Natureza maravilhosa: Jandaia amarela

14 01 2018

 

 

jandaia amarelaJandaia amarela

 

A jandaia-amarela (Aratinga solstitialis) é  uma ave natural do Brasil, encontrada na Amazônia.  Também é conhecida por outros nomes, dependendo da região onde habita: jandaia-sol, cacaué, nandaia, nhandaia, queci-queci e quijuba.  Pertence à família dos psitacídeos que possui três raças distintas, encontradas na Amazônia e em várias regiões do Brasil. Fazem ninhos em geral no final do verão em buracos de árvores ou palmeiras, mas podem ser encontradas em áreas urbanas ocasionalmente morando em postes.  Gostam de comer coquinhos de diversas palmeiras, brotos, flores, folhas tenras e frutas. Tem o bico adaptado para partir e triturar sementes duras. Em geral crescem até os  31 centímetros de comprimento. Têm o bico negro e plumagem laranja, amarela e verde.

São comumente confundidas com periquitos.  Mas a jandaia-amarela tem a plumagem das asas mais verde quando jovem, com tons amarelos e de um alaranjado intenso.  Mas é uma ave da mesma família dos papagaios: psitacídeos.  Também da mesma família são as araras e maitacas.

 

Ave Jandaia amarela - OpenBrasil.orgJandaia amarela




Arqueologia do futuro poderá ser debaixo d’água

7 03 2014

Raising-the-Korean-Flag-in-the-South-Pole-11Foto sem indicação de autoria. Provavelmente do filme 2012.

Pesquisadores alemães alertam que, caso emissões de gases de efeito estufa continuem no ritmo atual, um quinto dos monumentos e locais protegidos pela Unesco desapareceriam nos próximos dois mil anos.

O aumento dos níveis dos mares por causa aquecimento global pode levar, nos próximos dois mil anos, ao desaparecimento de mais de 130 dos cerca de 750 Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), alerta um estudo divulgado no início de março.

Se não limitarmos as mudanças climáticas, no futuro os arqueólogos terão que procurar uma grande parte de nossos patrimônios culturais no mar“, afirma o pesquisador Ben Marzeion, da Universidade de Innsbruck e um dos autores do estudo.

Essa notícia me faz lembrar o impactante livro: Seis Graus, de Mark Lynas, lançado no Brasil em 2008. Ele conseguiu que eu mudasse alguns pequenos hábitos diários.  Sou a formiguinha que acredita que o trabalho em conjunto nos levará às necessárias soluções, apesar de sermos testemunhas das pilhas de lixo deixadas no Rio de Janeiro, numa greve fomentada por interesses políticos que deveriam ser enquadrados em crime contra o meio ambiente. Em novembro de 2008 já aqui no blog publicamos uma entrevista com Mark Lynas – Seis graus e as soluções alternativas. Recomendo a leitura desse livro. Livro bom pode ser lido a qualquer hora, mesmo que tenha sido publicado há seis anos.

Não temos tempo a perder. Como os pesquisadores alemães ressaltam um aquecimento menor também já é uma ameaça para uma boa parte desses locais. O aumento de apenas 1 grau na temperatura seria suficiente para colocar em risco a existência de 40 dos Patrimônios Mundiais da Unesco.

A elevação do nível do mar também será responsável por uma diminuição considerável da superfície terrestre. Com um aumento de 3 graus 12 países perderiam mais da metade de seus territórios, a maioria deles localizada no Sudeste Asiático.

A temperatura global média aumentou cerca de 0,8 grau em comparação com a era pré-industrial. Se as emissões de gases do efeito estufa crescerem como ocorreu até o momento, devemos calcular um aquecimento global de até 5 graus no final do século“, aponta o pesquisador Anders Levermann, coautor do estudo.

FONTE: TERRA

Com essa postagem, voltamos a divulgar notícias de ciências e meio ambiente. A pedidos.





A cobra Norato: lenda do folclore brasileiro – versão de José Coutinho de Oliveira

31 08 2011
Antigo vaso grego, aproximadamente século V aC com a imagem de Cecrops, fundador da cidade de Atenas.
A cobra Norato

                                                              José Countinho de Oliveira

— Ainda no tempo colonial, veio para o Pará um português riquíssimo e, desejando aumentar seus haveres, fundou no Tocantins, perto de Mocajuba, uma fazenda para o cultivo do cacau.  Além do grande pessoal que consigo trouxe, acompanhou-o um seu filho de nome Honorato, rapaz de seus quinze anos, muito bonito e dado a conquistador.

Um dia este moço desapareceu sem que pessoa alguma pudesse dele dar mais notícias.  Dizia então uma velha índia que havia visto o moço Honorato andas nos dias anteriores triste, passeando pelas praias do Tocantins, atraído, sem dúvida, pela beleza de Iara e que esta o havia levado para o fundo do rio.

O que é certo é que alguns anos depois, quando há alguma grande festa, à meia noite aparece este moço, que dansa, diverte-se e às três para as quatro da madrugada, quando a aurora começa a despontar, ele some-se sem que ninguém saiba para onde vai.  Muitas vezes já se tem procurado sitiá-lo, colocando vigias por todos os lados para vê-lo sair e apenas uma vez muitos rapazes o viram atirar-se n’água do alto da ribanceira.

— Mas, coronel, isto é um absurdo, uma tolice.

— Não falemos assim; há tanta coisa na natureza que nós não compreendemos, de que não sabemos a causa e, no entanto, não podemos negar.

— Mas este fato tem uma explicação natural.  O Tocantins é continuamente navegado por canoas de regatões, por vapores e lanchas.  Ora, não é de admirar que, uma ou outra vez, um desses viajantes apareça em uma festa e de repente se vá embora, para continuar viagem.  Ninguém o conhece e a imaginação popular começa logo a criar mistérios.

— Não é assim.  Ouça: há dois anos houve uma grande festa no engenho do capitão Pinheiro, no distrito de Abaeté, na véspera do Natal, e na mesma noite outra na casa do Manuel Francisco, que o senhor bem conhece, chefe político de  nomeada em Bião.  Pois bem, à meia noite em ponto, o Honorato aparecia no baile do Pinheiro, em Abaeté, desaparecia às duas horas, para surgir às duas e meia em casa do Manuel Francisco. Qual a canoa ou vapor, ou balão capaz de, em meia hora, percorrer a distância que vai de uma a outra casa? Nem em oito horas!

— E o senhor poderia me dizer se conhece alguma cobra grande capaz de fazer esse percurso em meia hora? 

— O Honorato, porque é encantado.

Em:  Criança Brasileira: admissão e 5ª série,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949.

José Coutinho de Oliveira, (Brasil, ? – ? ) escritor, linguista e folclorista da Amazônia.  Membro da Academia de Letras do Estado do Pará.

Obras:

Lendas Amazônicas, 1916

Folclore Amazônico, 1951





Força Nacional e IBAMA: atenção ao desmatamento no Pará

15 04 2009

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O combate a crimes ambientais no interior do Estado do Pará vai receber o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, numa ação em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo a portaria nº 580, publicada na edição desta terça-feira, 14, do Diário Oficial da União, as tropas ficarão no Estado por um período de 30 dias, podendo a estadia ser prorrogada caso seja necessário.

 

Agência Pará





O que o Brasil tem a ver com as mudanças climáticas?

4 01 2009

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Por mais que eu quisesse começar este ano com uma nota sobre os livros que li e estou lendo, com alguma coisa sobre as artes, sinto-me, em vista das chuvas de hoje em Santa Catarina, na obrigação de voltar a falar da imperiosa necessidade que temos de fazer alguma coisa pra diminuir o aquecimento global.  

Qualquer carioca notou que esta primavera que passou foi mais para inverno do que para primavera, com chuvas constantes e muito poucos dias de sol.  Estas mudanças já estavam previstas.  É só darmos uma olhadela no portal da FIOCRUZ, chamado Museu da Vida, para vermos como não houve nenhuma surpresa para aqueles que estão envolvidos diretamente com as ciências do meio ambiente.  Assim sendo, copio e colo aqui o que li no Museu da Vida.

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O que o Brasil tem a ver com as mudanças climáticas?

O Brasil tem tudo a ver com as mudanças climáticas. Apesar de não estarmos entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, contribuímos significativamente com o total das emissões mundiais.

Além disso, somos donos da maior floresta tropical do mundo, a floresta amazônica. Viva, ela é uma importante “seqüestradora” de carbono e, portanto, uma grande aliada no combate às mudanças climáticas.

Derrubada, ela pode vir a ser uma grande inimiga, liberando grande quantidade de carbono na atmosfera. Cabe a nós decidir o que fazer dela!

E ainda, como dependemos fortemente de recursos naturais diretamente ligados ao clima, como na agricultura e na geração de energia hidrelétrica, podemos ser duramente atingidos pelas mudanças climáticas.

Conclusão: nós brasileiros temos muito o que refletir, debater e fazer para enfrentar as mudanças climáticas. Nesta seção, vamos ver como o Brasil tem contribuído para as mudanças climáticas, os impactos que elas podem ter no país e o que podemos fazer para evitar conseqüências mais drásticas. 

 

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– Contribuição brasileira para as mudanças climáticas


O Brasil é responsável por algo em torno de 4% das emissões globais de gás carbônico. É pouco em comparação com os principais países emissores desse gás – Estados Unidos, Rússia, China e Japão –, mas é uma quantidade expressiva diante dos desafios atuais.

As queimadas e o desmatamento na Amazônia respondem por mais da metade das emissões totais brasileiras de gás carbônico.

O uso de combustíveis fósseis nos setores energético e de transporte também contribui bastante para a intensificação do efeito estufa. Por causa dele, o Brasil libera por ano de 80 a 90 milhões de toneladas de carbono.

As hidrelétricas e as usinas de carvão também estão entre as contribuições negativas do Brasil.

As hidrelétricas emitem quantidades expressivas de metano. Já as usinas a carvão mineral causam grande impacto ambiental, não só pelas emissões de gás carbônico, mas também pelos resíduos e pela a poluição resultante de suas atividades. 

 

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– O impacto das mudanças climáticas no Brasil  


Algumas pessoas acreditam que o furacão Catarina, que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em 2004, e a seca na Amazônia em 2005 sejam conseqüências das mudanças climáticas. Mas não há provas de que isso é verdade.

Por outro lado, relatórios divulgados pelo IPCC em 2007 apontam impactos preocupantes das mudanças climáticas em lugares como a Amazônia, o semi-árido nordestino e as regiões litorâneas do Brasil.

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Amazônia


Até agora, a temperatura não tem aumentado de forma preocupante na floresta amazônica. Mas alguns modelos de previsão do clima mostram que a temperatura poderá subir, até 2100, de 4 a 8º C nessa região, e a quantidade de chuvas poderá diminuir, levando a um processo chamado de savanização da Amazônia.

Um dos possíveis impactos desse aumento de temperatura no bioma amazônico é o aumento na freqüência de secas na Amazônia Oriental, com perdas nos ecossistemas, na floresta e na biodiversidade local.

O aumento de temperatura e redução da umidade devem ter impacto no transporte de umidade e de chuvas para o sudeste brasileiro, afetando a geração de energia hidrelétrica nessa região.

Além disso, com a savanização da Amazônia, as condições serão mais favoráveis para o alastramento de queimadas, devido a redução da umidade da floresta.

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Nordeste


Parte da região do semi-árido nordestino poderá se tornar árida, devido a redução das chuvas e do aumento da temperatura da região.

A recarga dos lençóis freáticos locais poderá ficar comprometida, sofrendo uma redução grande em sua capacidade de armazenamento.

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Sudeste


No Sudeste, o aumento das chuvas previsto deverá ter impacto direto na agricultura, dando origem a inundações e deslizamentos de terra. Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo deverão ser afetadas.

Em longo prazo, a savanização da Amazônia ( quer dizer, a mudança de floresta para savana)   poderá diminuir a capacidade da floresta em fornecer umidade ao Sudeste, afetando o regime de chuvas na região.

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– Como o Brasil pode ajudar no combate às mudanças drásticas no clima?


Ainda que o Brasil não tenha uma meta definida de redução de emissões de gases de efeito estufa, como os países desenvolvidos signatários do Protocolo de Quioto, estamos comprometidos com a estabilização dos gases de efeito estufa em níveis que assegurem a vida no planeta.

Há claras possibilidades de redução das emissões brasileiras. Uma delas é a simples aplicação e o cumprimento das leis ambientais do país, que proíbem muitas das atividades que levam hoje a queimadas e ao desmatamento. Só isso já teria um grande efeito, reduzindo a área desmatada e, assim, diminuindo muito as emissões brasileiras. 

O reflorestamento também tem grande potencial na redução das emissões brasileiras. Para isso, bastaria promover o replantio em áreas degradas e marginais abundantes no território brasileiro.

As florestas em crescimento absorveriam, através da fotossíntese, o gás carbônico da atmosfera, contribuindo para a redução do efeito estufa.

O Brasil pode contribuir ainda investindo em energia renovável. Apesar de ter quase metade de sua energia baseada em fontes renováveis, ainda há como avançar no uso da energia dos ventos e do Sol.

Deve-se também estimular o uso do álcool e do biodiesel como combustível e investir em sistemas mais eficientes e mais baratos de transporte coletivo, como ônibus e metrô, e na construção de ciclovias seguras. 

Na agricultura, é preciso desenvolver e disseminar entre os agricultores técnicas menos nocivas ao meio ambiente. Além disso, novos cultivos devem ocupar áreas degradadas recuperadas e não biomas que estão ameaçados.

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Seis graus e as soluções alternativas

24 11 2008

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A primavera no Rio de Janeiro anda fria, enquanto o inverno, de inverno só teve mesmo o nome.  Mas, novembro está bem mais frio do que o normal.  Em Curitiba o tempo também anda estranho.  Por todo Brasil parece que as estações decidiram mudar de estilo e até de temperatura e região.  Hoje na última semana de novembro nevou na Austrália.  Nevou muito.  E a Austrália assim como o Brasil está a um mês de o que deveria ser um quente verão. 

 

Todas estas notícias me lembraram Mark Lynas, autor do livro Seis graus, [Jorge Zahar: 2008] que se você ainda não leu, deve fazê-lo o quanto antes.  À medida que o efeito de estufa aumenta ano após ano, os cientistas alertam: a temperatura global pode aumentar 6 ° Celsius ao longo do próximo século.  Isso causaria mudanças radicais no nosso planeta.   Seis graus é um livro alarmante, que modificará a maneira como você vê e faz as coisas no seu dia a dia.  Lyman tenta responder a perguntas que ocorrem a todos nós que pensamos sobre o meio ambiente, mas que não levamos os nossos estudos ao ponto que o autor leva:  o que irá acontecer, à medida que o mundo for aquecendo?  O que sucederá às nossas costas, às nossas cidades, às nossas florestas, aos nossos rios, aos nossos campos de cultivo e às nossas montanhas?

 

Mesmo que a emissão de gases que provocam o efeito de estufa parasse imediatamente, as concentrações que já estão na atmosfera provocariam uma subida global de 0,5 ou mesmo 1º C.

 

Mas e se a temperatura global aumentasse mais 1ºC?    Tudo indica que essas mudanças não seriam graduais. Os glaciares da Groenlândia e muitas das pequenas ilhas mais a sul desapareceriam.

 

Se a temperatura subisse 3º C, o Ártico deixaria de ter gelo no verão.  A floresta tropical da Amazônia secaria e condições atmosféricas extremas seriam uma norma.

 

Com uma subida de 4ºC, o nível dos oceanos aumentaria drasticamente. Seguido de mudanças climáticas desastrosas se a temperatura global subisse mais um grau: regiões que conhecemos som clima temperado seriam inabitáveis.

 

O sexto grau traz um cenário de juízo final, com oceanos devastados e  desertos  crescendo em área.

 

Lynas é um autor britânico, jornalista e ativista ambiental que se interessa pelas mudanças climáticas. É licenciado em História e Política pela Universidade de Edimburgo. Nasceu em 1973 e mora em Oxford, na Inglaterra. Ele foi o vencedor do principal prêmio para livros de ciência, da Royal Society de Londres.  sugere seis estratégias para conter o aquecimento global.

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Em julho deste ano a revista Época publicou uma entrevista com o autor, sob o título Deixe de voar de avião, que reproduzo em parte aqui onde sugere seis estratégias para conter o aquecimento global, que você, eu, qualquer um pode começar a fazer hoje.

 

 

 

O que acontecerá no Brasil se a temperatura subir em média 10° centígrados?

 

Lynas:  Uma coisa que já ocorreu foi o surgimento de ciclones extratropicais. O primeiro foi o furacão Catarina, que atingiu o sul do Brasil em 2004. Mas a principal questão para vocês é o futuro da Amazônia.  Se a temperatura subir 20°c, é provável que a floresta desapareça, destruindo o maior reservatório de biodiversidade do planeta.  Projeções sugerem que o centro do Brasil se tornará uma savana seca ou até um deserto, com temperaturas muito altas e pouca chuva. As conseqüências serão globais. A Amazônia funciona como uma bomba d’água gigante e influencia o clima de todo o planeta. Na eventualidade de um aquecimento extremo, o que é hoje o centro da bacia amazônica será engolido pelas águas do atlântico, assim como uma língua de terra que vai do sul do Brasil até o pantanal.

 

O que, qualquer pessoa deve fazer para combater as mudanças climáticas?

 

 Lynas: A primeira é deixar de voar nas férias, por causa da enorme contribuição da aviação civil aos gases do efeito estufa. Eu já deixei de fazer isso há dez anos. [Lymas investigou e constatou que nos últimos 13 anos os aviões dobraram a emissão de gases com efeito de estufa.]

A segunda medida é, em viagens de negócios, sempre que possível ir de trem ou de ônibus.

A terceira medida é abandonar o carro e andar ou usar o transporte público.

A quarta, nos países frios, é reduzir o aquecimento das casas.

A quinta atitude: só usar eletricidade produzida por fontes renováveis, como a hidrelétrica, a solar e a dos ventos.

A sexta e última medida é convencer os membros de sua comunidade a fazer o mesmo e eleger políticos que defendam essas políticas. É a medida mais importante de todas.

 

 

Seis graus é um relato de um possível futuro da nossa civilização se o atual ritmo do aquecimento global persistir.   Não é uma obra de ficção científica nem sensacionalista. Os seis graus do título referem-se à possibilidade assustadora de as temperaturas médias subirem cerca de seis graus nos próximos cem anos. Os contrastes ambientais serão desmedidos: haverá, por um lado, rios dez vezes maiores que o Amazonas, mas, por outro, mais de metade da população mundial sofrerá os efeitos da seca.

 

No entanto, apesar de uma visão quase apocalíptica, Lynas termina com a apresentação de diversas estratégias que permitem contornar o problema do aquecimento global. Com: 1) um pouco de antevisão 2) alguma estratégia e 3) sorte poderemos pelos menos deter o rumo catastrófico pelo qual nos temos deixado levar. Mas esta é a hora de agir.

 

Para um resumo em inglês:  THE GUARDIAN

 





Perseguindo o sonho, Milton Hatoum em “Órfãos do Eldorado”, resenha

4 08 2008
Tarsila do Amaral, Floresta, 1929, óleo/tela, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Tarsila do Amaral, Floresta, 1929, óleo/tela, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Órfãos do Eldorado, uma novela de 100 páginas pode quase ser chamada de um discurso sobre a decadência.  Decadência dos sonhos, das fortunas, da economia.  A decadência como objeto de observação e fascinação dos turistas, a decadência da política local, das mores sociais.  Até mesmo a decadência do sonho, da esperança, que não encontram um eco na realidade amazônica retratada aqui.  

 

Não que Milton Hatoum tenha deixado de lado a ficção.  Não é esta a minha observação.  Mas sua ficção está ainda mais fluida neste livro do que em anteriores.  Esta é uma ficção, tecida através de memórias anteriores às do personagem principal, e fatos históricos mencionados que cobrem mais de um século.  A fluidez da narrativa dá um leve toque de sonho, de irrealidade porque vamos e voltamos a um passado sem forma, a uma passado interpretado pela criança que foi Arminto Cordovil:  a visão que ele tem de seu pai e de sua infância e adolescência. 

 

Esta maneira amorfa e característica da fluidez de pensamentos — que já encontrei anteriormente neste autor nos dois outros livros que li: Dois Irmãos e Cinzas do Norte —, deixa a narrativa aberta.  Ela se rebela às datas históricas, às informações precisas.

Não que Milton Hatoum trabalhe com o realismo mágico.  Mas as idas e vindas de seus personagens com lembranças e projeções no futuro mantêm uma nebulosidade proposital mostrando traços familiares com fantasias noturnas e sonhos reveladores.

 

A história pode ser descrita em poucas palavras: Arminto se apaixona por Dinaura uma moça local, que não fala, evasiva, com quem ele tem uma noite de amor inesquecível, e a quem ele jamais volta a ver.   Recebi este livro, emprestado por uma amiga, excelente leitora, com a observação de que esta era uma bela história de amor.  

 

Mas discordo redondamente.  A história da perseguição de Arminto por Dinaura, sua obsessão do início ao fim da novela, para mim, é a personificação da constante procura pelo Eldorado, que ilude a todos que se estabeleceram e que se estabelecem, ainda hoje, na Amazônia.  A procura de Dinaura é a grande aventura, repleta de elementos fantásticos, do mundo, do amor, de tudo que jamais será tal como a terra prometida.  Ela, assim como o Brasil, como a Amazônia, é uma moça local, e é natural então que se encontre rodeada pelos caminhos encontrados na ilha encantada das histórias das cunhatãs.

 

Este é um discurso alegórico sobre a esperança cega de algo melhor, e a decadência que se estabelece quando se procura obsessivamente uma realidade, um sonho, inexistente.

 

 

Órfãos do Eldorado, Milton Hatoum, São Paulo, Cia das Letras:2008  — 107 páginas.

 

 

 

Lucila Wroblewski.

Milton Hatoum, foto: Lucila Wroblewski.

 








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