O enterro da cigarra, poesia de Olegário Mariano

25 02 2019

 

 

 

cigarra e formigaIlustração de Milo Winter para as Fábulas de Esopo, 1919.

 

 

O enterro da cigarra

 

Olegário Mariano

 

As formigas levavam-na… Chovia…

Era o fim… Triste outono fumarento!..

Perto, uma fonte, em suave movimento,

cantigas de água trêmula carpia.

 

Quando eu a conheci, ela trazia

na voz um triste e doloroso acento.

Era a cigarra de maior talento,

mais cantadeira desta freguesia.

 

Passa o cortejo entre árvores amigas…

Que tristeza nas folhas… Que tristeza!

Que alegria nos olhos das formigas!…

 

Pobre cigarra! Quando te levavam,

enquanto te chorava a Natureza,

tuas irmãs e tua mãe cantavam. . .





Natureza maravilhosa: Cigarra Equatoriana

27 09 2015

 

ecuadorian-cicada_1427708368

Cigarra equatoriana ou Zammara smaragdina é uma espécie de cigarras grandes de cor azul-esverdeada brilhante.  Como outras cigarras elas produzem um som bem alto e vivem nas florestas tropicais  zona do Equador.





Quadrinha da cigarra

29 12 2012

musicosPateta e Mickey tornam-se músicos, ilustração Walt Disney.

Quantos contrastes abriga
minha existência bizarra:
obrigado a ser formiga,
eu que nasci pra cigarra.

(Assumpção Botti)





Paisagem do sertão, de Luis Delfino, poesia infantil

29 07 2008
Cena de interior, 1891; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

Cena de interior, 1981; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

 

 

PAISAGEM DO SERTÃO

 

Pelo sapê furado da palhoça

Milhões de astros agarram-se luzindo;

O pai há muito madrugou na roça.

A mãe prepara o almoço.  O dia é lindo.

 

Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa

O fumo dos tições; anda zunindo

À porta um marimbondo e fazem troça

As crianças com um ramo o perseguindo.

 

Correm, chilram, vozeiam, tropeçando

Num velho pote; a mãe zangada ralha,

A avó lhes lança um olhar inquieta e brando.

 

No chão, um galo ajunta o milho e espalha,

Enquanto a um canto, as plumas arrufando,

Põe a galinha no jacá de palha.

 

Luís Delfino

 

 

Do livro: Vamos estudar, de Theobaldo Miranda Santos, 3ª série; Agir: 1952, Rio de Janeiro.

 

 

Luís Delfino dos Santos (SC 1834 – RJ 1910)—Formado em medicina, tornou-se político e poeta brasileiro, foi Senador por Santa Catarina.  Prolífico poeta, escreveu mais de 5000 poemas.  Publicou-os em jornais e revistas da época.  Sua obra, em livros, foi toda publicada postumamente.

 

 








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