Em três dimensões: Shaaban Mohamed Abbas

17 05 2016

 

 

Smaban-Abbass-Cairo-Airport-SculptureSem título

Shaaban Mohamed Abbas (Egito, 1969 -2010)

Jardins do Aeroporto Internacional do Cairo





Nos mistérios de Gizé, texto de Francisco da Silveira Bueno

9 02 2016

 

 

PPOLITO CAFFI (Belluno 1809 - Lissa 1866) CARAVANRepouso da caravana no deserto, 1844

Ippolito Caffi (Itália, 1809-1866)

óleo sobre tela,  18 x 25 cm

 

 

Naquela tarde de verão egípcio, quando o sol se punha quase às nove horas da noite, devíamos visitar, no planalto de Gizé, as mais que célebres pirâmides de Queops, Quefrem e Miquerinos. Era o complemento da visita feita ao Museu do Cairo, onde já tínhamos visto a estátua de Queops, toda de marfim; o enorme colosso de Quefrem e o famoso grupo de Miquerinos ladeado pelas deusas de Jackal. Todos esses reis dormiam, há séculos, nas sombras das suas pirâmides, velada pela Esfinge, guardados pelas areias do deserto, mas agora expostos à curiosidade dos turistas. Podíamos ir a Gizé de automóvel: seria uma profanação! Imaginem o contraste de um “Chevrolet” americano junto à Esfinge de Gizé! Podíamos ir a cavalo: seria muito prosaico. Devíamos ir então a pé, como peregrinos, para prosternar-nos ante esses sarcófagos imortais? Não: ó o camelo é digna montaria de um hóspede do Egito. Só o dromedário, com sua giba em forma de pirâmide, completaria o quadro faraônico, daria a impressão da vida egípcia, sombra a mover-se nessa imobilidade do deserto. E descemos dos modernos automóveis do Cairo e tomamos os  nossos dromedários a caminho da cidade dos mortos. A perspectiva, porém, dessa alimária tão alta e tão exótica, verdadeiro arranha-céu ambulante, começou a inquientar-nos. Nenhum de nós era atleta e como encarapitar-nos lá em cima, naquela corcova? A um aceno de mão do cameleiro, o dócil animal prosternou-se ante nós como a oferecer-nos a comodidade do amplo dorso, ampla cadeira balouçante, verdadeiro tombadilho de navio naquele oceano de areia. Vencidas as dificuldades da escalada, lá nos fomos, a passo lento, com todas as precauções, entre o riso escarninho dos cameleiros, sob a vaia dos que nos achavam bisonhos demais, rumo das pirâmides.”

 

 

Em: Pelos caminhos do mundo, Francisco da Silveira Bueno, São Paulo, Saraiva: 1956, p. 121.





Portugueses, os jardineiros do mundo, texto de Afrânio Peixoto

3 10 2014

 

 

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Coleção cítrica dos Medici, 1715
Espécies de limões e laranjas,
Bartolomeu Bimbo (Itália, 1648-1723)
Óleo sobre tela
Hoje, Palácio Pitti, Florença

 

 

“Foram porem os portugueses que nas suas viagens, depois do Renascimento, vulgarizaram a laranja pelo Ocidente. A prova é que hindus maometanos e árabes modernos, no Oriente, chamam à laranja portughan, que lhes trouxeram, da China, os navegantes portugueses. A prova é que, no Mediterrâneo, em Itália, as laranjas são, ainda hoje, chamadas portogalli.

Os portugueses foram disseminadores das árvores prestadias, pelo mundo, universalizando a natureza, regional, pela ecologia ou afeiçoamento ao meio, e tornada mundial. Não será espirituosa senão etimológica esta frase: os portugueses tornaram católica (universal) a natureza. As autoridades francesas da Guiné confessam que todas as plantas do mundo aí cultivadas são da primitiva estação portuguesa, nessa África ocidental. Aliás, o mesmo aqui podemos ver: a fruta-pão é da Oceania; a lichia é da China; o dióspiro ou caqui é do Japão; o café é da Etiópia; a cana-de-açúcar peregrinou da Índia ao Egito, à Sicília, ao Algarve, à Madeira, ao Brasil; o cacau trouxeram-no do México. O  Brasil produziu cravo, canela, anil, noz moscada, pimenta, chá, gengibre… A vida de Portugal pelo mundo, “a vida em pedaços repartida”, do Poeta, terá um sentido universal, reunindo todo o mundo, em todas as partes a que chegaram. E comunicar é civilizar…

Depois das viagens de D. João de Castro, em 1520, foram eles, os portugueses, fazendo de seu portos de escala, culturas e depósitos e assim já não precisariam trazer consigo o mundo, achando o mundo em toda parte. As laranjas foram trazidas à Guiné, às Ilhas de Cabo Verde, onde as naus, em caminho da Índia, se proviam delas, “refrescando a nutrição dos marujos — de peixe seco e bolachas — o que produzia o escorbuto, ou peste náutica, o flagelo das navegações. Pode-se sem exagero dizer que os portugueses descobriram as vitaminas, de tanto prestígio hoje em dia, pelo menos os seus providenciais efeitos. Na própria metrópole tentaram e conseguiram. ”

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[Grafia atualizada]

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Em: Breviário da Bahia, Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, Editora do MEC: 1980, p.122

.

Nesse texto acima, Afrânio Peixoto cita um verso do Poeta.  Este Poeta a que ele se refere com letra maiúscula é Luiz de Camões.  E a passagem em verso é a seguinte:

Canção VII

[Trecho] *

.  . . . . . . . . . . . . . . . .

Aqui, nesta remota, áspera e dura
parte do mundo, quis que a vida breve
também de si deixasse um breve espaço,
porque ficasse a vida
pelo mundo em pedaços repartida.
Aqui me achei gastando uns tristes dias,
tristes, forçados, maus e solitários,
trabalhosos, de dor e de ira cheios,
não tendo tão-somente por contrários
a vida, o sal ardente e águas frias,
os ares grossos, férvidos e feios;
mas os meus pensamentos, que são meios
para enganar a própria Natureza,
também vi contra mi,
trazendo-me à memória
algũa já passada e breve glória,
que eu já no mundo vi, quando vivi,
por me dobrar dos males a aspereza,
por me mostrar que havia
no mundo muitas horas de alegria.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

* Você pode encontrar as canções de Camões facilmente na internet.  Vale a pena.  Você vai se encantar…





Palavras para lembrar — Provérbio egípcio

10 07 2014

 

 

Arjan van Gent,(Holanda, 1970) VOLUPTAS,Voluptas

Arjan van Gent (Holanda, 1970)

www.arjantvangent.nl

 

 

“Uma biblioteca é um hospital para o espírito.”

 

 

Provérbio egípcio da antiguidade, encontrado na Biblioteca de Alexandria.





Tumba de mestre-cervejeiro descoberta em Luxor

4 01 2014

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Um mestre-cervejeiro da corte certamente tinha um bom status social no antigo Egito.  Podemos concluir isso depois que especialistas japoneses descobriram em Luxor, no sul do Egito, uma tumba de um chefe cervejeiro, da época de Ramsés II, ou seja, dos séculos XII a XI antes da Era Comum.  Sua cervejaria era dedicada à deusa Mut.   Sabemos disso graças às descobertas anunciadas no dia 2 de janeiro, pelo ministro egípcio de Antiguidades, importantes detalhes da vida cotidiana do dono da cervejaria, identificado como Junsu-Im-Heb, [ou Khonso Em Heb] é um passo importante para se reconstruir a vida diária dos cidadãos da civilização do Nilo.  A família do mestre cervejeiro, que também está retratada, viveu a 3.200 anos atrás.

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Jiri Kondo, chefe da equipe da universidade japonesa de Waseda, explicou que o sepulcro foi descoberto enquanto faziam trabalhos de limpeza para um estudo da tumba TT-47, pertencente a um alto funcionário da época do rei Amenhotep III.

As pinturas murais encontradas mostram diversos aspectos da vida diária da época e da família de Junsu-Im-Heb. Mostram com naturalidade a relação entre um marido, sua esposa e seus filhos, e também como faziam suas práticas religiosas. Seu estudo trará valioso conhecimento sobre o cotidiano da vida a mais de 3.000 anos passados.

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A tumba, repleta de pinturas murais, foi construída numa planta em formato de T, tem dois salões além da câmara mortuária e mostra curiosas cenas do dia a dia, retratando inclusive a admiração de diferentes pessoas antes de um ritual funerário, conhecido como “Abrir a Boca” da época.  Curiosamente esta tumba está ligada à câmara mortuária de uma pessoa chamada Houn, mas ainda não identificada. Além das paredes laterais internas, o teto da tumba também mostra imagens pintadas com delicadeza, imagens precisas e de grande beleza.  Há também a uma pintura representando o pôr do sol.

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Se você está intrigado com essa tumba, e se pergunta por que um mestre cervejeiro teria o status de importância para justificar tanto luxo, talvez seja bom lembrar que uma das primeiras bebidas feitas pelo homem foi a cerveja, que era na antiguidade consumida por todos, jovens, velhos e crianças. Era bebida por ricos e pobres e a cerveja fazia parte dos rituais religiosos diários e em grandes cerimônias. No Egito antigo a cerveja era mais doce e mais grossa do que a bebida que conhecemos hoje.

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Para evitar o saque o governo egípcio aumentou a segurança em torno da tumba até que sejam analisadas todas suas partes. Eventualmente o público terá acesso aos achados nessa tumba. Luxor é uma cidade de 500.000 habitantes, localizada às margens do Nilo, no sul do Egito. É considerada um museu ao ar-livre por causa do grande número de templos e tumbas faraônicas encontradas lá.

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Fontes: The Atlantic, Terra — Fotos: Luxor Times e France Press.





Curiosidade do antigo Egito

1 10 2013

Nefertiti

Nefertite, Rainha do Nilo,  século XIV a C.

Escultor: Tutmoses, ativo em 1350 aC.

Gesso e calcário policromado

[Arte de Amarna]

Museu Neues, em Berlim

Quando você olha para uma pintura ou escultura egípcia provavelmente nota que há grande delineamento das sobrancelhas: tanto homens quanto mulheres as escureciam e delineavam.  Por outro lado, retiravam todos os pelos das sobrancelhas quando o gato da casa morria.  Herodoto conta que todos os membros de uma residência raspavam suas sobrancelhas como parte do ritual de luto pelo gato da casa.





Um tesouro de joias encontrado em Tel Megiddo, Israel

23 05 2012

Joia encontrada em Tel Megiddo, Israel, em um jarro de cerâmica, enterrado há 3.000 anos.

Arqueólogos da Universidade de Tel Aviv apresentaram ao público, no início dessa semana, um tesouro encontrado em um jarro envolto em tecidos e escondido em uma casa no norte de Israel  há mais de 3.000 anos atrás.  O jarro, escavado de uma casa em Tel Megiddo, no Vale de Jezreel no norte de Israel, é um lugar incomum para encontrar joias, de acordo com os arqueólogos da Universidade de Tel Aviv. Entre as peças está um belo par de brincos decorados com cabras selvagens.

Primeiro foi encontrado o jarro de cerâmica, em 2010.  Datando de aproximadamente  1100 a.C.  O jarro havia provavelmente pertencido a uma mulher cananéia, que talvez morasse na casa. Canaã era uma região histórica formada pelo que hoje é  Israel, Palestina, Líbano e partes da Síria e da Jordânia. Tel Megiddo era uma importante cidade-estado nesta região até o século X a.C.

Vasilha de cerâmica em que as joias estavam escondidas, século X a.C. Foto cortesia Megiddo Archological Team.

Segundo o Prof. Israel Finkelstein, do Departamento de arqueologia e culturas do oriente médio da Universidade de Tel Aviv, o jarro foi encontrado em 2010, mas permaneceu por limpar, enquanto aguardavam uma análise molecular do seu conteúdo. Quando  a equipe foi finalmente capaz de lavar a sujeira, encontrou peças de jóias, incluindo um anel, brincos e pérolas, escondidas no bojo do vaso.

Os pesquisadores acreditam que a coleção, que foi descoberta nas ruínas de uma casa particular na zona norte de Megiddo, pertence a um período de tempo chamado “Idade do Ferro  I,” e que pelo menos algumas das peças podem ter sua origem no Egito. Alguns dos materiais e desenhos apresentados nas joias, incluindo contas feitas de cornalina, pedra semi preciosa, são consistentes com desenhos egípcios da mesma época.

Tel Megiddo, Foto: Rafael Ben-Ari.

Quando os pesquisadores removeram o jarro de cerâmica a partir do local da escavação, eles não tinham ideia de que havia alguma coisa dentro. As joias foram bem preservadas e haviam sido envoltas em tecidos, mas as circunstâncias que as rodeiam são bastante misteriosas.  É quase certo de que o jarro não fosse o lugar de guardar as joias normalmente. “É claro que as pessoas tentaram esconder a coleção, e por algum motivo eles não foram capazes de voltar para buscá-lo.” — concluiu  o Prof Ussishkin que notando que os proprietários poderiam ter morrido ou sido obrigados a fugir.  Ele acredita que esta tenha sido uma coleção de joias de uma mulher de Canaã, que morava nessa casa.

Contas de ouro e cornelia encontradas junto às joias. Foto cortesia Megiddo Archological Team.

A variedade das joias também é fora do comum. Embora a coleção inclua um número brincos comuns, em forma de lua crescente, de origem de Canaã, os arqueólogos encontraram também  conjunto de itens de ouro e um número de contas feitas de cornalina, pedras semi preciosas cujo uso era frequente na fabricação de joias egípcias naquela época. Isso aponta para uma forte conexão egípcia, seja em influência ou origem. Essa conexão não seria surpreendente, segundo o professor Cline, que afirmou que as interações entre o Egito e Tel Megiddo são bem conhecidas durante a Idade do Bronze e a Idade do Ferro.

Quatro pares de brincos de ouro em forma de crescente.

O item mais notável, de acordo com os pesquisadores, é um brinco de ouro com padrão de peças moldadas na forma de cabras selvagens. “Para itens exclusivos, como esse, trabalhamos para encontrar paralelos para ajudar a colocar os itens em suas corretas configurações culturais e cronológica, mas, neste caso, ainda não encontramos nada“, dizem os pesquisadores.

Anel com um desenho gravado de peixe. Foto cortesia Megiddo Archological Team

Este achado adiciona outro aspecto fascinante a este sítio arqueológico: Tel Megiddo era uma  importante cidade-estado de Canaã,  até o início do século X a.C.  e um centro muito importante do Reino do Norte de Israel nos séculos IX e VIII a.C.  Esse é um sítio arqueológico com multicamadas, de vários períodos de tempo claramente diferenciados, e neste período, existem de 10 a 11 estratos bem datados através da análise de radiocarbono. “Essa sequência de datas de radiocarbono não existe em nenhum outro lugar na região“, diz o professor Finkelstein.

Outro ângulo do espetacular brinco de cabras encontrado no vasilhame.

A camada em que a joia foi encontrada já foi datada do século XI a.C., logo após o fim do domínio egípcio no século XII a.C. Ou a joia foi deixada para trás na retirada egípcia ou as pessoas que possuíam as joias foram influenciadas pela cultura egípcia. Os pesquisadores esperam que a análise dos tecidos em que as joias foram embrulhadas e das joias propriamente ditas, possam dizer-lhes mais sobre as origens da coleção. Se o ouro é puro em vez de uma mistura de ouro e prata, por exemplo, será mais provável que essas joias tenham vindo do Egito, uma região que era pobre em recursos de prata, mas rico em ouro.

FONTE: SCIENCE DAILY





Um novo Faraó aparece na história do Egito!

6 03 2012

Durante sua visita ontem ao Templo de Karnak, Dr. Mohamed Ibrahim (Ministro de Estado de Antiguidades) anunciou a descoberta do nome de um novo faraó que não era conhecido por egiptólogos.  Essa descoberta ajuda a revelar a ordem cronológica dos reis da XVII dinastia (1680-1580 a.C.).  Parece incrível, mas passaram mais de 3.600 anos para que o nome de um faraó egípcio, até agora desconhecido, viesse à luz.  Foi a missão IFAO liderada por Thiers Christophe que descobriu na cidade monumental de Luxor, no sul do Egito, o nome do faraó do qual nada se sabia como indica o relato pelo Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias (CSA).

O nome do rei é Sen Negt N Ra. Foi localizado em um cartucho real – medalhão de formato oval com o hieróglifo do faraó – incorporado à uma porta de pedra calcária durante escavações no Templo de Karnak, em Luxor, a 700 km ao sul do Cairo. Pelas inscrições na porta, este faraó dedicou em Karnak várias construções ao deus Amon-Ra, a principal divindade de Tebas, onde hoje fica Luxor.

Com essa descoberta, a história antiga egípcia acrescenta um novo faraó a XVII dinastia, cujos reis libertaram o Egito da ocupação dos hicsos, povo guerreiro semítico procedente da Ásia que dominou o país do Nilo durante 150 anos a partir de 1730 a.C.

Fontes: Delta World, Terra





Seis tumbas abertas ao turismo em Gizé, no Egito

24 05 2011

 

Foto: Associated Press.

No Egito, esta semana, Zagi Hawass, ministro para assuntos arqueológicos, abriu para visitações o Cemitério do Estado Moderno, em Gizé. Um dos destaques é a tumba de Pay, guardião do harém do faraó Tutancâmon.  Estas tumbas, que até agora não estavam abertas ao público, poderão de agora em diante dar uma melhor idéia ainda de como era a vida, milhares de anos atrás. 

Ao todo são seis tumbas à disposição do visitante.  Entre elas estão a de Maya, ministro das finanças do faraó e sua esposa Merit e a de Horemheb, comandante do exército egípcio durante o reinado de Tutancâmon, que mais tarde subiu ao trono.   “Maya e Horemb foram homens de grande importância política numa das épocas mais conturbadas do período Amarna”, descreve assim o informe distribuído à imprense pelo Supremo Conselho de Antiguidades do Egito,  “nessa época, o faraó Akenaton fechou os mais importantes templos de Luxor e mudou a capital para um local no meio do deserto, chamado Tell el-Amarna.”  A capital do reino só voltou para Luxor, depois da morte de Akenaton, quando seu filho, Rei Tutancâmon,  decidiu por ordem no reino, abandonar Tell el-Amarna e levar de volta a capital para sua antiga morada, Luxor.  Para conseguir fazer essas mudanças, Tutancâmon precisou de apoio e dos conselhos de duas pessoas cujas tumbas foram postas à visitação: de seu general Horemheb e do tesoureiro do reino, Maya.

Foto: Associated Press

A importância de Maya e por extensão sua esposa Merit pode ser avaliada quando vemos suas efígies no pátio desse cemitério.  Maya, como tesoureiro de Tutancâmon, foi uma figura importantíssima para a reconstrução do Egito depois do período de Amarna.  Ele ajudou o rei a reabrir os templos em Luxor e a construir novos templos e altares to Amon, tudo para mostrar como Tutancâmon estava dedicado a restaurar a ordem no país.  Maya se dedicou a estabelecer ordem dentro do país, enquanto que Horemheb trabalhou em estabelecer a ordem fora das fronteiras egípcias.  Ainda que a tumba de Maya nunca tenho sido acabada, o visitante pode ver a coluna de terracota com relevos, com Maya e Merit recebendo oferendas. 

Foto: Associated Press.

Outras tumbas que foram abertas para o publico nesse mesmo complexo incluem:

Merneith –  organizador e escrivão do templo de Aten, durante o reino de Akenaton.  Mais tarde foi alto sacerdote de Aten e do Templo de Neith;  Sua eumba foi construída com tijolos de terracota recobertos por blocos de calcário.  Nos fundos da tumba há três capelas para oferendas.  A capela central tem uma cena de ferreiros trabalhando e tem também as bases de duas pequenas colunas, onde provavelmente se apoiava uma pequena pirâmide de terracota.  

Ptahemwia – conhecido como o “Mordomo Real, o que tem mãos limpas”, que serviu tanto a Kenaton como a Tutancâmon.  Ele foi o responsável por trazer a comida e as bebidas ao rei.  Sua tumba, que tem a inscrição “Amado pelo Rei”, também é de tijolos de tarracota recobertos como blocos de calcário e tem três capelas. . 

Tia – teve um alto posto no reinados de Ramsés II, além de ser o supervisor do tesouro.  Casou-se som uma das irmãs de Ramsés, também chamada de Tia.  Sua tumba também foi usada com um templo mortuário para Osíris e tem representações de Tia e sua esposa fazendo peregrinação  a Abidos, o centro do culto a Osiris.

Pay e seu filho Raia – Pay era o guardião do harém de Tutancâmon.  Sua tumba tinha uma capela inicial dando para um pátio com colunas que por sua vez tinham três capelas para oferendas.  O filho de Pay, Raia, começou sua carreira como soldado, mas assumiu o posto de seu pai depois que este morreu.  Raia adicionou pátio e duas estelas; renovou a tumba antes de morrer e lá ser enterrado.  As estelas foram levadas para Berlim quando o egiptólogo Karl Richard Lepsius as descobriu em 1928.

Foto: Associated Press

Ao longo do processo de excavação 56  ataúdes da era do Novo Reinado doram encontrados, a maioria dos quais de crianças. 

Na abertura dessas tumbas ao public Zagi Hawass lembrou que o projeto de restauração incluía renovação detalhada e trabalho de arquitetura além da volta para o local de artefatos que no momento não se encontram lá.  Os tetos e as paredes de todas as tumbas foram recobertos com plexiglass para proteger do grande número de turistas esperado nas visitas, as cores e os desenhos em relevo, principalmente aqueles que adornam as tumbas de Maya e Tia.  Além disso, portas de madeira e de metal foram instaladas para proteger as tumbas, e caminhos pavimentados com pedras foram feitos para facilitar o acesso.

O complexo funerário fica a 30 km ao sul de Cairo e abriga também as tumbas dos nobres Merineiz e Ptahemuia, que viveram durante o reinado de Aketanon (de 1.361 a.C a 1.352 a.C).  Algumas dessas tumbas foram descobertas em 1843 pelo explorador alemão Richard Lepsiu, mas não foram completamente excavadas até 1975, quando uma missão anglo-holandesa recomeçou as excavações.  Hoje um grupo de arqueólogos holandeses da universidade de Leiden excava o sítio arqueológico e também tem restaurado as tumbas.

Fontes: Almasriyalyoum e Scrollpost





Egito: florestamento de uma área igual à do Panamá!

13 11 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

No dia 9 de novembro foi noticiado que o governo egípcio está desafiando a natureza ao regar áreas desérticas com água reaproveitada para convertê-las em florestas.  O sucesso da operação já arborizou uma superfície equivalente ao território do Panamá, na América Central.   A diferença verificada após a intervenção humana é dramática: onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos.

Tudo isso foi possível graças à água.  Esta é uma água especial, pois é re-aproveitamento da água que os80 milhões de egípcios poluem e desperdiçam todos os dias.  Ironicamente, esta é a melhor opção para as chamadas “florestas feitas à mão”. “A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra“, disse o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Meio Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para florestamento.

A opinião é compartilhada pelo professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que até ressalta a superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápidas e tenham até olhas mais verdes“, explica El Awady.

Os dois professores sabem bem a importância de equilibrar a oferta e a demanda em um país que produz 7 milhões de m cúbicos de água residual ao ano e que, ao mesmo tempo, tem 95% de seu território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação.

O Egito transforma o deserto em florestas.

Ao todo, há 34 florestas ao longo do país, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no norte, e em regiões turísticas do sul, como Luxor e Assuã, num total de 71,4 mil km quadrados que equivalem à superfície total do Panamá. De acordo com o Governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados.

Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantados até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviverem em condições extremas. “A boa notícia é que as plantas são seletivas. São elas que selecionam a quantidade de água e os nutrientes necessários para sobreviver“, explica El Awady.

A maioria das espécies cultivadas até agora são árvores como álamos, papiros, casuarinas e eucaliptos, semeadas para responder à demanda de madeira do país, além plantas para produzir bicombustíveis como a jatrofa e a jojoba, e para fabricar óleo, como a colza, a soja e o girassol.

Para Kandil, estes resultados são a prova de que “o problema não é a terra, pois no Egito há de sobra, mas de onde extrair a água“. E obtê-la das estações de tratamento primário – onde são eliminados os poluentes sólidos – foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.

Apesar de esta água exigir precaução devido à presença de poluentes e os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade sejam desconhecidos, o projeto, implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Meio Ambiente, parece ter obtido sucesso.

De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão, mas “aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescenta.

Ilustrador desconhecido.

O uso sustentável dos recursos do solo e da água está diretamente ligado à segurança alimentar, saúde pública, e aos benefícios econômicos e sociais de um país. Em muitos casos, o efluente municipal tratado representa um importante recurso hídrico que poderia se constituir em um recurso valioso se adequada e eficazmente utilizado.

Por outro lado, o lançamento no solo de efluentes urbanos descontroladamente é uma das formas mais graves de poluição ambiental, e representa uma clara ameaça à saúde humana e ao desenvolvimento sustentável. Na maioria dos países de baixa renda em todo o mundo, os efluentes de esgoto normalmente são eliminados através de descargas diretas em canais locais, rios, lagos ou no mar, às vezes sem nenhum tratamento.

Portanto, enfrentar as ameaças de descontrole do despejo de esgoto tem sido uma prioridade desde 1995 com o  Programa Global de Ação (GPA) para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Terrestres.

O Egito produz um total estimado de 2,4 bilhões de metros cúbicos de águas residuais municipais a cada ano. O tratamento parcial desta grande quantidade custa para saneamento, 600 milhões libras egípcias (o equivalente de EUA $ 100 milhões) anualmente, ao governo.  Além disso, o Egito tem cerca de 90% de sua área de terra deserto, e sofre de uma evidente falta de cobertura vegetal.  A cobertura vegetal é necessária por razões ambientais (mudanças climáticas, desertificação), e as florestas por razões econômicas (O Egito importa madeira para a sua indústria [alor estimado: US$ 900 milhões/ano).

Até recentemente  no Egito havia duas maneiras de lidar com o problema do esgoto: (a) a água de esgoto tratada era descarregada em terra deserta nas proximidades  — o que constitui um alto risco de poluição do solo e da água subterrânea;  (b) descarregamento do esgoto tratado no mar e lagoas costeiras, [diretamente ou indiretamente]  através de vias navegáveis e canais de drenagem — também uma proposta de alto risco para a saúde e o meio ambiente marinho.

 

Ilustração Walt Disney.

No entanto, o Egito optou por uma abordagem inovadora para responder aos assustadores desafios ambientais que aumenta  a proporção verde de sua área territorial.   O governo egípcio, desde o início de 1990, introduziu um plano nacional de reutilização de águas residuais.   Desenvolveu o estabelecimento florestas plantadas pelo homem, com árvores madeireiras.  Essas florestas são irrigadas com água de esgoto tratada vinda de vários locais no deserto.  O plano é de âmbito nacional e atualmente é empregado junto a algumas cidades de alta ou média densidades populacionais.

Experimentos de florestamento foram realizadas em vários locais, em planos pilotos baseados em diferentes solos, climas e condições ambientais. No momento, 13 florestas foram estabelecidas em diferentes áreas nas províncias de Ismailia, Menoufia, Gizé, Alexandria e Dakahlia, no Baixo Egito; e em Luxor, Assuã e Qena, no Alto Egito.  Também focaram no deserto ocidental e no Sul do Sinai, com uma área total prevista de cerca de 6.000 Feddan (equivalente a cerca de 2700 hectares). As experiências-piloto realizadas até agora têm sido extremamente bem sucedidas, e mostraram resultados promissores, com inúmeros benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Várias instituições e órgãos do governo estão à frente dos projetos: Ministério Egípcio de Estado para Assuntos Ambientais, Ministérios da Agricultura e reclamação de terras, Governo Local, Eletricidade, Recursos Hídricos e Irrigação.  As comunidades locais e agricultores estiveram ativamente envolvidos nas diferentes fases da criação e da operação dessas florestas.

A abordagem egípcia tem a seguinte fórmula:

ÁGUAS DE RESÍDUOS + TERRA = ÁRVORES VERDES

Esta abordagem prática, além de lidar com os problemas de esgoto e com a desertificação – além dos óbvios benefícios econômicos — trata eficazmente de vários elementos importantes de desenvolvimento ambiental e sustentável:

– Redução das cargas poluentes para o ambiente marinho, costeiro e deserto

– Proteção dos habitats marítimos e costeiros e da biodiversidade.

– Aumento da disponibilidade de água para o desenvolvimento

– Redução das concentrações de CO2 na atmosfera

– Construir e melhorar a capacidade dos peritos locais e nacionais

– Utilização de abordagens inovadoras e eficazes na gestão municipal de águas residuais

– Chegada aos objetivos da GPA e do Plano de Ação Estratégica de Águas Residuais Municipais a nível nacional.

– Garantia de sustentabilidade a longo prazo através do uso da renda gerada a partir de madeira das florestas e dos projetos associados complementares.

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Este artigo é a edição, corte e tradução livre de de dois artigos:

Terra   Andrew K Fletcher








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