“Alemães na Argélia” texto de Kaouther Adimi

17 04 2020

 

 

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“Alemanha,  1940

 

Na imprensa nazista, aparecem artigos sobre a situação nos países do norte da África ocupados pelo exército francês. A rádio alemã começa até mesmo a difundir transmissões em árabe.  Ouvimos, perplexos, esses jornalistas, que, de Berlim, apelam para que peguemos em  armas contra a França.  Parece que os soldados alemães são lançados de paraquedas no meio da noite, nos vilarejos perdidos da Argélia. Trazem latas de comida e oferecem chocolate às crianças. Estão lá para tentar nos convencer a aderir ao exército hitleriano, que  promete expulsar a França do país. Prometem que, graças à Alemanha, nossas crianças serão escolarizadas e a Argélia voltará a ser uma terra islâmica. Anos mais tarde, nesses mesmos vilarejos, encontraremos metralhadoras e um capacete alemão. Nossos avós encolherão os ombros: “Era um jovem soldado alemão que foi lançado de paraquedas aqui… Ele trouxe comida e nós o escondemos”. ”

 

Em: As verdadeiras riquezas, Kaouther Adimi, tradução Sandra M. Stroparo, Rio de Janeiro, Rádio Londres: 2019, página 65





Visita a Argel, texto de Kaouther Adimi

8 04 2020

 

 

Geo Sipp (EUA, contemporâneo) Milk Bar, AlgiersMilk Bar, Algiers

Geo Sipp (EUA, contemporâneo)

sketch preliminar

 

 

“Assim que você chegar à Argel, será preciso pegar uma série de ladeiras, subir e, em seguida, descer. Você vai dar na rua Didouche-Mourad, atravessada tanto por muitas ruelas como por uma centena de histórias, a alguns passos de uma ponte partilhada por suicidas e apaixonados.

Será preciso descer mais, afastar-se dos  cafés e dos bistrôs, das lojas de roupas, dos mercados de frutas e legumes, rapidamente, prosseguir, sem parar, virar à esquerda, sorrir para um velho florista, encostar-se por algum tempo em uma palmeira centenária, não prestar atenção no policial que vai dizer que é proibido, correr atrás de um pintassilgo junto com um monte de meninos e ir parar na praça do Emir Abd el-Kader. Talvez você não repare no Milk Bar, pois a fachada foi reformada recentemente e, de dia, a placa é pouco visível: o azul quase branco do céu e o sol ofuscante embaralham as letras. Você observará algumas crianças escalando o pedestal da estátua de Abd el-Kader, sorrindo largo, posando para seus pais, que estão prontos a postar suas fotos nas redes sociais. Haverá um homem fumando ao pé de uma porta, lendo o jornal. Será preciso cumprimentá-lo e trocar algumas palavras educadas antes de dar meia-volta, sem se esquecer de dar uma olhadela para o lado: o mar prateado que brilha, o grito das gaivotas, de novo o azul quase branco. Será preciso seguir o céu, esquecer os prédios que se querem parisienses e passar ao lado do Aéro-habitat, uma muralha de concreto que domina a cidade.”

 

Em: As verdadeiras riquezas, Kaouther Adimi, tradução de Sandra M. Stroparo, Rio de Janeiro, Radio Londres: 2019, pp:9-10





Patrimônio Cultural da Humanidade: Tipasa, Argélia

16 09 2014

 

 

tipasa_algeria

 

 

Argélia

 

Tipasa

 

Tipasa é um dos mais extraordinários complexos arqueológicos do Norte da África, talvez o mais importante para o estudo dos contatos das civilizações ao longo do Mediterrâneo tendo sido colonizada desde o século VI aEC ao século VI da nossa era. Localizada a 70 km a oeste de Argel, foi um posto de comércio de Cartago, e mais tarde foi um porto de prestígio do Império Romano, a partir do século III da nossa era. Nem mesmo a invasão dos Vândalos em 430 acabou com a prosperidade do local, só depois da reconquista da cidade pelos Bizantinos, em 531 que a cidade entrou em declínio até o final do século seguinte.





Um momento Glória Perez

25 07 2009

Eugène Delacroix, WomenofAlgiers

Mulheres de Argel, 1834

Eugène Delacroix ( França, 1798-1863)

Óleo sobre tela,  180 x 229 cm

Museu do Louvre, Paris

 

Há tempos não acompanho novelas televisivas.  “O Clone” foi a última novela que acompanhei, vendo os capítulos sentada lado a lado com minha mãe, que corajosamente resistia a uma doença terminal.  Naquela época, fiquei impressionada com a facilidade com que alguns personagens transitavam do Norte da África para o Brasil, encontrando-se aqui ou lá como que por acaso.  Sei que o mesmo fenômeno ocorreu em outra novela passada em Miami e Rio de Janeiro assim como está acontecendo nos dias de hoje com a novela Caminho das Índias.   

 

Hoje, tive o meu momento Glória Perez.  E também um momento em que testemunhei por mim mesma, o poder da internet:  como ainda não estou cozinhando na minha nova residência, saímos, eu e meu marido, para tomar café no bar/restaurante mais próximo, que oferece uma generosa média quentinha.  Sentamos nas mesas da calçada, como bons cariocas, mesmo que a chuvinha de inverno insistisse em molhar a rua.  Debaixo do toldo apreciávamos a manhã tranqüila.  Depois de uns dez minutos, quando já contemplávamos  uma segunda xícara, passa uma senhora simpática. Anda adiante e depois volta.  Se aproxima.  De repente fala comigo: 

 

— Você não é Ladyce?

— Sim.

— Ah, que bom que a reconheci….

— ?!!???

 

Em outras palavras: ela era um “conhecimento” da internet, uma pessoa que eu nunca havia visto, nem em fotografias, já que meu contato com ela havia sido através de seu filho.  E ela me reconheceu.  Por foto!   Foto que viu num site, diferente do site de relacionamentos no qual eu e seu filho havíamos trocado algumas palavras a respeito de nomes de famílias em Mato Grosso.   Mas o mais interessante.  Ela não mora no Rio de Janeiro.  Está aqui por dois dias.  Chegou ontem, vai embora amanhã.  E num desses dias, numa manhã chuvosa, no Rio de Janeiro, uma cidade de 7 milhões de pessoas, ela passou por uma calçada de Copacabana, viu uma pessoa que reconheceu de uma foto na internet e se conectou.  As possibilidades disso acontecer são muito remotas. E se aparecesse em novela, eu iria reclamar dizendo que  falta credibilidade no texto.  Pois, engulo minhas palavras, engulo a minha desconfiança, o meu ceticismo.   Glória Perez está certa!





Imagem de leitura — Paul-Émile Félix Raissiguier

15 01 2009

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O livro secreto, 1924

Paul-Émile Félix Raissiguier

França, (1851-1932)

Gravura

 

 

Paul-Émile Félix Raissiguier nasceu em Oran, na Argélia, quando a Argélia ainda contribuía para o território francês com três estados, também chamados de a dispensa de França.  Pintor versátil de paisagens, pertencendo à última geração do século XIX / XX de pintores orientalistas.  Também se dedicou a outros meios de expressão inclusive a gravura Art Déco como a que ilustramos acima.  








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