseado no ato de simular, na habilidade do fingimento.  Ian McEwan explora aqui  a tênua linha que define realidade.  Este romance é uma ode à imaginação.  À nossa habilidade, à capacidade humana de iludir e de aceitar ser iludida.  A narrativa é um quebra-cabeça, um Cubo de Rubik com faces de espelhos, onde tudo se encaixa, a qualquer momento em qualquer hora,  porque tudo, absolutamente tudo não passa de ficção.  Uma narrativa brilhante.

Minha objeção está na personagem que achei o menos crível dos elementos.  Mas como acreditar em um personagem que nos ajuda a construir o ficcional?  Como julgar aquele que nos faz crer e que nos ajuda a descrer. Este é o impasse a que chegamos.  E a mensagem é simples: não creia, não acredite.  Tudo não passa de ficção.  Nem mesmo eu, nem você que me lê, nem Serena.





Os leitores sugerem: livros para adolescentes, neste Natal e sempre

4 12 2011

Ilustração, autoria desconhecida.

Está na hora de novo: que livros comprar para os jovens que conhecemos?  Este ano farei duas postagens sobre o assunto: a primeira, hoje.  Aqui estarão os livros sugeridos pelos leitores do blog.  Trata-se de leitura que adolescentes possam gostar.  E os títulos foram todos sugeridos pelos leitores.  A próxima postagem tratará dos livros que eu selecionei como minhas escolhas para presentes esse ano, independente do que os leitores sugeriram.  Foram muitas as séries e grande a variedade.  Por causa disso peço que leiam com atenção porque está um pouco mais misturado do que nas postagens anteriores, i. e. aventura e vampiros; romance, tópicos jóvens, autores brasileiros e estrangeiros.  Paciência.  A gente chega lá.

Ao todo, 91 diferentes títulos foram mencionados.  Poucos, muito poucos já haviam sido citados nesse blog, anteriormente.  Foram repetidos quando entraram nos mesmos parâmetros dos demais.   A seleção foi baseada nos seguintes parâmetros:

1 – Títulos mencionados mais de uma vez por diferentes pessoas.

2 – Verificação de notas dadas por leitores em portais especializados como SKOOB, por exemplo.  Não postei livros com menos e 60% de aprovação.

3 – Alguns autores foram mencionados como:  todos os JK Rowling, todos os….  Esses estão mencionados no final.

4 – A esmagadora maioria dos votos foi para autores estrangeiros.  Fiz uma pequena lista de menção honrosa no final dessa postagem sugerindo os autores brasileiros mencionados.

PS: A lista não está em ordem nenhuma significativa.  Tentei variar os assuntos, senão poderíamos ter uma postagem em que os primeiros 8 itens fossem VAMPIROS, por exemplo.

Querido diário otário  — série

de Jim Bentom, Editora Fundamento [ www.editorafundamento.com.br]

Capas dos primeiros 6 volumes.

Por enquanto são 12 livros acompanhando a vida de Jamie Kelly.  Ela mora com a mãe, que é uma péssima cozinheira, o pai e seu adorável cachorro com o indicativo  nome de Fedido, um beagle, que como todos os cães de sua espécie tem um odor específico, nesse caso desagradável e que brinca e namora seu brinquedinho “Nojogosma”, nome dado por Jamie ao brinquedo.  Também vive com ela a filha do Fedido, Fedidita, que tem como mãe Framboesa. Jamie estuda no Colégio Mackerel, onde sua a menina Isabella Vinchella,  de 12 anos como ela, aparece como “malvada” ou “cruel”, na maioria das vezes.  Na escola ela também conhece Angelina, uma menina loura e “gloriosamente” bonita que Jamie odeia.  Angelina, porém, se mostra melhor que Isabella em algumas partes. Outros alunos  fazem parte do grupo de personagens das histórias, entre eles Lucas Ribas, o ” 8º garoto mais bonito da escola “, por quem Jamie é apaixonada.

O livro das estrelas — trilogia

de Erik L’Homme, editora Rocco [www.rocco.com.br]

O livro das estrelas é um dos maiores êxitos editoriais dos últimos tempos no mundo e principalmente na França, terra natal do auto que foi distinguido com vários prêmios literários.  É uma trilogia baseada em ficção fantasiosa sobre um garoto chamado Guillemot que tem entre 12 e 13 anos e vive com a mãe no vilarejo de Troil, no país de Ys, localizado entre dois mundos: o Mundo Certo (o nosso) e o Mundo Incerto, que é um lugar assustador com criaturas horríveis e também governado pela “Treva” (que ninguém conhece).

Qadehar, o Feiticeiro – O Livro das Estrelas – vol. 1

Em uma ilha chamada Ys, localizada entre o Mundo Certo e o Mundo Incerto, vive Guillemot, um menino de 12 anos que vai participar de uma emocionante aventura, recheada de poderes mágicos e tramas sombrias. Tudo começa quando o garoto encontra o feiticeiro mais importante de Ys. Os poderes do menino começam a se manifestar e Qadehar, o feiticeiro, o ajuda a descobrir o mistério que envolve o seqüestro de sua maior inimiga. A primeira aventura fantástica da trilogia O Livro das Estrelas, uma jornada de outro mundo.

O Senhor Sha – O Livro das Estrelas – vol. 2

Guilherme de Troll, o Aprendiz de Feiticeiro, escapou por um triz às forças malignas do Mundo Incerto. Depois de muitas aventuras, concentra-se agora na aprendizagem da magia. Mas a ameaça de um ataque ainda paira sobre a Ilha Perdida e os feiticeiros da Guilda concebem um plano para atacar a Escuridão – um plano condenado ao fracasso.  Torna-se evidente que há um traidor em Gifdu e a desconfiança recai sobre o Mestre de Guilherme, Qadehar. Mas quem é, afinal, o sinistro Lorde Sha que se infiltrou no mosteiro? Porque motivo quer encontrar Guilherme? Saberá ele onde se encontra O Livro das Estrelas?

O Rosto da Treva – O Livro das Estrelas – vol. 3

Último volume da trilogia O LIVRO DAS ESTRELAS : A notícia caiu como uma bomba na Ilha Perdida: Guilherme estava refém da Escuridão, o adversário mais temível que jamais enfrentara. Ao mantê-lo prisioneiro, a Escuridão esperava desvendar os últimos segredos de O Livro das Estrelas.  Para o libertar, um grupo de Cavaleiros, liderado por Qadehar, alia-se aos Homens Livres do Mundo Incerto e, juntos, partem à procura do Aprendiz de Feiticeiro.  Por seu lado, os amigos de Guilherme tudo fazem, também, para o resgatar, enquanto na torre, onde se encontra prisioneiro, este trava uma luta sem tréguas com a Escuridão.  Apesar dos seus poderes extraordinários, será Guilherme capaz de resistir à Escuridão, essa entidade maléfica que ameaça dominar os Três Mundos?

Ilustração “Family Matters”, sem indicação de autoria.

A morada da noite — série

de P.C. Cast e Kristin Cast, Editora Novo Século [ www.novoseculo.com.br]

Os primeiros 5 volumes de um total de 12 prometidos.

Esta é uma série de doze livros, lançada originalmente em 2007, e criada pela autora norte-americana P.C. Cast, com co-autoria de sua filha Kristin Cast.  A série inclui os títulos: Marcada, Traída, Escolhida, Indomada, Caçada, Tentada, Despertada, entre outros.  Nesses volumes seguimos a história da adolescente Zoey Redbird.  No mundo que Zoey, a nossa adolescente-heroína, habita vampiros sempre existiram entre os humanos e convivem tranquilamente com eles.  O que os torna diferentes são as marcas que têm no corpo.  Um dia, Zoey é marcada com o símbolo dos vampiros e se vê obrigada ir para A morada da noite, num universo alternativo, deixando para trás amigos, namorado e a família.  Lá ela terá um treinamento necessário para sua vida adulta como vampira. Ela passa por várias transformações, que podem torná-la vampira, ou matá-la, caso seu corpo rejeite a mudança.

Marley & Eu: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo

de John Grogan, Editora Prestígio [www.ediouro.com.br]

Este é um livro de não-ficção escrito pelo jornalista norte-americano John Grogan.  Através de uma narrativa em primeira pessoa, o autor relata a história real de seu cachorro da raça labrador,  chamado Marley, durante os treze anos em que foram companheiros de vida.  John e Jenny eram recém-casados e estavam começando a sua vida juntos, quando levaram para casa Marley, “um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro”, que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos.    Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, estragava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a “escola de boas maneiras“, de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional.


A fantástica fábrica de chocolate

de Roald Dahl, Editora Martins Fontes

Atenção:  algumas livrarias ainda têm esse livro, mas o portal da Martins Fontes não reconhece o livro como em oferta para venda.

Ninguém sabia o que acontecia dentro daquela fábrica de chocolate. Havia gente trabalhando nela, claro, mas ninguém entrava e ninguém saía. Só saíam os doces e os chocolates, bem embrulhadinhos, prontos para serem vendidos. Um dia, os portões da fábrica se abriram para os cinco felizardos ganhadores do Cupom Dourado – e o mistério se desvendou. O leitor é convidado a conhecer o rio de chocolate, a grama de açúcar mentolado, os caramelos de cabelo e mil outras delícias – tudo isso na companhia do incrível Sr. Wonka, o dono da Fantástica Fábrica de Chocolate.

O menino do dedo verde

de Maurice Droun, editora José Olympio [www.record. com.br]

Era uma vez Tistu, um menino diferente de todo mundo, um menino muito feliz, que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus belos pais – donos da maior fábrica de canhões do mundo – podiam dar e o dinheiro podia comprar. Morava numa mansão – a “Casa-que-Brilha” – e tinha criados que o adoravam.   Com uma vidinha inteiramente sua, o pequeno de olhos azuis e cabelos loiros deixava impressões digitais que suscitavam o reverdecimento e a alegria. As proezas de seu dedo verde eram originais e um segredo entre ele e o velho jardineiro, Bigode, para quem seu polegar era invisível e seu talento, oculto, um dom do céu.  Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.

George e o Segredo do Universo George e a Caça ao tesouro Cósmico

De Lucy e Stephen Hawking, Editora Ediouro [www.ediouro.com.br]

George e o Segredo do Universo

Radicais, os pais de George não o deixam ter acesso à tecnologia. Mas junto com a amiga Annie e um supercomputador, eles farão uma viagem de aventura e aprendizado pelo espaço sideral. Um enredo criado para mostrar as revolucionárias idéias e conceitos de Física e Astrofísica de Stephen Hawking sobre o Universo, de uma forma divertida para o público infantil.

George e a Caça ao Tesouro Cósmico

Esta empolgante aventura não é só uma história emocionante em busca de um tesouro cósmico. Mas também uma forma divertida de conhecer a ciência do nosso Universo. Stephen Hawking, um dos mais importantes cientistas do mundo, se uniu a sua filha Lucy, para tornar a ciência atraente e empolgante para jovens e adultos. George e a caça ao tesouro cósmico é a continuação do bestseller George e o Segredo do Universo.

Ilustração de Abgail Zambon.

Soul Love – À noite o céu é perfeito!

de Lynda Waterhouse,  Editora Melhoramentos

Atenção:  Este livro só pode ser achado em sebos. Sugiro que procurem na Estante Virtual [www.estantevirtual.com.br] Coloquei-o aqui na lista dado o grande número de votos que recebeu e pelas resenhas quase que unanimemente elogiosas.

Jenna não quer trair os amigos e não revelará o que se esconde por trás de sua expulsão do colégio, assumindo toda a culpa sozinha. Como castigo sua mãe a levou para passar algum tempo com uma tia numa tediosa cidadezinha do interior. É lá que Jenna encontra Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado. Completamente diferente de todas as outras pessoas ela conhece. É inevitável: Jenna se apaixona por ele. Será que Gabe é sua alma gêmea? Ele mostra a Jenna a beleza de um céu noturno sem nuvens, escuro, um contraste perfeito para o brilho das estrelas. E, em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte. Mas Cleo, uma garota antipática que tem uma ligação muito estranha com Gabe, não está gostando nada desse romance. Afinal, ela não quer que ninguém mais saiba o grande segredo de Gabe…

Coração de Tinta

De Cornelia Funke, Editora Companhia das Letras [www.companhiadasletras.com.br]

Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada.

Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

Tobias Lolness:  A Vida na Árvore

De Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

Bem-vindo à Árvore, um mundo em miniatura onde as pessoas medem menos de dois milímetros de altura e a Natureza tem todo o poder sobre os seres vivos. É lá onde mora Tobias, de 13 anos. Como seu pai, o professor Lolness, recusa-se a revelar o segredo que pode pôr em risco a vida na Árvore, sua família é condenada à morte. Para fugir da perseguição, eles são obrigados a deixar os Cumes e se exilar nos Galhos-Baixos. Assim, em meio à luta pela própria sobrevivência, Tobias acaba conhecendo lugares e pessoas nunca antes imaginados e também a brava e bela Elisha Lee.

Tobias Lolness: Os olhos de Elisha

de Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

O herói de 13 anos e apenas um milímetro e meio de altura que emocionou leitores em mais de vinte países, abocanhou diversos prêmios literários e foi aclamado pela crítica em todo o mundo está de volta. Tobias Lolness, protagonista da série de mesmo nome escrita pelo francês Timothée de Fombelle, sobreviveu a grandes desafios desde que sua família foi exilada devido às cobiçadas descobertas científicas de seu pai em Tobias Lolness – A vida na Árvore. Nesse volume, uma enorme cratera foi aberta no interior da grande Árvore e os galhos foram invadidos por musgos e parasitas, controlados por um terrível tirano. A população dos Galhos Baixos vive subjugada, e Elisha Lee foi feita prisioneira. Tobias sabe que não pode fechar os olhos para a situação de miséria, opressão e medo que se instalou. E resolve lutar por liberdade, justiça e pelo seu grande amor. Conseguirá o pequeno herói vencer mais esta batalha?

Rangers: a ordem dos arqueiros, 1 -12 volumes

de  John Flanagan, Editora Fundamento [www.editorafundamento.com.br]

Aqui a foto de 6 dos 12 volumes dos Rangers, muito mencionado entre os meus leitores.

Sinopse do primeiro volume:

Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra.   A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o misterioso arqueiro, que muitos acreditam ter habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria.
Relutante, Will aprendeu a usar as armas secretas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e… um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão: impedir o assassinato do rei.   Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava.

Os 11 volumes seguintes seguem a história dessa saga.

Menções honrosas para os seguintes escritores:

Brasileiros: 

Marcos Rey, Pedro Bandeira, Lygia Bojunga, José Mauro de Vasconcellos, Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Estrangeiros:

Sidney Sheldon, Stepheny Meyer, Emily Giffin, Aprilynne Pike, Annie Bryant, Anne Rice.

NOTA: É importante que você leia a sinopse desses livros — procure na internet — antes de comprá-los.  Leitores de 12 a 17 anos se desenvolvem de maneiras diferentes, tem preferências próprias e experiências de vida diversas.  É importante que se leve em consideração a temática para sugerir livros ou presentear com livros.








%d blogueiros gostam disto: