Palavras para lembrar: Henri Bergson

9 11 2017

 

 

dufaux, the younger, auguste-fredericLeitora

Frédéric Dufaux (Suíça, 1852-1943)

óleo sobre tela, 32 x 24 cm

 

 

“A arte do escritor consiste principalmente de nos fazer esquecer que ele emprega palavras.”

 

Henri Bergson

 

 





Sobre solos: Erri de luca

7 10 2017

 

 

sir_george_clausen_ra_rws_planting_a_tree_d5396451gPlantando uma árvore

Sir George Clausen, R.A., R.S.W. (GB, 1852-1944)

óleo sobre tela, 35 x 29 cm

 

 

“Há duas espécies de terra… Uma tem água embaixo, faz-se um buraco e aflora. É terra fácil.

A outra depende do céu. tem só aquela fonte. É magra, ladra, capaz de roubar água ao vento e à noite, e assim que consegue um pouco gasta-a logo toda em cores retidas no miolo das pedras e põe força de açúcares nos frutos e atira perfume de descarada.  É terra de céu seco, prefiro-a.”

 

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 35.





Sobre a beleza, texto de Adriana Lisboa

27 08 2017

 

 

Adilson SantosMenina lendo, 2010

Adilson Santos (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 43 x 31 cm

 

 

“…A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável em academias de ginástica e mesas de cirurgiões plásticos, não é um bem comprável em lojas de móveis caros, não é uma senha guardada por esteticistas, decoradores, estilistas. É a minúscula e poderosa alegria de um gesto. Um toco de lápis, uma pequenina cicatriz na pele, o sol sobre a calçada rachada diante da papelaria, à tarde. Os vinte, trinta, cinquenta arco-íris de um pequeno prisma de vidro. A cunhatã de um poema de Manuel Bandeira, escurinha, quatro anos de idade, para quem o ventilador era coisa que roda e que quando se machucava dizia: Ai, Zizus!”

 

Em: Um beijo de Colombina, Adriana Lisboa, Rio de Janeiro, Rocco:2003, p.53





Palavras para lembrar: Montaigne

25 08 2017

 

 

F. Reshetnikov portrait of his wife Lidiya Brodskaya

Retrato de Lidiya Brodskaya, esposa do pintor, 1948

Fyodor Pavlovich Reshetnikov (Rússia, 1906-1988)

óleo sobre tela

 

 

“Gostar de ler é trocar horas de tédio por outras deliciosas”

 

Montaigne





O papel do comércio, Francis Bacon

29 07 2017

 

 

Doceria Anton_Pieck_BakkerijDoceria, ilustração de Anton Pieck.

 

 

“Os comerciantes são a veia porta do corpo da nação. Quando não ocorre florescimento comercial, embora o corpo tenha membros fortes, o sistema circulatório carecerá de sangue e o corpo como um todo apresentará pouca resistência: haverá subnutrição. Impor taxas e tributos sobre essa classe raramente produz  proveitosos do ponto de vista da realeza porque aquilo que o rei pode ganhar sobre uma centena de indivíduos perde no país inteiro que empobrece, porque a massa dos impostos só é possível de crescer proporcionalmente à massa de fundos empregados no comércio.”

 

Em: Da soberania e Da arte de comandar, Francis Bacon, Ensaios, tradução Edson Bini, São Paulo, Edipro: 2015, 2ª edição, p.73





Palavras para lembrar — Abraham Lincoln

23 07 2017

 

 

Daniela Astone (Itália, 1980) Forma e luz, 2013, ost,

Forma e luz, 2013

Daniela Astone (Itália, 1980)

óleo sobre tela

 

 

“Meu melhor amigo é aquele que me dá um livro que eu ainda não li.”

 

Abraham Lincoln

 

 





Sobre livros: Erri de Luca

10 07 2017

 

 

Matisse,still-life-with-books-and-candle-1890Natureza morta com livros, 1890

Henri Matisse (França, 1869 – 1954)

óleo sobre tela, 45 x 38 cm

Coleção Particular

 

 

“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.

Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.

 








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