Lendo: “Jesus Cristo bebia cerveja”, de Afonso Cruz

20 06 2018

 

 

DSC03854aJESUS CRISTO BEBIA CERVEJA

Afonso Cruz

Alfaguara: 2014, 248 páginas

 

SINOPSE

“Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.” – Miguel Real, Jornal de Letras

Filha de um camponês e de uma mulher vinda da cidade, Rosa passou toda a vida no interior de Portugal. Após a morte dos pais, ela fica responsável por cuidar da avó, Antónia, uma senhora idosa que já não escuta bem e precisa de assistência frequente.

Rosa é uma garota linda, e acima de tudo determinada. O último desejo da avó é conhecer Jerusalém. Pois bem; empenhada em realizar este último pedido, e sabendo que a avó não pode mais viajar, a jovem decide levar a Terra Santa até ela; ou melhor, a transformar uma pequena aldeia numa Jerusalém cênica. Mas Rosa não sabe que essa operação irá colocar outras peças em movimento, que mudarão sua própria vida.

Afonso Cruz é um dos autores mais brilhantes da nova geração de escritores portugueses. Com um estilo envolvente, em Jesus Cristo bebia cerveja, o autor fala de acontecimentos que transformam o ser humano, num livro sobre amor, desejo e sacrifício.





Pobreza de espírito e de informações nas nossas capas de livros!

26 05 2010

O campo de Santana no Rio de Janeiro, 1818

Franz Joseph Frühbeck (Áustria 1795 — data de morte incerta, depois de 1830)

Gravura aquarelada

Há algum tempo quero escrever sobre as capas de livros publicados no Brasil.  Em primeiro lugar, gostaria de saber, porque é difícil encontrarmos o crédito [o nome do artista gráfico que fez a capa de um livro] das capas de livros por estas bandas?  Aliás, esta falta de informação não é de hoje: mesmo livros dos anos 40, 50, 60 do século passado que encontramos em sebos e que eram habitualmente ilustrados, muitas vezes  não têm a menção do autor (ou autores) das ilustrações.  Uma falta na ficha bibliográfica da obra.   Uma vergonha para a história da ilustração no Brasil, uma vergonha para editores que se diziam sérios.  Porque mesmo que as ilustrações usadas fossem compradas lá fora, deveríamos ter tido o direito, o acesso à informação de pelo menos os nomes dos ilustradores.

O livro ponto zero desta postagem foi lido em 2008, o charmoso Era no tempo do rei, de Ruy Castro, Alfaguara:2007, sucesso de vendas e, hoje, sucesso de dramaturgia depois de ter sido adaptado para o teatro.   Este foi um dos livros que o meu grupo de leitura mensal trouxe para discussão em março de 2008.  Entre as muitas observações que fizemos – que nos levaram de volta a deliciosos aspectos do Rio de Janeiro de 200 anos atrás — houve também a reclamação, entre nós, da falta de relação entre a capa e seu conteúdo.  Desde então tenho prestado mais atenção às capas dos livros que leio. 

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Era no tempo do rei se passa no Rio de Janeiro, logo depois da chegada da família real ao Brasil.  Num artigo do jornal O Globo, de 17 de novembro de 2007, Suzana Velasco lembra que  “ A primeira imagem que Ruy Castro pensou para o romance Era no tempo do rei foi a dos meninos Pedro e Leonardo fugindo pelos Arcos da Carioca”.  Como a jornalista sublinha a ambientação desse romance é no Rio de Janeiro colonial.  E aí olhamos para capa do livro e o que vemos?  Será que vemos uma paisagem do Rio de Janeiro colonial, dentre as tantas a que temos acesso através dos pintores viajantes de diferentes países?  Não.  Será que temos um desenho moderno de uma representação do Rio de Janeiro com os arcos monumentais dominando a paisagem de então?  Não.  Será que teríamos uma ilustração de dois meninos perambulando pelas ruas de um Rio de Janeiro colonial, feita por algum ilustrador nosso, de hoje?  Não

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O ferrolho, 1778

Jean Honoré Fragonard ( França, 1732 – 1822)

Óleo sobre tela, 73 x 93 cm

Museu do Louvre, Paris

O que temos em mãos é um quadro francês, do século XVIII, pintura de gênero, de uma suposta aventura amorosa, picante.   Nem preciso dizer que a Alfaguara,  selo da Editora Objetiva, do Grupo Santillana, não se deu ao trabalho de identificar para o leitor curioso – como a maioria das editoras estrangeiras o fazem no verso da página de rosto —  que a capa do livro era um detalhe de uma obra de Fragonard que se encontra no Louvre.   Ironicamente no portal da Editora Objetiva encontramos o seguinte texto:  A Objetiva se consolidou ao longo dos anos 90, como uma das editoras de referência no segmento de livros de interesse geral. Publica escritores de qualidade, como Luis Fernando Verissimo, Tony Judt, Arnaldo Jabor e Harold Bloom, entre tantos outros, assim como o Dicionário Houaiss, o mais completo da língua portuguesa. Atua em vários segmentos e especialmente em história, biografia, política, comportamento, humor, reportagem, ensaio e referência.  Referência?   Onde estava a referência ao quadro em questão?

Este assunto rodopiou na minha cabeça por muito tempo: tenho muitas perguntas que não cessam sobre a falta do costume de informações corretas no Brasil e, até certo ponto, a falta de cuidado com o livro, com o leitor, com a curiosidade alheia, o que é certamente o papel de uma editora.  Mas há três semanas, por outros motivos, me encontrei com o livro Don Juan acorrentado, da escritora carioca Wanda Fabian, publicado oito anos antes de Era no tempo do rei, pela Editora Lacerda:1999, leia-se Nova Aguilar, que é parte da Nova Fronteira.   E pasmem: tem a mesma capa de Era no tempo do rei.  O mesmo detalhe, o mesmo corte de imagem!

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Agora a pergunta que não cala:  só este quadro de Fragonard tem permissão de ser usado por editoras brasileiras para livros de ficção histórica?  É claro que não.  Por que então este favoritismo?  Eu poderia assumir que é pura preguiça, acomodação, falta de respeito ao leitor, falta de conhecimento do mercado editorial…  Mas, lá atrás, no fundo das minhas desconfianças, há uma voz gritando:  tem a ver com direitos autorais.  Tem a ver com imagem em domínio público.  Mas será que O ferrolho, de Fragonard, é o único quadro conhecido pelos editores?  Será que é a única imagem em domínio público?  Talvez tenha a ver com a divisão de marketing dessas editoras?  Será que ambas as editoras contrataram a mesma companhia de marketing?  Ou foi o  mesmo estagiário?  A pessoa de uma só obra de arte?  Como se justifica isso?  Quem pode me responder?





O poder econômico de um prêmio literário

27 11 2008

 

 

Quando via um grande prêmio de literatura como o Man Booker Prize ser dado a alguém sempre ficava com pena dos escritores que são mencionados como finalistas, mas que não tiveram suas obras agraciadas.  Menciono o Man reading-hammockBooker porque eles anunciam com antecedência os escritores finalistas, e então sabemos quem perdeu.  Hoje, voltando à página deste prêmio, procurando por uma referência sobre um autor inglês, encontrei uma resposta de A. S. Byatt, vencedora do Man Booker em 1990 com o livro Possessão, Companhia das Letras: 1992, São Paulo, dizendo que ela finalmente iria ter dinheiro suficiente para construir seu sonho de longa data: uma piscina na sua residência na França (Provence).

 

Diversas coisas passaram pela minha cabeça.  Primeiro fiquei desapontada.  E me perguntei por quê?  Por que desapontada? Estaria eu esperando uma resposta do tipo  finalista a Miss Universo?  Quero acabar com a fome no mundo!  Não, eu mesma afastei aquele pensamento, rapidinho.   Depois veio aquele sentimento: acho que não gosto dessa pessoa, deve ser muito voltada para si mesma: do time do eu, eu, eu.  Até procurei me lembrar se havia gostado mesmo daquele livro de sua autoria, Possessão Só me lembro que havia uma correspondência maravilhosa.  Esse foi o tempo de muitos livros epistolares no meu horizonte!

 

Depois de alguns momentos de reflexão fui à cata de prêmios e de valores.  E num instante aprendi a não me sentir mal pelos autores que não ganharam o maior prêmio, porque funciona como se eles estivessem concorrendo ao reading-woman-with-parasol-in-redprêmio de Miss Brasil: onde a primeira colocada leva tudo, mas a segunda concorre para Miss Mundo, a terceira para um outro prêmio, ou vice-versa, e ainda tem o prêmio Miss Simpatia, Miss Fotogênica, etc.  Bem com os autores finalistas do Booker, há também mais; além do fato de para sempre serem mencionados como: finalista do Man Booker Prize.   

 

Pegando carona no próprio portal do Man Booker, vi que  dos 13 livros da longa lista de finalistas deste ano, 11 tiveram um aumento significativo de vendas na semana seguinte à publicação da lista.  O livro de Salman Rushdie,  The Enchantress of Florence  [No Brasil – A Feiticeira de Florença, Cia das Letras: 2008, SP] continuava onde já estava, na liderança de vendas em 7/8/2008, mas teve um aumento de 56.5%  nas vendas do momento em que seu nome foi mencionado entre os 13 finalistas.  O livro de Linda Grant, The Clothes on Their Backs [ sem publicação no Brasil] teve proporcionalmente o maior aumento nas vendas dos finalistas.  Havia até então vendido simplesmente 13 volumes na semana anterior, terminada em 26/7/2008.  Na semana seguinte à inclusão do livro entre os finalistas do Booker, este livro vendeu 144 volumes.

 

Outro aumento de vendas ocorreu com o livro de Tom Rob Smith,  Child 44 [No Brasil – Criança 44, Record: 2008, Rio de Janeiro] , aparentemente uma escolha que causou alguma controvérsia entre o público e aumentou as vendas deste livro de suspense por 250% ; isto para um livro que já havia vendido 8.000 volumes antes de ser nomeado para a longa lista de finalistas.   

 

Não tenho os números para a vendagem dos títulos depois que a pequena lista de 6 finalistas foi anunciada.  Havia este ano dois escritores estreantes Steve Toltz e Aravind Adiga.  Este, o autor de  The White Tiger [No Brasil —  O tigre branco, Nova Fronteira: 2008, Rio de Janeiro]  que ganhou o prêmio, os £50.000 do primeiro lugar e mais os £2.500 que cada um dos 6 finalistas receberam.  

 

Com orgulho, como deve ser feito, os administradores do Man Booker Prize mostram como este prêmio auxilia o reconhecimento do autor e de sua obra. nobu_lisant_409 Eles citam que Anne Enright, (vencedora em 2007) com o livro The Gathering, [No Brasil – O Encontro, Alfaguara Brasil: 2008, RJ] fez uma tour mundial para lançamento de seu livro.  O mesmo aconteceu com Kiran Desai, (vencedor em 2006) com o livro The Inheritance of Loss [No Brasil – O Legado da Perda, Alfaguara Brasil: 2007, RJ].  Em 2005,  o livro vencedor de John Banville,  The Sea  [No Brasil — O Mar, Nova Fronteira:2007, RJ] vendeu 250.000 volumes depois do prêmio e as vendas, de acordo com seu editor,  aumentaram dramaticamente para os antigos títulos do autor.  Em 2004 o livro The Line of Beauty, de Alan Hollinghurst [no Brasil – A linha da beleza, Nova Fronteira: 2005, RJ] vencedor do maior prêmio chegou às listas dos mais vendidos, o mesmo acontecendo com os vencedores de 2002, Life of Pi de Yann Martel [ No Brasil, A vida de Pi, Rocco:2004, RJ] e o de 2003, Vernon God Little de DBC Pierre [No Brasil – Vernon God Little, Record: 2004, RJ].

 

Procurei e não consegui este tipo de informação sobre vendas no Brasil depois que um livro ganha um prêmio respeitável.  Informação no Brasil, principalmente levando em conta vendas editoriaís, são segredos guardados a sete chaves.  Falta muito para termos o acesso a informação generalizada que acontece principalmente nos países de língua inglesa.  Mas duvido que as vendas dos nossos escritores aumentem significativamente depois que eles se descobrem vencedores de prêmios.  Primeiro, que não conseguimos ainda determinar qual é o prêmio mais importante no Brasil.  Há correntes a favor deste ou daquele.  E depois, quem é aqui no Brasil, uma pessoa comum, letrada, lida, que você ouve dizer:  leia Fulano de Tal, porque ele foi um dos finalistas do Prêmio X, e esses escritores são sempre muito bons?  Esse prêmio tem sempre em mente, não só o valor literário mas também o pulso do gosto do publico leitor? Você conhece alguém que diga isso a respeito do Prêmio Jabuti, Prêmio Portugal Telecom, Prêmio São Paulo de Literatura?  Eu não conheço…  Será um problema de marketing?  Por que eles não estão chegando às pessoas que eu conheço que lêem de 40 a 60 livros por anos?  Fica aqui a minha pergunta. 

 

Ah, sim, e para terminar, se um dia eu ganhar um prêmio assim, vocês não precisam se preocupar: ele não vai para uma piscina na França.  Garanto que não haverá evasão de divisas.  Consigo usar satisfatoriamente o dinheiro por aqui mesmo, onde moro… 





Os 10 finalistas do Prêmio Portugal Telecom

4 09 2008

 

Curiosamente há  pontos de comunhão de opiniões entre o júri do Prêmio dos Países de Língua Portuguesa e o júri do Prêmio Jabuti  para livros brasileiros.  Será interessante ver o resultado.

Finalistas para o Prêmio Portugal Telecom

 

1. 20 poemas para seu walkman – Marília Garcia – POESIA BRASILEIRA

 

Um livro de muitas vozes, velocidades e lugares – Catalunha, Nova York, Paris, Berlim, um deserto no México. Mas não é como turista, apressado ou aprendiz, que a autora carioca circula. É quase como uma espiã perdida, seguindo ruas que se entrecortam, vozes e indicações que se confundem, impulsos e sentimentos contraditórios. De clara legibilidade, seus poemas mesclam referências tradicionais às obscuras sensaçôes vividas pelo viajante clandestino.

 

Editora: Cosac Naify

ISBN: 9788575035696

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 96

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

2. Antonio – Beatriz Bracher – ROMANCE BRASILEIRO

 

Editora: 34 

ISBN: 9788573263770

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 184

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

Benjamim, esta história são nossas vidas e ainda não acabou, nunca vai acabar. Criar esse espaço para tua mãe, essa narrativa para teu pai e teu avô, como se a vida não tivesse existido entre Benjamim e outro, tivesse sido apenas um oco, lapso, vão, entre um amor perdido e seu reencontro, isso é pouco.

 

 

 

3. Eu hei-de amar uma pedra – António Lobo Antunes – ROMANCE PORTUGUÊS

 

Em Eu Hei-de Amar uma Pedra, António Lobo Antunes apresenta um texto radical e inovador, como poucas vezes se viu na literatura contemporânea. Numa história em que passado e presente se fundem, acontecimentos paralelos à vida do protagonista são narrados por personagens que giram em torno dele: suas duas filhas, sua mulher, a amante e um médico. Juntas, essas narrativas compõem uma visão multifacetada e rica dos acontecimentos, na qual passado e presente se fundem num constante fluxo de pensamento.

Na ocasião do lançamento de Eu Hei-de Amar uma Pedra, em 2004, Lobo Antunes falou ao jornal português Diário de Notícias sobre o tema que permeia este romance: o amor.  Ele explicou que, embora o título Eu Hei-de Amar uma Pedra venha de uma cantiga popular, diz respeito também às impossibilidades do amor. “Não sei russo, mas quando dizem que Pushkin empregava a palavra carne e sentia-se o gosto da palavra carne na boca, isso tem a ver com as palavras que se põem antes e depois. É a mesma coisa que amor. Os substantivos abstratos são perigosos”, revela. Sobre a fotografia, ponto de partida deste seu romance, Lobo Antunes diz que vive com ela numa relação conturbada. “Conheci pessoas rodeadas de fotografias antigas. Perguntava quem eram aquelas pessoas, diziam-me ser o trisavô, todas pessoas mortas. Eu pensava: como podem estar mortas se olham para mim desta maneira, como se me conhecessem? Tinha a sensação de que as pessoas daquelas fotografias me compreendiam melhor do que as vivas. Naquelas fotografias amarelas subsistia a vida, o olhar. Na capacidade de transmissão de emoções e vivências, a fotografia sempre me fascinou. Nunca tirei uma fotografia, falta-me esse talento”.

 

Editora: Alfaguara

ISBN: 9788560281107

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 560

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

 

4. Histórias de literatura e cegueira – Julián Fuks – CONTO BRASILEIRO

 

A partir da vida e da obre dos escritores Jorge Luis Borges, João Cabral de melo Neto e James Joyce, O autor constrói pequenas histórias fragmentadas de possibilidades de momentos da vida de cada um. Cenas de criação de poemas, contos, ensaios e romances são abordadas sob uma visão original, construindo uma ficção em cima da ficção.

Editora: Record

ISBN: 9788501079435

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 160

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

5. Laranja seleta – Nicolas Behr – POESIA BRASILEIRA

 

A poesia de Nicolas Behr é simples, sem rodeios, vale o que está escrito. Ideologia está presente não só nos poemas, mas na vida do escritor. Nicolas cultiva mudas de espécies nativas do cerrado. Com mais de 20 livros editados pelas próprias mãos, Nicolas lança agora Laranja Seleta, sua primeira obra publicada por uma editora e que inaugura a coleção “Língua Real”, da editora Língua Geral.

 

O poeta marginal e integrante da Geração Mimeógrafo, Nicolas Behr apresenta em Laranja Seleta uma coletânea de alguns de seus melhores poemas. De ‘Iorgurte com farinha’ aos dias de hoje o que fica é a rebeldia, a luta contra regras prontas para poesia.

 

Os poemas de Laranja Seleta passeiam pelas memórias da infância, pela crítica aos poderes, a questão ecológica (da maior importância em sua obra e em sua vida), o amor e a cidade de Brasília, de Kubitschek aos dias de hoje.

    

Editora: Língua Geral

ISBN: 9788560160174

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 172

Acabamento: Brochura

Tamanho: Médio

 

 

6. O amor não tem bons sentimentos – Raimundo Carrero – ROMANCE BRASILEIRO

 

Este é um romance sobre a loucura. E conta a história de Matheus, um músico desencantado, que resolve matar a mãe, Dolores, e a irmã, Biba, porque elas são lindas e silenciosas. Mas não assume o crime e chega a imaginar que está delirando, mesmo depois de morto, porque acredita que foi assassinado pela mãe, num momento de profunda confusão mental. Amante generoso, nem sempre lúcido.

Prêmio Jabuti 2000, Raimundo Carrero revela um personagem denso, às vezes cruel, às vezes lírico, possuído de um lirismo comovente, um lirismo brutal, de quem ama com arrebatamento e sem controle, capaz de ver em Biba o seu peixinho dourado, assim como descarrega a sua paixão desmedida sobre a menina e sobre a mãe.

…Em O amor não tem bons sentimentos desfilam ainda personagens vigorosos como Tia Guilhermina, cantora de cabaré, Ernesto do Rego Barros, o Rei das Pretas, e padre Vieira, conservador e severo, além de Jeremias, o fundador da seita Os Soldados da Pátria Por Cristo, que celebra o Evangelho, mas de propósito mistura religião com estupros, roubos e confusões. Uma galeria de personagens que arrebata e impressiona o leitor pelo seu grau de inquietação, sofrimento e ironia. O trágico e o risível impacientam.

…Por tudo isso, este livro vem reafirmar a força literária de Carrero, um autor cuja obra é estudada em monografias e teses universitárias, inclusive por sua preocupação em renovar a obra de arte de ficção, sem perder de vista o prazer do leitor. Daí porque a história pode ser lida com o sabor de um romance policial, mas com as revelações estruturais de um verdadeiro escritor.

 

Editora: Iluminuras

ISBN: 8573212616

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 191

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

7. O filho eterno – Cristovão Tezza – ROMANCE BRASILEIRO

 

Romance inédito que aborda os conflitos de um homem que tem um filho com Síndrome de Down. O protagonista se mostra inseguro, medroso e envergonhado com a situação, mas aos poucos, com muito esforço, enfrenta a situação e passa a conviver amorosamente com o menino.

 

Editora: Record

ISBN: 8501077887

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 224

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

8. O sol se põe em São Paulo – Bernardo Carvalho – ROMANCE BRASILEIRO

 

No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi – uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado. Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amoroso, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea – tanto do Japão como do Brasil. Obra sem fronteiras, que une a Osaka de outrora à São Paulo de hoje, e esta à Tóquio do século XXI, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados – e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar. Caberá ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo transitar de um pavilhão japonês no bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna, das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e um escritor famoso (o romancista Junichiro Tanizaki) – e também sua própria pessoa, sua própria identidade: pária ou escritor?

 

Editora: Cia das Letras

ISBN: 9788535909777

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 168

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 

 

9. Os da minha rua – Ondjaki – CONTOS ANGOLANOS

 

Músicas, lugares e cheiros estimulam as lembranças do escritor angolano Ondjaki, no livro Os da minha rua, publicado pela editora Língua Geral.

 

Neste livro Ondjaki passeia pela infância, vivida em Luanda nas décadas de 1980 e 1990. Os limites entre biografia e ficção são continuamente desafiados: basta observar o tom intimista a mesclar-se continuamente a uma perspectiva histórica. Dessa forma Ondjaki amplia os horizontes de sua literatura, conduzindo os leitores a cenas de caráter intimista que levam ao registro de uma época em Angola.

 

Os da minha rua revela grande mobilidade não só pelo olhar intimista que se expande ao registro histórico: os 22 textos desta obra podem ser lidos como unidades autônomas, que valem por si mesmas (como se fossem contos), mas também podem ser lidos feito capítulos de um romance. Trata-se portanto de uma obra muito flexível, de intenso hibridismo, que se vale de outro tom, muito próximo ao da crônica. Este surge por meio do registro sobre o cotidiano, que vem a ser uma das marcas incontestáveis desse gênero.

 

 

Com um discurso muito afeita à oralidade, o narrador lembra de amigos, família, festas na casa dos tios, paixões, professores cubanos, a parada de 1.º de Maio, a piscina de Coca-Cola e a novela brasileira Roque Santeiro. Com essas memórias entre o ficcional e o biográfico, Ondjaki nos leva à reflexão sobre nossas próprias particularidades, de nosso passado e de nossas lembranças sobre um período de descobertas e brincadeiras.

 

“A vida às vezes é como um jogo brincado na rua: estamos no último minuto de uma brincadeira bem quente e não sabemos que a qualquer momento pode chegar um familiar a avisar que a brincadeira já acabou e está na hora de jantar. A vida afinal acontece muito de repente (…).”

 

Editora: Língua Geral

ISBN: 9788560160235

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 168

 

Acabamento: Brochura

Formato: Médio

 

 

RESENHA DA PEREGRINA:

 

https://peregrinacultural.wordpress.com/?s=ondjaki

 

 

10. Tarde – Paulo Henriques Britto – POESIA BRASILEIRA

 

Tarde é composto de poemas em que a ironia e a metalinguagem convivem com o extremo rigor compositivo. O processo de criação é um tema caro ao autor. Seus versos denotam uma reflexão meticulosa sobre o fazer poético, mas extraem força justamente da aceitação de que o conhecimento teórico não esgota as possibilidades de sentido. Entre as vertentes arcaizantes, defensoras das formas poéticas canônicas, e os adeptos do verso livre, Britto consegue uma rara conciliação – apesar de rimados e metrificados com minúcia, seus poemas são coloquiais e bem-humorados como na melhor tradição modernista. O tom elevado encontra sempre um contrapeso no chiste e na autoparódia. Os entraves para uma comunicação efetiva com o leitor – não apenas decorrentes das limitações da linguagem, mas do próprio estatuto acanhado da poesia no país – e a inadaptação ao mundo, expressa em poemas como ´Para um monumento ao antidepressivo´, constituem núcleos temáticos igualmente centrais em Tarde.

 

Editora: Companhia das Letras

ISBN: 9788535910438

Ano: 2007

Edição: 1

Número de páginas: 96

Acabamento:  Brochura

Formato: Médio

 

 





As viúvas das quintas-feiras, de Claudia Piñeiro

23 07 2008

 

 

Nas duas últimas décadas do século XX, a cidade de Raleigh na Carolina do Norte, EUA, vivenciou um grande surto econômico.  Com isto passou a ser um lugar ideal para muitos americanos morarem.  Habitações de todo tipo se fizeram necessárias e especuladores imobiliários assim como construtores juntaram esforços.  De um mês para o outro via-se comunidades inteiras aparecerem, onde antes só havia um sítio ou uma pequena fazenda nos limites urbanos da cidade.  Muitas vezes, lagos foram escavados, enormes, suficientes para uma pequena competição das menores embarcações.  Com freqüência estas comunidades também tinham seu próprio campo de golfe.  No início, estas novas residências apareceram preenchendo os lotes de ruas já existentes, preferencialmente em bons bairros; aqueles já delineados quanto aos seus habitantes.  Mas quando a migração interna do país — do centro-oeste ou norte para Raleigh, — aumentou, comunidades começaram a aparecer, cujo perfil era muito menos democrático do que a cidade havia tido até então.  Comunidades exclusivas, fechadas com muros e portões, com guardas e cercas eletrônicas apareceram; afinal, Raleigh e Cary, seu subúrbio, eram o próprio vale do silício da costa este dos EUA. 

 

Capa da edição brasileira

Capa da edição brasileira

Muitos foram os lagos e campos de golfe criados nesta região. Pertenciam a comunidades com centenas de casas, separadas por tamanhos e preços diferentes.  Não muito diferente do plano original de Brasília.  Casas de um certo preço, de um certo padrão próximas às suas semelhantes.  Edifícios de pequenos apartamentos no canto do terreno dedicado aos edifícios.  Numa área, casas tinham telhas de asfalto, em outra, casas de dois andares.  Tudo dentro das regras do plano urbano de desenvolvimento. Não há como sair da norma nestas comunidades.  Assim disfarça-se, também, a segregação financeira. 

 

Nestas comunidades fechadas, que lembram pequenas aldeias porque têm muitos serviços dedicados a uma pequena população: escolas de ensino básico, creches e até estádios esportivos; o que se vende é a sensação de segurança.   Ninguém questiona a falta de liberdade de mudar a cor do lado de fora da casa ou o tipo de telhado.  Cada uma tem regras específicas e claras estipuladas nas escrituras,  muitas das quais seriam inválidas  em território brasileiro. 

 

Vem à mente neste momento um bairro em Raleigh,  construído à volta de um lago – também escavado pelo homem.  Chamava-se: Rue Sans Famille.   Havia é claro muitas ruas nesta comunidade de centenas de casas.  A diferença deste bairro para outro estava numa única cláusula na escritura: a proibição de crianças morarem neste condomínio.  Assim, se você é jovem e está pensando aumentar a família, tem que primeiro vender a sua casa.  16 anos era a idade mínima para morar neste local.  Não importa se você é divorciado e os filhos vêm visitar.  A regra é clara e leva qualquer infrator à justiça:  sem crianças.

 

Eu me expando em explicações para simplesmente dizer que quando Claudia Piñeiro descreveu em seu livro As viúvas das quintas-feiras [Editora Alfaguara] a comunidade fechada nos arredores de Buenos Aires, pude imaginá-la muito bem.   Como seus semelhantes americanos, as pessoas que decidem morar em Altos de la Cascada  acreditam que não só o ar que respiram é mais limpo, mas que  todos os outros seres humanos não merecem nem o ar e nem o luxo que lhes é servido.  Como na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos, moradores de vizinhanças como essas fogem do crime, do perigo real ou imaginado que acreditam existir nas partes das cidades mais populosas e menos seletivas

Capa da edição argentina.

Capa da edição argentina.

 

 

 

 

Quando, no entanto, a economia local, regional ou mundial muda o perfil dos empregos e das companhias; e o desemprego, nunca antes previsto, começa ser percebido aqui e ali, penetrando até mesmo no território santificado destas comunidades, os habitantes destas ilhas de bem-aventurança, acham difícil manejar a realidade.  E de repente, se descobrem espiando vizinhos, analisando problemas com seus pares, com seus companheiros de golfe. Uma mudança brusca de status social se mostra difícil de ser encarada.  Há imediatamente uma divisão entre os verdadeiros sobreviventes – aqueles que se adaptam às novas circunstâncias – e os que insistem em viver como se nada pudesse os afetar.  A discriminação, no início sutil, chega a níveis impensáveis e a resoluções ainda mais incompreensíveis.

 

Passado na virada do século XXI, na Argentina, época em que aquele país sofria com uma crise econômica, os habitantes de Altos de La Cascada preferem ignorar a realidade fora das cercas de metal que os protege.   O romance, que tem um tempo rápido, maravilhoso, em plena compatibilidade com a época que está retratando, é muito intenso por mais ou menos seus primeiros dois terços.  Depois perde um pouco a mágica para recuperá-la no capítulo final com uma conclusão completamente inesperada.   Este final renasceu o meu interesse pela leitura e “salvou” o romance para mim.   Apesar do título, não são só as mulheres desta comunidade que são retratadas.  Seus maridos, seus filhos são tão parte da história quanto elas.   Diversos assuntos muito atuais são retratados de tal maneira que nos fazem pensar criticamente a respeito da sociedade em que vivemos: anti-semitismo, preconceito de cor, espancamento e abuso de mulheres, preferências sexuais inusitadas.  E para aumentar o nosso interesse há um mistério que precisa ser resolvido.  

 

Alejandra Lopez.

Claudia Piñeiro. Foto: Alejandra Lopez.

Acho que este é um ótimo livro para se levar numa pequena viagem de férias, para um fim de semana prolongado.  Ele mostra com cuidado o mundo em que todos nós vivemos e faz com que se considere: esta é  a maneira como realmente queremos viver nossas vidas?   Será que vale a pena nos isolarmos do mundo à nossa volta?  Vivermos rodeados só daqueles que se parecem conosco?  Perder o contexto, nos exilarmos da nossa textura cultural, é uma maneira plausível de solucionarmos problemas sociais?

Recomendo o livro.  Boa leitura.

 

Este livro ganhou o Prêmio Literário Clarín em 2005.

 

 

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Esta resenha apareceu primeiro em inglês na página: Living in the postcard.








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