Sobre o sucesso nas artes, texto de Amy Tan

15 06 2019

 

 

 

pintor, al parker, 1959Ilustração Al Parker, 1959.

 

 

“Pensei que em toda minha vida ninguém havia me amado total e desesperadamente. Ah, houve um tempo em que acreditei que Stefan Cheval gostava de mim dessa maneira — sim, o famoso e polêmico Stefan Cheval. Mas isso foi há séculos, pouco antes daquele congressista de pele rosada ter declarado que suas pinturas eram “obscenas e antiamericanas”. Minha opinião? Para ser absolutamente sincera, eu achava que a série de Stefan Liberdade de Escolha, era dramática e clichê. Vocês sabem do que estou falando: os guaches retratando a bandeira americana misturada com bois e vacas, cães mortos por eutanásia, monitores de computador — ou será que eram aparelhos de TV naquela época? Em todo caso, pilhas e pilhas de excessos para mostrar o desperdício imoral. O vermelho da bandeira era cor de sangue, o azul era berrante e o branco da cor de “esperma ejaculado”, de acordo com a descrição do próprio Stefan. Ele sem dúvida não era nenhum Jasper Johns. Entretanto, depois que a obra de Stefan foi execrada, ela foi clamorosamente defendida por grupos de direitos humanos pela ACLU, pelos departamentos de arte das melhores universidades americanas e por todos aqueles tipos liberais defensores das liberdades civis. Permitam-me dizer, foram eles que atribuíram à obra mensagens grandiosas que Stefan jamais havia pretendido. Eles viram as complexidades das camadas significativas, viram como certos valores e estilos de vida eram considerados mais importantes do que outros, e como nós, os americanos, precisávamos do choque da feiúra para reconhecer nossos valores e responsabilidades. Os regatos [SIC] de esperma eram especialmente citados como representativos da fome de prazer incontrolável que nos levava à desordem e à proliferação. Tempos depois, a desordem se referia ao aquecimento global e à proliferação de armas nucleares. Foi assim que aconteceu dele se tornar famoso. Os preços subiram. O simples mortal virou um ícone. Alguns anos mais tarde até igrejas e escolas tinham pôsteres e cartões-postais de seus temas mais apreciados e as galerias franqueadas dos grandes centros turísticos logo criaram um negócio lucrativo vendendo suas serigrafias de edição limitada, junto com gravuras de Dali, Neiman e Kincade.”

 

Em: As redes da ilusão, Amy Tan, tradução Ana Deiró, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, pp: 26-27.





Uma professora diferente!

23 12 2011

Ilustração, T. J. Overnell.

Raramente leio livro de contos, mas fiquei muito feliz de ter tomado conhecimento dessa autora americana, Sarah Shun-lien Bynum, por indicação da livreira a quem recorro quando “não tenho nada para ler”, mesmo que as prateleiras de minhas estantes estejam repletas de volumes novos ainda por serem degustados.

Este é um conjunto de contos, eu hesito em dizer contos, pois que raramente têm um início, meio e fim, como imaginaríamos, mas um grupo de narrativas da vida de uma professora da 7ª série.  Juntos eles nos dão um breve retrato das interações e considerações da professora frente aos alunos, às suas escolhas e à sua vida amorosa.  São facetas de uma vida, em diferentes anos, diferentes ocasiões que nos permitem preencher o perfil de uma jovem professora de história.

O que surpreende, e precisa ser colocado em destaque, é o ponto de vista dessas histórias, as observações colocadas de maneira nova, refrescante sobre assuntos corriqueiros.  Isso adicionado a uma escrita límpida e precisa, a um tom quase britânico, dá um charme especial ao trabalho dessa autora que está naqueles nomes escolhidos pela revista The New Yorker, entre os 20 mais promissores escritores da atualidade, com menos de 40 anos de idade, nos Estados Unidos.

Vale a apresentação, e espero com ansiedade seu primeiro romance no Brasil.

Sarah Shun-lien Bynum




Anna Gavalda, lembra — Irmãos: uma relação mais que especial

11 08 2011

Uma igreja no campo, 1879

Paul Gauguin (França 1848-1903)

óleo sobre tela, 13 x 19 cm

Coleção Particular

As memórias que mais me embalavam quando eu morava fora do Brasil eram sempre baseadas no convívio com meus dois irmãos.  Quando nós três estávamos juntos, principalmente ao redor da mesa na casa de minha mãe, era como se estivéssemos num mundo à parte: velhas piadas reapresentadas, mensagens taquigráficas com um piscar de olhos e a nossa maneira peculiar de ver o mundo.  Tudo o que nos identificava estava à mostra.  As minhas visitas eram de algumas semanas, às vezes um mês, e meus irmãos sempre arranjavam um jeito de passarem pela casa de minha mãe depois do trabalho, na hora do almoço, num momento de folga para que pudéssemos reatar laços vividos na infância.  Ríamos muito.  Sempre.  E às vezes bastava um começar para os outros entrarem em sintonia.  Minhas cunhadas pareciam às vezes não acreditar nos idiotas em que seus maridos conseguiam se tornar, tão infantis, tão crianças.    Eram momentos mágicos.  Hoje parecem mais mágicos depois da morte súbita de meu irmão mais novo.

Uma bela escapada, de Anna Gavalda [Rocco: 2011] é um pequeno romance, delicado, límpido, que retrata especificamente esse relacionamento mágico entre irmãos. O casamento de um primo no campo, alavanca o encontro dos irmãos Garance, Simon, Lola e Vincente : duas moças e dois rapazes; dois solteiros, uma divorciada e um casado.  Eles passam juntos um fim de semana inesquecível, depois de escaparem dos festejos matrimoniais onde se encontraram.  É através dos olhos de Garance, a terceira da prole, que nos familiarizamos com o grupo. Com a escrita simples, accessível, característica da autora, os quatro irmãos aparecem como personagens completos, que Gavalda assina com sua conhecida habilidade de desenvolver retratos de pessoas comuns, com defeitos e qualidades que reconhecemos.  Seu forte, nos livros anteriores, permanece:  o uso de palavras corriqueiras e precisas para pincelar como numa tela, obra impressionista, o canto do cisne da juventude e a entrada, inescapável, da fase madura.

Anna Gavalda

A narrativa se dá através de pequenas anedotas, de vinhetas de comportamento.  Nelas percebemos um texto que descortina uma deslumbrante alegria de viver, ressalta o prazer da liberdade e assinala para o poder das pequenas alegrias, dos momentos breves, mas plenos, que preenchem nossos dias.  Entremeado entre fantasia e memórias de tempos melhores, Uma bela escapada é um livro de passagem, que define o momento de transição entre o jovem adulto ao adulto amadurecido.   Anna Gavalda, uma das mais queridas autoras francesas, relembra mais uma vez que seus textos não são tão fáceis quanto parecem.  Apesar de velada, a crítica social, de costumes, está presente ainda que oblíqua.   Mas mais importante ainda do que isso é a sua habilidade de descrever a felicidade, de demonstrar os pequenos nadas que nos fazem venturosos.   Leitura extremamente agradável e exuberante, com o toque de leveza caracteristicamente francês.  Um descanso para a mente, um fôlego para a alma.





The Guardian/Observer: os 100 melhores livros de não-ficção de todos os tempos

24 06 2011

Ilustração,  Clarence Coles Phillips ( EUA, 1880-1927)

Para mim é interessante ver como no hemisfério norte, tanto nos Estados Unidos como na Europa, a chegada do verão é sempre acompanhada de listas de livros para se ler na praia, nas férias, nos dias de lagartearmos ao sol.  O ritual de nomear os melhores livros desse gênero ou daquele gênero se faz presente, chega até a criar expressões idiomáticas tais como “beach read” [ leitura de praia]. A preocupação com o que ler está sempre presente nas agendas dos que entram em férias ou dos que saem de férias.  Listas de livros abundam nas páginas dos jornais, das revistas de grande tiragem.  Ler, nesses países onde um razoável nível de educação é mais democrático do que nas nossas bandas, é uma das coisas que se faz com prazer, nas férias, nos feriados longos, para divertimento, ou para  preencher aquela lacuna intelectual.

Este mês o jornal The Guardian, da Grã Bretanha, publicou uma lista:  100 melhores livros de não-ficção, de todos os tempos [ The 100 greatest non-fiction books].  A seleção feita pelo jornal inclui muitos clássicos bastante óbvios e algumas surpresas.  Mas as opções que conheço mostram-se de fato muito apropriadas.  Talvez seja uma surpresa para quem lê esse blog com regularidade descobrir que sou grande apreciadora de livros de não-ficção, e que há épocas em que os leio em maior número do que os livros de ficção.  As áreas de minha preferência são história, biografia, memórias, ciências, economia, e livros de viagens.   São todos assuntos que complementam as áreas dos meus interesses profissionais, que adicionam perspectiva no que faço no dia a dia.  Como gostei bastante da lista, e com pouquíssimas exceções concordo com o que foi escolhido, vou colocá-la aqui para aconselhar leitores que estejam interessados em ler o que há de melhor.

NOTAS:

1 –  É importante lembrar que esta lista foi compilada com enfoque nos leitores do jornal inglês.  Por isso incluiu alguns livros que focam na Inglaterra, mas no conjunto, retirando esses títulos específicos, é uma excelente lista dos livros de não-ficção que todos nós deveríamos nos esforçar para ler ou pelo menos saber que existem.

2 – Quando encontrei os títulos em português listei-os, com a respectiva editora e ISBN para fácil acesso.  Ficam assim registradas também as lacunas editoriais no Brasil.  Alguns livros só encontrei em edições lusitanas.  Alguns, famosíssimos, como O meio é a mensagem, de Marshall McLuhan, estão sem edição em português.  E este é só um exemplo.  A verdade é que todos esses livros deveriam estar num catálogo de acesso  perpétuo, para  nosso enriquecimento cultural.  Espero que, agora, que a Editora Penguin está por aqui, que é conhecida por manter livros clássicos impressos, se apodere desse mercado e preencha as lacunas que temos com suas esmeradas traduções e publicações que cabem no bolso de qualquer um.

3 – No caso — raro — de haver mais de uma publicação em português por diferentes editoras, coloquei aqui a editora que parecia oferecer o livro por completo — sem edição abreviada, ou a edição de mais rápida entrega.  Às vezes os títulos em português não tem nada a ver com seus rescpectivos títulos originais.  Assim sendo, é possível que eu não tenha notado a existência de alguma tradução.  [Exemplo: o livro Double Helix de James Watson, em português ficou com uma tradução com maior apelo poular: DNA- o sergredo da vida].

A pintura sopra vida na escultura, 1893

Jean-Léon Gérôme (França, 1824-1904)

óleo sobre tela

Galeria de Arte de Ontário, Canadá.

Arte

1 – The Shock of the New, Robert Hughes (1980) — não traduzido para o português — história da arte moderna do Cubismo à Avant-Garde.

2 – A história da arte, Ernst Gombrich (1950) – [Editora LTC, ISBN: 9788521611851] — o mais popular livro de arte.  Gombrich examina os problemas técnicos e estéticos confrontados pelos artistas desde o início do mundo.

3 – Modos de ver, John Berger (1972) – [Editora Rocco, ISBN: 9788532508676] — um estudo sobre a maneira como vemos a arte que mudou os termos de uma geração comprometida com a cultura visual.

As três idades do homem, c. 1510

Giorgione ( Itália, 1477-1510)

óleo sobre tela

Palazzo Piti, Galleria Palatina,  Florença.

Biografia

4 – Lives of the Most Excellent Painters, Sculptors, and Architects , Giorgio Vasari (1550)  Biografia misturada com anedotas retratando a vida de pintores e escultores de Florença.

5 – The life of Samuel Johnson, James Boswell (1791) – Boswell faz um retrato do lexicografo baseado nas notas de seu próprio diário.

6 –  The diaries of Samuel Pepys, Samuel Pepys ( 1825) — ” O Senhor seja louvado, no final do ano passado eu estava com boa saúde”.  Assim começa o diário muito vívido do período da Restauração.

7 – Eminent Victorians, Lytton Strachey (1918) — Strachey fez o modelo para a biografia moderna, com sua narrativa irreverente e espirituosa de quatro heróis da era vitoriana.

8 – Goodbye to All That, Robert Graves (1929) — autobiografia de Graves conta a história de sua infância, dos primeiros anos de casado,  e a grande parte do livro conta das brutalidades e banalidades da Primeira Guerra Mundial.

9 – A autobiografia de Alice B. Toklas, Gertrude Stein (1933)   [Editora Cosac Naify, ISBN: 9788575038024] – Inovadora autobiografia de Stein, escrita sob o disfarce de uma autobiografia de sua amante.

Pintura romana, 1674

[cópia da então recente escavação da Tumba dos Nasonii, Via Flaminia, Roma]

Pietro Santi Bartoli (Itália, 1635-1700)

Do livro de sketches e manuscrito

Glasgow Univeristy Library

Cultura

10 – Notes on Camp, Susan Sontag, (1964) — Sontag propões que a sensibilidade moderna foi modelada pela ética judia e pela estética homossexual

11 – Mithologies, Roland Barthes (original em francês, publicado em 1957) — Barthes procura os significados dos mitos daquilo que nos rodeia, nesses estudos sagazes  mitos contemporâneos.

12 – Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente, Edward Said (1978) [Editora de Bolso, ISBN: 9788535910452] — Said argumenta que as representações românticas da cultura árabe são condescedentes e políticas.

As quatro estações, c. 1895

Alphonse Mucha ( República Checa, 1860-1939)

Litografia colorida

Meio ambiente

13 – Primavera Silenciosa, Rachel Carson (1962) [ Editora Gaia, ISBN: 9788575552353] – análise dos efeitos dos pesticidas no meio ambiente que serviram de base para o movimento de proteção ao meio-ambiente.

14 – A vingança de Gaia, James Lovelock (1979) — [Editora Intrínseca,  ISBN: 9788598078168 ] – o argumento de Lovelock —  uma vez que a vida tenha se estabelecido no planeta, ela constrói condições para sua própria sobrevivência — revolucionou a nossa percepção do nosso lugar no esquema das coisas.


Um “Trabant” [marca do carro da Alemanha do Leste] atravessa a parede.

Grafite no Muro de Berlim.

História

15 — Histórias, Heródoto (c. 400 aC), [em português só em edição portuguesa em diversos volumes, Edições 70, ISBN:9789724414492] —  A História começa com a narrativa da guerra Greco-Persa.

16 — O declínio e a queda do império romano, Edward Gibbon (1776) [Em português, edição abreviada, Editora Companhia do Bolso, ISBN: 9788535907445] — o primeiro historiador moderno do período romano, se voltou para fontes arcaicas, para concluir que a decadência moral levou o império ao declínio total.

17 — The History of England, Thomas Babington Macaulay  (1848) — um marco no estudo da história do ponto de vista de um historiador liberal.

18 — Eichmann em Jerusalém — Hannah Arendt (1963) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571649620] — sobre julgamento de Adolf Eichmann, e os mecanismos sociológicos e psicológicos do Holocausto.

19 — The Making of the English Working Class, EP Thompson (1963) — Thompson virou a história de cabeça para baixo quando fixou seu olhar no povo, quando a maioria dos estudiosos tratava o povo como uma massa anônima.

20 — Enterrem meu coração na curva do rio: a dramática história dos índios americanos, Dee Brown (1970) [Editora LP&M, ISBN: 9788525412935] — A história do tratamento dos índios americanos pelo governo dos EUA.

21 — Hard Times: an Oral History of the Great Depression, Studs Terkel (1970) —  Uma tapeçaria de impacto feita de histórias contadas sobre a Grande Depressão.

22 — Shah of the Shahs, Ryszard Kapuściński (1982) – o grande jornalista polonês conta a história do último Xá do Irã.

23 — Era dos extremos, Eric Hobsbawm (1994) –[ Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571644687] ] demonstra a falência tanto do capitalismo, como do comunismo, nessa história do século XX.

24 — Gostaria de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias: histórias de Ruanda, (1994) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535908923] O terror dos massacres em Ruanda e a falencia da comunidade internacional.

25 — Pós-guerra, uma história da Europa desde 1945, Tony Judt (2005) [Editora Objetica, ISBN:  9788573028799] um grande relato da história da Europa desde 1945.


Fantômas ( cachimbo e jornal), 1915

Juan Gris ( Espanha, 1887-1927)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

National Gallery of Art, Washington D.C.

Jornalismo

26 — O jornalista e o assassino, Janet Malcolm (1990) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535918342] uma análise do dilema moral do jornalismo.

27 — O teste do ácido do refresco elétrico, Tom Wolfe (1968) [Editora Rocco, ISBN: 9788532504036]  o homem de terno branco segue Ken Kesey e sua banda Merry Pranksters quando eles atravessam os EUA numa viagem cheia de LSD.

28 — Despachos do Front, Michael Herr (1977)[Editora Objetiva, ISBN: 9788573027372] relato das experiências de Herr na guerra do Vietnã.

Arte e Literatura, 1867

Adolphe William Bouguereau ( França, 1825-1905)

óleo sobre tela, 200 x 108 cm

Museu de Arte Arnot, Elmira, NY

Literatura

29 — The life of the Poets, Samuel Johnson (1781) – estudos críticos e biográficos dos poetas ingleses do século XVIII.

30 — An Image of Africa, Chinua Achebe (1975) — o autor desafia o imperialismo cultural ocidental argumentando que o livro O coração das trevas, de Joseph Conrad é um romance racista, que não dá humanidade a seus personagens africanos.

31 — A psicanálise dos contos de fadas, Bruno Bettelheim (1976) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530380] — argumenta que a parte soturna dos contos de fadas, dão meios às crianças de lidarem com seus medos.

Resolvendo o problema, s/d

Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)

óleo sobre tela

Matemática

32 — Gödel, Escher, Bach: an eternal golden braid, Douglas Hofstadter (1979)  um meditação sobre música, mente e matemática, que explora uma complexidade formal e auto-referencial.

Homem escrevendo carta, 1664-66

Gabriel Metsu (Holanda 1629-1667)

Óleo sobre painel de madeira, 52 x 41 cm

National Gallery, Dublin, Irlanda

Memórias

33 — Confissões, Jean-Jacques Rousseau (1782) — [Editora Edipro, ISBN: 9788572835817] Rousseau estabelece com essa obra o modela para a moderna autobiografia com a história íntima de sua vida.

34 — Narrative of the Life of Frederick Douglass, an American Slave, Frederick Douglass (1845) uma história vívida, narrada na 1ª pessoa, foi a primeira vez que a voz de um escravo foi ouvida na sociedade em geral.

35 — De profundis, Oscar Wilde (1905) [Editora LP&M Pocket, ISBN: 9788525408259]  Na prisão, Wilde conta a história de seu caso amoroso com Alfred Douglas e também conta sobre seu desenvolvimento espiritual.

36 — Os sete pilares da sabedoria, T. E. Lawrence (1922) [Editora Record, ISBN: 9788501021472]  um relato fascinante de suas experiências contra o império otomano.

37 — Ghandi: Autobiografia, minha vida e minhas experiências com a verdade, Mahatma Gandhi (1927) [Editora Palas Athena, ISBN: 9788572420280] um clássico no gênero das confissões, Ghandi conta suas primeiras dificuldades  e sua batalha para chegar ao auto-conhecimento.

38 — Lutando na Espanha, George Orwell (1938), [Editora Globo, ISBN: 9788525041913] um relato claro de sua experiência com traição e confusão durante a Guerra Civil da Espanha.

39 — O diário de Anne Frank, Anne Frank (1947) [Editora Bestbolso, ISBN:  9788577990009] publicado por seu pai, depois da Segunda Guerra Mundial, esse relato da vida familiar escondida, ajudou a formar os relatos posteriores do Holocausto.

40 — Speak Memory, Vladimir Nabokov (1951) – Nabokov reflete sobre sua vida antes de sua migração para os EUA em 1940.

41 — The Man Died, Wole Soyinka  (1971) um poderoso relato de sua experiência na cadeia, quando prisioneiro durante a guerra civil na Nigéria.

42 — A tabela periódica, Primo Levi ( 1975) [Editora Relume Dumará, ISBN:  9788573160079] uma visão de sua vida, incluindo o período como prisioneiro num campo de concentração,  pelas lentes da química.

43 — Bad Blood, Lorna Sage (2000) demole a fantasia da família, explicando como seus antepassados passaram raiva, dor e desejos frustrados através de gerações.

A condição humana, 1933

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 100 x 81 cm

Coleção Simon Spierer, Genebra, Suíça

Mente

44 — A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud (1899) [ No Brasil em 2 volumes, Editora Imago, ISBN 1º volume 9788531209789] argumento de que as nossas experiências enquanto sonhamos possuem as chaves para a nossa vida psicológica, e com esse livro abriu a porta para a psicoanálise.

A tocadora de bandolim, s/d

David Jermann ( EUA, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 58 x 78cm

www. davidjermann.com

Música

45 — The Romantic Generation, Charles Rosen (1998) – examina como os compositores do século XIX expandiram os limites da música e os seus comprometimentos com a literatura, a paisagem e o divino.

Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn ( Holanda, 1606-1669)

óleo sobre tela, 144 x 137 cm

Metropolitan Museum of Art, Nova York

Filosofia

46 –  O banquete, Platão (c. 380 aC) [Editora Edipro, ISBN: 9788572836692] — uma viva discussão numa reunião em um jantar, sobre a natureza do amor.

47 — Meditações, Marco Aurélio (c. 180) [Editora Madras, ISBN: 9788573748710 ] — uma série de reflexões pessoais, aconselhando a calma face aos conflitos e o cultivo de uma perspectiva cósmica.

48 — Os ensaios, Michel de Montaigne (1580) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560063] — um sábio e bem-humorado exame de si-mesmo, da natureza humana, que lançou o ensaio como uma forma literária.

49 — The Anatomy of Melancholy,  Robert Burton (1621), um exame da cultura humana pelos olhos da melancolia.

50 — Meditações sobre a Filosofia Primeira, René Descartes (1641)[Editora Unicamp, ISBN:  9788526806740] Duvidando de tudo exceto de sua própria existência, Descartes tenta construir Deus e o universo.

51 — Diálogos sobre a religião natural, David Hume ( 1779) [Portugal, Edições70, ISBN: 9789724412429] Hume testa sua fé numa conversa examinando os argumentos para a existência de Deus.

52 — Crítica da razão pura, Immanuel Kant ( 1781) [Editora WMF, ISBN: 9788578273576] Se a filosofia ocidental é só uma nota de rodapé de Platão, então a tentativa de Kant de unir razão com experiência fornece muitos dos títulos dos assuntos.

53 — Fenomenologia do Espírito, GWF Hegel, (1807) [Editora Vozes, ISBN: 9788532627698] Hegel leva o leitor através da evolução da consciência.

54 — Walden, Henry David Thoreau ( 1854) [Editora LP&M, ISBN: 9788525420602] um relato de dois anos morando numa cabana de madeira em que examina as ideías de independência e de sociedade.

55 — Sobre a liberdade, John Stewart Mill (1859) [ Editora Hedra, ISBN: 9788577152001] John S Mill argumenta que a única razão para a qual o poder pode ser exercido sobre qualquer membro da comunidade civilizada, contra a sua vontade, seria para prevenir o dano aos outros.

56 — Assim falou Zaratrusta, Friedrich Nietzsche  (1883) [Editora Civilização Brasileira, ISBN: 9788520004746] Inválido, Nietzsche declara a morte de Deus e o triunfo do Super-Homem.

57 — A estrutura das revoluções científicas, Thomas Kuhn (1962) [Editora Perspectiva, ISBN: 9788527301114] uma teoria revolucionária sobre a natureza do progresso científico.

Entretenimento nas eleições, 1755

William Hogarh (Inglaterra, 1697-1764)

óleo sobre tela

Sir John Sloane’s Museum, Londres

Política

58 — A arte da guerra, Sun Tzu (c. 500 aC) [Editora LP&M, ISBN: 9788525410597] um estudo da guerra que enfatiza a importância do posicionamento e habilidade de reagir de acordo com as mudanças das circunstâncias.

59 — O príncipe, Nicolau Maquiavel (1532) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560032] Maquiavel injeta realismo num estudo do poder, argumentando que os governantes devem estar preparados para abandonar a virtude a favor da estabilidade.

60 — Leviatã, Thomas Hobbes (1651) [Editora Martins Fontes, ISBN: 9788533624085] Hobbes defende a posição do poder absoluto, para evitar que a vida seja brutal.

61 — Direitos do homem, Thomas Paine (1791) [Editora Edipro, ISBN:9788572834827 ] uma defesa da Revolução Francesa de grande influência, que aponta para a ilegitimidade dos governos que não defendem os direitos do cidadão.

62 — A Vindication of the Rights of Women, Mary Wollstonecraft (1792) argumenta que as mulheres devem ter o direito à educação para que possam contribuir para a sociedade.

63 — O manifesto comunista, Karl Marx e Friedrich Engels ( 1848) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530434] Uma análise social e política em termos de luta de classes, que lançou um movimento com a vibrante declaração “o proletariado não tem nada a perder a não ser suas próprias correntes”.

64 — The Souls of Black Folk, W.E.B. Dubois (1903) – uma série de ensaios que defendem a igualdade de direitos no Sul dos Estados Unidos

65 — O segundo sexo, Simone de Beauvoir ( 1949) — no Brasil em 2 volumes [Editora Nova Fronteira, ISBN 1º volume, 000.85.209.0316-9 ou 9788520903162 [código de barras] — Beauvoir examina o que é ser mulher, e como a identidade feminina tem sido definida em relação aos homens através da história.

66 —  The Wretched of the Earth, Frantz Fanon (1961) um estudo sobre o impacto psicologico do colonialismo

67 —  The Medium is the Message, Marshall McLuhan ( 1967) O grande sucesso da gráfica  popularizaçao das idéias de Marshall McLuhan sobre tecnologia e cultura foram co-criadas com Quentin Fiore.

68 — The Female Eunuch, Germaine Greer (1970) Greer argumenta que a sociedade dominada por homens reprime a sexualidade feminina.

69 — Manufacturing Consent , Noam Chomsky e Edward Herman (1988) Chomsky argumenta que a comunicação corporativa apresenta uma imagem distorcida do mundo para engendrar maiores lucros.

70 — Here comes everybody, Clay Shirky (2008)  uma vibrante primeira história da revolução das mídias sociais do momento.

Velha senhora rezando,  final da década de 1630, início da década de 1640

Matthias Stom (Holanda 1599-1600?, Itália, depois de 1652)

óleo sobre tela, 78 x 64 cm

Metropolitan Museum of Art, Nova York

Religião

71 — The Golden Bough, James George Frazer (1890) uma tentativa de identificar os elementos em comum das diversas religiões do mundo, que sugere elas terem se originado dos rituais de fertilidade.

72 — The Varieties of Religious Experience, William James (1902) argumenta que o valor das religiões não deve ser medido em termos de sua origem nem exatidão empírica.


Operação, 1929

Christian Schad (Alemanha, 1894-1982)

óleo sobre tela, 125 x95 cm

Städtische Galerie em Lenbachhaus, Munique

Ciência

73 — A origem das espécies, Charles Darwin (1859)[Editora Escala, ISBN:  9788575569870]  Darwin relato da evolução das espécies através da seleção natural transformou a biologia e o nosso lugar no universo.

74 — The Character of Physical Law, Richard Feynmann (1965) uma elegante análise das leis da física por um dos maiores teóricos do século XX.

75 — DNA: o segredo da vida, James Watson (1968) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535907162] relato pessoal do autor explicando como ele e Francis Crick conseguiram abrir a estrutura do DNA.

76 — O gene egoísta, Ricard Dawkins (1976) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535911299] Dawkins lança uma revolução na biologia com a sugestão de que a evolução é melhor vista pela perspectiva do gene ao invés do organismo.

77 — Uma breve história do tempo, Stephen Hawking (1988) [Editora Rocco, ISBN: 9788532502520] um livro nas mãos de 10 milhões de pessoas, pode-se dizer uma febre, em que Hawkins conta a origem do universo.

Sociedade Parisiense, 1931

Max Beckmann (Alemanha, 1884-1950)

óleo sobre tela, 109 x 176 cm

Solomon Guggenheim Museum, Nova York

Sociedade

78  — The Book of the City of Ladies, Cristina de Pisano (1405) Uma defesa das mulheres na forma de uma cidade ideal,  com a população de mulheres famosas através dos tempos.

79 — Elogio da loucura, Erasmo (1511) [Editora LP&M, ISBN:  9788525412683]  essa  sátira elogiosa à loucura humana ajudou a lançar a Reforma considerando os escândalos e abusos da Igreja Católica.

80 — Cartas filosóficas, Voltaire (1734) [Editora: Martins Fontes, ISBN: 9788533623491]  Voltaire olha criticamente para a Inglaterra, comparando -a com a vida do outro lado do canal.

81 — O suicidio: estudo de sociologia, Émile Durkheim (1897) [Editora WMF, ISBN: 9788578273859] uma investigação sobre as culturas católica  e protestante, que defende que quanto menor o controle nas sociedades católicas, menor o índice de suicidios.

82 — Economia e Sociedade, Max Weber ( 1922) [no Brasil em 2 volumes, Editora UNB, ISBN: 9788523003142 do 1º volume] uma análise profunda dos mecanismos da religião, política e economia que estabeleceu o padrão para os estudos de sociologia.

83 — A Room of One´s Own, Virginia Woolf (1929) um longo ensaio defendendo um espaço verdadeiro e metafórico  para escritoras mulheres numa tradição literária dominada pelos homens.

84 —  Elogiemos os homens ilustres, James Agee e Walker Evans (1941) as imagens de Evans e as palavras de Agee pintam um retrato preciso da vida entre os camponeses no sul dos EUA.

85 — The feminine mystique, Betty Friedan (1963) — um estudo da infelicidade de muitas donas de casa da década de 1950 e 1960 apesar da vida material confortável e das famílias estáveis que tinham.

86 — A sangue frio, Truman Capote (1966) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535904116] um relato romanceado de um assassinato brutal na cidade de Kansas, que lançou Capote para fortuna e fama.

87 — Slouching towards Bethlehem, Joan Didion (1968) ensaios que evocam a vida na Califórnia na década de 1960

88 — The Gulag Archipelago, Aleksandr Solzhenitsyn (1973) análise do sistema de carceragem na União Soviética, incluindo a experiência do próprio autor como prisioneiro russo, questionando a base moral da União Soviética.

89 — Vigiar e punir, Michel Foulcault ( 1975)  [Editora Vozes, ISBN: 9788532605085]  Foucault examina o sistema de encarceramento na sociedade moderna.

90 — Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez (1996) [Editora Record, ISBN: 9788501046949] a história de um rapto levado a cabo pelo grupo do cartel de Pablo Escobar Medellin.

Mercado em Jafa, 1887

Gustav Bauerfeind (Alemanha, 1848-1904)

óleo sobre tela

Relatos de viagem

91 — The travels of Ibn Battuta, de Ibn Battuta (1355) – o maior viajante do mundo árabe registra suas memórias de viagem através do mundo conhecido e além.

92 — A viagem dos inocentes, de Mark Twain (1869) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN:  9789896710507]  o relato de viagem do autor à Europa, contado de maneira franca, foi um sucesso imediato.

93 — Black Lamb and Grey Falcon, Rebecca West (1941) uma viagem de seis semanas à Iugoslávia torna-se o eixo de um estudo monumental sobre os Balkans.

94 — Veneza, Jan Morris (1960) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN: 9789896710002 ] um guia excêntrico mas conhecedor da arte, história, cultura e do povo de Veneza.

95 — A Time of Gifts, Patrick Leigh Fermor (1977) — o 1º volume da viagem do autor a pé por toda a Europa. Uma brilhante evocação da memória da juventude.

96 — Danúbio, Cláudio Magris, (1986) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535913378] Magris mistura viagem, história , causos e literatura à medida que viaja pelo Danúbio até sua foz.

97 — China Along The Yellow River,  de Jinqing Cao (1995) um trabalho pioneiro de sociologia chinesa, explorando a China moderna com uma cara moderna.

98 — Os anéis de Saturno: uma peregrinação inglesa, W. G. Sebald, (1995)[Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535917239] uma viagem a pé pelo sudeste da Inglaterra se torna numa meditação melancólica sobre a decadência e a transitoriedade.

99 — Passage to Juneau, Jonathan Raban (2000) uma viagem ao Alaska de veleiro, partindo de Seattle, leva a considerações sobre a arte nativa americana, a imaginação romântica,  e seu próprio relacionamento pessoal a ponto de se desintegrar.

100 — Cartas a um jovem escritor, Mario Vargas Llosa (2002) [Editora Campus/Elsevier, ISBN: 9788535228076]  Vargas Llosa destila uma vida inteira de leituras e escrita num manual sobre a arte de  escrever.

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Cada um de nós poderia adicionar ou retirar livros dessa lista.  Mas no todo é um ótimo guia para quem quiser saber das principais obras que otimizam o nosso momento.  Há muitos modismos nas leituras, principalmente quando uma nova teoria ou um novo crítico de peso leva a uma releitura de algum antigo escritor.  Cada uma dessas listas é sempre transitória e sempre retrata o momento em que foram feitas.  No entanto, pelos livros citados nas áreas em que tenho interesse, haveria muito pouco a adicionar.  Gostei imensamente da seção de Literatura de Viagens ser extensa — um enfoque bem britânico, um país que já produziu grandes escritores no gênero.

Bem, vou parar por aqui.  Há alguns volumes dessa lista que me esperam…  Pena que muitas das nossas traduções estejam esgotadas ou que não tenham sido feitas…  Fica o alerta para as pequenas editoras.

Divirtam-se.  Quem sabe nesse inverno, no friozinho de julho, um ou dois desses clássicos não mereçam a sua atenção?





O mundo mágico de Célestine Hitiura Vaite

26 03 2011

Mercado de Papeete, Taiti, 2008

Roy Boston

Aquarela,  55 x 35 cm

Aquanetart

Há muito tempo não me acontece de ler um livro e ficar tão encantada que me precipitei a  procurar por outro do mesmo autor.  E ainda mais, acabar a leitura do segundo volume e me sentir tão feliz quanto na primeira vez.  Mas foi exatamente isso que me aconteceu quando li, com a recomendação de um livreiro conhecido, A flor do Taiti de Celéstine Hitiura Vaite [Rocco: 2011]. 

Minha apresentação ao trabalho dessa escritora taitiana deu-se “fora de ordem”, ou seja, li o segundo livro antes de ler o primeiro Os sabores da fruta-pão [Rocco: 2006].  Apesar de terem em comum os mesmos personagens, nada impediu o deleite de qualquer um dos volumes em separado.   São obras totalmente independentes, em que os mesmos personagens reaparecem com suas deliciosas filosofias de vida, maneiras de viver, dizeres na ponta da língua…

O mundo que se apresenta ao leitor de Célestine Hitiura Vaite tem o encanto da simplicidade, do saber popular, da vida “como ela é vivida” por milhões de pessoas no mundo.  Pode-se dizer que a escritora passa ao leitor um mundo realista, porque nele as menores decisões são avaliadas, contadas e elas levam não a conseqüências operáticas, desastrosas ou de grande sucesso, mas levam — de uma maneira ou outra —  ao desenvolvimento da história como acontece na maioria de nossas vidas: nem grandes tragédias, nem grandes transformações. 

Nesse aspecto, Célestine Hitiura Vaite lembra em estilo de narrativa os escritores ingleses.  Interessante, que mesmo tendo sido criada com o francês, — o Taiti ainda faz parte da comunidade francesa, é um “país do francês ultramarino”  – a autora declara na contracapa que se sente mais à vontade escrevendo em inglês.  Se sofreu ou não influência de escritores ingleses tais como Jane Austen, Barbara Pym, Alexander McCall Smith não vem ao caso, o que importa e notarmos que a mesma consideração para as pequenas decisões, para as nuances de comportamento que caracterizam os escritores acima mencionados estão presentes no trabalho dessa taitiana.

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Em A flor do Taiti, nos encontramos com uma família daquele país, onde a personagem principal, Materena Mahi, é uma apresentadora de um popular programa de rádio.  Ela e o marido estão prestes a se tornarem avós e esse evento em suas vidas transforma o dia a dia e os personagens retratados.  Em Os sabores da fruta-pão  nos confrontamos com o relacionamento de Materena e sua única filha – ela tem outros dois meninos.  São outros tempos.  Ela ainda não é apresentadora de rádio e seus filhos ainda estão dando bastante trabalho.  Todos são mais jovens, inclusive Pito, o marido, cujo comportamento em qualquer um dos volumes, levou essa leitora a boas gargalhadas.  Retratada está a sabedoria popular e vemos como a sensibilidade de Materena consegue caminhar por entre assuntos difíceis e espinhosos com a delicadeza e graça.

Apesar de a autora não se dedicar a problemas sociológicos, há através dos dois livros lançados no Brasil (originalmente é uma trilogia) um alerta para alguns problemas sociais, entre eles o grande número de crianças nascidas de pais franceses  radicados no arquipélago durante o serviço militar e que voltam para a França sem reconhecerem os filhos das ligações amorosas no local.  Vemos também a discriminação entre classes sociais, prevalente praticamente no mundo inteiro, assim como o descaso dos homens – todos centrados nos seus próprios umbigos — para com os trabalhos femininos.  No entanto, tudo isso é retratado com muito bom humor e com delicada franqueza.  O que acaba por exaltar a nossa familiaridade com esses assuntos acentuando o alto astral dessas comédias humanas. 

Ambos, A flor do Taiti e Os sabores da fruta-pão,  são romances de costumes que giram em torno de sentimentos e de dúvidas universais.  Não se perdem no retrato da pobreza de uma região do país, nem tampouco tentam solucionar ou delatar problemas socioeconômicos.  Mas em questão está o realismo emocional de uma família que faz tudo para sobreviver bem e que leva a vida tão agradável quanto o absolutamente possível.  Não há como sair de nenhum desses dois romances, sem estarmos felizes com a natureza humana e com a vida em geral. 

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Celestine Hitiura Vaite

Esses são livros de grande entretenimento; eles contribuem para nos sentirmos bem ao final da leitura.  Os personagens são todos mais ou menos nossos conhecidos.  Eles nos surpreendem porque temos que aceitar que são em geral de bom caráter, mesmo as tias fofoqueiras, ou os companheiros machistas de Pito no trabalho.  Conhecemos a todos, mesmo antes de lermos uma única palavra dos romances.  Reconhecemos seus trejeitos e modo de pensar, assim como podemos reconhecer muitos personagens de novelas televisivas.  Mas é  a mágica narrativa da autora nos leva a aceitá-los exatamente como são: defeitos e qualidades inclusos. 

Em abril temos uma semana de feriados: Semana Santa, Tiradentes, Descobrimento, etc.  Se você está pensando em levar alguma boa leitura, leve e feliz para o seu feriado, não deixe de considerar esses dois livros.  Não vai se arrepender.  

NOTA:  Há duas grandes contribuições para o sucesso desse livro:  a tradução de Léa Viveiros de Castro e as capas de Flor Opazo, que saem da mesmice de retratar o Taiti como Gauguin o fez.   Parabéns às duas.





O que há de novo e recomendado em livros para o seu adolescente

4 10 2010

Ilustração Maurício de Sousa.

Em outubro temos o Dia das Crianças — 12 de outubro — e também começamos a pensar no Natal e nas possibilidades de compra de presentes para os nosso filhos, sobrinhos, enteados, os jovens da família, todos aqueles a quem queremos agradar.   Livros são sempre um ótimo presente, não só para quem já gosta de ler, como para incentivar aquele que ainda não descobriu o prazer de ler.

Com o intuito de auxiliar na escolha dos livros que possam vir a interessar o seu adolescente — de 13 a 18 anos — compilei aqui uma listinha dos livros publicados em 2010, no Brasil, que têm tido boa repercussão entre esse grupo de leitores.

A observar: 

1) Leia bem a descrição das histórias para ver se agradaria ao seu presenteado.  Os livros aqui compilados são recomendados para aqueles acima de 13 anos.  Mas, cada pessoa se desenvolve de maneira diferente, assim como tem diferentes gostos.  Avalie bem para quem vai dar o volume escolhido.

2) Consultei ao todo 6 portais da internet  em que leitores avaliam e dão notas aos livros lidos.  Consultei  portais em diversas línguas, porque todos esses livros são de origem estrangeira.  No Brasil consultei o SKOOB —  www.skoob.com.br -Não listei nenhum livro cuja MÉDIA de avaliações estivesse abaixo dos 80% de aprovação.  Assim, pensei em garantir não só a diversificação de tópicos como também as diferenças entre preferências pessoais, nacionais e internacionais.

3) Este blogue é independente.  Não tenho parcerias com editoras, nem com livrarias.  A seleção foi feita por popularidade entre os adolescentes.  Não há ordem de preferência na listagem.

Boa leitura!

Ilustração Avelino Guedes.

Jogos Vorazes  —  Suzanne Collins

 

Mistura de ficção científica com mitologia e reality show, Jogos Vorazes é o mais novo fenômeno da literatura jovem, precursor de tendência no milionário mercado de Best-sellers juvenis: a dos romances ambientados num futuro pós-apocalíptico. Há mais de 85 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e de outras publicações de prestígio dos EUA, e elogiado por Rick Riordan, da série “Percy Jackson”, e Stephenie Meyer, da saga “Crepúsculo”, o livro, primeiro volume de uma trilogia, rendeu à autora Suzanne Collins lugar na balada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time.

Ambientado num futuro sombrio, o livro narra uma luta mortal pela sobrevivência encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída nas ruínas de um lugar anteriormente conhecido como Estados Unidos. Com este mote surpreendente e uma narrativa ágil, Jogos Vorazes já foi traduzido para mais de 30 idiomas e vem se tornando um crossover, atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Editora: Rocco   ISBN: 9788579800245  Ano: 2010  Número de páginas: 400

Calafrio —  Maggie Stiefvater

Quando chega o inverno, Grace é atraída pela presença familiar dos lobos que vivem no bosque atrás de sua casa. Ela espera ansiosamente pelo frio desde que fitou pela primeira vez os profundos olhos amarelos de um dos lobos e sobreviveu ao ataque de uma alcatéia. Esses mesmos olhos brilhantes ela encontraria mais tarde em Sam, um rapaz que cresceu vivendo duas vidas: uma normal, sob o sol, e outra no inverno, quando vestia a pele do animal feroz que, certa vez, encontrou aquela garota sem medo.

Tudo o que Sam deseja é que Grace o reconheça em sua forma humana, e para isso bastaria que trocassem um único olhar. Mas o tempo de Sam está acabando. Ele não sabe até quando manterá a dupla aparência e quando se tornará um lobo para sempre. Enquanto buscam uma maneira de para torná-lo humano para sempre, têm de enfrentar a incompreensão da cidade, que vê nos lobos um perigo a ser combatido.

Calafrio é a história de dois jovens que aceitam correr todos os riscos pelo amor, até mesmo o de deixarem de ser quem são.

Editora: Agir ISBN: 9788522010509  Ano: 2010  Número de páginas: 336

Halo: os anjos descobrem o desejo  — Alexandra Adornetto

 

Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade. Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade.

Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e coloca toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática.

Um romance de tirar o fôlego, que responderá a pergunta: será que o amor é forte o suficiente para vencer as forças do mal?

Editora: Agir  ISBN: 9788500331091  Ano: 2010  — LANÇAMENTO  15/10  Número de páginas: 472

Sammy Keyes e o Homem Esqueleto
 — Wendelin Van Draanen 
 

Acompanhada por suas amigas Marissa e Dot, Sammy decide bater na porta da Casa dos Arbustos, um lugar amendrontador do qual nem os adultos gostam de falar, e em pleno Dia das Bruxas. Em sua primeira aventura, narrada em primeira pessoa, Sammy Keys tem que juntar as peças de um jogo que envolve uma casa sombria, brigas familiares, castiçais e livros valiosos, para desvendar um mistério do qual a polícia não dá conta, e ainda tramar uma vingança contra a irritante Heather, que espalhou uma mentira daquelas sobre a pequena heroína no colégio.

 

Editora: Rocco ISBN: 9788579800160  Ano: 2010  Número de páginas: 230

 

 

Brevíssima história de quase tudo —  Bill Bryson

 

Você sabia que cada átomo de seu corpo provavelmente fez parte de milhões de organismos, e de várias estrelas, antes de vir a ser você? Que uma pessoa de tamanho médio contém energia comparável à força de várias bombas de hidrogênio? Entre esses “comos” e “quens” das descobertas científicas, em Brevíssima história de quase tudo você conhece cientistas bizarros, teorias malucas que vigoraram por muito tempo e descobertas acidentais que mudaram os rumos da ciência.
Grande contador de histórias, Bill Bryson um dia se deu conta de que conhecia muito pouco o planeta em que vivia. Essa constatação foi o empurrão necessário para que ele reunisse todas as suas perguntas sobre ciência e saísse em busca de respostas. Durante três anos, leu centenas de livros e revistas e entrevistou especialistas das mais diversas áreas. O resultado desse esforço para entender – e explicar – tudo sobre o mundo apareceu primeiro em Breve história de quase tudo, e agora ressurge adaptado para o público infantojuvenil.
Ao contrário do texto didático tradicional, a prosa de Bill Bryson descarta a linguagem difícil, mas não abre mão da abordagem detalhada de cada tema. A preocupação do autor está em entender como os cientistas realizam suas descobertas e explicar para o leitor comum não só os mistérios da ciência mas também como, contra todas as possibilidades, a vida conseguiu prosperar nesse planeta maravilhoso que chamamos lar.

Editora: Companhia das Letrinhas   ISBN: 9788574064161  Ano: 2010  Número de páginas:  175

O Palácio de inverno —  John Boyne

 

Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública?   Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.

A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso – mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.

Editora: Cia das Letras  ISBN: 9788535917109  Ano: 2010  Número de páginas: 456

Anjos rebeldes — Gemma Doyle

Segundo volume da trilogia Gemma Doyle, ‘Anjos rebeldes’ traz de volta a protagonista no centro de uma trama que mistura segredos de família, sedução e mistério. Narrada em primeira pessoa pela jovem que dá nome à série, a história transporta o leitor para a Londres de 1895, numa reconstituição de época, e o conduz para o mundo interior de Gemma Doyle, uma garota que precisa descobrir seus próprios segredos para dominar uma mente inquieta e um coração cheio de vida, questionamentos e angústias. Herdeira de um incômodo dom sobrenatural – visões do futuro que têm o desconfortável hábito de se tornarem realidade -, Gemma Doyle se prepara, em ‘Anjos rebeldes’, para suas primeiras férias da tradicional Academia Spence, uma escola para moças para onde foi enviada depois da morte da mãe no dia do seu aniversário de 16 anos. Foi lá, no bosque da escola comandada com mãos de ferro pela Sra. Nightwing, que Gemma entrou em contato com seu dom de forma cada vez mais intensa, envolvendo-se com Felicity e Pippa, algumas das meninas mais invejadas e temidas do colégio, e com a humilde Ann, e descobrindo a ligação de sua mãe com um grupo muito antigo e misterioso conhecido como a Ordem. Mas agora que as férias estão chegando, Gemma só pensa em voltar a Londres como uma garota normal, reencontrar o irmão e a avó, participar de animadas festas usando seus melhores vestidos e flertar com o charmoso Simon Middleton. No entanto, sem que possa controlar seus poderes sobrenaturais, ela começa a ter repetidas visões em que aparecem três moças vestidas de branco, uma imagem de dor e frio à qual ela não consegue ficar alheia, e que trazem um terrível segredo.

Editora: Rocco  ISBN: 9788532579800030  Ano: 2010   Número de páginas: 472

 

100 dicas para conquistar um vampiro —  Arianne Brogini

Estar apaixonada não é fácil. Estar apaixonada por um vampiro, então, é trabalho dobrado. Não bastassem as dificuldades normais de um relacionamento, como crises de insegurança e ciúmes, ainda há a preocupação com o fato de que talvez ele possa amar com a mesma intensidade que deseja sangue. Mas garotas gostam de viver perigosamente, e se a recompensa for cair nos braços gelados de um vampiro-príncipe como Edward Cullen, todo risco é justificável. Neste livro, é possível encontrar 100 dicas infalíveis para conquistar um vampiro e agarrá-lo pelos caninos. As dicas também podem ser utilizadas com garotos não-vampiros.

Editora: Panda Books  ISBN:  // 8578880536  Ano: 2010  Número de páginas:  92

Academia de princesas — Shannon Hale

Em um povoado distante, a vida segue tranquila, até um anúncio chegar para modificar a vida de todos – o príncipe está buscando uma moça para ser sua noiva, e todas as meninas do reino deverão ser levadas para uma academia de princesas, para aprender os modos da corte. Entre elas, há uma que não deseja este futuro, mas infelizmente o desejo real é uma ordem.

Editora:  Record Galera  ISBN:  8501086541  Ano: 2010  Número de páginas: 272

Águia: os cinco ancestrais — Jeff Stone

A origem do Kung Fu é o tema da série Os Cinco Ancestrais, do norte-americano Jeff Stone, cujo quinto volume, Águia, chega às livrarias. A série – que foi traduzida para 12 idiomas e teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pela Nickelodeon – recria a história dos cinco jovens monges que, segundo a lenda, deram origem ao Kung Fu. Cada um deles é mestre num estilo de luta – do tigre, do macaco, da serpente, da garça e da águia. Depois de sobreviverem juntos a uma tragédia, foram instruídos pelo Grão-Mestre a levar adiante sua filosofia de vida e a ensinar suas habilidades de luta.  Neste volume, velhas alianças são questionadas e novas são formadas, e os cinco ancestrais podem evitar a catástrofe se trabalharem unidos.

Editora: Rocco  ISBN:  // 8561396229  Ano: 2010  Número de páginas: 248

Vingança em chamas —  John Marsden

Como num jogo de dados, a cada lance tudo pode mudar. Ellie, Lee, Homer, Fi e Kevin seguem em frente, resistindo ao poderoso invasor de seu país. Eles fazem de tudo para atrapalhar os planos dos inimigos, porém são pegos de surpresa. O destino prepara uma terrível armadilha, e os cinco jovens acabam dentro do grandioso aeroporto militar de Wirrawee, cercados por centenas de soldados fortemente armados e treinados para matar. A coragem, entretanto, fala mais alto. Os amigos colocam em prática um plano superaudacioso e totalmente suicida. Lidando com conflitos internos, a saudade dos pais e de outras pessoas amadas que se foram – e também com uma dolorosa traição -, Ellie segue em frente. Seu mundo agora é um lugar insano, devastado pela guerra. Às vezes, sobreviver parece uma ilusão, um sonho impossível, mas a esperança não morre. Nem mesmo nas piores situações.

Editora: Fundamento ISBN: 8576763672  Ano: 2010  Número de páginas: 232

 

Quem tem medo da noite? —  John Marsden

Uma guerra destrói prédios, casas e pontes de um país, assim como vidas inteiras, o jeito de ser e de pensar de seus habitantes. Será que Ellie perdeu para sempre sua doçura e sua gentileza? O destino colocou outra vez Ellie e seus amigos diante de um desafio – cuidar de um grupo de órfãos da guerra, extremamente afetados pelo horror que viram e viveram. Não vai ser fácil para cinco adolescentes – um pouco mais velhos que essas crianças – tomarem para si essa responsabilidade. Enquanto provam, com a ajuda das crianças, que ainda há espaço para a esperança e a afeição em seus corações, Ellie, Fi, Homer, Lee e Kevin não podem esquecer que a morte os espreita em todos os lugares. Os cinco lutam para escapar de perigosas armadilhas e precisarão de muita força, coragem e sangue-frio para sobreviver ao inimigo que invadiu sua pátria e lentamente se aproxima do único local seguro para eles. Será esse o fim de Ellie e seus amigos?

Editora: Fundamento  ISBN: 8576764164  Ano: 2010  Número de páginas:  212

 

Blue bloods, vampiros de Manhattan — Melissa de la Cruz

Quando o Mayflower aportou nos Estados Unidos, em 1620, trazia a bordo homens e mulheres que lançariam as bases da sociedade norte-americana. Mas entre os Peregrinos havia também aqueles que não estavam apenas fugindo de perseguições religiosas. Eram os Blue Bloods – um clã que acumulou grande poder e riqueza, tornando-se um dos mais influentes grupos da sociedade de Nova York. Schuyler acabou de completar quinze anos. Veias azuis começam a saltar sob a pele pálida de seus braços. Sente um desejo insaciável por carne crua, e estranhas visões de tempos remotos assombram sua mente. E quando uma garota de seu colégio é encontrada morta, sem nenhuma gota de sangue no corpo, Schuyler não sabe o que fazer. Poderiam ser verdadeiras as histórias de vampiros?

Editora: ID  ISBN: 8516067475  Ano: 2010  Número de páginas: 336

 

O caso da Senhorita Canhota — Nancy Springer

A jovem inglesa Enola Holmes permanece solitária, vivendo sozinha na maior, mais sinistra e suja cidade do mundo. Sua mãe ainda é uma incógnita, e para dificultar essa busca, Enola está sendo procurada pelo detetive mais famoso do mundo – seu próprio irmão, Sherlock Holmes. Para que possa continuar livre, ela precisa enganá-lo. Ao encontrar um esconderijo cheio de brilhantes desenhos feito a carvão, ela sente como se fosse uma alma gêmea da garota que fez aquelas obras de arte – mas a garota, a jovem Srta. Cecily desapareceu sem deixar rastros. Desbravando as ruas sombrias onde os assassinos espreitam, Enola deve descobrir como as pistas – uma escada inclinada, um balconista vesgo e alguns panfletos de política – podem levá-la a encontrar a moça canhota. Mas para salvar Srta. Cecily de um poderoso vilão, Enola se arriscará a revelar mais do que ela pode.

Editora: Bonobo  ISBN: 8576792990  Ano: 2010 Número de páginas: 214

Cupcake  —  Rachel Cohn

Aos 18 anos, Cyd Charisse mora em Nova York, no quarto vazio do apartamento do seu meio-irmão Danny, longe dos pais (e de suas regras), mas também das amigas Pão-Doce, Helen e Autumm. A Pequena Rebelde pensa em se inscrever num curso de culinária, e está determinada a encontrar o melhor cappuccino da sua nova cidade; algo que lembre Siri e a antiga vida dos expressos espumados de São Francisco. Ah, e por falar no ex-namorado surfista, a peça chave do novo Plano é não sofrer porque abandonou seu grande amor para que ele pudesse ir morar na Nova Zelândia, e assim aproveitar o que Manhattan tem a oferecer (ou seja, meninos bonitos e interessantes). Na busca pelo capuccino perfeito, quebra o pé e é atendida por um paramédico lindo. Atraída pelo aroma divinal de café a uma loja nada sofisticada, acaba sendo contratada como barista. Uma profissão adequada para alguém viciado em cafeína. Cyd está mais madura e consciente de suas escolhas, mas será que a Big Apple está realmente preparada para ela?

Editora: Record [Galera]  ISBN: 8501079529  Ano: 2010  Número de páginas:  288

Diário secreto de Sara Swan —  Margaret Clark

Neste livro, Sean termina com Sara e sua tia-avó chata muda para o seu bairro. Ela ainda precisa arrumar dois namorados um para ela e outro para sua mãe, que, além de ter se tornado uma tirana em casa, ainda foi dar aula em sua escola e virou a professora mais rígida de todos os tempos.

Editora: Fundamento  ISBN: 8576764571  Ano: 2010  Número de páginas: 158

Intriga  — Anna Godbersen

Um mundo de mistério, traições, rivalidades, escândalos e segredos protagonizados por três jovens socialites. ‘Intriga’ volta a 1899, quando Manhattan começava a se transformar no coração do mundo, a Quinta Avenida abrigava as mansões de algumas poucas e abastadas famílias e os jovens da alta sociedade se exibiam em fabulosos vestidos e elegantes fraques em animados bailes madrugada adentro. Dessa vez, a trágica morte da jovem Elizabeth Holland, uma das mais belas meninas da cidade, volta os olhares de toda a comunidade para os seus conhecidos mais próximos – seu noivo, sua irmã e sua melhor amiga.

Editora: Rocco  ISBN: 9788579800221  Ano: 2010  Número de páginas: 392





Fal Azevedo assombra em Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite

24 06 2010

Vaso com flores, 1988

Fang (China/Brasil, 1931)

gravura, 48 x 58 cm

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Tenho um fraco por esculturas.  Num seminário em história da arte, há muitos anos, escrevi um artigo sobre o uso do espaço vazio, do vão, digamos assim, como parte vibrante das esculturas de Henry Moore e Giacometti: no trabalho de ambos e de maneiras diferentes, o que não está presente, o buraco (em Henry Moore) ou o espaço à volta (em Giacometti)  tem uma função tão grande, tão intensa que faz parte da escultura que vemos, que analisamos, com o mesmo peso que as formas do bronze que nos fascinam.  Este é o vazio positivo, sentido mas não visto, que conta com o ausente, tanto quanto com o que está exposto.  Pensei nesse artigo, enquanto lia o romance de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Rocco: 2008.  Nele, o que não é dito, conta.  Fala.  Nos move e comove.  A eloquência desses pequenos silêncios  pode ser vista no minúsculo parágrafo, que cito aqui por inteiro:

O gato amarelo veio fumar comigo.  Ele morde meu dedão, charmosa tentativa de me convencer de ir até a cozinha.  A coisa mais fofa nesse gato é que, quando eu choro, ele apoia a  pata no meu rosto.  Como agora.”

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O texto segue, com outro assunto, com outro momento.

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Quantas vezes ela precisou chorar para perceber esse comportamento do gato?  Por que chorava?   O conforto de um gato seria o único conforto dado à autora dessas frases?   Não sabemos, não nos é explicado.  Passamos rapidamente para o assunto seguinte.  A vida é curta.  Há muito acontecendo.  O peso do passado também assombra.  No entanto, o sofrimento implicado pelo texto fala alto.  E nos cala.  Fal Azevedo trabalha com a elipse, a omissão do sentimento retratado,  assim como Henry Moore trabalhava com um buraco no meio do corpo de uma mulher reclinada.   Tanto em um como no outro, cabe ao leitor/observador fazer a conexão, participando ativamente do encontro.   Envolvendo-se.   O resultado sedutor, mostra um texto, que carregado de tristeza, consegue ser leve, irônico e muito, muito agradável.

Figura reclinada, década de 1980

Henry Moore ( Grã-Bretanha 1898-1976)

Litografia

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Presenciamos nesse romance a chegada de Alma, personagem principal, à segunda metade de sua vida.  Aos 44 anos, já viveu muitas vidas e mortes.  Homeopaticamente conhecemos um pouco destes eventos através de lembranças doloridas, de cicatrizes mal curadas.  Tudo é passado a limpo: as dezenas de passados, as dúzias de vidas.  Alma escrupulosamente exorciza seus fantasmas e nos lembra dos nossos.  É impossível não ter empatia.  É impossível ignorarmos a nós mesmos.  O que lhe vem à mente, chega em pequenos parágrafos, camafeus de potencialidades perdidas, nódoas de sofrimento físico e emocional do passado que ajudam a caracterizar o dia a dia de um tempo mais atual, que também presenciamos.  Estes são quase entradas em um diário, que têm, como pano de fundo, o passado.  O estilo é sucinto.  Twitter sucinto.  A cada parágrafo um tempo, uma realidade.  E sempre, sempre a angústia das vidas vividas.  O medo.  A dor.  A consciência da solidão.  

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 De grande auxílio é o formato do texto: intercala o tempo mais contemporâneo com as lembranças do passado, em diferentes parágrafos.  Cada qual tem sua própria aparência gráfica, o que facilita o entendimento da trama.  Este artifício simplifica e esclarece também um quase fluxo de consciência que nos permite conhecer Alma intimamente.   Conhecemos os eventos.  Imaginamos as emoções.

Apesar da tristeza latente, das dores auto-geradas e das auto-impostas, das frustrações e  sofrimentos dessa mulher, uma artista plástica em busca de uma identidade profissional, esse romance é repleto de otimismo, de gosto pela vida e de humor.  Oferece então, ao leitor,  uma válvula de escape e um ponto de apoio nas lutas diárias pela sobrevivência física e emocional.  Sem ser piegas, sem ser auto-ajuda essa história nos força a refletir sobre a nossa própria existência e nas ramificações dos nossos atos.  

  

Fal Azevedo

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Eu poderia continuar nesse tópico por muito tempo.  De especial ironia são as cenas e os pensamentos na galeria de arte.  Tão real…  Mas quem não gostaria de ter os amigos de Alma como amigos?  E de receber emails tão precisamente relevantes quanto ela?  Tão irônicos e concisos?  E quem não gostaria de ter como vizinho um Seu Lurdiano, que como um anjo da guarda, alimenta sua amiga com comida do corpo e da alma?  Quem não gostaria de um amigo com quem se pode ficar calado por algumas horas na mais perfeita intimidade?

Mas nenhum desses amigos, nenhum desses emails, se os tivéssemos, nada,  conseguiria dar ao leitor o prazer desse texto e os parâmetros para a auto-reflexão que esse livro consegue gerar.  Aqui fica a sincera recomendação para a leitura desse pequeno mundo mágico de Alma.  Um dos melhores livros que li em 2010 e certamente um dos mais interessantes livros que li de autor brasileiro há muito, muito tempo.  Não percam.








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