No Maranhão: Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis

17 03 2011

Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis, ilustração de reconstrução.

 Cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro, (UFRJ), anunciaram ontem,  [16/03], no lançamento da publicação Anais da Academia Brasileira de Ciências, a descoberta de um dinossauro gigante, a que se deu o nome de Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis.  Este é o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil. Viveu no nordeste brasileiro, mais especificamente, no Ilha de Cajual (MA), onde foi encontrado.

O Oxalaia quilombensis  — cujo nome homenageia Oxalá,  divindade masculina mais respeitada na religião africana e  também os quilombos, povoações que construídas por escravos fugidos que existiam na ilha — media de 12 a 14 metros de comprimento, pesava entre 5 e 7 toneladas e viveu há cerca de 95 milhões de anos.  

Essa descoberta foi a estrela da apresentação, onde os pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostraram que ao encontrarem os vestígios do pré-maxilar, com sete dentes, e da narina do dinossauro, constataram que o réptil tinha mais semelhanças com outros dinossauros encontrados na costa da África do que com os descobertos até hoje em terras brasileiras, tais como os répteis da Bacia do Araripe.  Verificaram também que o Oxalaia quilombensis, quando comparado a dinossauros da mesma espécie, mas encontrados na costa africana, tem dimensões significativamente maiores do que seus pares da África.   A familiaridade entre esse dinossauro e os encontrados na África nos lembra que há 115 milhões de anos as terras da América do Sul e da África ainda eram unidas, permitindo a livre migração de um lado ao outro de fauna e de flora (atrvés de sementes), pois o Oceano Atlântico ainda não separava os dois modernos continentes. 

Uma das características dos Espinossaurídeos são dentes mais finos e mais fracos  do que os encontrados em outros dinossauros carnívoros.  Essas características levou cientistas a pensarem, por muito tempo, que esses dinossauros se alimentassem de peixes.   Mas há pouco tempo foi descoberta uma mordida de um Espinossaurídeo na vértebra do pescoço de um pterossauro.  Isso mudou tudo e hoje então sabemos que eles tinham uma dieta mais variada, pois podia se alimentar de répteis.   Os Espinossaurídeos reinavam absolutos como maiores carnívoros do país.  Fora eles, não há qualquer outra espécie que ostente mais de 8 metros de comprimento no Brasil.

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A pesquisadora Elaine Machado mostra as partes achadas e o desenho de reconstrução.

O Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis tinha espinhos neurais muito alongados que formavam a vela – uma estrutura nas costas como um leque.  Seu crânio lembrava o dos crocodilos porque também era longo. 

Fonte: O GLOBO, versão impressa.





Réplica do maior dinossauro carnívoro do país em exposição!

16 05 2009
,Angaturama limai. [Réplica], Foto: Fábio Motta/AE

Réplica, Angaturama limai. Fot0, Fábio Motta/AE

 

O Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inaugura na sexta-feira, 15, a exposição permanente Dinossauros no Sertão, com réplicas e fósseis originais encontrados na região do Araripe, no Ceará. O destaque é a maior reconstrução de um dinossauro carnívoro já montado no País: o Angaturama limai. A réplica tem cerca de seis metros de comprimento e foi montada a partir da pélvis e fragmentos ósseos das mãos, fêmur e vértebras. O dinossauro viveu há cerca de 110 milhões de anos, no período Cretáceo Superior, pesava cerca de meia tonelada e se alimentava principalmente de peixes e animais marinhos.

 

Descrevi o Angaturama pela primeira vez na década de 80, a partir de um crânio, mas não havia fragmentos suficientes para montarmos uma réplica”, explicou o paleontólogo Alexander Kellner, curador da exposição. Ele orienta a dissertação da mestranda da UFRJ Elaine Machado, que descreverá os fósseis que estão expostos.  

Segundo Kellner, a ideia da exposição é mostrar dois ecossistemas que existiram em períodos diferentes, numa mesma região. A Chapada do Araripe é um planalto de 160 quilômetros de extensão entre Ceará, Pernambuco e Piauí.

 

Angarutama limai ( Theropoda), Chapada do Araripe, CE.

Angarutama limai ( Theropoda), Chapada do Araripe, CE.

 

Um dos ecossistemas reconstituídos é o de um grande lago de água doce, que teria existido há 115 milhões de anos. Dessa época, estão expostos fósseis de insetos, escorpiões, plantas, pererecas e a réplica do pterossauro Tupandactylus imperator.

 

O outro cenário, onde está montado o Angaturama, retrata o período de 110 milhões de anos, quando havia uma laguna de água salgada na região. “Quisemos retratar um pouco das mudanças que ocorrem na Terra. Nessa época a América do Sul estava se afastando da África e o mar invadiu o continente”, explica Kellner. Nos dias de hoje o Araripe, que é um dos maiores sítios fossilíferos do País, é uma região de sertão. A mostra tem patrocínio da Faperj e do CNPQ.

 

A reconstrução do Angaturama limai representa um grande avanço no estudo desse grupo de dinossauros, os chamados Espinossaurídeos, que viveram há 110 milhões de anos, durante o Cretáceo, e que se caracterizam pelo focinho comprido, uma vela nas costas e uma dentição particular semelhante a dos crocodilos atuais. A réplica, em tamanho real, foi feita a partir de restos fósseis do crânio, perna, coluna cervical, mãos e, principalmente, da pélvis, que impressiona pelo ótimo estado de conservação. Todo esse material também faz parte da mostra.

 

Angarutama

Angarutama

 

O Museu Nacional/UFRJ é pioneiro no país na reconstituição de dinossauros. Foi lá que, em 1999, paleontólogos apresentaram a primeira réplica de um esqueleto de dinossauro, o Staurikosaurus pricei, que viveu há 225 milhões de anos. De lá pra cá, o público que visita o Paço de São Cristóvão, na zona norte do Rio, já pôde observar a ossada de um Santanaraptor (2000) e, em 2006, se impressionou com o gigante brasileiro Maxakalisaurus topai, de 13 metros de comprimento.

 

Serviço: Exposição: “Dinossauros no Sertão”

Aberta ao público a partir do dia 15 de maio

Horário: de terça a domingo, das 10 às 16h.

Entrada: R$ 3,00. Grátis para crianças até 5 anos e pessoas acima de 60. Crianças entre 06 e 10 anos pagam 01 real.

Local: Museu Nacional – Quinta da Boa Vista, s/n, São Cristóvão.

Tel. (21) 2562-6042

 

TEXTO: Fabiana Cimieri

FONTE: O Estado de São Paulo





Dinossauros ancestrais de aves eram pais exemplares

19 12 2008

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Quem diria que os dinossauros, até mesmo os carnívoros, seriam aqueles pais maravilhosos, chocando os ovos que as fêmeas puseram?  Mas é isso exatamente o que está aos poucos sendo considerado verdadeiro principalmente depois da publicação dia 18  do artigo de Erik Stokstad, na ScienceNOW Daily News em que David Varricchio, paleontologista da Universidade de Montana, explica que estudando dinossauros ancestrais das nossas aves atuais, chegou-se a conclusão de que algumas espécies de dinossauros carnívoros machos teriam sido pais exemplares, incubando e protegendo sozinhos os ovos de várias fêmeas.  

 

Os fósseis dos dinossauros estudados foram encontrados sobre uma quantidade incomum de ovos, explica David Varricchio.  É provavel que os machos tenham fecundado várias fêmeas ao mesmo tempo, e essas tenham depositado os ovos em um mesmo grande ninho, acrescentou, sugerindo que quando as fêmeas partiam, os machos incubavam e protegiam os ovos.

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Oviraptor Philocerataps

Os cientistas discutem há tempos o sistema que prevaleceu em torno do cuidado dos ovos – se eram os machos sozinhos, ou machos e fêmeas juntos“, afirmou, explicando que “esses novos trabalhos indicam que o sistema com os machos incubando e protegendo sozinhos os ovos e sua prole é o primeiro entre os dinossauros mais próximos dos ancestrais das aves“.

 

Os cientistas analisaram o tamanho dos ninhos e as estruturas internas dos ossos fossilizados dos dinossauros Troodon, Oviraptor e Citipati.  Estudos anteriores haviam mostrado que os dinossauros compartilham várias características de seus sistemas reprodutivos com as aves atuais, como os ovos assimétricos e suas cascas quase idênticas.

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Troodon formosus

 

Características:

 

Troodon formosus

 

Nome: Dente cortante

Comprimento: 3 metros

Peso:  50 kilos

Época: Cretáceo Tardio     

Onde foi encontrado:  Montana, USA; Alberta, Canada    

 

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Name: Ladrão de ovos

Comprimento: 2,5 m

Peso: 30 kilos

Época: Cretáceo Tardio 

Onde foi encontrado:  Mongólia, China    

 





Âmbar, insetos e algas no Cretáceo

28 11 2008

 

 

Foi no início deste ano que cientistas franceses conseguiram identificar mais de 350 fósseis de minúsculos animais que viveram nos tempos dos dinossauros, utilizando uma técnica que permitiu observar com detalhes, pela primeira vez, pedaços de âmbar completamente opacos.

 

O âmbar como se sabe é uma resina fóssil das árvores (principalmente pinheiros).  Esta resina tem a função de proteção à planta.  É uma espécie de arma contra a ação de  microorganismos e insetos predatórios ao seu ciclo de vida.  A produção da resina acontece por qualquer lesão, mesmo um simples ataque de insetos é suficiente para sua formação. A resina protege a árvore atuando como cicatrizante.  Tem propriedades anti-sépticas que também ambar2407protegem a árvore de doenças. O âmbar é a resina fóssil de árvores que viveram há milhões de anos em regiões de clima temperado. E que com o tempo transformaram-se  nesta massa, frequentemente denominada de pedra semi-preciosa, porque é usado como uma pedra preciosa, para fazer jóias ou objetos ornamentais, por exemplo, mas não é um mineral. 

Como insetos, de modo geral, são indicadores precisos de variações climáticas e ambientais, grande atenção tem sido dada ao estudo de insetos no período Cretáceo para melhor entendermos a ecologia da era.  O Cretácio foi o período muito importante para a evolução das plantas que dão flores.  Foi nesta época que elas cresceram e se multiplicaram muito.  E aí também que elas passam a depender de insetos polinizadores: abelhas, vespas, borboletas, mariposas e moscas.   Na verdade, 2/3 de todas as plantas que dão flores dependem de insetos para sua polinização.  Vale lembrar que insetos formam o grupo de animais mais numeroso da Terra. 

A análise de dois quilos de material retirado da região de Charentes, no cretaceous-insectsudoeste da França, revelou a presença de insetos, ácaros, aranhas e crustáceos que viveram há cerca de 100 milhões de anos, no período Cretáceo, que vem depois do período Jurássico da era Mesozóica e conhecido como o fim da “Era dos Dinossauros“.  Os primeiros fósseis de grande parte de pássaros, insetos e mamíferos são encontrados no Cretáceo.  Pequenos animais, minúsculos como eram estes encontrados na França, foram as grandes vítimas do âmbar, porque uma vez presos na resina, não teriam forças para se libertarem daquela consistência pegajosa.  Insetos maiores também era capturados mas acredita-se que pudessem sair da pasta melosa da resina com mais facilidade.

A pesquisa na França envolveu cientistas do Museu de História Natural de Paris e da Instalação Européia de Radiação por Síncrotron (ESRF, sigla em inglês) e foi feita por raios-X intensos: a única maneira pela qual se pode visualizar e estudar insetos tão pequeninos no âmbar.  Considerada uma pesquisa particularmente importante, os achados parecem dar apoio a uma  nova teoria sobre a causa da extinção dos dinossauros.  Uma teoria que sugere que os insetos possam ter tido um papel importante na extinção dos grandes répteis pré-históricos.

 

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Inseto Cretáceo, Austrália

 

Inicialmente, essa mudança teria dificultado a vida dos dinossauros vegetarianos e posteriormente, dos seus predadores.  Os vegetarianos morrendo, seus predadores teriam o mesmo fim por fome.

 

George e Roberta Poinar, sugerem que os dinossauros não foram extintos de maneira abrupta, mas que o seu fim foi gradual e teria levado milhões de anos.  Não estamos dizendo que os insetos tenham sido a única causa da extinção dos dinossauros; acreditamos, no entanto, que eles tenham tido papel importante, explica George Poinar.

 

 Fazendo uma reconstrução do ambiente hostil pré-histórico habitado por enxames de insetos encontrados na resina fossilizada do período Cretáceo em depósitos no Líbano, Canadá e Mianmar estes cientistas encontraram vermes intestinais e protozoários em excrementos fossilizados de dinossauros.  Análises mostraram então como insetos infectados com doenças como a malária, (Leishmania ) e outros parasitas intestinais poderiam ter provocado uma devastação lenta dos dinossauros.   Além disso, os insetos poderiam ter destruído a vegetação em geral, espalhando doenças na flora.

 

Em julho deste ano, cientistas do Instituto Geológico e de Mineração  da Espanha descobriram um depósito de âmbar contendo insetos do período Cretáceo, até agora desconhecidos e em “excelente” estado de conservação.  Estes exemplos foram coletados  nos arredores da caverna de El Soplao, na região da cidade de Rábago na Espanha.   

 

Os insetos foram aprisionados no âmbar há 110 milhões de anos, quando a região espanhola de Cantábria, no norte do país, estava inundada pelo mar e era repleta de lagoas cercadas por florestas de pinheiros.  Estas coníferas produziram a resina que ios capturou.  Descrita como uma das reservas de âmbar mais importantes da Europa, ou talvez do mundo os  responsáveis pelo achado – María Najarro, Enrique Peñalver e Idoia Rosales, explicaram que o local reúne um acúmulo “excepcional” de massas de âmbar.

 

 Além de pequenas vespas, moscas, aranhas, baratas e mosquitos, o âmbar de El Soplao preserva ainda uma teia de aranha diferente da encontrada em outra peça de âmbar, descoberta em Teruel e que atraiu grande interesse científico.  

 

Tudo indicava este ano já teríamos tido todas as mais interessantes novidades sobre

Libelula, Cretáceo Inferior, Brasil

Libelula, Cretáceo Inferior, Brasil

o Cretáceo com os estudos mencionados acima tanto na França quanto na Espanha.  Deixa que este mês mais uma descoberta, do Cretáceo e de seus pequeníssimos animais presos no âmbar fossilizado, foi revelada de novo na França em Charente.  Uma descoberta que puxa para trás por 20 milhões de anos o período em que um organismo, uma alga formada por uma única célula, aparece no planeta.   Os cientistas estão surpresos de terem encontrado, presa no âmbar estes micro organismos marinhos.   Como que eles foram parar lá, no meio das árvores?  

 

 

 

 De acordo com uma publicação do Proceedings of the National Academy of Sciences, nos EUA, este achado indicaria, de acordo com um os autores do artigo, Jean-Paul Saint Martin, um cientista do Museu de História Natural de Paris,  não só que esta floresta deveria estar muito próxima do oceano, assim como fortes ventos ou por enchentes durante uma tempestade, deveriam ter levado estes microscópicos seres para terra firme.

 

Este artigo foi parcialmente baseado na revista COSMOS.





Dinossauros reconheciam companheiros pela voz

31 10 2008
Lambeossauro, foto The New York Times

Lambeossauro, foto The New York Times

 

Os lambeossauros – dinossauros com bicos semelhantes aos dos patos viveram entre 85 milhões e 65 milhões de anos atrás, no que chamamos de Período Cretáceo, tardio.  Conhecidos por terem uma crista, feita de ossos, e às vezes bastante complexas, bem em cima de suas cabeças como se fossem coroas, estes dinossauros sempre atraíram a curiosidade dos estudiosos, que já imaginaram todo tipo de função para tal apêndice.    A imaginação de paleontólogos parecia não ter limites quando ainda considerava que nestas cristas  haviam longas e tortuosas passagens nasais.  Inicialmente pensou-se que fizessem parte de um sistema de refrigeração do cérebro.  Ou talvez uma maneira dos dinossauros respirarem debaixo d’água.  Talvez eles tivessem a capacidade de melhorar o faro desses animais?  

 

Recentemente, no entanto, exames de tomografia computadorizada das passagens nasais desses dinossauros sugerem que os dinossauros tinham a capacidade de reconhecer indivíduos da espécie com base apenas em suas vozes.   Cientistas de três universidades canadenses e norte-americanas criaram reconstruções digitais dos fósseis de cérebros e das cavidades das cristas de quatro espécies diferentes de lamebossaurídeos.   Chegaram à conclusão de que estas cristas ósseas  faziam com que os dinossauros pudessem reconhecer outros dinossauros de sua espécie com base apenas em suas vozes.  As vozes desses animais provavelmente mudavam à medida que eles envelheciam, assim como mudavam os tamanhos de suas cristas.

 

O estudo revelou que uma porção, em forma de tubo, no ouvido interno dos dinossauros, a que se dá o nome de cóclea, era sensível o suficiente para detectar os sons em freqüências graves que as cristas produziam.  E como as cristas cresciam com a idade, as cócleas tomavam formas diferentes, mudando muito entre cada indivíduos. 

Isto indica que as cavidades nasais podem ter sido tão únicas quanto as impressões digitais humanas.

 

“Os jovens têm apenas o começo de uma crista e passagens de ar ligeiramente expandidas”, disse Lawrence Witner, paleontologista da Universidade do Ohio que participou do estudo. “À medida que envelhecem, começam a desenvolver passagens de ar muito mais tortuosas e cristas mais altas”.

 

Como resultado, os lambeossaurídeos podem ter tido maneiras únicas de se identificarem a ponto de permitir que seus chamados fossem distinguidos por outros animais.

 

Mais informações, aqui.








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