NOVO Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

20 03 2009

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A Academia Brasileira de Letras lançou na quinta-feira a 5ª edição do VOLP — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa  que incorpora as novas normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, regulamentado no Brasil, no dia 29 de setembro do ano passado, e já em vigor desde 1º de janeiro deste ano. O volume contém 349.737 vocábulos apresentados sob forma de lista, por ordem alfabética, além dos estrangeirismos (cerca de 1,5 mil), que aparecem na parte final da obra.

 

Ao contrário de um dicionário, o VOLP não visa informar sobre significado de palavras, e sim registrar a forma oficial de escrevê-las. Além da grafia correta, ele traz indicações de prosódia e ortoépia – que estabelecem a pronúncia e acentuação das palavras -, classe gramatical e informações como formas irregulares do feminino de substantivos e adjetivos, plurais de nomes compostos, homônimos e parônimos.

 

O Doutor em Letras e escritor Cláudio Moreno afirmou que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), trará surpresas aos linguistas; enquanto o presidente da ABL, Cícero Sandroni, afirmou que “esta edição se apresenta aumentada em seu universo lexical, corrige falhas tipográficas e oferece informações sobre possíveis dúvidas resultantes do emprego de algumas das normas ortográficas“.

 

Portal TERRA





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa III

29 10 2008

Ilustração:  Maurício de Sousa

DA HOMOFONIA DE CERTOS GRAFEMAS CONSONÂNTICOS

 

Há grafemas consonânticos que produzem o mesmo som (homófonos) mas que nem sempre são escritos da mesma maneira.  A regra aqui será ditada pela origem, pela história da palavra.  Nem sempre é fácil esta diferenciação entre o emprego de uma letra ou de outra, quando representam o mesmo som.  Na dúvida, recorra à origem da palavra. 

 

Abaixo, uma lista dos exemplos mais comuns.

 

1º)       Distinção gráfica entre ch e x:

 

CH

                                                                      

achar,  archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, chiste, chorar,

colchão, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar, macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar, tacho

 

X

 

ameixa, anexim, baixei, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir, enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia, xerife, xícara.

 

2º) Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j:

 

G

 

adágio, alfageme, Álgebra, algema, algeroz, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem, frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, relógio, sege, Tânger, virgem;

 

J

 

adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espécie de papagaio), canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, jenipapo, jequiri, jequitibá,  jerimum, jibóia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucujê, pajé, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.

 

3º) Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas:

 

ânsia, ascensão, aspersão, cansar, conversão, esconso,farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsa;

 

abadessa, acossar, amassar, arremessar, asseio, atravessar, benesse, codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar, dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso, remessa, sossegar,

 

acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, cetim, obcecar, percevejo;

 

açafate, açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, caçanje, caçula, caraça, dançar, enguiço, inserção, linguiça, maçada, Mação, maçar, Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba, terço;

 

auxílio, Maximiliano, Maximino, máximo, próximo, sintaxe.

 

4º) Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/fônico:

 

adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo, esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo, espremer, esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar, extraordinário, inextricável, inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmente.

 

De acordo com esta distinção convém notar dois casos:

 

a) Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido de i ou u:

 

 justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.

 

b) Só nos advérbios em -mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.).

 

5º) Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/ fônico:

 

aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através,  s, íris, jus, lápis, país, português, quis, retrós, revés;

 

cálix, flux;

 

assaz, arroz, avestruz, dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, giz, jaez, matiz, petiz.

 

6º) Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, narciso, obséquio, ousar, pesquisa, portuguesa, presa, raso, represa, sacerdotisa,  surpresa, tisana, transe, trânsito, vaso;

 

exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorável;

 

abalizado, alfazema, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, deslize, fuzileiro, guizo, helenizar, lambuzar, lezíria, proeza, sazão, urze, vazar.

 





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa II

12 10 2008
Ilustração de Blanche Wright

Ilustração de Blanche Wright

 

DO  H   INICIAL E FINAL

 

1º) O h inicial emprega-se:

a) Por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.

b) Em virtude da adoção convencional: hã?, hem?, hum!.

 

2º) O h inicial suprime-se:

a) Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita);

b) Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente: biebdomadário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver.

 

3º) O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sobre-humano.

 

4º) O h final emprega-se em interjeições: ah! oh!

 

Clique AQUI para outra mudança, explicada em postagem anterior.





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa I

11 10 2008

Ilustração Maurício de Sousa

DO ALFABETO E DOS NOMES PRÓPRIOS ESTRANGEIROS E SEUS DERIVADOS

 

1º ) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

 

Iremos adicionar 3 novas letras ao alfabeto:

 

k K (capa ou cá)

w W (dáblio) 

y Y (ípsilon) 

 

 

As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

 

a) Em antropônimos originários de outras línguas e seus derivados:

 

 

Exemplos:       Franklin, frankliniano;

Kant, kantinismo;

Darwin, darwinismo;

Wagner, wagneriano;

Byron, byroniano;

Taylor, taylorista;

 

b) Em topônimos originários de outras línguas e seus derivados:

 

Exemplos:       Kuwait, kuwaitiano;

Malawi, malawiano;

 

 

c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional:

 

Exemplos:

 

TWA,

KLM;

K-potássio (de kalium),

W-oeste (West);

kg-­quilograma,

km-quilômetro,

kW-kilowatt,

yd-jarda (yard);

Watt.

 

3º ) Em congruência com o número anterior, mantém-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes:

 

Exemplos:       comtista, de Comte;

garrettiano, de Garrett;

jeffersônia, de Jefferson;

mülleriano, de Müller;

shakesperiano, de Shakespeare.

 

Os vocábulos autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem.

Exemplos:       de fúcsia/ fúchsia

bungavília/ bunganvílea/ bougainvíllea.

 

 

4º ) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica.

 

Exemplos: Baruch, Loth, Moloch, Ziph

 

Ou podemos simplificá-los: Baruc, Lot, Moloc, Zif.

 

Se qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se:

Exemplos:       José, em vez de Joseph,

Nazaré, em vez de Nazareth;

 

e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica:

 

Judite, em vez de Judith.

 

 

5º ) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e h mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeada­mente antropônimos e topônimos da tradição bíblica.

 

Exemplos:  Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.

 

Integram-se também nesta forma:

 

Cid. em que o d é sempre pronunciado;

Madrid

Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não

Calcem ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.

 

Nada impede, entretanto, que dos antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.

 

6º ) Recomenda-se que os topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente.

 

Exemplo:        Anvers, substituíndo por Antuérpia;

Cherbourg, por Cherburgo;

Garonne, por Garona;

Genève, por Genebra;

Justland, por Jutlândia;

Milano, por Milão;

München, por Munique;

Torino, por Turim;

Zürich, por Zurique, etc.

 

 








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