Livros bons para crianças e adolescentes

27 02 2020

 

 

American Folk Art Painting, Unknown artist, Girl in Green, 1800Garota de verde, 1800

Pintura folclórica americana

óleo sobre madeira

 

Volta às aulas.  Hora de esforço para melhorarmos o português, a maneira de pensar, o reconhecimento de sentimentos.  Hora de desenvolver empatia e encontrar semelhantes nos livros que lemos.  De vez em quando me debruço sobre leitura para crianças e adolescentes.  É assunto fascinante.  O que é próprio para uma criança de  nove anos pode ser infantil demais para seu colega de turma.  Pais e professores devem ser flexíveis.  Também não acredito em forçar ninguém a ler.  Forçar a ler é contra producente.

No ano passado Euler de França Belém publicou um artigo interessante na Revista Bula, que reproduzo aqui na íntegra.  Trata de livros que são bons para crianças e adolescentes.  Como todas as listas há limites.  Mas no todo esse é um ótimo guia para leitura.  Trabalhe e tente achar algo que seu filho goste de ler.  Você vai conseguir.  Não desista.

 

25 livros que são diamantes para o cérebro de crianças e adolescentes

Por Euler de França Belém

Bons livros para crianças e adolescentes — a chamada literatura infanto-juvenil — são eternos e, mais, podem ser lidos por adultos com igual prazer. Muitos livros, mesmo de qualidade mediana, se tornaram clássicos. As obras de Monteiro Lobato, Alexandre Dumas, Irmãos Grimm, Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, H. C. Andersen não morrem jamais. São para sempre. “Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar, para ficar num exemplo, é um clássico universal e atemporal.

Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár

O húngaro Ferenc Molnár escreveu um dos mais belos livros juvenis (que todo adulto lê com prazer). Paulo Rónai, húngaro que veio para o Brasil fugindo do nazismo, é o exímio tradutor desta obra-prima. Brigas de meninos, nas ruas de Budapeste, no século 19, poderiam render uma reportagem de jornal. Nas mãos de Ferenc Molnár resultaram num romance delicioso, escrito com graça e grande compreensão do universo dos garotos.

O Pequeno Nicolau, de Sempé-Goscinny

Com ilustrações de Jean-Jacques Sempé, o livrinho aparentemente despretensioso escrito pelo francês René Goscinny, criador de Asterix, que viveu em Buenos Aires durante a infância e parte da juventude, narra em primeira pessoa as aventuras do menino Nicolau. Contando suas experiências na escola, em casa com os pais e com os amigos, Nicolau diverte e ao mesmo tempo apresenta uma narrativa de como uma criança percebe o mundo ao seu redor. Para os interessados pela língua francesa, vale a pena ler o livro no original. A prosa da obra é fluente, precisa e acessível.

20 Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne

Um dos criadores da ficção científica, Júlio (Jules) Verne é uma espécie de Nostradamus da literatura e, mesmo, da ciência. Invenções às quais não teve acesso, pois morreu em 1905, foram anunciadas em seus livros. Prisioneiro do capitão Nemo, o professor Aronnax e Ned Land vivem a bordo do submarino Náutilus. Sem o didatismo de alguns autores, privilegiando a imaginação, a sua e a dos leitores, Verne mostra a riqueza do mundo marinho.

O Jardim Secreto, de Frances Rodgson Burnett

O romance “O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett, é sobre o encontro entre uma menina e um menino, sobretudo é uma celebração da amizade entre dois seres e a descoberta, por assim dizer, do mundo. O garoto vive numa cama, mais morto do que vivo, até a chegada de uma menina esperta que injeta vida em seu ser e o retira do quarto. Juntos, descobrem um jardim secreto e uma história, que, como o belo jardim, não pode mas é devassada.

4 Contos, de e. e. cummings

Não estranhe: é assim mesmo — e. e. cummings. É como o poeta assinava seus livros, com minúsculas. Todos conhecem cummings como um poeta extraordinário, traduzido no Brasil por Augusto de Campos. No seu único livro para crianças, o bardo mostra que tem a imaginação adequada. Os contos versam sobre nascimento, amor. Quem aprecia Tolkien não se espantará com o elfo criado pelo vate americano. Imagine um elefante que tem carinho por uma borboleta e uma casa, meio solitária, que se declara apaixonada por um passarinho. Há duas meninas, Eu e Você. Lúdico e inteligente.

Vozes no Parque, de Anthony Browne

Anthony Browne ganhou o prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infanto-juvenil. O livro convida o leitor para pensar sobre a diversidade do mundo, sobre a interpretação dos fatos. Um passeio, feito num parque, é relatado por quatro vozes diferentes, com suas nuances. Resulta que um passeio pode ser muitos passeios, ao incorporar vozes diversas.

O Que Me Diz, Louise?, de Slade Morrison e Toni Morrison

Nobel de Literatura, a americana Toni Morrison é uma escritora notável. O livrinho “O Que Me Diz, Louise?” é uma celebração da leitura, da cultura, do aprendizado. Sobretudo, do prazer e não da obrigação de ler. Mesmo num dia chuvoso, Louise sai de casa em busca de um refúgio quase secreto: a biblioteca, espécie de porta aberta para todas as coisas do mundo. A biblioteca, com seus vários livros, transforma os seres humanos e, daí, o mundo. Ah, o livro nada tem de chato.

Huckleberry Finn, de Mark Twain

Pense em Mark Twain como o Monteiro Lobato dos Estados Unidos, com uma pitada a mais de humor. O menino Huck Finn é esperto, inteligente e até malandrinho. Suas histórias divertidas sempre levam o leitor a sorrir. É quase um romance de formação, preciso e enxuto. O menino amadurece durante suas peripécias. Fica-se com a impressão, às vezes, de que Huck Finn é um menino-adulto ou um adulto-menino. É o mais importante livro da literatura juvenil (ou infanto-juvenil) dos Estados Unidos, inclusive adaptado para o cinema.

As Aventuras de Robin Hood, de Alexandre Dumas

Robin Hood é um clássico da literatura universal (poucas pessoas não sabem quem é). As histórias estabelecidas por Alexandre Dumas são as mais bem cuidadas e são ambientadas nos séculos 12 e 13, sob o reinado de Ricardo Coração de Leão. O criminoso que rouba dos ricos para doar aos pobres é admirador do rei Ricardo e batalha para que volte ao trono. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, Robin Hood e seus aliados, como João Pequeno, lutam contra o xerife de Nottingham e os soldados do rei usurpador. Há também a bela Lady Marian, paixão de Robin Hood, e o frei Tuck, seu aliado.

Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas

Uma das graças do livro do escritor francês Alexandre Dumas é saber que os três mosqueteiros são, na verdade, quatro — Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan. O romance de capa e espada se tornou universal. Os quatro heróis permanecem encantando os leitores. Não só. A história, levada ao cinema, encanta os espectadores.

O Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry

Há um preconceito intelectual contra este belo livro, sobretudo no Brasil. Crianças e adolescentes (se não tiverem absorvido a ranzinzice dos adultos) podem lê-lo com proveito. As mensagens podem soar piegas, num mundo feito de racionalismo consumista e sempre apressado, mas a história, com suas frases (dizem que moralistas), é bonita. Vale ler a tradução, mais madura e precisa, de Ferreira Gullar. O livro, na pena de um dos maiores poetas brasileiros, ficou mais adulto.

Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato

O Brasil está cada vez mais urbano, com espaço cada vez menor para a área rural. Crianças, adolescentes e mesmo adultos sabem cada vez menos sobre assuntos que tenham a ver com o campo. O belo “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, se torna, portanto, mais interessante do que nunca. Porque põe seus leitores em contato com a natureza, com um garoto que inventa coisas para se divertir. Hoje, tirar uma criança das teclas de computadores e smartphones não é fácil. Monteiro Lobato, com sua rica imaginação, às vezes pecando por certo didatismo, provavelmente ainda consegue encantar as crianças e, até, os adolescentes.

Andira, de Rachel de Queiroz

Andira é uma criança? Não, Andira é uma andorinha-criança, quer dizer, um filhote. Pequena, e como não sabe voar, as demais andorinhas, que se preparam para migrar no inverno, deixam-na para trás. Como muitas andorinhas, Andira nasceu numa igreja e, na ausência dos parentes, é criada por morcegos. Estes se tornam seus mestres.

Marcelo, Marmelo e Martelo, de Ruth Rocha

Ruth Rocha conhece como poucos o que se passa pela cabeça das crianças e adolescentes. Ela escreve com uma clareza impressionante e não subestima seus leitores. Por isso seus livros são tão lidos e adorados. Em “Marcelo, Marmelo e Martelo”, a escritora explora a vida de meninos que moram na cidade. São garotos espertos e ativos. Marcelo é um criador de palavras novas. Nas livrarias podem ser encontradas as belas e precisas adaptações que Ruth Rocha fez para a “Ilíada” e a “Odisseia”, de Homero”, e “Tom Sawyer”, de Mark Twain. Crianças ganham, muito, se lerem as adaptações.

A História de Emília, de Monteiro Lobato

Talvez seja possível dizer que Monteiro Lobato inventou a literatura infantil e infanto-juvenil no Brasil. Suas histórias não perdem vitalidade e permanecem modernas, ou, diria Carlos Drummond de Andrade, eternas. O escritor era um homem sisudo, mas tinha uma capacidade de imaginação imensa e, principalmente, não menosprezava a capacidade de entendimento de crianças e adolescentes. A história de Emília, uma boneca falante, é uma de suas principais criações Mexe com a percepção criadora das crianças. O curioso é que a personagem, com sua irreverência, agrada tanto meninas quanto meninos. É tão moleca, esperta e divertida quanto qualquer criança.

Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos

O romance “Meu Pé de Laranja Lima” não deixa de ser piegas e, em alguns momentos, até primário. A exploração do sentimentalismo ganharia se incluísse, de modo mais incisivo, o humor, o riso (o mundo infantil raramente é tão lamentoso). Mas uma coisa é certa: José Mauro de Vasconcelos sabe comover crianças, pelo menos as do meu tempo de menino (entre as décadas de 1960 e 1970). A história do menino e do Portuga tem um quê de Mark Twain? Um quê, no caso, significa uns 20%.

O Estribo de Prata, de Graciliano Ramos

“Vidas Secas” é, claro, um romance adulto. Mas a história de Fabiano e da cachorra Baleia pode ser lida com proveito por jovens perceptivos. “O Estribo de Prata” é, ao contrário, um livro mesmo para garotos. Trata-se de um causo contado por Alexandre, um misto de caçador e vaqueiro. Simples, direto e muito bem escrito. Menos seco que a prosa tradicional de Graciliano Ramos. Há, por assim dizer, um pouco mais de emoção.

Raul da Ferrugem Azul, de Ana Maria Machado

Ganhadora do Prêmio Hans Christian Andersen, Ana Maria Machado é autora de livros de alta qualidade, como “Raul da Ferrugem Azul”, “História Meio ao Contrário?” e “Bisa Bia Bisa Bel”. Raul aparece com manchas azuis em todo o corpo. Depois de se lavar, usando xampu, álcool e detergente, conclui que tem ferrugem azul. A escritora conta a história com graça e sempre levando em consideração que o leitor é inteligente e perspicaz.

A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga

Lygia Bojunga é uma escritora de livros infanto-juvenis? Consagrou-se assim. Acima de tudo, é uma grande escritora. Em conflito com a família e consigo mesma, uma menina esconde na sua bolsa “três grandes vontades”: “a de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora”. Afinal, criança tem vontade ou sua vontade é a dos adultos? A garota relata como é seu cotidiano, intercambiando o mundo real, no qual vive com a família, e seu próprio mundo, no terreno da imaginação.

Histórias da Velha Totônia, de José Lins do Rego

José Lins do Rego tem livros magníficos sobre a infância. “Menino de Engenho”, às vezes subestimado, é um belíssimo romance. O escritor paraibano escreve muito bem sobre meninos. “Quisera que todos eles (os meninos) me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho”, disse o autor paraibano. A linguagem coloquial, oralizada, torna o livro extremamente acessível, divertido e delicioso.

A Árvore dos Desejos, de William Faulkner

O escritor americano William Faulkner é mais conhecido por seus romances mais complexos, como “O Som e a Fúria”, “Luz em Agosto”, “Absalão, Absalão” e “Enquanto Agonizo”. “A Árvore dos Desejos”, ao contrário dos chamados livrões, é escrito numa prosa mais simples e acessível. O menino Maurice convida a garota Dulcie para saírem em busca da Árvore dos Desejos. Eles vão para a floresta, ao lado de outras crianças. O Nobel de Literatura manipula bem o entrelaçamento entre o real e o fantástico.

Os Gatos de Copenhague, de James Joyce

O autor de “Ulysses”, James Joyce, escrevendo para crianças? Sim e, melhor, o faz muito bem. O autor de “Ulysses” envia, da Dinamarca, uma carta para seu neto Stephen Joyce, na qual conta a história de que não há gatos em Copenhague. Que o leitor não se assuste: a história é simples, sem as firulas experimentais dos outros textos do escritor irlandês.

Discurso do Urso, de Júlio Cortázar

O escritor argentino Julio Cortázar é mais conhecido por “O Jogo da Amarelinha”, romance para adultos. O conto poético “O Discurso do Urso”, seu primeiro texto infantil, versa “sobre a vida e os seres humanos, vistos através dos olhos de um ursinho que vive passeando pelos canos dos prédios. Neste vai e vem ele ouve conversa e explora” o “cotidiano” das pessoas — “e suas qualidade e imperfeições — com curiosidade, deslumbre e audácia”.

Caninos Brancos, de Jack London

Jack London é um escritor brilhante, porém, como pouco dado a firulas experimentais, às vezes é sugerido como do segundo time. O autor de “O Chamado Selvagem” é responsável, em larga medida, pela formação e ampliação do número de leitores. Sua prosa é de qualidade, densa e, ao mesmo tempo, simples. Pode ser lida, com igual prazer, por crianças, adolescentes e adultos. “Caninos Brancos” é um de seus mais belos romances. Um lobo do Yukon, aprisionado, é utilizado como puxador de trenó e como cão de rinha. Resgatado por um homem “não-selvagem”, readquire, por assim dizer, sua “dignidade” e, aos poucos, volta à natureza. As relações homem-natureza são mostradas com rara felicidade por Jack London. A história foi adaptada para o cinema, mas nada substitui a leveza contagiante do texto do escritor americano.





Razões para incentivar a leitura aos adolescentes

12 08 2017

 

 

Alice [Williams] French (EUA, contemp) Uma boa leitura,90 x 120 cmUma boa leitura, 1990

Alice [Williams] French (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 90 x 120 cm

www.alicewilliams.com

 

 

Razões para os adolescentes lerem fora da escola:

 

  • São apresentados a alguns dos problemas com que terão que lidar na fase adulta da vida
  • Aprendem a gerenciar exigências dos trabalhos escolares
  • Abrem-se as linhas de comunicação, principalmente se os adultos à volta encorajam discussão ampla sobre  tópicos do interesse deles
  • Aprendem a lidar com um mundo cada vez mais complexo
  • Desenvolvem o vocabulário
  • Aprendem que não estão sozinhos – que outros podem estar sentindo e pensando o mesmo que eles
  • Melhora a escrita
  • Expandem a imaginação e com ela a criatividade
  • Descobrem como outros encontraram soluções para problemas semelhantes
  • Ganham confiança para falar, conversar e fazer uma apresentação




Uma lista de livros para meninas-moças adolescentes

6 12 2015

 

Erin de Burca (Irlanda, contemp) Alba lendo 2007Alba lendo

Erin de Burca (Irlanda, 1982)

 

O jornal inglês The Guardian nesta semana, perguntou a um grupo de conhecidos escritores, educadores e editores que livro cada um deles recomendaria como leitura essencial para uma jovem de dezesseis anos. Nessa publicação a lista foi de 21 títulos. Fiz uma rápida busca na internet para ver quais desses livros existem em traduções publicadas no Brasil.  Agora, nessa época de fim de ano quando pensamos no que seria interessante dar de presente, temos pelo menos uma lista à mão para nos ajudar. Não há ordem de importância nessa lista.

 

SEUS_OLHOS_VIAM_DEUS_1304863734BSeus olhos viam Deus

Zora Neale Hurston

Record, 2002

O livro “Seus Olhos Viam Deus” apresenta a história de Janie Crawford, uma heroína afro-americana que enfrenta o tabu de escolher seu próprio destino, na Flórida da década de 1930. Jane incorpora o inconformismo e a revolta contra o que se espera de uma mulher pobre e negra.

Ela denuncia de forma crítica a violência contra as mulheres em geral, mas principalmente contra as negras. A autora Zora Neale Hurston não escreve diretamente sobre a discriminação num mundo dominado por brancos, mas a deixa transparecer pela construção da tensão dos relacionamentos.

 

OLHO_DE_GATO_1232925702BOlho de gato

Margaret Atwood

Marco Zero, 1990

 

Finalista do Booker Prize de 1989, “Olho de Gato” traz a história da pintora Elaine Risley, que, de volta à cidade natal, Toronto, para uma retrospectiva de sua obra, é levada a refletir sobre seu passado, marcado por humilhações. Intercalando os momentos de estranheza da Elaine de meia- idade com as descobertas da Elaine de nove anos, a canadense Margaret Atwood descreve de maneira densa e realista as crueldades que as pessoas são capazes de cometer, independente da idade.

Elaine revê sua vida na estrada, durante a Segunda Guerra Mundial, quando, junto de sua família, circula pelo Canadá, sem endereço fixo, até que, prestes a completar nove anos, instala-se com os parentes em Toronto. Para tentar se integrar, ela procura fazer amizade com três meninas da escola: Carol, Grace e Cordelia. É a partir da singularidade de sua longa relação com esta última, um estranho misto de melhor amiga e maior tormento, que Elaine, submetida à dor de ver minada sua autoestima, aguça o olhar sobre o apetite humano pela destruição.

 

COMPAIXAO_1249243792BCompaixão

Toni Morrison

Companhia das Letras, 2009

 

A obra de Toni Morrison é toda debruçada sobre a condição do negro nos Estados Unidos e, sobretudo, da mulher negra americana. Em Amada, ela visitou o terror permanente da vida na escravatura. Agora, em Compaixão, recua mais na história e vai à origem, a 1690, quando a própria nação norte-americana estava nascendo, cem anos antes da Declaração de Independência. Morrison nos faz lembrar que o começo do regime escravagista se confunde com esse início da nação, os dois cresceram juntos. A autora vê, nesse alvorecer do país, a possibilidade de uma escravatura sem racismo, que junta brancos, negros e indígenas numa mesma árdua luta pela sobrevivência na natureza inóspita do nordeste americano.

Compaixão é a história de Florens, que a própria mãe entrega como pagamento da dívida de seu senhor, na esperança de que possa ter uma vida melhor numa fazenda remota, ao lado de três outras mulheres — Rebekka, a senhora branca; Lina, uma escrava indígena; e Sorrow, outra escrava negra — e do tolerante senhor anglo-holandês Jacob Vaark.

Em meio às asperezas da vida rural desse período, ameaçada pela varíola, numa terra sem lei, dividida entre o puritanismo religioso das seitas protestantes dos brancos e a tolerância e liberdade do indígena e do negro, Florens descobre o amor e o sexo. Luta com a natureza do nordeste da América do Norte e com sua própria natureza, ambas bravias, uma fria, a outra ardente. Sempre em busca de um amor perdido: o de sua mãe e o de sua pátria.

Neste momento em que os negros descendentes de africanos chegam pela primeira vez ao poder com a eleição de Barack Obama, é mais que oportuno esse olhar cheio de lirismo e clareza que Toni Morrison lança à origem efetivamente mestiça da cultura e da civilização dos Estados Unidos.

 

ORGULHO_E_PRECONCEITO_1311429026BOrgulho e preconceito

Jane Austen

Há 42 edições desse livro no Brasil. É escolher uma. Há livros de bolso e livros maiores. É um clássico.

Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com a perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista.

Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína – recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

 

ENSINANDO_A_TRANSGREDIR_1403612977BEnsinando a transgredir

Bell Hooks

WFM, Martins Fontes, 2013

 

Em ‘Ensinando a transgredir‘, Bell Hooks – escritora, professora e intelectual negra insurgente – escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor.
Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino.

Segundo Bell Hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”. Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo.

 

DIARIO_DE_UMA_GAROTA_NORMAL_1444356994530669SK1444356994BDiário de uma garota normal

Phoebe Gloeckner

Faro editorial, 2015

 

‘Minnie é uma garota de 15 anos que registra num diário tudo o que sente e acontece em sua vida.Seu relato é incomum apenas porque ela conta tudo. Não há aqui a sutileza das histórias para meninas, quase sempre romantizadas para parecerem mais leves. A descoberta da sexualidade, o interesse pelos garotos, as novas amizades, tudo é contado de forma tão natural que acaba por revelar como o mundo adulto é cáustico, doloroso e cruel, se visto pelos olhos de uma adolescente que está prestes a entrar nele.’

 

O_CONTO_DA__AIA_1363362855BO conto da aia

Margaret Atwood

Rocco, 2006

 

A história de O Conto da Aia, da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

Como tudo pôde mudar tão rapidamente? Offred, a narradora, responde: “Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (…) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar.” Não, este não é um romance pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Margaret Atwood, a grande dama da literatura contemporânea em língua inglesa, publicou-o originalmente em 1985. O livro já é um clássico, há muitos anos adotado nos colégios ingleses, canadenses e americanos. E agora ganha tradução para o português.

As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome – Offred é “of Fred”, “de Fred”, “pertencente ao homem chamado Fred”. Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne…

As aias são controladas e vigiadas dia e noite. Elas não têm permissão para escrever nem ler, só podem ir ao banheiro um determinado número de vezes por dia e não devem permitir que nenhum homem veja qualquer parte do seu corpo exposta, nem mesmo os braços. O ideal é que nem seu rosto seja mostrado. É uma vida triste, mas um destino melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero.

Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Offred escreve em seu diário proibido: “A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora.”

Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica.

Ficam aqui então as sugestões. Dos 21 só esses 7 traduzidos, uma pena.





Alguém em quem se espelhar…

20 12 2014

 

monroe-pop-art-roy-lichtensteinNão me importo em viver em um mundo de homens, desde que eu possa ser uma mulher nele…” Ilustração à maneira de Roy Lichtenstein.

[Não consegui nenhuma referência idônea sobre a autoria dessa obra].

 

 

A conversa entre amigas questionava em quem nos espelhamos quando adolescentes.  O grupo de mulheres de idades e experiências variadas, entre elas umas que haviam quebrado paradigmas e sucedido onde anteriormente acreditava-se que não poderiam, constatou que teria sido muito bom, se na nossa juventude tivéssemos tido exemplos de mulheres, que pensando fora da “caixa social”, tivessem servido de modelo para o caminho do sucesso. Ninguém confundiu sucesso com fama, o que acontece com frequência. Falávamos de sucesso como realização pessoal ou profissional, atingindo gols e preenchendo sonhos que vão além do que é esperado do sexo feminino na nossa sociedade. Surpreende que nenhuma das presentes teve o apoio de um exemplo a seguir, de uma pessoa em quem se espelhar.

Nas últimas décadas, ocasionalmente, ao terminar um livro ou ver um filme, ponderei: “Se eu tivesse tido acesso a essa informação…; se eu tivesse tido conhecimento de que mulheres podiam…”  minha vida talvez tivesse sido diferente. Não que eu fosse rodeada de maus exemplos. Não é isso, mas o meu temperamento aventureiro e rebelde encontrou pouca repercussão na família, quase nenhum entendimento e raríssimas palavras de incentivo. Nossos valores eram por demais tradicionais, enraizados na classe média carioca. Além do mais, era mais fácil para a família não dar permissão do que ter que se questionar sobre atitudes tomadas automaticamente. Essa falta de “aprovação familiar” muito me custou em termos de timidez e coragem para enfrentar sozinha os tabus que me rodeavam.

Era difícil imaginar uma reprovação familiar maior do que minhas atitudes e desejos já incitavam. Permanecer no seio familiar e enfrentar um estresse diário por querer um rumo divergente daquele para o qual eu havia sido programada, teria sido mais fácil, muito mais fácil, se eu tivesse tido um exemplo de sucesso à minha frente, que houvesse de alguma maneira quebrado tabus, superado dificuldades. Não que eu quisesse fazer coisas do arco da velha, mas havia muita circunscrição às profissões possíveis, aos namorados, aos amigos, ao ir e vir. Tudo, uma grande bobagem que não levava em consideração a jovem de dezesseis, dezessete anos, mas unicamente os medos e preocupações sociais dos mais velhos. Hoje, não sei se teria sido uma boa médica. É provável que não. É provável que tivesse, enfim, depois de erros e acertos, encontrado o meu caminho nas ciências humanas como de fato o fiz, mas voltando os olhos para o passado, acredito que teria sido mais satisfatório, e muito menos dramático, ter tido a oportunidade de errar por mim mesma.

Essa longa divagação sobre as escolhas que jovens mulheres fazem tem muito a ver com uma sincronicidade de eventos, todos na mesma semana: o encontro com essas amigas, a leitura do livro de Maria Thereza Wolff, Minha vida em Ipanema, o filme O Sorriso da Monalisa e o conhecimento recentemente adquirido de algumas ONGs americanas dedicadas a dar exatamente esse tipo de apoio a jovens que queiram expandir os papeis para os quais estão programados. Ter conhecimento de pessoas que passaram por dificuldades semelhantes pode certamente abrir as portas da mente, deixar entreabertas as passagens, para que a coragem de enfrentar as lutas se faça sentir.  Essas lutas fazem parte do crescimento emocional, interior, de um adulto responsável. Como os americanos, acredito que “role models”, pessoas em quem podemos nos espelhar, são importantes para o adolescente e ajudam a que se ultrapasse as barreiras pessoais com maior facilidade.





Lembranças da adolescência: Ponson du Terrail

19 07 2014

 

 

Setefan Eckert Bibliothèque 2, gouache sur papier,Biblioteca

Stefan Eckert (Alemanha, contemporâneo)

guache sobre papel

 

 

Hoje, graças a um pequeno texto de Ary Band na página do Movimento por um Brasil Literário para o painel Ler, levar a ler, defender o direito de ler literatura, da Feira de Livros de Santa Teresa [FLIST] aqui no Rio de Janeiro, eu me encontrei sorrindo. Não é sempre que isso acontece quando se trata de um texto sobre o incentivo à leitura, mas nessa ocasião pude relembrar algumas leituras minhas que estavam esquecidas nas gavetinhas da memória da pré-adolescência. Assim como eu, Ary Band se encantou com as aventuras de Rocambole, herói adolescente do escritor francês Pierre Alexis, Visconde de Ponson Du Terrail.

Minha introdução a Rocambole foi feita através da Biblioteca Municipal do bairro onde morávamos aqui no Rio de Janeiro, um local que foi uma eterna fonte para as surpresas mais extravagantes no campo da leitura. Essa biblioteca não tinha na época muitos livros novos, mas tinha uma enorme quantidade de livros usados, com 10 a 20 anos de existência ou mais, muito bem conservados, que podíamos pegar emprestado por 15 dias. Ela foi uma mina inesgotável de aventuras literárias para mim, meus primos e alguns amigos, todos nós conhecidos frequentadores. Hoje, um supermercado ocupa o espaço dessa antiga biblioteca, que foi para um local de menor trânsito pedestre e moribunda, encontra-se dirigida por alguém que se encostou no emprego esperando a chegada da aposentadoria pelo governo. Pena…

 

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Foi só muito mais tarde, mais de uma década à frente, que vim saber da importância de Ponson Du Terrail no desenvolvimento dos romances de aventuras e de mistério;  e que seu personagem Rocambole havia sido tão influente no mundo das letras que sozinho gerara uma palavra que hoje existe em muitas línguas: rocambolesco, uma aventura cheia de peripécias.

Mais alguém por aqui, fã de Ponson Du Terrail?





Livros que são ótimos presentes para o adolescente! As minhas sugestões

7 12 2011

Ilustração Franco Matticchio.

Poucos dias atrás fiz a postagem dos livros que os leitores deste blog sugeriram para leitura por outros leitores adolescentes.  Aqui vai então a minha lista de livros com que eu presentearei os adolescentes e jovens leitores  nas festas de fim de ano.  Vou me limitar aqui a livros que ainda não mencionei em outras postagens sobre o assunto.

Para todos os gostos, em ordem de preferência:

Estilo: aventura no mundo real, humor. 

Recomendado sem restrições.

Excelente leitura para jovens e adultos.

Na dúvida, este será o meu livro de escolha para qualquer faixa etária.

Tchick – Wolfgang Herrndorf  –

As férias do nerd Maik Klingenberg naquele verão prometiam ser péssimas: a mãe, mais uma vez, fora internada numa clínica de desintoxicação, e o pai teve que fazer uma “viagem de negócios” com a secretária de dezenove anos. De quebra, a menina por quem Maik estava superafim, Tatjana, “esquecera” de convidá-lo para sua festa de aniversário – a balada mais aguardada do ano. O que prometia ser um tédio total muda completamente quando Tchick, o colega mais esquisito da turma, aquele de quem todos queriam distância, aparece com um velho Lada Niva roubado e acaba por convencer Maik a viajar com ele até a Valáquia, para visitar os avós e… umas primas gostosas. Valáquia?! Descobrir onde fica esse lugar seria bem mais fácil do que chegar até lá, pois não é moleza atravessar um país sem mapa para se orientar, sem carteira de motorista, com quase nenhum dinheiro e dirigindo um carro roubado. Tudo isso aos catorzes anos de idade, e tendo a polícia nos calcanhares. Com 120.000 exemplares vendidos na Alemanha (desde agosto de 2010), Tchick é mais que um romance de aventura, repleta de peripécias narradas com muito bom humor e impressionante agilidade: é a história de dois garotos que, de repente, resolvem descobrir, afinal, o que é viver – mesmo sem saber que estavam fazendo isso. Os aventureiros enfrentam situações que nunca experimentaram antes – algumas, inclusive, em que correm grande perigo –, conhecem pessoas diferentes e até estranhas – mas nem por isso ruins –, e descobrem o quanto a amizade pode ser forte e importante na vida. É isso: Tchick é um romance sobre a descoberta da vida.

—  228 páginas – São Paulo, Editora Tordesilhas: 2011  [Tordesilhas é um selo da Editora Alaúde] www.alaude.com.br

Estilo: aventura, fantasia, história.

Recomendado sem restrições. 

Excelente leitura para jovens e adultos.

A Batalha do Apocalipse – Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo – Eduardo Spohr

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

— 586 páginas    Campinas, Editora Verus: 2010 — 2ª edição www.veruseditora.com.br

Estilo: aventura, fantasia.

Recomendado sem restrições. 

Boa leitura para jovens e adultos.

A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Um – George R. R. Martin

Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha – uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal – a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia. Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.

– 592 páginas  São Paulo, Editora Leya: 2010www.leya.com.br





Os leitores sugerem: livros para adolescentes, neste Natal e sempre

4 12 2011

Ilustração, autoria desconhecida.

Está na hora de novo: que livros comprar para os jovens que conhecemos?  Este ano farei duas postagens sobre o assunto: a primeira, hoje.  Aqui estarão os livros sugeridos pelos leitores do blog.  Trata-se de leitura que adolescentes possam gostar.  E os títulos foram todos sugeridos pelos leitores.  A próxima postagem tratará dos livros que eu selecionei como minhas escolhas para presentes esse ano, independente do que os leitores sugeriram.  Foram muitas as séries e grande a variedade.  Por causa disso peço que leiam com atenção porque está um pouco mais misturado do que nas postagens anteriores, i. e. aventura e vampiros; romance, tópicos jóvens, autores brasileiros e estrangeiros.  Paciência.  A gente chega lá.

Ao todo, 91 diferentes títulos foram mencionados.  Poucos, muito poucos já haviam sido citados nesse blog, anteriormente.  Foram repetidos quando entraram nos mesmos parâmetros dos demais.   A seleção foi baseada nos seguintes parâmetros:

1 – Títulos mencionados mais de uma vez por diferentes pessoas.

2 – Verificação de notas dadas por leitores em portais especializados como SKOOB, por exemplo.  Não postei livros com menos e 60% de aprovação.

3 – Alguns autores foram mencionados como:  todos os JK Rowling, todos os….  Esses estão mencionados no final.

4 – A esmagadora maioria dos votos foi para autores estrangeiros.  Fiz uma pequena lista de menção honrosa no final dessa postagem sugerindo os autores brasileiros mencionados.

PS: A lista não está em ordem nenhuma significativa.  Tentei variar os assuntos, senão poderíamos ter uma postagem em que os primeiros 8 itens fossem VAMPIROS, por exemplo.

Querido diário otário  — série

de Jim Bentom, Editora Fundamento [ www.editorafundamento.com.br]

Capas dos primeiros 6 volumes.

Por enquanto são 12 livros acompanhando a vida de Jamie Kelly.  Ela mora com a mãe, que é uma péssima cozinheira, o pai e seu adorável cachorro com o indicativo  nome de Fedido, um beagle, que como todos os cães de sua espécie tem um odor específico, nesse caso desagradável e que brinca e namora seu brinquedinho “Nojogosma”, nome dado por Jamie ao brinquedo.  Também vive com ela a filha do Fedido, Fedidita, que tem como mãe Framboesa. Jamie estuda no Colégio Mackerel, onde sua a menina Isabella Vinchella,  de 12 anos como ela, aparece como “malvada” ou “cruel”, na maioria das vezes.  Na escola ela também conhece Angelina, uma menina loura e “gloriosamente” bonita que Jamie odeia.  Angelina, porém, se mostra melhor que Isabella em algumas partes. Outros alunos  fazem parte do grupo de personagens das histórias, entre eles Lucas Ribas, o ” 8º garoto mais bonito da escola “, por quem Jamie é apaixonada.

O livro das estrelas — trilogia

de Erik L’Homme, editora Rocco [www.rocco.com.br]

O livro das estrelas é um dos maiores êxitos editoriais dos últimos tempos no mundo e principalmente na França, terra natal do auto que foi distinguido com vários prêmios literários.  É uma trilogia baseada em ficção fantasiosa sobre um garoto chamado Guillemot que tem entre 12 e 13 anos e vive com a mãe no vilarejo de Troil, no país de Ys, localizado entre dois mundos: o Mundo Certo (o nosso) e o Mundo Incerto, que é um lugar assustador com criaturas horríveis e também governado pela “Treva” (que ninguém conhece).

Qadehar, o Feiticeiro – O Livro das Estrelas – vol. 1

Em uma ilha chamada Ys, localizada entre o Mundo Certo e o Mundo Incerto, vive Guillemot, um menino de 12 anos que vai participar de uma emocionante aventura, recheada de poderes mágicos e tramas sombrias. Tudo começa quando o garoto encontra o feiticeiro mais importante de Ys. Os poderes do menino começam a se manifestar e Qadehar, o feiticeiro, o ajuda a descobrir o mistério que envolve o seqüestro de sua maior inimiga. A primeira aventura fantástica da trilogia O Livro das Estrelas, uma jornada de outro mundo.

O Senhor Sha – O Livro das Estrelas – vol. 2

Guilherme de Troll, o Aprendiz de Feiticeiro, escapou por um triz às forças malignas do Mundo Incerto. Depois de muitas aventuras, concentra-se agora na aprendizagem da magia. Mas a ameaça de um ataque ainda paira sobre a Ilha Perdida e os feiticeiros da Guilda concebem um plano para atacar a Escuridão – um plano condenado ao fracasso.  Torna-se evidente que há um traidor em Gifdu e a desconfiança recai sobre o Mestre de Guilherme, Qadehar. Mas quem é, afinal, o sinistro Lorde Sha que se infiltrou no mosteiro? Porque motivo quer encontrar Guilherme? Saberá ele onde se encontra O Livro das Estrelas?

O Rosto da Treva – O Livro das Estrelas – vol. 3

Último volume da trilogia O LIVRO DAS ESTRELAS : A notícia caiu como uma bomba na Ilha Perdida: Guilherme estava refém da Escuridão, o adversário mais temível que jamais enfrentara. Ao mantê-lo prisioneiro, a Escuridão esperava desvendar os últimos segredos de O Livro das Estrelas.  Para o libertar, um grupo de Cavaleiros, liderado por Qadehar, alia-se aos Homens Livres do Mundo Incerto e, juntos, partem à procura do Aprendiz de Feiticeiro.  Por seu lado, os amigos de Guilherme tudo fazem, também, para o resgatar, enquanto na torre, onde se encontra prisioneiro, este trava uma luta sem tréguas com a Escuridão.  Apesar dos seus poderes extraordinários, será Guilherme capaz de resistir à Escuridão, essa entidade maléfica que ameaça dominar os Três Mundos?

Ilustração “Family Matters”, sem indicação de autoria.

A morada da noite — série

de P.C. Cast e Kristin Cast, Editora Novo Século [ www.novoseculo.com.br]

Os primeiros 5 volumes de um total de 12 prometidos.

Esta é uma série de doze livros, lançada originalmente em 2007, e criada pela autora norte-americana P.C. Cast, com co-autoria de sua filha Kristin Cast.  A série inclui os títulos: Marcada, Traída, Escolhida, Indomada, Caçada, Tentada, Despertada, entre outros.  Nesses volumes seguimos a história da adolescente Zoey Redbird.  No mundo que Zoey, a nossa adolescente-heroína, habita vampiros sempre existiram entre os humanos e convivem tranquilamente com eles.  O que os torna diferentes são as marcas que têm no corpo.  Um dia, Zoey é marcada com o símbolo dos vampiros e se vê obrigada ir para A morada da noite, num universo alternativo, deixando para trás amigos, namorado e a família.  Lá ela terá um treinamento necessário para sua vida adulta como vampira. Ela passa por várias transformações, que podem torná-la vampira, ou matá-la, caso seu corpo rejeite a mudança.

Marley & Eu: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo

de John Grogan, Editora Prestígio [www.ediouro.com.br]

Este é um livro de não-ficção escrito pelo jornalista norte-americano John Grogan.  Através de uma narrativa em primeira pessoa, o autor relata a história real de seu cachorro da raça labrador,  chamado Marley, durante os treze anos em que foram companheiros de vida.  John e Jenny eram recém-casados e estavam começando a sua vida juntos, quando levaram para casa Marley, “um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro”, que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos.    Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, estragava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a “escola de boas maneiras“, de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional.


A fantástica fábrica de chocolate

de Roald Dahl, Editora Martins Fontes

Atenção:  algumas livrarias ainda têm esse livro, mas o portal da Martins Fontes não reconhece o livro como em oferta para venda.

Ninguém sabia o que acontecia dentro daquela fábrica de chocolate. Havia gente trabalhando nela, claro, mas ninguém entrava e ninguém saía. Só saíam os doces e os chocolates, bem embrulhadinhos, prontos para serem vendidos. Um dia, os portões da fábrica se abriram para os cinco felizardos ganhadores do Cupom Dourado – e o mistério se desvendou. O leitor é convidado a conhecer o rio de chocolate, a grama de açúcar mentolado, os caramelos de cabelo e mil outras delícias – tudo isso na companhia do incrível Sr. Wonka, o dono da Fantástica Fábrica de Chocolate.

O menino do dedo verde

de Maurice Droun, editora José Olympio [www.record. com.br]

Era uma vez Tistu, um menino diferente de todo mundo, um menino muito feliz, que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus belos pais – donos da maior fábrica de canhões do mundo – podiam dar e o dinheiro podia comprar. Morava numa mansão – a “Casa-que-Brilha” – e tinha criados que o adoravam.   Com uma vidinha inteiramente sua, o pequeno de olhos azuis e cabelos loiros deixava impressões digitais que suscitavam o reverdecimento e a alegria. As proezas de seu dedo verde eram originais e um segredo entre ele e o velho jardineiro, Bigode, para quem seu polegar era invisível e seu talento, oculto, um dom do céu.  Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.

George e o Segredo do Universo George e a Caça ao tesouro Cósmico

De Lucy e Stephen Hawking, Editora Ediouro [www.ediouro.com.br]

George e o Segredo do Universo

Radicais, os pais de George não o deixam ter acesso à tecnologia. Mas junto com a amiga Annie e um supercomputador, eles farão uma viagem de aventura e aprendizado pelo espaço sideral. Um enredo criado para mostrar as revolucionárias idéias e conceitos de Física e Astrofísica de Stephen Hawking sobre o Universo, de uma forma divertida para o público infantil.

George e a Caça ao Tesouro Cósmico

Esta empolgante aventura não é só uma história emocionante em busca de um tesouro cósmico. Mas também uma forma divertida de conhecer a ciência do nosso Universo. Stephen Hawking, um dos mais importantes cientistas do mundo, se uniu a sua filha Lucy, para tornar a ciência atraente e empolgante para jovens e adultos. George e a caça ao tesouro cósmico é a continuação do bestseller George e o Segredo do Universo.

Ilustração de Abgail Zambon.

Soul Love – À noite o céu é perfeito!

de Lynda Waterhouse,  Editora Melhoramentos

Atenção:  Este livro só pode ser achado em sebos. Sugiro que procurem na Estante Virtual [www.estantevirtual.com.br] Coloquei-o aqui na lista dado o grande número de votos que recebeu e pelas resenhas quase que unanimemente elogiosas.

Jenna não quer trair os amigos e não revelará o que se esconde por trás de sua expulsão do colégio, assumindo toda a culpa sozinha. Como castigo sua mãe a levou para passar algum tempo com uma tia numa tediosa cidadezinha do interior. É lá que Jenna encontra Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado. Completamente diferente de todas as outras pessoas ela conhece. É inevitável: Jenna se apaixona por ele. Será que Gabe é sua alma gêmea? Ele mostra a Jenna a beleza de um céu noturno sem nuvens, escuro, um contraste perfeito para o brilho das estrelas. E, em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte. Mas Cleo, uma garota antipática que tem uma ligação muito estranha com Gabe, não está gostando nada desse romance. Afinal, ela não quer que ninguém mais saiba o grande segredo de Gabe…

Coração de Tinta

De Cornelia Funke, Editora Companhia das Letras [www.companhiadasletras.com.br]

Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada.

Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

Tobias Lolness:  A Vida na Árvore

De Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

Bem-vindo à Árvore, um mundo em miniatura onde as pessoas medem menos de dois milímetros de altura e a Natureza tem todo o poder sobre os seres vivos. É lá onde mora Tobias, de 13 anos. Como seu pai, o professor Lolness, recusa-se a revelar o segredo que pode pôr em risco a vida na Árvore, sua família é condenada à morte. Para fugir da perseguição, eles são obrigados a deixar os Cumes e se exilar nos Galhos-Baixos. Assim, em meio à luta pela própria sobrevivência, Tobias acaba conhecendo lugares e pessoas nunca antes imaginados e também a brava e bela Elisha Lee.

Tobias Lolness: Os olhos de Elisha

de Timothée de Fombelle, Editora Rocco [www.rocco.com.br]

O herói de 13 anos e apenas um milímetro e meio de altura que emocionou leitores em mais de vinte países, abocanhou diversos prêmios literários e foi aclamado pela crítica em todo o mundo está de volta. Tobias Lolness, protagonista da série de mesmo nome escrita pelo francês Timothée de Fombelle, sobreviveu a grandes desafios desde que sua família foi exilada devido às cobiçadas descobertas científicas de seu pai em Tobias Lolness – A vida na Árvore. Nesse volume, uma enorme cratera foi aberta no interior da grande Árvore e os galhos foram invadidos por musgos e parasitas, controlados por um terrível tirano. A população dos Galhos Baixos vive subjugada, e Elisha Lee foi feita prisioneira. Tobias sabe que não pode fechar os olhos para a situação de miséria, opressão e medo que se instalou. E resolve lutar por liberdade, justiça e pelo seu grande amor. Conseguirá o pequeno herói vencer mais esta batalha?

Rangers: a ordem dos arqueiros, 1 -12 volumes

de  John Flanagan, Editora Fundamento [www.editorafundamento.com.br]

Aqui a foto de 6 dos 12 volumes dos Rangers, muito mencionado entre os meus leitores.

Sinopse do primeiro volume:

Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra.   A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o misterioso arqueiro, que muitos acreditam ter habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria.
Relutante, Will aprendeu a usar as armas secretas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e… um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão: impedir o assassinato do rei.   Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava.

Os 11 volumes seguintes seguem a história dessa saga.

Menções honrosas para os seguintes escritores:

Brasileiros: 

Marcos Rey, Pedro Bandeira, Lygia Bojunga, José Mauro de Vasconcellos, Luiz Alfredo Garcia-Roza.

Estrangeiros:

Sidney Sheldon, Stepheny Meyer, Emily Giffin, Aprilynne Pike, Annie Bryant, Anne Rice.

NOTA: É importante que você leia a sinopse desses livros — procure na internet — antes de comprá-los.  Leitores de 12 a 17 anos se desenvolvem de maneiras diferentes, tem preferências próprias e experiências de vida diversas.  É importante que se leve em consideração a temática para sugerir livros ou presentear com livros.





Leitura para adolescentes, você não quer sugerir uma boa?

2 12 2011

Lendo na cafeteria, autoria desconhecida.

O que você sugere?

Como vocês sabem,  há anos coloco aqui listas dos livros para leitura.  Tanto para adultos como para jovens adultos ou adolescentes, as listas publicadas têm público certo e fiel.  Tenho minhas próprias indicações para este ano.  Mas, como em todos os outros anos, leitores sempre acabam sugerindo livros que me escaparam…  Assim, vou avisar:  publicarei do dia 4 de dezembro para o dia 5 — depende de quando eu puder acabar a postagem, uma lista dos livros mais recentes para adolescentes e gostaria muito que os leitores que já aprovaram algum livro, que têm certeza que esse livro seria apreciado por outros adolescentes ou jovens adultos, colocassem aqui as suas preferências.  Assim teremos uma lista não só do que eu acho ser uma leitura interessante mas também daquela com o selo de aprovação do leitor.

Podem começar, exemplos :

1 —   Mmnmklksm, autor Pljpoms

2 —   Jnlisn  Mioms  mnjjso wedmk, de Blomtrsb

Todos agradecem desde já.  Eu e os outros leitores…





O sol é para todos, romance de Harper Lee faz 50 anos de popularidade!

17 06 2010

O problema com que todos nós vivemos, 1964

Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)

óleo sobre tela

[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]

Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts

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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora  Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo  de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão.  O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb  e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente.  Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas.  Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações.  Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável.  Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam. 

A narrativa é feita por uma adolescente.  Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência.  O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por  Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain.  Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca.    Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem.  E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos.  É um livro de alto astral.  E é, também,  onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho.  São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade. 

E você?  Já leu O sol é para todos?





Mais algumas sugestões de livros para jovens e adolescentes

14 12 2009

 

Então, está na hora de comprar o presente de Natal para o seu amigo, sua amiga, seu sobrinho, seu neto que adora ler e já leu tudo o que você pensou em dar.   Todos os volumes de Harry Potter,  a trilogia de Christopher Paolinio, os quatro volumes da autora de Crepúsculo… e todos os outros que seus amigos recomendaram.   Não se aflija.

Estive nas livrarias do bairro, perguntando pelo popularidade de alguns livros, pelo gosto expresso pelos clientes, e tudo indica, que se você conhece um pouco do seu jovem adulto  ainda há muitos livros interessantes com os quais o presentear.  

Não há ordem de prefeência nos livros citados abaixo.

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Gregor: o guerreiro da superfície

de Suzanne Collins, Editora Galera Record: 2008, 304 páginas

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SINOPSE:  O pai de Gregor, que tem 11 anos de idade, desapareceu há mais de dois anos, o que tornou a vida do menino muito difícil. Mas tudo se complica ainda mais quando ele cai através de um duto de ventilação na lavanderia do prédio onde mora, e encontra um incrível universo desconhecido sob a cidade de Nova York. Agora, apesar de seus protestos, o menino precisa liderar um estranho grupo de humanos e animais gigantes numa missão que pode salvar o Subterrâneo além de ser a única saída para encontrar seu pai.

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Os últimos dias

de Scott Westerfeld, Editora  Galera Record: 2009, 336 páginas

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SINOPSE:  A cidade de Nova York está sendo assolada por uma doença estranha, que todos pressentem mas poucos conhecem de fato. Lixo se acumula nos becos, cada vez mais pessoas fogem da cidade e gatos estão sendo vistos acompanhados por bandos enormes de ratos. Ainda assim, dois jovens se unem por acaso para salvar uma linda guitarra de ser despedaçada por sua ex-dona raivosa. Agora, eles vão criar uma banda que vai revolucionar o mundo. Eles só não sabem o quanto.

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Muitos desses livros, seguem a tradição recente de serem em série.  Cada livro tem uma história completa.  Mas em um outro volume os mesmo personagens aparecem em novas aventuras.  Nessa tradição estão os livros que seguem.  Independentes mas em série.

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O Despertar

Diários do Vampiro – Vol. 1, de  L. J. Smith, RJ, Editora Record:2009, 240 páginas.

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SINOPSE:  Um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores nos anos 1990. “O Despertar”, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado originalmente em 1991, deu origem à série de televisão Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson, roteirista de Dawson’s Creek.

Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela vida amaldiçoada e eterna.

Em Fell’s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos — e entre o amor e o perigo.

“O Despertar” é o primeiro volume da série best seller Diários do vampiro, de L. J. Smith, há m uitos meses na lista de mais vendidos do The New York Times.

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O Confronto

Diários do Vampiro – Vol. 2, de  L. J. Smith, RJ, Editora Record:2009, 224 páginas

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SINOPSE:   Elena está apaixonada e tem certeza de que Stefan é um amor para a eternidade. Mas a cada vez que Damon se aproxima, fica evidente um vínculo profundo entre os dois. Determinado a conquistar Elena, Damon se infiltra no cotidiano de Fell?s Church. Ameaçado pelo irmão, Stefan não suporta a ideia de perder Elena – e está disposto a arriscar tudo e ir contra seus próprios princípios para protegê-la. A série de TV Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson (Dawson?s Creek) foi a maior estreia da temporada norte-americana, com 4 milhões de espectadores. L. J. Smith tem duas séries entre as mais vendidas do New York Times: Vampire Diaries e The Night World.

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Ilustração Maurício de Sousa.

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Coleção MORADA DA NOITE [House of Night]:   MORADA DA NOITE é um dos maiores sucessos da atualidade nos Estados Unidos com mais de 3 milhões de livros vendidos em todo o mundo.  Ela é composta até agora de três livros: Marcada, Traída e Escolhida.

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Marcada

de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 328 páginas

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SINOPSE:  Zoey, uma adolescente de 16 anos, acaba de ser marcada como uma vampira, o que significa o início de uma nova vida, longe de seus amigos e de sua vida atual. Isso se seu corpo suportar o período de transformação, caso contrário ela morrerá.   A menina vai se transformar em vampira e usufruir de poderes que nem imaginava possuir. Mas para isso ela precisa suportar o difícil período de transformação, caso contrário morrerá.   As autoras já anunciaram que a série Morada da Noite  será formada por 9 livros.

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Traída

de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 344 páginas

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Zoey se estabelece na Morada da Noite. Finalmente sente-se incluída e aprende a controlar os seus poderes. Agora ela supera novos desafios, luta contra a morte que se abate sobre adolescentes humanos e sobre a própria Morada da Noite e, de repente, percebe que seu coração e sua alma acabam de ser partidos por uma grande traição.   Nesse segundo livro da série Morada da Noite depare-se com novos mistérios, surpreendentes emoções e muita sensualidade.
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Escolhida

de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 296 páginas

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SINOPSE:  Neste terceiro livro da série MORADA DA NOITE os acontecimentos tomam um rumo misterioso e perturbador. Zoey tenta encontrar uma solução para ajudar Steve Rae, que luta para manter sua frágil humanidade, antes que ela se transforme em um monstro. Entretanto, salvar sua melhor amiga significa ir contra Neferet, e para conseguir o que quer, Zoey acaba se aliando a uma inesperada pessoa, tornando-se sua confidente e parceira. Para complicar, o horror atinge a Morada da Noite quando dois assassinatos ocorrem. Zoey se vê num drama pessoal e numa posição realmente delicada. Deve guardar segredos, até mesmo de seus amigos, tomar decisões muito importantes, e agora que acabou se envolvendo com um terceiro cara, deverá lidar com os três, já que não consegue se decidir entre eles.

 

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Dragões de Éter: Corações de Neve

de Raphael Draccon Editora Leya:2009, 498 páginas

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SINOPSE:  Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia.
Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer… Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa.
Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão.
E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir.
E o mundo mudará. Mais uma vez.

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Para os adolescentes que já estavam encantados com a série do autor Rick Riordan de Percy Jackson e os olimpianos, lembro que o terceiro volume da série foi publicado no Brasil recentemente.  Os dois primeiros livros já foram descritos aqui neste blog,  sob o título de:  Mais livros de aventuras para jovens leitores II.   O terceiro volume A Maldição do Titã continua a maravilhosa narrativa encontrada nos dois primeiros volumes.

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A Maldição do Titã
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de Rick Riordan, Editora Intrinseca: 2009, 336 páginas.
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 SINOPSE:  Aguardado com ansiedade pela grande rede de fãs da série Percy Jackson e os Olimpianos, A Maldição do Titã dá continuidade à elogiada combinação de mitologia, aventura e muita ação que se tornou sucesso entre o público jovem brasileiro.   Nesse terceiro livro da série, um chamado do amigo Grover deixa Percy a postos para mais uma missão: dois novos meios-sangues foram encontrados, e sua ascendência ainda é desconhecida. Como sempre, Percy sabe que precisará contar com o poder de seus aliados heróis, com sua leal espada Contracorrente… e com uma caroninha da mãe. O que eles ainda não sabem é que os jovens descobertos não são os únicos em perigo: Cronos, o Senhor dos Titãs, arquitetou um de seus planos mais traiçoeiros, e os meios-sangues estarão frente a frente com o maior desafio de suas vidas: A Maldição do Titã.

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E  para surpresa de muitos adultos, um dos livros mais procurados por adolescentes e jovens leitores, assim como leitores de outras idades que se fascinaram com a série da escritora Stephenie Meyer é um clássico da literatura inglesa que está desbancando muito livro moderno para jovens.  Trata-se de O Morro dos Ventos Uivantes, o livro favorito do casal do momento: Bella e Edward!

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O livro O Morro dos Ventos Uivantes está em domínio público há muito tempo.  Foi originalmente publicado em 1847.  Consequentemente há diversas publicações deste romance, por várias editoras.  Aqui incluo esta edição de uma nova editora atuando no Brasil, a editora Leya.  Mas há outras edições.

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O Morro dos Ventos Uivantes

 de Emile Brontë, Leya: 2009, 200 páginas.

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff“, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais belas de todos os tempos, O morro dos ventos uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, inclusive dos belos personagens de Stephenie Meyer.

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Esta lista não tem a intenção de cobrir todos os livros mais populares.  Não trabalho no meio editorial para saber.  Tenho, no entanto, bastante contato com jovens que leem e compram ou pedem livros.  Espero que possa ajudá-los mais uma vez na escolha de um bom presente de Natal. 








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