Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

17 05 2017

 

ROMANELLI, Armando (1945) -Jarra e Frutas, óleo sobre chapa de madeira industrializada - 70 x 35 cm. Assinado e datado 79 frente e versoJarra e frutas, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre placa, 70 x 35 cm





Lembranças das procissões no Rio de Janeiro, Ladyce West

14 04 2017

 

 

ROMANELLI, ARMANDO (1945). Procissão, óleo s eucatex, 20 X 20. Assinado no c.i.d. e no verso datado (1979).Procissão, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre eucatex, 20 x 20 cm

 

 

Fui surpreendida por uma pequena procissão passando pela minha rua no Domingo de Ramos. Surpreendida porque moro, há muitos anos, a meio quarteirão de uma igrejinha do século XIX, tombada pelo IPHAN, na rua principal do bairro.  Não me lembro dessa procissão no calendário da minha janela. Foi pequena, mas muito linda e delicada, cantada, e percorreu rapidamente a rua onde moro.  Essa procissão recorda a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, evento mencionado nos quatro evangelhos cristãos. Da igreja minha vizinha só me lembro da procissão de Sexta-feira Santa, talvez a mais triste das procissões católicas. Silenciosa, ela percorre o bairro, no meio da tarde, ao som de uma catraca levada pelo padre, que é tocada a cada cinquenta metros, quando todos param por alguns segundos e logo retomam seu caminho.

Procissões eram mais comuns no Rio de Janeiro. Tenho lembranças de infância de imensas procissões, em outro bairro carioca.  Venho de uma família católica semi-praticante.  Meu pai, filho de um provedor da Igreja de Santa Luzia no centro da cidade e de uma católica dedicada à teosofia, foi educado inicialmente em escola de padres e depois no Colégio Pedro II. Físico e químico industrial era católico perfunctório.  Minha mãe, professora de línguas, filha de um advogado agnóstico e uma católica, ficou mais religiosa à medida que os anos chegaram. Resultado: três filhos, uma superficialmente católica, um católico seriamente praticante e um seriamente agnóstico.  Íamos à missa nas ocasiões especiais.  Papai raramente.  Fomos batizados, fizemos primeira comunhão.  Mesmo sem grande comprometimento religioso havia ritual e respeito quando passavam as procissões.  Morávamos num edifício antigo construído no estilo Art Nouveau com as típicas janelas-portas, muitas vezes chamadas de portas francesas, que, de cada cômodo, se abriam numa sacada que dava para a frente da rua.  Quando as procissões passavam, em dias especiais, mamãe tirava do armário duas colchas bordadas e outra de origem italiana em veludo grená com desenhos em amarelo ouro — que eu me lembre, nunca usadas em outras ocasiões — e colocávamos essas colchas nas sacadas, penduradas por sobre o patamar, como se fossem grandes e respeitosas bandeiras homenageando a procissão que passava.  Lembro-me de ter visto, mais de uma vez,  uma procissão em particular que passava à noite, com as pessoas segurando velas, protegidas por cones de papel, para que as chamas não se apagassem. Cena muito impressionante para essa menininha. Um pouco depois de completar meus sete anos nos mudamos e nunca mais tive a oportunidade de encontrar tanto fervor religioso nas ruas do Rio de Janeiro. Só aos 22 anos, quando fui ao Peru, com uma bolsa de estudos, encontrei procissão semelhante em fervor e devoção, além de ver também janelas dos sobrados no centro de Lima com parapeitos cobertos com colchas, tapetes e panos coloridos. Era a procissão celebrando o dia de San Martin de Porres, santo peruano, que tem o curioso atributo de levar uma vassoura na mão.

Quando finalmente me dediquei ao mestrado em história da arte, encontrei em  quadros europeus dos século XVIII e XIX cenas que me remeteram à infância, com  sacadas cobertas com colchas e veludos nas ocasiões religiosas, hábito que mais tarde, por pura curiosidade, descobri vir desde os tempos da Baixa Idade Média, dos grandes festivais na praça principal das cidades.  Uma pena que tenhamos perdido esse belo e respeitoso hábito, que nos liga diretamente às nossas origens europeias.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2017

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Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

22 06 2016

 

 

ROMANELLI, Armando (1945) - Laranjas, óleo sobre chapa de madeira industrializada - 21 x 20 cm. Assinado frente e no verso assinado datado 1979.Tangerinas, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre chapa de madeira, 24 x 33 cm





Despacho de Iemanjá, poesia de Wilson W. Rodrigues

29 12 2015

 

 

romaneli iemanjáIemanjá noturna, 2015

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela,  60 x 60 cm

www.romanelliart.com

 

 

Despacho de Iemanjá

 

Wilson W. Rodrigues

 

Tão longe, tão longe,

nas ondas do mar,

nos véus da neblina,

no vento a cantar,

na areia doirada

do fundo das águas

eu ouço Iemanjá…

Nem velas, nem brumas

vêm onde ela está,

nem sonho de amante

um dia virá…

Tão longe, tão longe

amada longínqua,

fantasma do mar.

 

Tão longe as rosas

que vão-se afogar,

levando a tristeza

que não sei matar,

por essa lonjura

que a vida separa

de minha Iemanjá…

Tão longe, tão longe,

minha alma a cantar,

há muito já foi,

pro fundo do mar,

sofrer do mistério

da amada distante,

ó doce Iemanjá!…

 

 

Em:  Bahia Flor: poemas, de Wilson W Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1948, p.35-36.





Flores para um sábado perfeito!

5 09 2015

 

ARMANDO ROMANELLI 1945 - Flores, óleo stela, datado de 2008. Med. 60 x 60 cm.Flores, 2008

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela,  60 x 60 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

22 07 2015

 

 

ROMANELLI, Armando (1945) - Jarra e Frutas, óleo sobre chapa de madeira industrializada - 70 x 35 cm. Assinado e datado 79 frente e versoJarra e frutas, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre placa de madeira, 70 x 35 cm





A laranja no Brasil e nos EUA, texto de Afrânio Peixoto

16 05 2015

 

ARMANDO ROMANELLI 1945 - Colheita de Laranja, óleo stela. Med. 40 x 50 cm.Colheita da laranja

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

“A laranjeira da Bahia achou o seu meio ideal não só natural, pela excelência de qualidade,senão de expansão humana industrial. Com efeito, se a Índia deu ao mundo a laranja silvestre, a Bahia deu a laranja civilizada, a princípio a laranja de umbigo e, depois estandardizada em Norte América, a laranja “pera” comercial, que os americanos traduzindo “navel” de umbigo, levaram a Washington, donde o nome “Washington-navel”. Essas baianas “laranjas de umbigo” dizem, provieram das sementes importadas da seleta comum, por “mutação”, na Bahia. Teria aparecido na Quinta do Tanque, em Brotas, no horto dos Jesuítas?  Brotas, no Cabula, é, ainda hoje, a terra de eleição das melhores dessas laranjas. Nem Gabriel Soares, nem depois Simão de Vasconcelos se referem às laranjas de umbigo; contudo, no começo do século XVIII, Manuel Botelho de Oliveira já se refere às laranjas “maiores e mais doces”. Luís dos Santos Vilhena (Carta XXª, pag. 754, ed. Brás do Amaral) escreveu, em 1802: “Laranjas são nesta cidade maiores e mais sucosas que em Portugal, e estas de diferentes qualidades, com preferência as chamadas de umbigo”. Mais de dez anos depois, em 1818, von Martius as assinalava também.

Como a laranja industrial viria desta “inovação” baiana? Estêves de Assis diz que, em 1734, o vice-rei Conde de Sabugosa, cumpria ordem do Conselho Ultramarino, mandando se cultivasse a laranja “de lei”, para o que fornecia novas sementes vindas da Metrópole. Mais tarde, em 1748, providenciará o Conde dos Galveias para que o Senado da Câmara nomeasse procurador a orientar os plantadores de “laranjas e limões”. Já teriam aparecido as de umbigo, mais pálidas, maiores, mais doces, o que contrariava o hábito europeu que, ainda hoje, as quer mais vermelhas, menores, mais ácidas, e, então, laranjas “de lei”, isto é, vendáveis na Europa?

São os americanos do norte que vão fazê-las. Em 1873, da Bahia, envia William Sanders a sua amiga Mrs. Elisa C. Tibbets, nos Estados Unidos, duas pequenas mudas de laranjeira, que chegam finalmente a Washington, “navel variety”, e daí, “Washington-navel”. Uma delas é enviada à Califórnia e lá plantada… É a mãe das laranjeiras americanas. (Antes os frades das missões californianas, franciscanos que substituíram, depois da Expulsão, aos padres jesuítas, plantaram laranjeiras nas suas casas religiosas, mas aí ficaram, sem divulgação.)

É da laranja baiana de Mrs. Tibbets que procedem os laranjais da Califórnia, que hoje dão aos Estados Unidos 100 milhões de dólares, metade do orçamento do Brasil…”

 

 

Em: Breviário da Bahia, Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, Editora do MEC: 1980, p.123.








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