Voar, texto de Juan Gabriel Vásquez

14 05 2018

 

 

avião sobre o mar, ilustração Lucille HollingIlustração de Lucille Holling

 

 

“E você nem imagina, Elena Fritts, você nem imagina o que é decolar à noite, a adrenalina que é decolar à noite entre as cordilheiras, com o rio embaixo feito uma lâmina de alumínio, um jorro de prata fundida, o rio Magdalena nas noites de lua é a coisa mais impressionante de se ver. E você não sabe o que é ver lá de cima e seguir o rio, sair para o mar, para o espaço infinito do mar, quando ainda não amanheceu, e ver o amanhecer no mar, o horizonte que se acende como se fosse de fogo, a luz que deixa a gente cego de tão clara que é.”

 


Em: O ruído das coisas ao cair, de Juan Gabriel Vásquez, Rio de Janeiro, editora Alfaguara: 2013. página 177





Entre História e Romance, texto de Bernhard Schlink

11 05 2018

 

 

 

Allan Österlind. (1855 - 1938)The women at the windows,Duas mulheres à janela

Allan Osterlind (Suécia, 1855 – 1938)

óleo sobre tela

 

 

 

“Não leio romances, apenas livros de história. O que aconteceu de verdade é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Quando nos informamos sobre a história, aprendemos sobre a realidade, não fantasias engenhosas, com frequência, tolas.  E quem acha que romances são mais coloridos que a história não usa sua fantasia imaginando como foram, por exemplo, César que amava Brutus como a um filho e foi apunhalado por ele; ou os astecas, que foram dizimados pelas doenças dos brancos antes mesmo de lutarem contra eles; as mulheres e crianças que foram pisoteadas na neve ou empurradas nas águas geladas, atravessando o rio Beresina, seguindo o exército de Napoleão. Tragédias e comédias, sorte e azar, amor e ódio, alegria e sofrimento — a história oferece tudo isso. Romances não conseguem nos oferecer nada mais.”

 

 

Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, pg 36.





“A Inglaterra dos imigrantes”, texto de Hanif Kureishi

9 04 2018

 

 

767px-The_Secret_of_England's_Greatness'_(Queen_Victoria_presenting_a_Bible_in_the_Audience_Chamber_at_Windsor)_by_Thomas_Jones_BarkerO segredo da grandeza da Inglaterra, 1863

[Rainha Vitória presenteando uma Bíblia na Câmara de Audiência, no Castelo Windsor]

Thomas Jones Barker (GB, ? — 1882)

óleo sobre tela

National Portrait Gallery, Londres

 

 

 

“Por fim, Mamoon abriu os olhos para dizer: “Vivemos num país que só tem passado e nenhum futuro. SE sou conservador é porque desejo conservar o que considero o caráter desse passado, da Inglaterra, e do povo inglês. Sou imigrante, mas a Inglaterra é meu lar. Passei mais tempo neste deserto de macacos, nesta democracia de asnos, do que em qualquer outro lugar. Também tenho acompanhado sua comédia e sua tragédia com muito interesse. Quando eu era criança a Grã-Bretanha era o país mais poderoso do planeta, seus representantes eram temidos e admirados. Adoro o ceticismo que ele desenvolveu nos anos 60, a maneira como as figuras políticas, longe de serem idealizadas, como são muitas vezes em outros países, são avacalhadas e ridicularizadas sem medo.

“Porem agora, ao que parece, nós, escritores e artistas não temos permissão para ofender. Não devemos questionar, criticar ou insultar os outros, com medo de sermos perseguidos e assassinados. Hoje em dia, um escritor sem guarda-costas dificilmente pode ser considerado um escritor sério. Uma resenha ruim é o menor de nossos problemas. Qualquer idiota que acredite em qualquer insanidade deve ser tratado com complacência, porque é seu direito humano. O direito de falar é sempre usurpado, sempre condicional. Temo que o jogo esteja quase encerrado para a verdade. As pessoas não a desejam; não as ajuda a ficarem ricas.”

 

 

Em: A última palavra, Hanif Kureishi, São Paulo, Cia das Letras:2016, p. 117

 

 





Palavras para lembrar — Victor Hugo

30 03 2018

 

 

Francois Fressinier (França, 1968) LeituraLeitura

François Fressinier (França,1968)

 

 

“Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come.”

 

Victor Hugo

 





Carnaval por Carlos Drummond de Andrade

13 02 2018

 

 

 

Rosina Becker do Valle,Carnaval,ost,1956, 63 x 96 cmCarnaval, 1956

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela, 63 x 96 cm

 

 

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho.”

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

drummond.cdaCarlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)




Carnaval por Vinícius de Moraes

12 02 2018

 

 

 

Mario Gruber, fantasiado- 2001, ast, 55x55Fantasiado,  2001

Mário Gruber (Brasil, 1927 – 2011)

acrílica sobre tela, 55 x 55 cm

 

 

“O carnaval. A festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas.”

 

 

Vinícius de Moraes

 

 

vinicius-de-moraesVinícius de Moraes (1913 -1980)

 

 





Carnaval por Graciliano Ramos

11 02 2018

 

 

EDESIO ESTEVES (1916-). Bloco de Carnaval, óleo s tela, 60 X 73Bloco de Carnaval

Edésio Esteves (Brasil, 1916)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

 

 

“Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano.”

 

Graciliano Ramos

 

graciramosGraciliano Ramos (1892-1953)







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