A costureira e o cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles

1 10 2010

 

O Cangaceiro, 1988

Aldemir Martins ( Brasil, 1922-2006)

Acrílica sobre tela, 55 x 46 cm

Este ano, pelas minhas contas, li 39 livros de ficção tanto brasileira quanto estrangeira, e acho que acabei de ler o melhor de 2010.  Se não for o melhor ficarei surpresa.  Isso me levará a considerar  o ano extraordinário pela riqueza de bons textos: significa que ainda vou ter surpresas mais espetaculares do que tive com o livro de Frances de Pontes Peebles, intitulado A Costureira e o Cangaceiro [Nova Fronteira: 2009].  Foram 616 páginas que virei com prazer, curiosidade, ansiedade pelo desfecho e ainda fiquei com o gosto de “quero-mais”.

Este é um romance enraizado no estado de Pernambuco, que segue a vida de duas irmãs nascidas no início do século XX numa pequena cidade do interior do estado.  Emília só pensa em sair dali.  Faz de tudo para o conseguir.  Luzia que, ainda criança sofreu um acidente que a deixou com uma deficiência física, se vê sem futuro.  Mas a vida traz surpresas para ambas.  Cada qual persegue e procura um sonho, uma maneira de se realizar.  Seus caminhos são muito diversos, mas mesmo assim há uma forte conexão entre elas, que sem se falarem conseguem se manter “em contato” uma com a outra.  Nesse ínterim, a história do Brasil,  que no início do século parecia uma simples continuação do século XIX, dá uma guinada e Vargas sobe ao poder.  A vida de cada uma é inesperadamente virada pelo avesso com essa mudança feita lá no sudeste do país, por um gaúcho.   Ao longo do caminho, aprendemos muito sobre o Brasil, sobre a política regional de Pernambuco, sobre a oligarquia brasileira.  Ao fechar o volume, compreendemos que além de seguirmos as peripécias dessas duas mulheres fortes e corajosas, seguimos também os caminhos do país e em particular do estado de Pernambuco.  Finalmente compreende-se  a duplicidade das vidas urbana e do sertão em Pernambuco, que como irmãs gêmeas xifópagas, não podem ou conseguem viver separadamente.

Raramente temos um romance brasileiro – um romance histórico – com a precisão de detalhes dados de forma interessante sobre um específico período.  O que Frances de Pontes Peebles faz, é criar duas personagens críveis, na base de “gente como a gente”, e colocá-las interagindo com a sociedade brasileira já estabelecida.  As duas irmãs encontram por si só os caminhos que as levam a viver e sobreviver num mundo que só tem horizontes muito limitados para cada uma delas.  E nessa luta, nessa garra de não sucumbir às demandas sociais, nessa ânsia que ambas demonstram de sair do patamar em que ficariam, caso permanecessem na pequenina Taquaritinga do Norte, aprendemos sobre o Brasil, sobre a sociedade brasileira de uma época em que mal se votava e que nem as mulheres tinham direito ao voto. 

O que faz esse romance tão especial?  São muitas as razões: a voz narrativa, forte, sedutora.  Mas há mais: personagens interessantes e complexos: não nos encontramos com os típicos estereótipos nordestinos quer nos personagens, quer na paisagem; cada detalhe descrito encontra sua razão de ser ao longo da narrativa, até mesmo os que parecem estar lá para dar uma ambientação; na falta de outra documentação, a reconstituição histórica é maravilhosamente baseada nos trajes de época—que marcam a vida da costureira e nos levam através das décadas em questão.  Não há excessos.  Os detalhes fazem a história e seus personagens tridimensionais, o roteiro se mostra bem amarrado, e parece incrível dizer-se isso de um romance de mais de 600 páginas: mas é sucinto.  Como uma boa costureira, Frances de Pontes Peebles não dá ponto sem nó. 

Frances de Pontes Peebles

É necessário ressaltar a excelente tradução de Maria Helena Rouanet, cujo texto em português é riquíssimo em vocabulário e flui com uma destreza de mestre.  Uma das melhores traduções que encontrei recentemente de romances estrangeiros.   Frances de Pontes Peebles nasceu no Brasil,  mas passou grande parte de sua vida nos Estados Unidos.  Filha de mãe brasileira e de pai americano ela se sente mais à vontade no uso da língua inglesa.  E antes deste romance – que é o seu primeiro,  já havia publicado contos nos Estados Unidos.  Hoje ela mora no Brasil e quem quiser pode seguir suas aventuras aqui: http://francesdepontespeebles.com/

Não perca essa leitura.  Você vai adorar!   O meu grupo de leitura aprovou este romance por unanimidade.  É realmente muito bom.





Pobreza de espírito e de informações nas nossas capas de livros!

26 05 2010

O campo de Santana no Rio de Janeiro, 1818

Franz Joseph Frühbeck (Áustria 1795 — data de morte incerta, depois de 1830)

Gravura aquarelada

Há algum tempo quero escrever sobre as capas de livros publicados no Brasil.  Em primeiro lugar, gostaria de saber, porque é difícil encontrarmos o crédito [o nome do artista gráfico que fez a capa de um livro] das capas de livros por estas bandas?  Aliás, esta falta de informação não é de hoje: mesmo livros dos anos 40, 50, 60 do século passado que encontramos em sebos e que eram habitualmente ilustrados, muitas vezes  não têm a menção do autor (ou autores) das ilustrações.  Uma falta na ficha bibliográfica da obra.   Uma vergonha para a história da ilustração no Brasil, uma vergonha para editores que se diziam sérios.  Porque mesmo que as ilustrações usadas fossem compradas lá fora, deveríamos ter tido o direito, o acesso à informação de pelo menos os nomes dos ilustradores.

O livro ponto zero desta postagem foi lido em 2008, o charmoso Era no tempo do rei, de Ruy Castro, Alfaguara:2007, sucesso de vendas e, hoje, sucesso de dramaturgia depois de ter sido adaptado para o teatro.   Este foi um dos livros que o meu grupo de leitura mensal trouxe para discussão em março de 2008.  Entre as muitas observações que fizemos – que nos levaram de volta a deliciosos aspectos do Rio de Janeiro de 200 anos atrás — houve também a reclamação, entre nós, da falta de relação entre a capa e seu conteúdo.  Desde então tenho prestado mais atenção às capas dos livros que leio. 

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Era no tempo do rei se passa no Rio de Janeiro, logo depois da chegada da família real ao Brasil.  Num artigo do jornal O Globo, de 17 de novembro de 2007, Suzana Velasco lembra que  “ A primeira imagem que Ruy Castro pensou para o romance Era no tempo do rei foi a dos meninos Pedro e Leonardo fugindo pelos Arcos da Carioca”.  Como a jornalista sublinha a ambientação desse romance é no Rio de Janeiro colonial.  E aí olhamos para capa do livro e o que vemos?  Será que vemos uma paisagem do Rio de Janeiro colonial, dentre as tantas a que temos acesso através dos pintores viajantes de diferentes países?  Não.  Será que temos um desenho moderno de uma representação do Rio de Janeiro com os arcos monumentais dominando a paisagem de então?  Não.  Será que teríamos uma ilustração de dois meninos perambulando pelas ruas de um Rio de Janeiro colonial, feita por algum ilustrador nosso, de hoje?  Não

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O ferrolho, 1778

Jean Honoré Fragonard ( França, 1732 – 1822)

Óleo sobre tela, 73 x 93 cm

Museu do Louvre, Paris

O que temos em mãos é um quadro francês, do século XVIII, pintura de gênero, de uma suposta aventura amorosa, picante.   Nem preciso dizer que a Alfaguara,  selo da Editora Objetiva, do Grupo Santillana, não se deu ao trabalho de identificar para o leitor curioso – como a maioria das editoras estrangeiras o fazem no verso da página de rosto —  que a capa do livro era um detalhe de uma obra de Fragonard que se encontra no Louvre.   Ironicamente no portal da Editora Objetiva encontramos o seguinte texto:  A Objetiva se consolidou ao longo dos anos 90, como uma das editoras de referência no segmento de livros de interesse geral. Publica escritores de qualidade, como Luis Fernando Verissimo, Tony Judt, Arnaldo Jabor e Harold Bloom, entre tantos outros, assim como o Dicionário Houaiss, o mais completo da língua portuguesa. Atua em vários segmentos e especialmente em história, biografia, política, comportamento, humor, reportagem, ensaio e referência.  Referência?   Onde estava a referência ao quadro em questão?

Este assunto rodopiou na minha cabeça por muito tempo: tenho muitas perguntas que não cessam sobre a falta do costume de informações corretas no Brasil e, até certo ponto, a falta de cuidado com o livro, com o leitor, com a curiosidade alheia, o que é certamente o papel de uma editora.  Mas há três semanas, por outros motivos, me encontrei com o livro Don Juan acorrentado, da escritora carioca Wanda Fabian, publicado oito anos antes de Era no tempo do rei, pela Editora Lacerda:1999, leia-se Nova Aguilar, que é parte da Nova Fronteira.   E pasmem: tem a mesma capa de Era no tempo do rei.  O mesmo detalhe, o mesmo corte de imagem!

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Agora a pergunta que não cala:  só este quadro de Fragonard tem permissão de ser usado por editoras brasileiras para livros de ficção histórica?  É claro que não.  Por que então este favoritismo?  Eu poderia assumir que é pura preguiça, acomodação, falta de respeito ao leitor, falta de conhecimento do mercado editorial…  Mas, lá atrás, no fundo das minhas desconfianças, há uma voz gritando:  tem a ver com direitos autorais.  Tem a ver com imagem em domínio público.  Mas será que O ferrolho, de Fragonard, é o único quadro conhecido pelos editores?  Será que é a única imagem em domínio público?  Talvez tenha a ver com a divisão de marketing dessas editoras?  Será que ambas as editoras contrataram a mesma companhia de marketing?  Ou foi o  mesmo estagiário?  A pessoa de uma só obra de arte?  Como se justifica isso?  Quem pode me responder?





Mil tsurus ou Nuvens de Pássaros Brancos de Yasunari Kawabata

10 03 2009

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Foi durante o Carnaval de 2009 que encontrei a paz necessária para me dedicar à leitura de Nuvens de pássaros brancos [Nova Fronteira: 1969], meu primeiro livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1968 e considerado um dos maiores escritores do século XX no Japão.  

 

Neste livro, que curiosamente também foi editado no Brasil, por outros editores, com um outro nome: Mil Tsurus, seguimos os problemas de Kikuji Mitani, que depois da morte de seu pai acaba se encontrando durante uma cerimônia de chá com duas antigas amantes do falecido: a viúva Ota  e Chikako Kurimoto.   A partir deste momento, Kikuji é um pequeno inseto preso nas teias que essas mulheres tecem à sua volta.  Chikako luta por arranjar um casamento para Kikuji.  E a senhora Ota, passa a ter um relacionamento amoroso com Kikuji, filho de seu antigo amante.   Há ainda a bela e sedutora Fumiko, filha da Sra. Ota, que aos poucos cava um lugar para si própria no coração de Kikuji.  As intrigas entre todas as mulheres são constantes e bastante malévolas.  E mesmo sem ser uma conhecedora da literatura japonesa em geral elas me lembraram as intrigas da corte, tão bem retratadas nas histórias de Genji.   

 

 

kawabata

 

 

 

Mesmo através de tradução, neste caso feita por Paulo Hecker Filho, podemos sentir uma linguagem extremamente poética e delicada, quase ritualística, um paralelo perfeito aos procedimentos da cerimônia do chá, que neste romance tem papel central no desenvolvimento da trama, servindo também de contraponto de beleza e serenidade a um mundo que apesar de dominado por gestos gentis, pela beleza das mulheres, é repleto de disse-me-disses, de alfinetadas, que criam distúrbios numa vida que poderia, outrossim, ser tão bucólica e meticulosa quanto a cerimônia em questão.  

 

Surpreendente, é ver este jovem, que capaz de desfrutar dos prazeres sensuais mais diversos, capaz de imaginar prazeres e de se render ao desejo sexual, se deixar dominar não só pelos rituais e costumes da boa forma, como e principalmente pelas mulheres que o cercam.  Kikuji é quase uma vítima de conjecturas femininas, de ações que por pouco não lhe destituem de todo, ou quase todo, o poder sobre sua vida.  

 

Reconheço que, provavelmente para apreciar devidamente, para saborear  as descrições sensíveis dos personagens, deveria ser útil uma maior familiaridade com a cerimônia do chá no Japão.  No entanto, mesmo sem este conhecimento, reconheço a felicidade de certas imagens que Kawabata seleciona no romance, como as marcas de batom da Sra. Ota  no mizusachi , uma imagem belíssima, poética e representativa da presença permanente desta senhora em sua vida e na vida de sua filha.

 

Estudiosos da obra de Kawabata dizem que há três assuntos que permeiam os romances do autor: o mundo feminino, a sexualidade humana e o tema da morte.  Todos os três estão presentes neste romance.  Todos delicadamente manuseados, talhados, desenhados para que se incluam no romance com naturalidade e poesia.   Com mestria. 

 

 

kawabata-1 O escritor Yasunari Kawabata

 

 

Recomendo a leitura deste livro.  É fascinante, mesmo que às vezes se tenha a noção de não se estar captando tudo, tudo que foi selecionado e representado pelo autor, por falta de familiaridade com a cultura japonesa.   Não importa.  Vale a pena.





O sol dos Scorta de Laurent Gaudé: não deixe de ler!

4 01 2009
Puglia, Alberobello

Puglia, Alberobello

 

 

 

 

Há muitos anos, quando morava em Portugal, fui atrás da aldeia de onde meu avô paterno emigrou para o Brasil. Deveria dizer minha bisavó, já que meu avô era um menino de 10 anos e ela viúva.  Foi nesta época que descobri a pequenez de uma aldeia, perdida nos campos quase áridos de Trás-os-montes.  O lugar não chegava a umas 80 casinhas, mas havia uma igreja, onde por uma vez assisti a uma missa num domingo.  

 

A aldeia, presença constante nos rincões europeus, materializou-se vívida na leitura de O sol dos Scorta,  ( Nova Fronteira: 2005) livro de Laurent Gaudé, que escolhi como leitura neste longo fim de semana da virada do ano.  A Puglia — o salto da bota da Itália — é muito distante dos vilarejos do norte de Portugal.  Mas os seres que habitam ambos os lugares são semelhantes nas suas privações, nos seus encontros com uma Natureza inóspita, no laivo de um sistema de terras medieval, enraizado nas almas de seus habitantes e também na Igreja como personagem ativo, tanto positivo quanto negativo, que se faz presente e interfere no dia a dia de todos.  Estes são aspectos comuns destes vilarejos europeus, incrustados nas partes de mais arredio acesso do território latino.  Talvez a minha imaginação tenha sido vastamente beneficiada pela magnífica narrativa do autor, que com este livro ganhou o Prêmio Goncourt de 2004 assim como pela tradução de Maria Helena Rouanet.

  

scorta

  

Apesar de a aldeia – chamada Montepuccio —  e a Igreja serem personagens nesta história, não são, contudo, seus principais elementos.  Nas 235 páginas deste romance seguimos a formação e continuação de uma família, os Scorta.  Conhecemos quatro gerações, mas maior ênfase é dada à terceira geração, quando a família incluindo seus agregados, se torna uma entidade de maior importância que seus membros, que suas partes.  

 

A narrativa cobre aproximadamente cem anos da dinastia Scorta, uma família que começa bastarda, resultado de uma vingança e de um engano, mas voluntariamente, desejosamente trazida à luz.  E é neste balanço entre o certo e o errado, entre o que se deseja e o que se consegue, entre o roubo e a honestidade, que esta família sobrevive, vinga e permanece através das gerações.  Seus personagens trançam seus destinos entre um namoro e o desapego do bem com o mal: seres humanos complexos com uma aparência simples.  Só a família, esta sim, é o que importa, personagem central da trama, para ela todos os sacrifícios são válidos. É a seus pés que colocamos nossas oferendas, através dela que realizamos nossos sonhos, e por ela que vivemos, sofremos, bebemos e amamos.  

 

 

O escritor Laurent Gaudé

O escritor Laurent Gaudé

 

  

Este livro me chegou às mãos por acaso.  No entanto é um livro que mereceria maior divulgação.  Não só a narrativa é executada com mestria como a trama parece refletir contos ancestrais, povoados de personagens cujos arquétipos trazemos entre nós no nosso imaginário comum, no nosso inconsciente coletivo.  Lê-lo pede uma reflexão sobre os nossos hábitos e costumes.  Lendo-o podemos conhecer um pouco mais sobre quem somos.  Não pense duas vezes.  Ponha este livro nas suas listas de leitura para 2009.

 

 





O poder econômico de um prêmio literário

27 11 2008

 

 

Quando via um grande prêmio de literatura como o Man Booker Prize ser dado a alguém sempre ficava com pena dos escritores que são mencionados como finalistas, mas que não tiveram suas obras agraciadas.  Menciono o Man reading-hammockBooker porque eles anunciam com antecedência os escritores finalistas, e então sabemos quem perdeu.  Hoje, voltando à página deste prêmio, procurando por uma referência sobre um autor inglês, encontrei uma resposta de A. S. Byatt, vencedora do Man Booker em 1990 com o livro Possessão, Companhia das Letras: 1992, São Paulo, dizendo que ela finalmente iria ter dinheiro suficiente para construir seu sonho de longa data: uma piscina na sua residência na França (Provence).

 

Diversas coisas passaram pela minha cabeça.  Primeiro fiquei desapontada.  E me perguntei por quê?  Por que desapontada? Estaria eu esperando uma resposta do tipo  finalista a Miss Universo?  Quero acabar com a fome no mundo!  Não, eu mesma afastei aquele pensamento, rapidinho.   Depois veio aquele sentimento: acho que não gosto dessa pessoa, deve ser muito voltada para si mesma: do time do eu, eu, eu.  Até procurei me lembrar se havia gostado mesmo daquele livro de sua autoria, Possessão Só me lembro que havia uma correspondência maravilhosa.  Esse foi o tempo de muitos livros epistolares no meu horizonte!

 

Depois de alguns momentos de reflexão fui à cata de prêmios e de valores.  E num instante aprendi a não me sentir mal pelos autores que não ganharam o maior prêmio, porque funciona como se eles estivessem concorrendo ao reading-woman-with-parasol-in-redprêmio de Miss Brasil: onde a primeira colocada leva tudo, mas a segunda concorre para Miss Mundo, a terceira para um outro prêmio, ou vice-versa, e ainda tem o prêmio Miss Simpatia, Miss Fotogênica, etc.  Bem com os autores finalistas do Booker, há também mais; além do fato de para sempre serem mencionados como: finalista do Man Booker Prize.   

 

Pegando carona no próprio portal do Man Booker, vi que  dos 13 livros da longa lista de finalistas deste ano, 11 tiveram um aumento significativo de vendas na semana seguinte à publicação da lista.  O livro de Salman Rushdie,  The Enchantress of Florence  [No Brasil – A Feiticeira de Florença, Cia das Letras: 2008, SP] continuava onde já estava, na liderança de vendas em 7/8/2008, mas teve um aumento de 56.5%  nas vendas do momento em que seu nome foi mencionado entre os 13 finalistas.  O livro de Linda Grant, The Clothes on Their Backs [ sem publicação no Brasil] teve proporcionalmente o maior aumento nas vendas dos finalistas.  Havia até então vendido simplesmente 13 volumes na semana anterior, terminada em 26/7/2008.  Na semana seguinte à inclusão do livro entre os finalistas do Booker, este livro vendeu 144 volumes.

 

Outro aumento de vendas ocorreu com o livro de Tom Rob Smith,  Child 44 [No Brasil – Criança 44, Record: 2008, Rio de Janeiro] , aparentemente uma escolha que causou alguma controvérsia entre o público e aumentou as vendas deste livro de suspense por 250% ; isto para um livro que já havia vendido 8.000 volumes antes de ser nomeado para a longa lista de finalistas.   

 

Não tenho os números para a vendagem dos títulos depois que a pequena lista de 6 finalistas foi anunciada.  Havia este ano dois escritores estreantes Steve Toltz e Aravind Adiga.  Este, o autor de  The White Tiger [No Brasil —  O tigre branco, Nova Fronteira: 2008, Rio de Janeiro]  que ganhou o prêmio, os £50.000 do primeiro lugar e mais os £2.500 que cada um dos 6 finalistas receberam.  

 

Com orgulho, como deve ser feito, os administradores do Man Booker Prize mostram como este prêmio auxilia o reconhecimento do autor e de sua obra. nobu_lisant_409 Eles citam que Anne Enright, (vencedora em 2007) com o livro The Gathering, [No Brasil – O Encontro, Alfaguara Brasil: 2008, RJ] fez uma tour mundial para lançamento de seu livro.  O mesmo aconteceu com Kiran Desai, (vencedor em 2006) com o livro The Inheritance of Loss [No Brasil – O Legado da Perda, Alfaguara Brasil: 2007, RJ].  Em 2005,  o livro vencedor de John Banville,  The Sea  [No Brasil — O Mar, Nova Fronteira:2007, RJ] vendeu 250.000 volumes depois do prêmio e as vendas, de acordo com seu editor,  aumentaram dramaticamente para os antigos títulos do autor.  Em 2004 o livro The Line of Beauty, de Alan Hollinghurst [no Brasil – A linha da beleza, Nova Fronteira: 2005, RJ] vencedor do maior prêmio chegou às listas dos mais vendidos, o mesmo acontecendo com os vencedores de 2002, Life of Pi de Yann Martel [ No Brasil, A vida de Pi, Rocco:2004, RJ] e o de 2003, Vernon God Little de DBC Pierre [No Brasil – Vernon God Little, Record: 2004, RJ].

 

Procurei e não consegui este tipo de informação sobre vendas no Brasil depois que um livro ganha um prêmio respeitável.  Informação no Brasil, principalmente levando em conta vendas editoriaís, são segredos guardados a sete chaves.  Falta muito para termos o acesso a informação generalizada que acontece principalmente nos países de língua inglesa.  Mas duvido que as vendas dos nossos escritores aumentem significativamente depois que eles se descobrem vencedores de prêmios.  Primeiro, que não conseguimos ainda determinar qual é o prêmio mais importante no Brasil.  Há correntes a favor deste ou daquele.  E depois, quem é aqui no Brasil, uma pessoa comum, letrada, lida, que você ouve dizer:  leia Fulano de Tal, porque ele foi um dos finalistas do Prêmio X, e esses escritores são sempre muito bons?  Esse prêmio tem sempre em mente, não só o valor literário mas também o pulso do gosto do publico leitor? Você conhece alguém que diga isso a respeito do Prêmio Jabuti, Prêmio Portugal Telecom, Prêmio São Paulo de Literatura?  Eu não conheço…  Será um problema de marketing?  Por que eles não estão chegando às pessoas que eu conheço que lêem de 40 a 60 livros por anos?  Fica aqui a minha pergunta. 

 

Ah, sim, e para terminar, se um dia eu ganhar um prêmio assim, vocês não precisam se preocupar: ele não vai para uma piscina na França.  Garanto que não haverá evasão de divisas.  Consigo usar satisfatoriamente o dinheiro por aqui mesmo, onde moro… 





Imigrar ou não? Thrity Umrigar em A doçura do mundo — Resenha

23 08 2008

Muitos de meus amigos recomendaram a leitura do livro:  A doçura do mundo de Thrity Umrigar (Editora Nova Fronteira, 2008 ) cujo lançamento foi marcado também pela presença da escritora indiana no Festival Literário de Florianópolis em maio deste ano.  O livro, como todos os outros que li desta autora, é muito bem escrito e diferente de sua fama pelas obras anteriores, esse é um livro alegre, às vezes mesmo até engraçado, com um final feliz ou satisfatório. 

 

A recomendação veio também porque sempre tive curiosidade sobre os problemas desenvolvidos com a identidade cultural de uma pessoa que passa a viver como imigrante.  Por mais que se doure a pílula, por mais que se pinte a realidade de um país contra os aspectos de outro, a verdade é que a não ser que a sua imigração seja feita quando você ainda é muito jovem, quando você ainda está no processo de forjar uma identidade própria, a adaptação a um novo país assim como a adoção dos valores culturais da nova terra podem freqüentemente ser de difícil aceitação intima para o imigrante.

 

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

 

Thrity Umrigar é uma imigrante.  Sensível como escritora e objetiva como jornalista, duas profissões que exerce nos Estado Unidos, ela está familiarizada e demonstra isso e em seus livros, com os problemas peculiares da identidade cultural, dos preconceitos, da saber-se de fora, do sentir-se de fora, assim como do saber e sentir-se acolhido.  Ela conhece pela própria experiência todas as idiossincrasias culturais que perduram no imigrante, além de seu sotaque na língua estrangeira.   Assim sua narrativa é verdadeira e aponta para os sentimentos mais delicados que envolvem a imigração.

 

 

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

 

A história deste livro é simples.  Um rapaz, Sorab, nascido em Bombaim tem como sonho ir para os EUA.  Conseguindo entrar para a universidade naquele país ele imigra, primeiro como estudante e depois permanece nos EUA a trabalho.  Seguindo suas aptidões consegue desenvolver uma brilhante carreira.  Neste meio tempo apaixona-se por uma americana com quem se casa e tem um filho.   Seus pais, jovens ainda pelos padrões de hoje, o visitam regularmente.  Até que o pai morre subitamente de um problema cardíaco.  Sua mãe, Tehmina [Tammy para os americanos] se encontra então com uma difícil escolha: aos 66 anos precisa decidir se deverá  imigrar para os EUA e ficar junto ao seu único filho, sua nora e neto, porém numa sociedade que a espanta e surpreende pela diferença de hábitos que seus habitantes demonstram; ou ficar no seu país natal, no apartamento onde sempre morou, rodeada das pessoas que conhece, que também ama e com quem sempre conviveu.  A história se desenrola muito bem aprumada na inteligência e sensibilidade de Tehmina; que se encontra também aterrorizada por tomar esta decisão sozinha.  Desde jovem todas as suas decisões eram balanceadas pela opinião do marido.

 

Muito rico em verdadeiras situações pelas quais um recém-chegado passa num país estrangeiro em que começa a viver, o romance de Thrity Umrigar mantém um ritmo muito bom por quase todo o livro.  Minha única crítica é sobre o fechamento da história.   A escritora parece ter adotado a visão americana de narrativa e leva os dois últimos capítulos fechando cada  fio da meada com uma soluções redundantes para o bom leitor.  Esses detalhes me lembraram os programas de televisão daquele país que conseguem resolver e solucionar os problemas mais amplos e delicados em comédias de 30 minutos.  Fora esta necessidade de aferrolhar os tópicos, de não deixar nada para a imaginação do leitor, não tenho maiores críticas ao livro que certamente deve ser lido por todos aqueles que pensam em imigrar ou que conhecem alguém que o fez.  Esse é um retrato sensível das muitas questões envolvendo o imigrante.

 

 

A escritora Thrity Umrigar.

A escritora Thrity Umrigar.





Vamos dar a volta ao mundo com um romance policial?

28 07 2008

 

Esta postagem é baseada no artigo Crime fiction: Around the world in 80 sleuths [Romance policial: a volta ao mundo com 80 detetives] de Jonathan Gibbs.  Que saiu na terça-feira passada, dia 22/7/2008, no The Independent, na Grã-Bretanha.

 

Como sabemos a Europa está entrando de férias – o mês mais popular para férias UE é agosto.  Assim, Jonathan Gibbs, nos dá a idéia de viajarmos pelo mundo com os nossos detetives, sem sair de casa, economizando não só a preciosa gasolina, mas aprendendo sobre mais lugares do que uma viagem faria possível.   A lista é longa.  Fiz uma busca na internet onde encontrei diversos livros em português.  Mesmo sem passarmos por 80 detetives, podemos dar a volta ao mundo.

 

 

E você, pensando em tirar férias?

 

 

Explicação dos códigos de cores:

 

Azul: país ou cidade que visitamos. 

 

Verde: título da obra.  Sempre que possível a sugerida.  Se não é possível mas existe outro livro do autor em português colocamos o título aqui e mencionamos o livro sugerido que ainda não está traduzido.

 

Cinza claro:  Nenhuma obra do autor encontrada em português.  Mas mantive aqui na lista para aqueles que lêem também em inglês e que gostariam da sugestão.

 

NB: se a obra não existe no Brasil, mas descobrimos que existe em Portugal, coloquei aqui a versão portuguesa.

 

 

 

Vamos viajar:

 

1. Groenlândia: assassinato em Copenhaguem.  Mas Smilla Jaspersen  vai até a costa na busca do assassino no livro de Peter Hoeg.  [Senhorita Smila e o Sentido da Neve, Companhia das Letras: 1994] 

 

2. Reikjavik: Arnaldur Indridason com seu inspetor  Erlendur dá o tom à Escandinávia.

[A cidade dos vidros, Record: 2008]

 

3. Ilhas Shetland: Ann Cleeves, sem tradução para o português.  Sugestão: Read ‘Raven Black’ (Ed. Pan)

 

4. Glasgow:  Sem tradução para o português.  Sugestão: ‘Garnethill’ (Bantam Ed.)

 

5. Edinburgo: Inspetor Rebus, de Ian Rankin passa seu tempo nesta cidade.  [Questão de sangue, Companhia das Letras: 2007]  Sugestão: ‘Knots and Crosses’ (Orion Ed.)

 

6. Irlanda do Norte: Sem tradução para o português.  Irlanda do Norte é o  local  onde o bibliotecário Israel Armstrong decifra os mistérios, criados por Ian Samson.  Sugestão: ‘The Case of the Missing Books’ (4th Estate)

 

7. Irlanda Rural ou o Interior da Irlanda: Leonie Swann é o escritor que recomendam nesta área.  A Editora Rocco estava programada para lançar um livro no segundo semestre de 2007 – o primeiro deste autor no Brasil – mas até agora este lançamento não aconteceu.  Sugestão:  ‘Three Bags Full’ (Ed Black Swan)

 

8. Dublim:  Autor: Declan Hughes.  Até agora sem tradução para o português.  Sugestão: ‘The Wrong Kind of Blood’ (John Murray)

 

9. Yorkshire: Autor:  Wilkie Collins, A Pedra da Lua, Record: 2001

 

10. South Wales  Autor:  Robert Lewis. Até agora sem tradução para o português.   Sugestão: ‘The Last Llanelli Train’ (Serpent’s Tail)

 

11. Oxford Autor: Colin Dexter, O assassinato no canal de Oxford, Paulicéia: 1991

 

12. Londres: Autor: Derek Raymond, também conhecido como Robin Cook.  Diversos títulos em português. 

 

13. Brighton  Autor: Peter James Até agora sem tradução para o português.   Sugestão: ‘Dead Simple’ (Pan)

 

14. Normandia: Georges Simenon, Maigret e a velha senhora, Livros do Brasil: 1995; Diversos títulos em português. 

 

15. Paris: para ler alguém além de Maigret, procure pelo Inspector Adamsberg nos livros de Fred Vargas, O homem dos círculos azuis, Editora Cia das Letras, 2006.  Outros títulos em português.

 

16. Galicia:  policial Leo Caldas é o herói deste escritor noire Domingo Villar. Sugestão: ‘Water-Blue Eyes’ (Arcadia)

 

17. Lisboa: o inglês Robert Wilson criou o Inspetor Zé Coelho no Portugal de hoje em:  Uma pequena morte em Lisboa, Editora Record, 2002.

 

18. Madrid: livros de Rafael Reig . Sugestão: ‘Blood on the Saddle’ (Serpent’s Tail)

 

19. Marselha: escritor Jean-Claude Izzo, histórias de guangues organizadas ou desorganizadas.  Inspetor Montale resolve.  Caos total Editora Record, 2002. Outros títulos em português.

 

20. Berna, Suiça: escritor, Friedrich Glauser tem o seu personagem Sargento Studer resolver crimes nos Alpes.  Sugestão: In Matto’s Realm (Bitter Lemon Press)

 

21. Meiringen, Suiça.  Arthur Conan-Doyle, Memórias de Sherlock Holmes.  Há duas edições brasileiras no momento. Editora Martin Claret, 2005  e também Editora LP&M , 2005.

 

22. Toscana: autor Michele Giuttari com seu super chefe de policia Michele. Sugestão:

‘A Florentine Death’ (Abacus)

23. Roma.  A sugestão Cabal não está traduzida.  Mas de Michael Dibdin em português temos; Vendetta, Editora Cia das Letras, 1998. [infelizmente não se passa em Roma]

 

24. Sicilia:  Andrea Camilleri velho conhecido dos brasileiros apresentou seu Inspetor Montalbano  neste livro:  A forma da água, Editora Record, 1999 .  Muitos outros títulos em português.

 

25. Atenas: Inspetor Costas Haritos, criação do autor Petros Markaris, nos mostra uma Grécia que os turistas não vêem.  Nenhuma tradução no Brasil. Uma em Portugal: Jornal da Noite, Editora Asa, 2006. Sugestão dada: ‘Zone Defence’ (Vintage)

 

26. Áustria  Paulus Hochgatterer leva o crime aos Alpes austríacos.  Sugestão: ‘The Sweetness of Life’ (Quercus)

 

27. Praga:  Pavel Kohout. Sugestão: ‘The Widow Killer’ (Picador US)

 

28. Frankfurt: o escritor  Jakob Arjouni, criou o grande detective turco Kemal Kayankaya e seus livros tem um ritmo frenético.  Kismet, Editora Best Seller, 2002.  Sugestão: ‘Happy Birthday, Turk’ (No Exit Press)

 

29. Amsterdã:  Inspetor Piet Van der Valk aparece no livro de Nicolas Freeling, Por causa das gatas, Editora Edameris, 1967.  Há muitos outros livros deste autor em português – autor publicado nos anos 60 e 70.  

 

30. Berlim:  Na  lista de super detetives precisa estar  Emil Tischbein, criação de Erich Kästner.  Sugestão: ‘Emil and the Detectives’ (Red Fox)

 

31. Breslau, Polônia:  Qualquer um dos 4 livros de  Marek Krajewskis com o Inspetor Eberhard Mock.  Sugestão ‘Death in Breslau’,  (published in translation by Quercus)

 

32. Königsberg, Prússia, autor: Michael Gregório e seu herói Hanno Stiffeniis.  Crítica da razão criminosa,  Editora Paneta do Brasil: 2006

 

33. Ystad, Suécia,  Inspeor Wallander em Ystad, mostra a popularidade Henning Mankell, responsável por grande crescimento na ficção criminalística da Escandinávia. Assassinos sem rosto, Editora Cia das Letras: 2001. Outros livros do autor em português.

 

34. Copenhagem; Per Toftlund  é o detective do autor Leif Davidsen.   Sugestão: The Serbian Dane’ (Arcadia)

 

35. Noruega.  Karin Fossum criou o Inspetor.  Só em Portugal: O Olhar de um desconhecido, Editora Presença, 2005

 

36. Lapônia: Kerstin Ekman criou o Inspetor Torsson, que anda de skis. Sugestão:

‘Blackwater’ (Picador)

 

37. Helsinki O autor Matti Joensuu colocou o detetive, finlandês,  Inspetor Harjunpaa, no mapa mundial.  Sugestão: ‘The Priest of Evil’ (Arcadia)

 

38. São Petersburgo, Rússia: Leia do autor inglês, R.N. Morris as aventuras do detetive Porfírio Petrovich, criado por Dostoevisky em Crime e Castigo. 

O machado gentil, Editora Planeta do Brasil: 2007

 

39. Moscou: Não histórias passadas na Rússia contemporânea.  Mas Boris Akunin  faz a gente se esquecer disto com seus romances policiais.  Leia:  Rainha do inverno, Editora Objetiva: 2003.  Há outros títulos do autor no Brasil.

 

40. Istambul: autora inglesa cujos livros se baseiam na Turquia.  Sugestão:

‘Belshazzar’s Daughter’ (Headline)

 

41. Alaska: o autor americano Michael Chabon tem no Detective Meyer Landsman um policial intenso.  Só encontrei deste autor em português: Garotos incríveis, Editora Record: 2000.  A sugestão havia sido ‘The Yiddish Policemen’s Union’ (Harper)

 

 

42. Honolulu: Só há um grande detective havaiano, e seis livros de suas aventuras.  O autor é  Earl Derr Biggers e o detective: Charlie Chan com sua grande gfamília de 14 filhos. [apesar de eu ter lido Charlie Chan em português ainda jovem, não encontrei nenhuma edição brasileira no momento].  Em Portugal seus livros estão circulando. A casa sem chaves, Editora Livros do Brasil: 1991.  Há outros títulos em Portugal também, pela mesma editora.

 

43. Seattle: GM Ford.  Sugestão: ‘Fury’ (Pan)

 

44. São Francisco – Sugestão: Cinnamon Kiss (Phoenix), não existe ainda no Mercado brasileiro, mas há diversos outros livros de Walter Mosley em português.

 

45. Los Angeles James Ellroy criou o Detetive Lloyd Hopkins, que exemplifica seu trabalho.  Los Angeles, cidade proibida, Record, 1997. Há outros títulos do mesmo autor em português.

 

46. Las Vegas, o divertido livro de CaroleDouglas:  ‘Catnap’ (Forge)

 

47. Chicago: a autora Sara Paretsky já fartamente conhecida no Brasil é a recomendada.   No ardor das chamas, Editora Rocco, 2001.

 

48. Ontario:  o canadense  sempre coloca suas histórias no frio do Canada.  Sugestão: ‘Forty Words For Sorrow’ (Harper)

 

49. Montreal: Kathy Reichs, Segunda-feira de luto, Editora Ediouro: 2006. Sugestão feita: ‘Déjà Dead’ (Arrow)

 

50. West Point, New York  o romance de época de Louis Bayard, O pálido olho azul, Editora Planeta do Brasil, 2007.

 

51. Massachusetts: A série de Jesse Stone, que se passa na pequena cidade de  Paraíso, é produto da mente de Robert B Parker.  Seus livros só encontrei em português de Portugal, pela Editora Europa-America.  Entre diversos títulos não achei a Sugestão: ‘Night Passage’ (No Exit Press)

 

52. Nova York: descubra  Rex Stout.  Seus romances são liderados pelo detetive Nero Wolfe.  Apesar de diversos títulos existirem no Brasil, o livro recomendado, só aparece na internet com a edição de Portugal.  Orquídeas Negras, Editora Livros do Brasil: 1997.

 

53. Brooklyn: Jonathan Lethem escreveu este livro de suspense com um detetive Amador com a syndrome de Tourette.   Ótimo livro fora dos padrões.  Brooklyn sem pai nem mãe, Editora Cia das Letras, 2002.

 

54. Washington DC é território de George Pelecanos que escreveu uma dúzia de livros passados nesta capital.  Sugestão: ‘The Big Blowdown’ (Serpent’s Tail) . Não achei, mas há diversos títulos traduzidos para o português.

 

55. New Orleans: Dave Robicheaux Sugestão: ‘Heaven’s Prisoners’ (Phoenix)

 

56. Miami: Nick Stone  e seu Max Mingus.  Sugestão: ‘Mr Clarinet’ (Penguin)

 

57. Havana: Leonardo Padura fez seu herói o detective cubano Mario Conde, conhecido no mundo.  Sugestão: ‘Havana Blue’ (Bitter Lemon)

 

58. México: Paco Ignacio Taibo II é o escritor policial do México.  Conheça: Mortos incômodos, falta o que falta, Editora Planeta do Brasil: 2002

 

59. Caribe: na falta de autores locais, a sugestão feita foi o livro de Agatha Christie, O mistério no Caribe, Editora LP&M: 2007, estreando Miss Marple.

 

60. Rio de Janeiro: Inspetor Espinosa de Luiz Alfredo Garcia-Roza foi sugerido com o título: O silêncio da chuva, Editora Cia das Letras: 2000; ou Editora Cia de Bolso: 2005 

 

 

 

61. Buenos Aires: Manuel Vazquez Montalban fez desta cidade a localização do maravilhoso policial: O quinteto de Buenos Aires, Editora Cia das Letras: 2000.  

 

62. Marrocos: Abdelilah Hamdouchi é o primeiro autor árabe do gênero policial a ser traduzido para o ingles.  Sugestão: ‘The Final Bet’ (Modern Arabic Literature)

 

63. Argel:  Yasmina Khadra em geral tem suas histórias passadas em Cabul.  Mas em Double Blank (Toby Press) a localização é a cidade de Argel.  Outros livros deste autor podem ser encontrados em  português.

 

64. Israel: Os romances deste herói, Omar Yussef, professor de história, são muito interessantes pelo conteúdo, leia de Matt Rees, O traidor de Belém, Editora Planeta do Brasil: 2007.

 

65. Egito: Voltamos a Agatha Christie com Morte no Nilo, Editora Nova Fronteira: 2006. Um clássico com Hercule Poirot.

 

66. Jeddah: Zoë Ferrari: Sugestão ‘The Night of the Mi’raj’ (Little, Brown)

 

67. Botsuana, o maravilhoso  Alexander McCall-Smith é o autor do livro recomendado:  Agencia n° 1 de mulheres detetives, Editora Cia das Letras: 2003.

 

68. Mumbai Vickam Chandra.  Sugestão: ‘Sacred Games’ (Faber)

 

69. Calcutá:  Satyajit Ray mais conhecido pelos seus filmes é também autor.  Sugestão:   ‘The Adventures of Feluda’ (Puffin)

 

70. Mongólia:  Michael Walters: Sugestão, ‘The Shadow Walker’ (Quercus)

 

71. Mar de Bering: Nada melhor do que Estrela Polar, Editora Record: 1989 de Martin Cruz Smith, o livro seqüencia de seu favorito do público Parque Gorki.  Estrela Polar só achei em sebos, parece estar esgotado. Há outros livros do autor em tradução.

 

72. Beijing: Diane Wei Liang, O olho de jade, Editora Record: 2008 criou a detetive Mei Wang.  A recente publicação no Brasil nos deixa ver um pouquinho da China atual.

 

73. Tokyo:  há alguns detetives japoneses, mas para um tradicional livro policial passado no Japão sugestão:  David Peace, Ano zero, primeiro volume da trilogia.  Recentemente traduzido para o português, publicado em Portugal: Tóquio, ano zero, Editora Tinta da China: 2008

 

74. Shanghai: Qui Xiaolong criou o Inspetor Chen.  Ótimo retrato da China atual.  Sugestão: ‘Death of a Red Heroine’ (Sceptre)

 

75. Laos: O humor do escritor inglês Colin Cotterill permeia as páginas de seus livros.  Sugestão: ‘The Coroner’s Lunch’ (Quercus)

 

76. Bangcoc: O canadense Christopher G Moore já há tempos é conhecido pelo seu detetive americano na Tailândia.  Sugestão: ‘The Risk of Infidelity Index’ (Atlantic)

 

77. Territórios do Norte [Austrália]: Sugestão: autor australiano Adrian Hyland,  ‘Diamond Dove’ (Quercus)

 

78. Vitória, Austrália: Recomendação: Peter Temple, The Broken Shore.  Deste autor só encontrei um outro livro, em Portugal: Abismo de Sangue, Editora Gótica: 2008.

 

79. Nova Zealândia:  Ngaio Marsh é uma escritora clássica de policiais.  Junto com Christie, Sayers e Allingham é uma das rainhas do crime.  Diversos livros dela se encontram traduzidos e esgotados.  Só encontrados por mim em portal de livros usados. Sugestão: ‘Vintage Murder’ (Harper)

 

80. Polo Sul: Greg Rucka romance gráfico: Whiteout: morte no gelo, Editora Devir: 2007

 

 

Assim termina a nossa lista.  Mesmo sem todos os títulos mencionados, poderemos fazer uma volta ao mundo com estes detetives.  Espero que vocês aproveitem para pegar uma carona.

 

Bon Voyage!

 

 








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