Em 2018, novas descobertas em Pompeia!

28 04 2019

 

 

 

pompeia 6aAfresco com pintura de cobras e pavão.

 

 

Um antigo oratório de mais de 2.000 anos foi descoberto nas ruínas da cidade romana de Pompeia,  preservado em meio às cinzas vulcânicas após a devastadora erupção do Monte Vesúvio em 79 EC que destruiu a cidade e matou 16.000 pessoas. Paredes vermelho-sangue e pinturas de touros, bem como cenas encantadoras de pássaros delicados, árvores e cobras apareceram à medida que arqueólogos foram limpando as paredes vizinhas ao altar.   O altar, que se denominava lararium, está muito bem preservado.

 

 

pompeia 12aOratório, larário.

 

O altar, que se denominava lararium, está muito bem preservado.  Na Roma Antiga, os larários eram espaços para um oratório na entrada das casas das famílias, onde oferendas e orações eram feitas aos espíritos daquela casa, chamados lares. [Mesma origem da nossa palavra LAR, em português (ETIM lat. Lar,Lăris ‘deus protetor da casa, domicílio, lareira’)]. Além deste belo santuário, na sala onde ele ficava, havia uma piscina elevada e um jardim, características que sugerem este local ter pertencido a uma família muito afluente. No momento, arqueólogos tentam descobrir a quem esta casa pertencia.

 

pompeia 5aLimpando as cinzas

 

Massimo Osanna, chefe do sítio arqueológico de Pompeia, descreveu a descoberta como “uma sala maravilhosa e enigmática que agora precisa ser estudada em profundidade“. A sala, que ainda não foi totalmente escavada, está embutida na parede de uma pequena casa e apresenta pinturas dos principais deuses romanos nos rituais domésticos.

Pinturas de animais em uma cena de jardim encantado são típicas do estilo romano ilusionista, com um pavão desenhado ao longo do fundo de uma parede para dar a aparência de que ele estava andando no jardim.

 

pompeia 3aMassimo Osanna mostra detalhes da pintura.

 

Outra parede desta sala está pintada de vermelho sangue e decorada com uma grande cena de caça, com cães caçando um javali e um cervo. Outra pintura retrata um homem com a cabeça de um cão, que os especialistas sugerem que poderia ser uma versão romanizada do deus egípcio Anúbis. Os santuários eram comuns às famílias romanas. Cada casa tinha um lararium de algum tipo, mas apenas as pessoas mais ricas poderiam ter um lararium dentro de uma câmara especial com uma piscina elevada e decorações sumptuosas, como essas, lembrou a professora Ingrid Rowland, historiadora da Universidade de Notre Dame.

 

 

pompeia 8aParede vermelho-sangue com cena de caça.

 

Abaixo do nicho do santuário há uma prateleira-altar coberta com traços de oferendas queimadas no local há quase dois mil anos.  O altar é decorado com pinturas de ovos – um símbolo romano de fertilidade – e é possível que os restos queimados fossem oferendas de comida que também representavam fertilidade, como figos, nozes ou mais ovos.

 

 

pompeia 9aDetalhe da cabeça de um cavalo.

 

As pinturas espalhadas pelo local foram preservadas em cinza vulcânica após a erupção do Monte Vesúvio em 79 EC.  Camadas grossas de rocha e cinzas expelidas durante os dois dias de erupção impediram que a luz solar e a água alcancem esses artefatos por quase dois milênios.  Essas mesmas nuvens de cinzas que cobriram Pompeia preservaram as cores e as pinturas murais neste local que agora foi descoberto repleto de imagens de pássaros, plantas e animais diversos.

 

 

pompeia 7aParedes da sala

 

 

Revista History, Outubro 12, 2018.





O alce de ouro dos Citas

19 03 2019

 

 

 

Alces de ouro. Ornamento de escudo encontrado em um kurgan próximo à vila Kostromskaia, em Prikubanie. Século 6 antes de Cristo. Da coleção do Museu Estatal Hermitage.Alce de ouro,  século VI aEC.

Ornamento de escudo

encontrado em um kurgan próximo à vila Kostromskaia, em Prikubanie

Museu Hermitage

 

 

Essa descoberta arqueológica na Rússia em 2018, trouxe à tona a cultura dos citas, e dos kurgans, uma vez mais. Os citas eram nômades da antiguidade que viveram nas estepes eurasiáticas centrais e ocidentais dos séculos IX ao I antes da Era Comum. Eles deixaram muitos locais de sepultamento, conhecidos como “kurgans”, que se distribuem hoje pelo território da Rússia moderna e da Ucrânia.  Esses locais estavam repletos de objetos de ouro, que aparentemente desempenhava um papel significativo na visão de mundo dos citas e simbolizavam a vida eterna. O povo da cultura kurgan no norte do mar Negro seria o mais provável criador do idioma das línguas indo-européias  que se espalharam pela Europa, Eurásia e partes da Ásia.





Tesouro de Carambolo, um mistério resolvido

10 03 2019

 

 

 

1200px-El_Carambolo_Treasury_-_7th-5th_cent._b.C._-_Seville_-_Museo_Arqueológico_de_Sevilla3Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

 

Um mistério resolvido.  Em 1958 um tesouro foi descoberto por arqueólogos no Morro El Carambolo, a 2 km oeste de Sevilha, Espanha. Foram 21 peças de ouro de 24 quilates, trabalhadas: um colar com pingentes, duas pulseiras, dois peitorais de couro de boi e 16 placas que podem ter feito um colar ou um diadema. As joias foram enterradas dentro de um vaso de cerâmica, deliberadamente enterrado no século VI aEC.

Desde de sua descoberta, o Tesouro de Carambolo, como ficou conhecido, foi fonte de especulação para estudiosos.  As peças datavam de aproximadamente 500 anos antes da Era Comum, ou seja, tinham 2700 anos de idade.  Por causa de sua idade e da proficiência na manufatura, essas joias, pareciam ser prova de uma civilização conhecida unicamente por livros, uma cidade mítica, portuária, na foz do rio Guadalquivir, na Andaluzia, costa sul da península ibérica, cujo nome em grego seria Tartessos, que para os gregos, seria o ponto de nascimento da cultura europeia.

 

Does-the-Treasure-of-El-Carambolo-s4Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

Muitas fontes da antiguidade se referem a esse local, inclusive Heródoto que o descreve, assim como descreve os Pilares de Hércules (Estreito de Gibraltar) e até menciona um rei em Tartessos, chamado Arganthonios, cujo reinado compreendia os oitenta anos entre 625 –545 aEC.  Os tartessianos teriam fundado a cidade  de Tartessos 1000 anos antes e seu auge estaria nos trezentos anos entre os séculos IX e VI aEC.

De acordo com historiadores gregos a cultura Tartessiana se caracterizava pelo adiantado uso de metal.  O historiador Éforo de Cime (400 – 330 aEC) cita “um mercado muito próspero chamado Tartessos, com muito estanho transportado por rio, bem como ouro e cobre de terras celtas“.  O comércio de estanho era lucrativo na Idade do Bronze, pois é um componente essencial para a manufatura de bronze e não é um metal comum. O povo de Tartessos tornou-se importante parceiro comercial dos fenícios e sabemos que esses estavam presentes na península ibérica desde o século VIII aEC.  Diversos povoados ao longo do vale do Guadalquivir estão documentados.  Juntos formavam um todo, cuja capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje está o Porto de Santa Maria.  Com os fenícios houve aumento na exportação das minas de cobre e prata e Tartessos se tornou um dos portos mais importantes na exportação de bronze e prata para o Mediterrâneo.   Imperadores eram os chefes do sistema político desta civilização.  Eles também se utilizavam da escrita.  Suas leis eram registradas em placas de bronze. Mas no século VI aEC., Tartesso desaparece possivelmente destruída por Cartago

The Carambolo Treasure consists of 21 pieces of gold jewelry discovered by construction workers near Seville, Spain in 1958.Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

Nos anos 50 do século passado, muitos pensaram que o Tesouro de Carambolo representasse peças vindas do Leste do Mediterrâneo, ou dos fenícios ou pelos fenícios.

O mistério da origem do Tesouro Carambolo foi resolvido graças aos novos métodos de análises químicas e isotópicas que permitiu examinar minúsculos fragmentos de ouro que se separaram de uma das joias.  Esta análise revelou que o material veio das mesmas minas associadas a túmulos subterrâneos monumentais em Valencina de la Concepción, que datam do terceiro milênio aEC., também próximos a Sevilha. As joias encontradas no Tesouro Carambolo marcam o fim de uma tradição contínua de processamento de ouro que começou cerca de 2.000 anos antes com Valencina de la Concepción.

 

AAvHwGb.img©Jose Lucas, Alamy O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi, e pesa mais de cinco quilos.

 

O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi e pesa mais de cinco quilos. Embora o ouro fosse adquirido localmente, as joias foram fabricadas usando técnicas fenícias. Um templo fenício foi identificado na área onde a horda do Tesouro Carambolo foi encontrada, e o tesouro em si é provavelmente o produto de uma cultura mista de fenícios e tartessianos ou seja uma cultura que amalgamou povos nativos do Mediterrâneo Ocidental e marítimos do Oriente Próximo.

 

GettyImages-122316776-1200x943Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

 

270-0Exemplo da escrita Tartessiana.




Tesouro italiano em Como

19 02 2019

 

 

 

 

befunky_collage300 moedas de ouro encontradas dentro de ânfora na Itália (Foto: Mibac)

 

 

A internet tem dessas coisas.  Hoje eu procurava informações sobre uma cidade na Itália e de repente me vejo com essa notícia de um tesouro da época romana, encontrado no norte do país na cidade de Como, na Lombardia.  [Nota: esta é a mesma cidade que dá nome ao conhecido noturno, Le Lac de Come, Nocturno No.6, Op.24. publicado em 1871, da compositora Giselle Galos, de origem desconhecida [italiana ou francesa], que se assinava C. Galos.  Quem como a Peregrina já passou por anos de aprendizado de piano, deve certamente conhecer duas de suas composições, esta e Le chant du Berger (Noturno No.3, Op.17, publicado em 1861].

 

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Conhecimentos musicais à parte, é excitante sabermos que a construção de um complexo de apartamentos de luxo no lugar do conhecido Teatro Cressoni, na cidade de Como, que funcionou desde 1870 a 1997,  levaria à descoberta de 300 moedas de ouro do período final do império romano.

Escondidas em uma ânfora de pedra, usada para armazenar líquidos como vinho e azeite, as moedas podem ter sido colocadas em algum esconderijo de um muro de uma das residências privadas dos nobres romanos, construídas nesta região, para evitar saque.

 

moedas

 

 

Estudiosos suspeitam que as moedas, encontradas no nível do porão do prédio demolido, possam ter sido escondidas durante as invasões dos Vândalos, no século V, especificamente nos quarenta anos entre 410-455 E. C.  As moedas encontradas, em excelente condição de preservação, foram cunhadas nas eras dos imperadores Honório (393-423), Valentiniano III (424-455) e Líbio Severo (461-465).  A região da cidade onde foram encontradas era próxima à antiga cidade romana: Novum Comum. Arqueólogos, agora, estudam essas descobertas, feitas em setembro de 2018, em um laboratório em Milão.

 





Cuidado, quebra!

27 09 2018

 

 

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Um de muitos Vasos Retratos, ano I — 800 E.C.

Cerâmica

Cultura Mocha, Peru

Museu Larco, Lima

 

DSC02292Um de muitos Vasos Retratos, ano I — 800 E.C.

Cerâmica

Cultura Mocha, Peru

Museu Larco, Lima





Peça de xadrez do séc. XIII descoberta na Noruega

3 02 2018

 

 

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No final de 2017 cientistas noruegueses descobriram esta peça de xadrez, um peão, em Tønsberg, Noruega.  A peça feita em chifre provavelmente tinha uma parte de ferro por dentro para dar estabilidade.  A peça, além da decoração abstrata de círculos e linhas incisas, tem uma protuberância como um “nariz ou focinho”.  Quando comparada a outras peças do antigo jogo chamado shatranj [que deu origem à palavra xadrez] pode-se deduzir que seria um cavalo no xadrez moderno.

O jogo de xadrez foi adotado pelos árabes depois que conquistaram a Pérsia no século VII.  Daí foi introduzido na Espanha no século X pelos mouros.  Da Espanha o xadrez se espalhou rapidamente pela Europa e pode ter aparecido na Escandinávia logo depois de ser apreciado na Espanha.

O grupo de arqueólogos do Norwegian Institute for Cultural Heritage Research (NIKU) disse que mesmo rara, essa peça de xadrez com influência árabe na decoração, é semelhante a outra peça do século X encontrada em Lund na Suécia.

 

Fonte: Live Science





Tesouro da época das Cruzadas

4 01 2016

 

 

moedas cruzadas, israel, forteMoedas das Cruzadas encontradas no forte do Parque Apollonia, Israel.

Ano Novo, hora de limpar antigas notas e manter o computador completamente limpo, eis que me deparo com um número enorme de artigos de interesse que selecionei para o blog, mas que por falta de tempo, não postei… Resultado vamos nos lembrar de algumas notícias do passado, porque já que tenho as fotos e os dados é melhor passar adiante.

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Um pote de ouro, avaliado em quinhentos mil dólares, do tempo das Cruzadas foi encontrado em Israel enterrado em um forte romano. Aparentemente as moedas foram enterradas por soldados da ordem do Cavaleiros Hospitalários, uma ordem militar cristã criada no século XI, quando se encontraram sob um grande ataque de soldados muçulmanos. Os cavaleiros foram aniquilados em abril de 1265.

 

 

Israel Herzelia The remains of the old crusader fort of Apolonia AKA Arsuf Apollonia is an archaeological parkForte no Parque Nacional Apollonia, Israel.

 

As moedas valiam uma fortuna, mesmo em 1265, quando se acredita que tenham sido escondidas de propósito, dentro de um jarro quebrado para garantir que não seriam descobertas. O forte construído pelos romanos, hoje no Parque Nacional Apollonia, foi destruído em abril de 1265, pelas forças mamelucas. A ideia de enterrar o jarro quebrado, repleto de areia, com as moedas dentro,foi bem sucedida. O tesouro contém mais de 100 moedas de ouro da época das Cruzadas. O local havia sido conquistado pelos soldados cristãos em 1101 e tomado de volta pelo exército muçulmano em 1265.

 

Fonte: Daily News (Inglaterra)








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