No dia do amigo, palavras de Confúcio

20 07 2018

 

 

Kurmaz, SvetlanaMelhores amigas, 2017

Svetlana Kurmaz (República Checa, contemporânea)

Óleo sobre tela, 100 x  80 cm

Saatchi Gallery

 

 

“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”

 

Confúcio  (China, 551 a.E.C. — 479 a.E.C.)





Trova da amizade

27 05 2016

???????????????????????????????Briga de Pluto com Buldogue , ilustração de Walt Disney.

Não se rompe um laço antigo,

sempre há perdão, na amizade.

Quem deixa de ser amigo,

nunca o foi na realidade.

(Edgar Barcelos Cerqueira)





Resenha: “O último amigo” de Tahar Ben Jelloun

5 05 2016

 

 

CPH60817Dois amigos, com texto de Cícero sobre amizade, c. 1522

Jacopo Pontormo (Itália, 1494-1557)

óleo sobre madeira, 88 x 68 cm

Fondazione Giorgio Cini, Veneza, Itália

 

 

Aviso aos leitores: nem sempre o tema de um livro é aquele abertamente citado pelo autor ou sugerido pelo título. O último amigo é uma joia, uma obra prima, de narrativa em espiral, um quase ensaio sobre a ilusão, sobre a autoilusão, sobre amizade, traição, ciúme e inveja. É um livro muito mais complexo do que suas poucas 120 páginas poderiam sugerir.

Trata-se do retrato de uma dessas amizades que nasce nos anos de escola, que se desenvolve através da juventude, que assim como seus componentes ela também amadurece, sobrevive a percalços, casamentos, exílio, e nos re-encontros através do anos parece se fortalecer, se solidificar. Sua base está na franqueza, na compreensão do outro, no conhecimento do passado em comum, no desejo generoso de que o outro seja bem sucedido, que desfrute do melhor.

 

 

O_ULTIMO_AMIGO_1327443063B

 

Tahar Ben Jelloun divide sua obra em três partes. Começa com uma longa e detalhada descrição de Ali, que na primeira pessoa relata o caminho percorrido pela amizade dele por Mamed. Nossa identificação com o narrador é imediata.  Sentimos que o conhecemos e por isso mesmo nos chocamos tanto quanto ele, quando seu amigo de infância o surpreende com um corte irremediável na amizade de vida inteira. Na segunda parte, temos a versão de Mamed sobre essa mesma amizade.  Também descrita na primeira pessoa e curiosamente mostrando outros fatos outro enfoque nos eventos que marcaram o relacionamento desses dois amigos. É aí que sabemos de sua decisão de cortar os vínculos fraternais entre ele e Ali. Na terceira parte temos o testemunho de Ramon, uma amigo dos dois protagonistas, mas não tão chegado a eles.

A amizade é o tema. Tanto Ali quanto Mamed professam profundos sentimentos um pelo outro.  Nas narrativas de ambos sabemos dos gestos magnânimos e sacrifícios que cada um fez em nome dessa amizade. Mas no tecido do texto, no forro desse longo relacionamento encontra-se outro sentimento: a inveja.  Inveja que Mamed chama ciúmes. E é ela que acaba por corroer o laço entre eles. Mamed não esconde esses sentimentos rasteiros em seu depoimento: “Acontecia de eu ficar com ciúmes de Ali também, porque ele era mais culto do que eu, porque vinha de uma família quase aristocrática, porque era mais bonito e que, graças a seu casamento, tinha ficado rico.” [96-7]. E mesmo que ao cortar os laços de amizade que tem com Ali imagine, ou diga tratar-se de generosidade, essa ação não esconde a fraude de seus próprios sentimentos.  Pois só a ilusão de uma boa ação poderia justificar para si mesmo a traição que comete, interferindo na amizade de longa data. A desculpa é fraca.

 

Tahar Ben JellounTahar Ben Jelloun

 

Jean Cocteau é conhecido por ter dito que “A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe.”  Acredito que este seja o retrato do que se passa aqui. Mamed tinha emocionalmente uma estatura pequena e não conseguiu honrar os sentimentos de seu único e exclusivo amigo.

Este é um grande livro numa pequena aparência.  Tornou-se um de meus favoritos, e por isso recomendo a todos que gostam de pensar um pouco, de explorar a natureza humana, de se envolver num debate interno e julgar se o ato de Mamed é um gesto de amizade ou de traição.  Aqui esta a minha opinião.  Talvez você tenha uma opinião diversa.  Leia-o.





Trova da felicidade

31 07 2015

 

 

almoço ao ar livre, steven dohanosAlmoço ao ar livre, Steven Dohanos.

 

 

Amigo, na sua idade,

não conte a idade a ninguém,

mas conte a felicidade

pelos amigos que tem.

 

(Edmilson Ferreira Macedo)





Uma grosa de livros lidos

12 04 2015

Young Woman in the Reading Room in a Library, Thomas Jakob RichterJovem na biblioteca

Autoria disputada. Charpentier?  Thomas J. Richter ?

óleo sobre tela.

 

 

Hoje o grupo de leitura Papa-livros completa 12 anos de atividades ininterruptas.  Foram 144 livros lidos.  Uma grosa.  Não é um pequeno sucesso.  Num país em que poucos têm o hábito da leitura essa é uma etapa a ser comemorada.  Das 20 pessoas ativas 4 estão nele desde o primeiro ano,  3 são “fundadoras” (pertencem desde de o primeiro encontro) e a quarta, a partir do segundo encontro. Mas temos algumas com 11 e 10 anos de grupo, 8 e assim por diante.

O grupo de leitura já passou por muitas transformações. Começou na casa de uma de nós. Hoje se encontra em lugar público. Já fomos um grupo misto, hoje somos só mulheres.  Decidimos que preferimos assim. Já tivemos falecimento, divórcio, reconciliação, viuvez,  netos, casamentos de filhos, divórcio de filhos, e tudo mais que aparece na vida normal de pessoas normais.  No momento, temos um filhote, bebê de menos de 1 ano, Pedro, nosso talismã. Gostamos de festas.  Fazemos duas por ano.  Hoje e no Natal. O grupo inclui pessoas dos 32 aos 86 anos. Somos católicos, judeus, budistas, ateus e tudo combinado… O que nos une é a vontade de ler.  Depois, gostamos das discussões sobre o que lemos. E aos poucos as amizades se estreitam. Mas pense bem, quantos amigos, que não trabalham com você, você vê durante o ano, pelo menos 12 vezes?  Garanto que não são muitos. Amizades não aparecem automaticamente, principalmente depois que somos adultos. No nosso caso, amizades vêm com os encontros mensais e encontros que cada um tem com membros do grupo, à parte, durante o mês. Com telefonemas. Com uma foto mandada por email; uma mensagem por celular. Encontros fora do grupo são incentivados, pois só assim as amizades conseguem florescer; se solidificam.

Incentivo todos que gostam de ler a participarem ou a formarem um grupo de leitura. Garanto que isso dará uma repaginada na sua vida.  É impressionante a pluralidade de reações a um livro, a uma obra, a um enredo. De repente vemos aquilo que lemos de uma forma diferente… Temos tido muito mais pedidos para entrada no grupo do que é possível atender.  O ideal são 12 pessoas.  Já havíamos aumentado para 15, por concessões a membros.  E recentemente, desde novembro do ano passado, passamos a ser 20, quando adotamos os membros órfãos do grupo de leitura Entrelinhas, nascido com a nossa bênção e que se desfez.  Ganhamos nós, porque tivemos uma renovada total, não só nas discussões como nas propostas de leitura.  Desde o início nos comprometemos a não ler os clássicos tradicionais.  Procuramos os livros que acabaram de ser lançados, ou algum que tenha impressionado alguém. Nossas discussões são informais, às vezes pendem para o lado pessoal, às vezes para a análise mais formal.  Com frequência falamos de história, de política, de problemas sociais. Muitas vezes de experiências que vivemos. Cada livro traz consigo uma variedade enorme de assuntos que podem ou não ser abordados.  Só depende da vontade do grupo.  Temos as profissões mais variadas: psicólogos e psicanalista, advogadas, escritora, arquiteta, artista plástica, ambientalista, relações internacionais, tradutora/intérprete, engenheira, mães de família, professoras de ioga, língua estrangeira e outras.

Quando fizermos quinze anos faremos uma grande festa, reunindo todos os membros presentes e passados.  Pensando longe?  Acho que não. Quando já se leu 144 livros, o que são 36 mais?  Nada… uma brisa…

Quero expressar publicamente o meu apreço a todas que contribuíram para mais um ano de atividades e sucesso. Sem a contribuição de cada uma não teríamos sucesso. Em ordem alfabética: Albertina, Ana Maria, Andréa, Chaia, Camille, Cibele, Elizabeth, Fabiana, Gisela, Inez, Léa, Luba, Lucia L., Lúcia S., Magali, Maria Eugênia, Melissa, Mônica, Rosi e Vera. Que venham mais 12 anos.  E muitos outros mais. Foi a dedicação de vocês, o comprometimento, a habilidade de se desvencilhar de obrigações uma vez por mês, a boa vontade de muitas vezes ler aquele livro que não agrada, a aceitação de que nem sempre as discussões são interessantes mas continuar para ver no que dá, a aceitação de opiniões contrárias ao que se pensa, e o respeito às decisões sempre democráticas. Por tudo isso, pelo calor humano, pela simpatia com o outro, pelo bom humor, pelo dar-se e receber, por tudo que temos feito juntas, o meu profundo agradecimento.  São vocês que fazem o grupo.  Eu, só organizo.  Aproveito para agradecer também ao nosso garçom favorito, Sr. Deusdeth, por sempre nos dar atenção tomando nota dos detalhes de cada pedido de exceção: “sem alface”, “com queijo”, “sem amendoim”, “posso substituir…”, etc. Não é fácil com 20 mulheres.  Enfim estou grata a todos. Pronta, para mais doze aventuras por ano!





Trova da amizade

15 10 2014

 

amigos, bons, margret borissCartão postal, Margret Boriss.

 

 

Guardada como fragrância,

a verdadeira amizade

não se perde na distância,

adormece na saudade.

 

(Ângela Togeiro)

 





Quadrinha do verdadeiro amigo

13 03 2014

doente, dodoi, Margret BorissIlustração de Margret Boriss.

Somente um bem acontece

quando a gente cai doente:

aí é que se conhece

quem é amigo da gente.

(Aloísio Alves da Costa)








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