Miçanga, poema de Wilson W. Rodrigues

12 04 2016

 

chuva,Tatsuro KiuchiChuva, ilustração de Tatsuro Kiuchi.

 

 

Miçanga

 

Wilson W. Rodrigues

 

Chuva — miçangas do céu

de um invisível colar

que na amplidão se partiu

veio na terra tombar.

 

Chuva — miçangas do céu

feita de pingos de luz;

cada pingo — estojo d’água

que um diamante conduz.

 

Chuva — miçangas do céu

do colar que se partiu;

miçanga — orvalho perdido

que no seu peito luziu.

 

Em: Bahia Flor – Poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: s/d, p. 127

 

 

Nota: Na publicação original a palavra miçangas encontra-se escrita com dois esses — missangas.  Ambas as formas: miçangas e missangas estão corretas.  No entanto, desde a publicação deste livro [acredito que tenha sido publicado nos anos 50 do século passado] convencionou-se que a forma missanga é a correta em Portugal enquanto que a forma miçanga é a correta no Brasil.  Assim, ao postar este poema troquei a grafia para corresponder à forma correta no Brasil.





Quadrinha do sol

31 05 2014

sol, dia de sol, primavera, dia lindo,Clotilde gosta de um dia de sol, ilustração Maurício de Sousa.

Estava chuvoso o dia,

e veio o sol de repente,

assim, como uma alegria

entrando na alma da gente.

(Augusta Campos)





Quadrinha da chuva fina

12 05 2014

chuva, taro sembaChuva, ilustração Taro Semba.

Chuva fina, eu te bendigo;

com teu jeito de tristeza,

és a alegria do trigo,

que põe fartura na mesa.

(Jaci Pacheco)





Chuva sobre a cidade, poema de Lêdo Ivo

23 12 2012

chuva um dia deUm dia de chuva, ilustração: ignoro a autoria.

A chuva sobre a cidade

Lêdo Ivo

Chove sobre a cidade

e a chuva inunda o asfalto, difunde o desastre e o desencontro

e procura abater as palmeiras que do fim da tarde

queriam apenas — graça plena — as estrelas.

Os trovões reboam, espantando os pássaros

que vieram refugiar-se no meu quarto.

Os relâmpagos, fotógrafos do absoluto, iluminam as pessoas que passam

— são outros rostos, minha irmã, são as faces

revoltadas porque as divindades impossibilitaram os idílios,

a chegada pontual a uma casa, o já adiado trespasse com o inefável.

As sarjetas recebem finalmente a Poesia. Como são belos

e nítidos os barcos de papel

que navegam buscando os reinos fantásticos, os inaccessíveis!

A chuva tem uma canção. Jamais uma elegia

para saudar sua gentileza. Jamais uma ode,

um himeneu, uma écloga deploratória.

Meu irmão, deixa que a goteira molhe tuas últimas

poesias. Pouco importa que amanhã te reconcilies com os grandes temas poéticos.

O amanhã é inconsumível. A chuva te ensina

a ser invariável sem se repetir.

Em: Central Poética: poemas escolhidos, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Aguilar:1976

Em homenagem ao poeta Lêdo Ivo, falecido hoje, aos 88 anos.





Parece mesmo que vem chuva — poesia de Sílvio Ribeiro de Castro

11 08 2010

Um dia de chuva em Lexington, KY, 1898

Paul Sawyier (EUA, 1865-1917)

Parece mesmo que vem chuva

                                            Sílvio Ribeiro de Castro

Banho morno na banheira

ensopado cozinhando na panela

alvoroço nas folhas da palmeira

vento sul entrou pela janela

antes do almoço, uma bagaceira

a tarde chegou num barco à vela

Parece mesmo que vem chuva

doce de banana com canela

na fruteira, um cacho de uvas

desenho inacabado numa tela

esquecido na cadeira, um par de luvas

sente saudades das mãos dela

—-

Bule de café na mesa, cesta de pão

um vaso de rosas amarelas

cachorrinho dormindo no chão

o livro de sonetos de Florbela

noite no meu quarto, solidão

um rosto de mulher numa aquarela

Em: Poesia Simplesmente, diversos autores, prefácio de Roberto Pontes, 1999.





Boa idéia, para monitorar o meio ambiente! Por que não tentar no Brasil?

30 06 2009

chuva, Copacabana, fotoLadyce West

 

Caso algum dos temporais ferozes que costumam caracterizar o mês de junho se desenvolva em tempestade mais grave e venha a resultar em ameaça mais séria de inundação, os moradores do Colorado contarão com um serviço de alerta antecipado acionado por uma ampla rede de 1,2 mil voluntários espalhados pelo Estado. Os participantes da rede permitiram que fossem instalados nos terrenos de suas casas uma série de medidores de chuva.

Uma rede de avaliação da chuva, chuva de granizo e neve que está em operação em 46 Estados norte-americanos sob a coordenação da Universidade Estadual do Colorado recebeu mais de 800 relatórios instantâneos sobre as precipitações acontecidas em um recente dia de chuva de junho.

A Rede Colaborativa Comunitária para a Chuva, Granizo e Neve, apesar de seu nome desajeitado, oferece aos pesquisadores do clima dados inestimáveis sobre a tendências climáticas práticas.

A rede distribuída por 46 Estados espera estender suas atividades a mais três do Estados norte-americanos este ano, elevando seu total de monitores voluntários dos padrões de precipitação a 14,5 mil pessoas em todo o país.

Quando os voluntários saem aos quintais de suas casas em meio a fortes temporais a fim de verificar o nível registrado nos medidores de chuva, quaisquer resultados definidos como perigosos que eles encontrem são encaminhados imediatamente aos escritórios do Serviço Nacional de Meteorologia nas áreas sob ameaça.

E boa parte desse esforço deriva do sentimento de culpa persistente que Nolan Doesken, um climatologista da Universidade Estadual do Colorado, continua a sentir devido a uma devastadora inundação acontecida em 1997 em Fort Collins, Colorado, a sede da universidade. Cinco pessoas morreram quando as ruas da cidade foram inesperadamente tomadas pela água de uma inundação.

Doesken afirmou que estava ciente de que as chuvas do dia eram pesadas no bairro em que vive, mas não entrou em contato com as autoridades para reportar o fato – e nenhum outro morador local o fez, tampouco.

 

Foto- 1

O Serviço Nacional de Meteorologia dispunha de imagens de radar que mostravam sérias concentrações de chuva ao longo do dia, mas não estimava que o temporal que desabaria sobre Fort Collins viesse a se provar pior do que as demais tempestades que estava acompanhando, afirma Doesken.

Caso houvesse um sistema de informação sobre a intensidade da chuva operando em tempo real na cidade, o Serviço Nacional de Meteorologia e as autoridades policiais poderiam ter lançado alertas mais urgentes quanto à ameaça de inundação. Agora, Doesken se preocupa menos, porque sabe que conta com uma rede de voluntários dedicados para cuidar desse tipo de situação.

Quando as pessoas sabem que podem realizar uma tarefa simples, sem que precisem sair de casa, e com isso ajudar suas comunidades e a ciência, muita gente se interessa por participar“, afirmou o pesquisador.

Eu gostaria que tivéssemos um número maior de voluntários prontos a reportar sobre a região de Denver a cada manhã“, ele disse. “Caso tivéssemos um voluntário a cada dois quarteirões, o número não seria excessivo“.

Portal Terra





Evitando acidentes X

23 12 2008

dsc05549

Empurrar o amigo na fila, nem pensar.

Será que não dá para esperar?








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