Sobre livros: Erri de Luca

10 07 2017

 

 

Matisse,still-life-with-books-and-candle-1890Natureza morta com livros, 1890

Henri Matisse (França, 1869 – 1954)

óleo sobre tela, 45 x 38 cm

Coleção Particular

 

 

“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.

Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.

 





Sobre árvores: Erri de Luca

20 06 2017

 

 

vangoghcypresses1889Ciprestes, 1889

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 93 x 74 cm

Metropolitan Museum, N.Y.

 

 

” Vou pelo campo com uma nova muda de macieira para plantar.

Deposito-a no chão, viro-a, olho seus ramos mal esboçados tentarem lugar no espaço em torno.

Uma árvore precisa de duas coisas: sustança sob a terra e beleza fora. São criaturas completas mas impulsionadas por uma força de elegância. Beleza necessária a elas é vento, luz, pássaros, grilos, formigas e uma meta de estrelas em direção às quais apontar a fórmula dos ramos.

A máquina que nas árvores impulsiona linfa para cima é beleza, porque só a beleza na natureza contradiz a gravidade.

Sem beleza a árvore não quer. Por isso para num ponto do campo e pergunto: “Aqui, quer?”

Não espero uma resposta, um sinal no punho em que seguro seu tronco, mas gosto de dizer uma palavra à árvore. Ela sente as bordas, os horizontes e procura um lugar exato para se erguer.

Uma árvore escuta cometas, planetas, nuvens e enxames. Sente as tempestades do sol e as cigarras sobre ela com a mesma urgência de velar. Uma árvore é aliança entre o próximo e o perfeito longínquo.

Se vem de um viveiro e tem de enraizar-se em solo desconhecido, fica confusa como uma jovem camponês no primeiro dia de fábrica. Assim levo-a a um passeio antes de escavar-lhe o lugar.”

 

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Berlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 26.





Palavras para lembrar — Jean-Baptiste Say

19 06 2017

 

 

Gerard_Terborch_-_A_Lady_Reading_a_LetterSenhora lendo carta, 1662

Gerard Terborch ou ter Borch (Holanda, 1617 – 1681)

óleo sobre tela, 45 x 33 cm

Wallace Collection, Londres

 

 

“Entre um pensador e um erudito existe a mesma diferença que entre um livro e seu sumário.”

 

 

Jean-Baptiste Say

 

 

 

 





Minutos de sabedoria — Norberto Morais

16 06 2017

 

 

Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)Leitura, 1906, ospapelão35 x 26 cmLeitura, 1906

Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)

óleo sobre papelão, 35 x 26 cm

 

 

“Não há linha capaz de remendar um sonho roto.”

 

 

 

 

915678Norberto Morais




Palavras para lembrar — Robert Sabatier

17 05 2017

 

 

Dominique-Guillemard (França 1949- 2010)Na praia, ostNa praia

Dominique Guillemard (França, 1949-2010)

óleo sobre tela

 

 

“Um best-seller em geral é um não tão bom livro cuja venda permite ao editor outros livros que não são tão maus assim mas que não são vendáveis.”

 

Robert Sabatier

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Livros como amigos: Nina George

11 05 2017

 

 

Karel Simunek (Republica Checa. 1869-1942) bookplateLeitura, Karel Simunek (República Checa. 1869-1942) — Selo de livro

 

“Este era o único aspecto trágico dos livros: eles mudavam as pessoas. Mas não as realmente más. Essas não se tornavam pais melhores, maridos melhores, amigos melhores. Continuavam sendo tiranos, torturavam seus funcionários, filhos e cães, eram odiosos nas pequenas coisas e covardes nas grandes, e se rejubilavam com o constrangimento das vítimas.

— Os livros eram meus amigos — disse Catherine … — Acho que aprendi todos os meus sentimentos com os livros. Neles amei mais, sorri mais e aprendi mais do que em toda a minha vida sem leitura.”

 

Em: A livraria mágica de Paris, Nina George, Rio de Janeiro, Record: 2016, tradução de Petê Rissatti, página 63.





O clube de leitura de M. Perdu, Nina George

8 05 2017

 

 

Women in a Cafe 1924 oil painting by Pietro Marussig,Mulheres num café, 1924

Pietro Marussig (Itália, 1879 – 1937)

Óleo sobre  tela

Museo del Novecento. Milão

 

 

“Perdu havia organizado um clube de leitura para Madame Bomme e as viúvas da rue Montagnard, que quase nunca recebiam a visita de filhos e netos e já definhavam diante da televisão. Elas amavam livros, mas, além disso, a literatura era uma desculpa para a saírem de casa e se dedicarem à degustação de licores adocicados.

A maioria das senhoras escolhia obras eróticas. Perdu lhes entregava os livros disfarçados com sobrecapas de títulos mais discretos: Flora dos alpes, para A vida sexual de Catherine M., padrões de tricô provençal para O amante, de Duras, receitas de geleia de York para Delta de Vênus de Anaïs Nin. As degustadoras de licores eram gratas pelo disfarce — no fim das contas, as viúvas conheciam seus parentes, que viam a leitura como um hobby excêntrico de pessoas esnobes demais para ver televisão, e a literatura erótica como algo bizarro para senhoras com mais de sessenta.

No entanto, nenhum andador bloqueou seu caminho.”

 

Em: A livraria mágica de Paris, Nina George, Rio de Janeiro, Record: 2016, tradução de Petê Rissatti, página 45.








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