Minhas melhores leituras em 2015

30 12 2015

 

 

153.1LLeitora, por Jule Monti, cópia de Harrison Fisher.

 

Este foi um ano de muitos altos e baixos nas minhas leituras. Nos primeiros seis meses do ano, gostei muito pouco do que li. Depois veio uma onda de bons livros.  O final foi positivo mais até do que em outros anos.

Aqui vai a minha listinha, do que recomendo lido neste ano. Tenho um gosto bem eclético para assuntos, mas gosto de uma boa história, bem contada.

 

Os melhores:

 

Nora Webster de Colm Tóibín

Tirza de Arnon Grunberg

Stoner de John Williams

Na praia de Ian McEwan

Norwegian Wood, de Haruki Murakami

Meio sol amarelo de Chimamanda Ngozi Adichie

O sentido de um fim de Julian Barnes

Nadando de volta para casa de Deborah Levy

A linha da beleza, Allan Hollinghurst

 

Menção Honrosa para:

 

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Toda luz que não podemos ver de Anthony Doerr

O leitor do trem das 6h27 de Jean-Paul Didierlaurent

Estação Atocha de Ben Lerner

O corpo humano, de Paolo Giordano

 

 





A prateleira dos especiais

17 02 2015

 

Paul Herman (EUA, 1962) Bookshelf III, Books with Bronze Torso, Oil painting on panel 21 x 25 cmPrateleira III, Livros com torso de bronze

Paul Herman (EUA, 1962)

óleo sobre placa, 21 x 25 cm

www.hermanstudios.com

 

Hoje me inspirei no blog The Bookshelf of Emily em parte porque passo no momento por um momento de limpeza, de desvencilhar-me de muitos livros, imaginando que eles poderão, a partir de agora, servir a outros donos. Passei por esse processo duas outras vezes nos últimos doze anos: primeiro quando me mudei do exterior para o Brasil. Depois quando me mudei para uma residência mais eficiente, menos ampla.

Somos dois em casa a trabalhar com livros. Trabalhar a vida inteira. Meu marido ainda é um pouco mais apegado a eles, porque afinal de contas ensinou por muitos anos literatura americana.  Quem ensina literatura não podia até recentemente ter uma biblioteca magrinha.  Afinal, texto era a sua alimentação diária.

Eu, por outro lado, tinha dois amores: a palavra escrita (a historiadora e leitora) e a imagem (conhece o peso dos livros de arte?), sim a minha parte era muito mais pesada do que a dele, mas menos livros.

A vinda para o Brasil fez com que dois escritórios, anteriormente separados, cobertos de livros, fossem somados e transformados numa única biblioteca.  Isso foi em 2002.  Em 2010, com nova mudança, a biblioteca original foi reduzida à metade menos um pouco.  E agora, estamos colocando-a em um sério regime para emagrecer.

 

BOOKS Gala apple with antique books Christopher StottMaçã Gala com livros antigos

Christopher Stott (Canada, 1976)

óleo sobre tela

www.chrisstott.com

 

Tem sido uma grande surpresa perceber que podemos viver com muito menos livros do que imaginávamos.  Nós dois nos adaptamos muito bem à palavra eletrônica.  Mas aviso que já compramos livros que lemos eletronicamente e de que gostamos muito, para os ter em casa… Vai entender esse  comportamento?!

Nesse processo, assim como a Emily do blog mencionado acima, eu também estou com uma prateleira de livros favoritos. Mas estão ficando conosco só os absolutamente favoritos e os que não lemos… Ah, sim, somos compradores inveterados, temos pilhas e pilhas, um corredor inteiro com prateleiras dos não lidos…

Mas neste Carnaval — sim o processo de emagrecer a biblioteca não reconhece feriados — arrumei um cantinho muito especial para os meus favoritos.

Aqui estão os 15 primeiros,sem ordem nenhuma, só na prateleira especial:

 

1 —  Nadando de volta para casa, Deborah Levy

2 —  1Q84, Haruki Murakami, a trilogia

3 —  Nihonjin, Oscar Nakasato

4 — Traduzindo Hannah, Ronaldo Wrobel

5 —  A história do rei transparente, Rosa Montero

6 —  Concerto Campestre, Luiz Antônio de Assis Brasil

7 —  Cabine para mulheres, Anita Nair

8 —  A trégua, Mário Benedetti

9 —  As Brasas, Sándor Márai

10 – Divórcio em Buda, Sándor Márai

11 – A louca da casa, Rosa Montero

12 – A lebre com olhos de âmbar, Edmund de Waal

13 – A costureira e o cangaceiro, Frances de Pontes Peebles

14 – Este é o meu corpo, Filipa Melo

15 – Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Fal Azevedo

 

Estes são só os primeiros 15.  Voltarei a colocar mais, na lista, no momento tenho 44.  Daqui a um mês mais ou menos coloco outros 15.  Todos esses têm a minha recomendação é claro!





Apollinaire, o poeta que ainda surpreende

16 02 2015

 

hirsch_poemIl pleut [Chove]

Guillaume Apollinaire

Caligrama

 

 

Quando se menciona a palavra surrealismo poucos, hoje, pensam na literatura ou na poesia.  O que passa pela cabeça são os relógios derretidos de Salvador Dali ou os homens com chapéu coco e uma maçã no rosto de René Magritte. Vivemos em um mundo mais influenciado pela imagem gráfica do que pela palavra escrita.  No entanto, o surrealismo foi um movimento estético primeiramente literário, fundado por André Breton, um romancista e pintor por surrealiadade e batizado pelo poeta Guillaume Apollinaire (1880-1918), pai da poesia concreta.

Lembrei-me da importância de Apollinaire durante a  leitura de Nadando de volta para casa, de Deborah Levy, porque parte do poema do poeta francês Il pleut [Chove] (imagem acima) tem papel importante e simbólico na narrativa. O poema como podemos ver tenta imitar no papel, com as palavras de seu corpo, as gotas de chuva caindo.

Il pleut des voix de femmes comme si elles étaient mortes même dans le souvenir
c’est vous aussi qu’il pleut, merveilleuses rencontres de ma vie. ô gouttelettes !
et ces nuages cabrés se prennent à hennir tout un univers de villes auriculaires
écoute s’il pleut tandis que le regret et le dédain pleurent une ancienne musique
écoute tomber les liens qui te retiennent en haut et en bas

 

[Chovem vozes de mulheres como se estivessem mortas mesmo na recordação
Chovem também encontros maravilhosos da minha vida ó gotículas
E estas nuvens empinadas começam a relinchar um universo de cidades mínimas
Escuta se chove enquanto a mágoa e o desdém choram uma música antiga
Escuta caírem os elos que te retém em cima e embaixo]

Tradução de Sérgio Caparelli, com o nome A Chuva

 

 

Guillaume_Apollinaire_CalligrammeGuillaume Apollinaire, do livro Calligrammes. [Salut monde dont je suis la langue]

 

Guillaume Apollinaire, como o personagem do romance mencionado acima, era polonês,  Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary Kostrowicki, e adotou o nome Guillaume (tradução para o francês de Wilhelm) Apollinaire  (afrancesamento de um de seus sobrenomes). Nascido na Itália, imigrou para a França onde se tornou importante intelectual; inventou o termo surrealismo e, semelhante às sibilas da antiguidade, profetizou o uso da precisão na digitação de um texto, ou poema, pelos novos meios de reprodução: o cinema e o fonógrafo .

Apollinaire foi o primeiro a usar o termo surrealista publicamente em 1917 na sua peça teatral em dois atos e um prólogo, Les Mamelles de Tirésias, drame surréaliste [As tetas de Tiresias, drama surrealista] O termo se tornou popular imediatamente.  [Mais tarde, em 1947, com permissão de Mme Apollinaire, viúva do poeta, Francis Poulenc inaugurou a ópera-bufa do mesmo nome, com libreto de Apollinaire, e figurinos de Erté.]

 

invitationmamellesConvite da première de Les Mamelles de Tirésias.

 

Mas a maior influência de Apollinaire foi e é ainda na poesia concreta.  Foi a publicação de Calligrammes, em 1918, que o levou a ser considerado o pai da poesia concreta moderna e a dar o nome a uma classificação inteira de poemas (caligramas) cujas palavras formam uma imagem com significado relativo ao seu conteúdo:  Caligramas, Poemas de Paz e Guerra, 1913-1916.

O Caligrama [combinação de duas palavras: caligrafia e telegrama] é fruto da fascinação de Apollinaire com o telégrafo sem fio, sobretudo com contribuição do francês Émile Baudot, que em 1874, inventou uma máquina que transformava os sinais telegráficos de modo automático, em caracteres tipográficos.  Apollinaire definiu seus caligramas como uma idealização do verso livre.  Era poesia com precisão de digitação, usando novos meios de reprodução.

 

 

CaligramaGuillaume Apollinaire, do livro Calligrammes [Reconnais-toi cette adorable personne]

 

Guillaume Apollinaire foi ainda influente na gestação de outros movimentos das artes plásticas como o Futurismo, Cubismo e Orfismo.  Mas nada que se comparasse ao poder de previsão que ele demonstrou em sua famosa palestra, “L’Esprit Nouveau et les Poétes,” [O novo espírito e os poetas]  de novembro de 1917, quando incitou outros poetas a abraçarem a inovação e previu que a poesia do futuro seria inventiva e surpreendente. O dia chegaria em que poetas iriam brincar com seus versos, e teriam a habilidade  de combinar palavras com imagens.

A título de curiosidade, em 1917, Apollinaire morava no bairro de Montparnasse em Paris e contava entre seus amigos e atendentes dessa palestra Pablo Picasso, Gertrude Stein, Marie Laurencin e Marcel Duchamp, todos ainda longe dos louros que receberiam mais tarde, como pensadores culturais da modernidade.





Resenha: “Nadando de volta para casa”, de Deborah Levy

15 02 2015

 

 

magritte-la-clef-des-songesA chave dos sonhos, 1930

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 81 x 60 cm

Coleção Particular, Paris

 

Nenhum dos peixes à venda, anunciados pelo alto-falante da van na rua em frente de casa, nadou de volta para casa. Todos tinham sido apanhados no caminho, assim reflete o poeta JHJ centro das atenções da protagonista Kitty Finch. É dela o poema que dá nome ao romance de Deborah Levy, Nadando de Volta para Casa. Nele a jovem poetisa abusa dos etcs, e pede para que o leitor entenda que todo etc. esconde algo que não pode ser dito. Na prosa de Levy tudo é dito de maneira oblíqua, envolta na névoa de um sonho.

A história é simples. Joe, Isabel e a filha Nina saem da Inglaterra para passar as férias numa casa alugada nos arredores de Nice, na Côte d’Azur. Levam consigo um casal amigo: Laura e Mitchell. Chegando lá, o inesperado acontece pela presença de Kitty, que se torna hóspede deles. À volta desse núcleo há Jurgen, o caseiro alemão, Claude, o dono do café, Madeleine, a vizinha médica de 80 anos e a dona da casa alugada da qual só ouvimos falar, uma psicanalista. A maior parte do romance se passa em oito dias, em julho de 1994. A narrativa é circular e repleta de enigmas. Não é necessário desvendá-los para entender o romance, mas para mim se tornou um jogo, um quebra-cabeças delicioso, que não consigo deixar de lado.

O livro começa com uma cena de terror psicológico, como em um pesadelo: “Quando Kitty Finch tirou a mão do volante e lhe disse que o amava, ele não soube mais se ela o estava ameaçando ou conversando com ele” (9). Não sabemos quem são Kitty Finch, nem seu companheiro de viagem, mas o alerta para o perigo, para a dualidade dos sentimentos do homem que a acompanha, é sentido e familiar, lembra os perigos dos sonhos que nos acordam em pânico, ansiosos. Esta cena se repete, ligeiramente modificada, através do texto, do mesmo modo que muitas imagens também se repetem, com pequenas alterações, quando sonhamos.

 

 

the-collective-inventionA invenção coletiva, 1934

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 73 x 97 cm

Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf, Germany

 

 

Já no capítulo seguinte ainda sob essa influência da incerteza, somos apresentados à imagem de uma sereia, sedutora mulher de longos cabelos vermelhos, até a cintura. Imersa na água ela atrai os olhos de Jozef Nowogrodzki, também conhecido como Joe Harold Jacobs, ou JHJ, “ou o poeta famoso, o poeta britânico, o poeta babaca, o poeta judeu, o poeta ateu, o poeta modernista, o poeta pós-Holocausto, o poeta mulherengo” (154); um homem de muitos rótulos, no entanto indefinível. Essa pluralidade de personagens reflete um poeta que se metamorfoseia em muitos, aumentando o conteúdo onírico e hermético da narrativa. Kitty Finch é a sereia destinada a seduzir  o poeta. Suas palavras, poesia, escritos são seu canto para Ulisses: tentadora, perigosa, aliciante, antropófaga.

JHJ se prepara para dar uma palestra na Polônia, terra onde nasceu em 1937. Foi abandonado numa floresta por seus pais que alimentavam a esperança de que ele sobrevivesse aos nazistas. Acabou na Inglaterra, aos cinco anos de idade. Quando é perguntado se se sente inglês, por dentro, sua resposta é tão ambígua quanto todos os seus nomes e atitudes: Eu tenho “uma porra de um sentimento engraçado” (48). Na verdade Joe não sabe quem é. Seus etcs são muitos e ele corre o perigo de se afogar no desconhecido.

Ninguém melhor do que Kitty Finch para saber disso. Não só ela sabe tudo sobre Joe, como declara a que veio: “Eu vim para França, para salvar você de seus pensamentos” (32). Ela tem uma simbiose telepática com ele. “A poesia de Joe é, mais do que qualquer outra coisa, uma conversa comigo. Ele diz coisas que eu costumo pensar. Nós temos um contato nervoso” (52). Kitty Finch é uma botânica que admite sofrer de um desequilíbrio mental. Mas deixa de tomar seu remédio, para poder sentir emoções. O problema mental sem controle permite que ela entre e saia livremente de seu inconsciente, desvendando sua fragilidade. É a única personagem que se expõe. Emocionalmente. E fisicamente. Sem pudor. Apesar de estranharem, todos à sua volta aceitam essa nudez, até mesmo Isabel, esposa de Joe, para surpresa da amiga Laura, que percebe desde o início a intenção da jovem de seduzir o marido da amiga. Dos nove personagens Kitty é a mais transparente e a menos compreendida. Diáfana. Quase translúcida. Ela perambula pela propriedade com o descuido de quem não duvida de seu lugar, de sua importância.

 

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No entanto, tendo admitido seu problema mental, Kitty se torna um personagem mais enigmático. Não sabemos se devemos ou não acreditar no que diz. Sua tarefa de seduzir Joe encontra resistência. Não porque ele não queira. Mulherengo, seu casamento com a mulher jornalista que viaja constantemente para os confins do mundo, é repleto de pequenas traições, de muitas namoradas. É um obsessivo Don Juan, mesmo amando sua esposa e seduzindo-a com favos de mel. Mas JHJ resiste porque pressente o perigo: Kitty Finch poderia levá-lo ao reino das sombras em que transita. Amá-la, deixar-se perder em suas profundezas, seria um mergulho no desconhecido; a aceitação do submundo do inconsciente e a percepção do verdadeiro reino das sombras a que pertence.

O mundo solar e o mundo das sombras se entrelaçam na narrativa, desde a lembrança da alegoria da caverna de Platão, quando Kitty vê um jovem desaparecer na parede, levando uma braçada de cicuta; ao capítulo em que Jurgen explica para Claude, como o alienígena ET e seu amigo terrestre se espelhavam. Kitty Finch é a sereia de JHJ, sua chave de entrada para esse outro mundo que o comerá vivo, como aconteceu no conto O pescador e a alma de Oscar Wilde. Em seu desespero, Jozef tenta passar para outro essa oportunidade e sugere que ela peça a Jurgen que leia o seu poema. Mas ela declara peremptoriamente: “Meu poema é uma conversa com você e com ninguém mais.” (90) Jozef Nowogrodzki sabe do mundo desconhecido, do mundo das profundezas do sonho, das emoções e do inconsciente. Seu desespero é palpável na reflexão durante o encontro que tem com Kitty para conversar sobre a poesia dela (91). Ele tenta desesperadamente resistir ao sedutor mergulho que vê inevitável: o mergulho no desconhecido dos etcs de sua vida.

Quando o movimento surrealista foi fundado por André Breton em 1924, tinha como espinha dorsal as obras de Sigmund Freud sobre o inconsciente. A meta era trazer à tona, através da escrita automática, imagens oníricas. A libertação das imagens do inconsciente vinha, segundo Freud, através do humor, do trocadilho, da ironia. O pintor surrealista René Magritte usou e abusou desses métodos para trazer aos lábios do espectador o sorriso do absurdo. Sua enorme série La clef de songes [a chave dos sonhos] em que imagens são aparentemente rotuladas por palavras ao acaso, é uma das representações visuais do humor corriqueiras na obra do pintor usadas como porta de entrada para o inconsciente.

 

LevyDeborah Levy

 

A metáfora como a usada por Magritte em A invenção coletiva, — uma inversão da imagem da sereia, já tão bem estabelecida no inconsciente coletivo — ilustra o método que Freud acreditava ser o meio de solucionar os conflitos no inconsciente, por ser um enigma em disfarce. Daí, a abundante panóplia de imagens ambivalentes, de polaridades e duplicidades, dualismos e híbridos nas produções surrealistas na literatura e nas artes visuais. É bom lembrar que o Surrealismo foi, sobretudo, um movimento literário. Deborah Levy está bastante ciente dessas diretrizes, pois na epígrafe do romance Nadando de volta para casa, reproduz uma citação encontrada no primeiro número da revista Révolution Surréaliste, de dezembro de 1924: “De manhã, em todas as famílias, homens, mulheres e crianças, se não tiverem nada melhor para fazer, contam seus sonhos uns para os outros. Nós estamos todos à mercê dos sonhos e temos obrigação para conosco de testar sua força no estado de vigília.” É, portanto a partir dessa perspectiva que essa pequena obra de grande impacto, se descortina por 160 páginas.

O humor aludido acima é intermitente na narrativa. Há muitos momentos de sorrisos com as justaposições que Deborah Levy nos coloca. A médica vizinha é fonte de muita ironia, assim como são Mitchell e até mesmo Isabel. Com essas janelas de abertura para o subtexto da narrativa, chegamos ao nosso sonho coletivo, só restando saber o que realmente acontece quando Josef se encontra com seus etcs. Extraordinário. Uma pequena obra-prima.

 





Melhores frases de abertura, ou a intrigante primeira frase de um romance…

13 02 2015

 

 

Tamara de Lempicka's 'Tamara in the Green Bugatti'Mulher no Bugatti verde, 1925

[Autorretrato]

Tamara Lempicka (Polônia, 1898-México, 1980)

Coleção Particular

 

Em 2012, seguindo uma publicação no jornal britânico The Guardian, em que seus leitores listavam as melhores frases de abertura de um romance de língua inglesa, publiquei aqui as poucas melhores frases” em língua portuguesa que me chegaram à memória. Mas desde então comecei a prestar mais atenção ainda às frases de abertura dos livros que leio. Aos pouco irei postando, ocasionalmente uma ou outra abertura que me intrigue.  Começo hoje com a escritora inglesa, Deborah Levy.

 

 “Quando Kitty Finch tirou a mão do volante e lhe disse que o amava, ele não soube mais se ela o estava ameaçando ou conversando com ele.”

 

Em:  Nadando de volta para casa, Deborah Levy, Rio de Janeiro, Rocco: 2014, p. 9, tradução de Léa Viveiros de Castro.

 

NOTA: LINK  para a lista de melhores frases de abertura em língua sugeridas pelos leitores da Peregrina, publicadas em 6 de junho de 2012.








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