Os singelos e extraordinários, vasos com flores de Édouard Manet

14 03 2019

 

 

 

 

Édouard_Manet_-_Fleurs_dans_un_vase_de_cristalFlores em um vaso de cristal, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 54 x 35 cm

Museu d’Orsay, Paris

 

 

Todos nós conhecemos as flores dos jardins do impressionista Claude Monet.  No entanto, poucos se lembram dos belíssimos vasos com flores de seu antecessor o pintor francês, realista, inovador, pai da pintura moderna: Édouard Manet.

 

 

448px-Manet,_Edouard_-_Lilacs_In_A_Vase,_c.1882Lilases brancos, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 54 x 42 cm

Alte Nationalgalerie, Berlim

 

Manet faz de seus pequenos arranjos de flores, alguns pequenos buquês, obras de impacto, pela pincelada forte, aparente, pelas cores contrastantes em alguns casos.  E poucos, realmente poucos pintores conseguem com tão poucas marcas de um pincel, claramente visíveis, dar ao observador a sensação exata do cristal, de sua transparência e de seu peso.

 

 

Édouard_Manet_-_Roses_et_tulipes_dans_une_vase_(RW_422)Rosas e tulipas em vaso, 1883

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 56 x 36 cm

Coleção Particular

 

Gosto de estudar naturezas mortas.  Elas estão entre os primeiros trabalhos que aspirantes a pintor fazem.  São cópias da natureza, em geral em ambiente fechado.  Aos poucos, por estudar a maneira de reproduzir o que está sendo retratado (flores, frutos, objetos) e colocar sua própria visão da arte,  os artistas se revelam.

 

 

vasePivoinesVaso com peônias, 1864

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 56 x 36 cm

Museu d’Orsay, Paris

 

Revelam-se não só ao retratarem o que veem, mas nos arranjos que escolhem, no contraste entre flores com pequenas pétalas de encontro àquelas que possuem pétalas ou folhas mais densas.

Os arranjos de flores de Édouard Manet fazem parte de duas diferentes fases de sua vida.  Inicialmente, nos anos 60 do século XIX ele pintou uma série de naturezas mortas de grande impacto e expressão.  Vinte anos mais tarde, já nos seus últimos anos de vida, voltou a retratar buquês, mais singelos mas não menos extraordinários, muitas vezes dando-os como presente a amigos.  Não raro os mesmos buquês que amigos traziam ao visitá-lo eram então retratados por Manet e “devolvidos” em forma de arte aos que lhe presentearam.

 

 

manet flores cristalFlores em vaso de cristal, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela

National Gallery of Art, Washington DC

 

Manet sempre deu grande importância à natureza morta.  É conhecida sua declaração sobre o assunto:  “Un peintre peut dire tout ce qu’il veut avec des fruits ou des fleurs et même des nuages. Vous savez, j’aimerais être le saint François de la nature morte.” [Um pintor pode dizer tudo que quer com frutas e flores e até mesmo nuvens. Quer saber, eu adoraria ser o São Francisco da natureza morta.”  (Citação no Catálogo do Musée d’Orsay, Paris).

 

 

lilases e rosasLilases e rosas, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 32 x 24 cm

Coleção Particular

 

 

display_image.phpRosas musgo em vaso, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 55  x 34 cm

Sterling and Francine Clark Art Institutem Williamstown, Ma

 

 

pink clematisCravos e clemátis, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 55 x 34 cm

Museu d’Orsay, Paris

 

 

display_image.phpMANETLilases e rosas, 1883

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 56 x 46 cm

Dallas Museum of Art, Dallas, Tx





O escritor no museu: Émile Zola

7 08 2018

 

 

Emile Zola, par ManetÉmile Zola, 1868

Èdouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 146 x 114 cm

Musée d’Orsay, Paris





Violeta, poesia de Raquel Naveira

18 04 2017

 

 

 

manet bouquet-of-violets-1872Ramo de violetas, 1872

Edouard Manet (França, 1832 – 1883)

óleo sobre tela, 22 x 27 cm

Coleção Particular

Violeta

 

Raquel Naveira

 

 

Estou em perigo:

Uma angústia,

Um desejo de morrer,

Minhas pétalas murcham

Num roxo mortiço,

Perco o viço,

De amor tão intenso

Desfaleço.

 

Estou em perigo:

Uma felicidade,

Um deleite,

Minhas raízes sugam húmus,

Encharcam-se,

Amoleço.

 

Estou em perigo,

Nada no mundo me vale nesse transe;

Num jardim cheio de sombras

Permaneço.

 

Quando Ele me toma

Entre seus dedos de sol

E me sopra ânimo e coragem,

Fortaleço.

 

Sem encontrar apoio na terra,

Sem poder subir ao céu,

Vivo frágil,

Presa num caule suspenso.

 

 

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.61

 

 

Salvar





A beleza do inacabado

30 04 2016

 

 

da vinciLa Scapigliata, 1508

[Cabeça e ombros de mulher]

Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519)

óleo sobre madeira (pinho) , 27 x 21 cm

Galleria Nazionale di Parma, Itália

 

 

O Metropolitan Museum Breuer, mais nova filial do Museu Metropolitano de Nova York, que ocupa o edifício do antigo Whitney Museum depois deste ter encontrado outra localização, tem no momento uma interessante exposição chamada Unfinished: Thoughts Left Visible, em que trabalhos que não foram acabados estão expostos ao público.

Sempre achei fascinantes as obras de arte inacabadas porque dão a nós, meros espectadores, a ideia de onde ou para onde o pintor ou o escultor iria.  São trabalhos que iniciam um diálogo com o observador. Completamos os traços deixados para trás.  Concordamos ou não com que o que foi feito.  Temos uma aula de pintura, de desenho, de como esculpir um peça de mármore simplesmente pela observação detalhada de um obra. Conversamos com os artistas através dos séculos.

A obra de Leonardo acima faz parte dessa exposição.  Abaixo coloco alguns do meus trabalhos “inacabados”, aqueles de minha preferência. Coloco aspas na palavra inacabado, porque há momentos, como na tela de Leonardo da Vinci que é difícil declarar se o artista deixou a tela inacabada, ou se simplesmente deixou propositadamente a tela “aberta” para que completássemos aquilo que não estava sendo retratado.

 

110hellDante: Divina Comédia, década de 1480

Sandro Botticelli (Itália, 1445-1510)

Iluminura em manuscrito [Ms Hamilton, 210]

Staatliche Museen, Berlim

 

 

309davidRetrato do General Bonaparte, 1797

Jacques-Louis David (França, 1748-1825)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Musée du Louvre, Paris

 

 

 

26barbarSanta Bárbara, 1437

Jan van Eyck (Bélgica, 1395-1441)

Grisaille sobre madeira, 31 x 18 cm

Koninklijk Museum voor Schone Kunsten, Antuérpia

 

 

 

03daughtAs filhas do pintor com um gato, 1761

Thomas Gainsborough (Grã-Bretanha, 1727-1788)

óleo sobre tela, 75 x 62 cm

National Gallery, Londres

 

 

8patrieA pátria em perigo, 1832

François Gérard (França, 1770-1837)

óleo e carvão sobre tela, 86 x 96 cm

Coleção Particular

 

 

5late12Mulher em traje de montaria, 1882

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 74 x 53 cm

Museo Thyssen-Bornemisza, Madri

 

 

 

bathshebBetsabé [Bathsheba], 1832

Karl Pavlovich Bryollov (Rússia, 1799-1852)

óleo sobre tela, 173 x 126 cm

State Tretyakov Gallery, Moscou

 

 

 

42esterVirgem Maria, Menino Jesus e S. João Batista, 1508

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

têmpera e óleo sobre madeira, 29 x 22 cm

Szépművészeti Múzeum, Budapeste





Imagem de leitura — Édouard Manet

6 07 2015

 

Édouard manet, interior-at-arcachon-1871Interior em Arcachon, 1871

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 39 x 53 cm

Sterling e Francine Clark Art Institute, Williamstown, EUA





25 anos, soneto de Menotti del Picchia

8 06 2015

 

75e570ac2d6c8ac4e71bc03d71d14182Menino com cesto e cão, 1861

Édouard Manet (França,1832-1883)

Óleo sobe tela, 92 x 72 cm

Coleção Particular, Paris

 

25 anos

 

Menotti del Picchia

 

Quase me desconheço. Onde anda o imbele

menino alegre, de calcinha curta,

cantando, sempre aos saltos entre a murta,

entre os cafeeiros tão amigos dele?

 

Cresceu: ei-lo descrente… Eu sou aquele menino alegre.

A vida logo encurta as ilusões, a idade os risos furta…

E quem diria agora que eu sou ele?

Hoje me desconheço.

 

O outro, a criança lembro,

toda risonha, ao sol ardente

pelos campos em flor vagando a esmo…

 

Mas, sempre que me vem isto à lembrança,

sinto-me tão mudado e diferente

que chego a ter saudades de mim mesmo.

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 57.





Imagem de leitura — Berthe Morisot

19 09 2014

 

0017-0010_bildnis_julie_manet morisot, 1888Retrato de Julie Manet, 1890

Berthe Morisot (França, 1841-1895)

óleo sobre tela, 55 x 84 cm

Coleção Particular

 

Julie Manet é a filha única da pintora Berthe Morisot e Eugène Manet, irmão do pintor Édouard Manet.








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