Meio ambiente um passo na direção certa: renovação da ponte Blackfriars em Londres

23 11 2011

Ponte Blackfriars em Londres tem cobertura de painéis para energia solar.

Uma estação de trem construída sobre o rio Tâmisa, em Londres, está prestes a se tornar a maior ponte solar do mundo, com a instalação de 4,4 mil painéis solares em seu telhado.  A Ponte de Blackfriars, construída em 1886, tem 281 metros de comprimento e serve de fundação para a estação de trem de mesmo nome, que está em processo de  reforma.   O novo telhado, que será adicionado à estrutura original da ponte, terá mais de 6 mil m² de painéis solares, criando, assim, o maior sistema de captação de energia do sol em Londres.

 Trabalhadores colocando painel solar no telhado.

A previsão é que os painéis solares, que começaram a ser instalados em outubro, gerem em torno de 900 mil kWh por ano, fornecendo 50% da energia consumida pela estação e reduzindo as emissões de gás carbônico em cerca de 511 toneladas anuais.   Além dos painéis solares, outras medidas de economia de energia adotadas na nova estação incluem sistemas para coleta de água da chuva e o uso de “canos solares” para aproveitar a luz natural.   “A ponte férrea, da época da Rainha Vitória, em Blackfriars é parte da história de nosso sistema ferroviário. Foi construída na ‘idade do vapor’ e nós estamos a atualizando com uma tecnologia solar do século 21 para criar uma estação que será um ícone para a cidade“, diz o diretor do projeto, Lindsay Vamplew.  A obra de instalação dos painéis solares em Blackfriars deve terminar em 2012. Além dela, a única “ponte solar” conhecida no mundo é a ponte de Kurilpa, em Brisbane, na Austrália, construída em 2009.

Ponte Solar Kurilpa, para pedestres e bicicletas, em Brisbane, Queensland, Austrália.

A Ponte Kurilpa sobre o Rio Brisbane, na cidade de Brisbane na Austrália já foi originalmente construída para ser uma ponte solar.  A ponte, para pedestres e bicicletas, popularmente conhecida como “Fiddle Sticks” [Arcos de Viola], tem 470 m de comprimento e  custou em 2009, 63 milhões de dólares australianos, que no Brazil de hoje seriam 112 milhões de reais [por que será que tenho a impressão de que aqui no Brasil essa ponte sairia 4 vezes mais cara?].  Em 2011, o projeto dessa ponte recebeu o prêmio mundial de projetos de transporte, no WAF — World Architecture Festival [Festival de Arquitetura Mundial].  

FONTE:  Terra-BBC





Conversões urbanas: como tornar a sua cidade numa cidade verde, sem demolições.

5 07 2009

 

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No dia 28 de junho o jornal Boston Globe publicou um interessante artigo de Michael Fitzgerald com uma lista de algumas das alternativas — já experimentadas e com sucesso — para transformar uma cidade já existente, numa cidade verde, com uma pegada carbônica muito menor do que a atual.   É claro que ele se concentra no que acha possível ser aplicado à cidade de Boston.  Mas como essas alternativas funcionaram em outros lugares, não custa darmos uma olhadinha para vermos o que anda sendo feito.  A tradução é minha e é bastante livre. 

Conversões urbanas: como tornar uma cidade verde, sem demolições.

 À medida que o mundo aquece, ele se torna também cada vez mais urbano.  Mais da metade da população mundial já vive em cidades ou muito próxima dos centros urbanos.  Então, quando se trata de vida sustentável, as cidades representam um desafio crescente.

Há muitas vantagens que já encontramos nas cidades:  elas têm transporte público, têm uma distribuição eficiente de energia elétrica, e uma densidade populacional compacta, que pode dispensar o uso do automóvel.  Além disso, pessoas que vivem e trabalham em edifícios altos, em vez de construções espalhadas pela paisagem, conservam uma enorme quantidade de energia per capta.

Mas as cidades também têm um grande problema: elas já estão construídas.  Podemos inventar todas as tecnologias “verdes” de que gostamos, mas não podemos derrubar quarteirões cheios de velhas estruturas e iniciar tudo do ponto zero.  Isso, para não falar na trama de ruas, ladeadas por cabos, tubos, túneis,  que se desenvolveram através de décadas, ou até mesmo séculos. O problema é especialmente sentido em cidades antigas como Boston.

Então, vem a pergunta: como para melhorar as cidades que temos? A resposta, através de conversões arquitetônicas.  Em anos recentes, engenheiros, planejadores urbanos, e empresários procuraram novas formas, imaginativas,  de tomar o que conhecemos hoje num uso de energia mais eficiente, enxertar  esse sistema tecnológico nas cidades existentes sem ter que arrasar o que já existe.   Aqui estão algumas idéias já testadas, incluindo algumas que podem vir a funcionar em Boston.

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BICICLETAS DISPONÍVEIS

 Bicicletas só usam suor como combustível, por isso são um item favorito e essencial para qualquer plano verde de trânsito, em qualquer lugar do mundo. Mas, a não ser que você seja um ciclista dedicado, nem sempre terá sua bicicleta com você quando precisar fazer um giro rápido.  É aí, nesse ponto que aparecem programas de compartilhamento que oferecem um bicicletário de bicicletas públicas, que podem ser utilizadas para circulação na cidade.   Apesar de muitas variantes desses programas já terem sido tentadas e não darem certo nos últimos 20 anos; hoje, há esperanças de que venham a funcionar.  Na França aparecem os primeiros sinais de sucesso: desde de 2005 que a cidade de Lyon lançou um programa que funciona com este fim e agora ele aparece de novo, adaptado em Paris.   É simples.  O programa se baseia num bilhete vendido pela cidade, custando aproximadamente R$80,00.  Ele serve por um ano de acesso ao uso de 20.000 bicicletas disponíveis em 1.500 estações na cidade.   O preço da bicicleta (o que seria o aluguel)  não custa nada pelos primeiros 30 minutos.  Depois disso há uma escala crescente de custos que são aplicáveis ao uso.  Há aproximadamente outras 25 cidades no mundo que oferecem programas semelhantes, de Barcelona a Washington DC.   Muitos desses programas são subsidiados por propaganda nas bicicletas ou outro tipo de publicidade. 

 

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UMA REDE INTELIGENTE

A rede que fornece a nossa eletricidade é complexa, mas nem sempre é bem utilizada.    Lembre-se do telefone casa da vovó – aquele que não tem identificador de chamadas, e que não consegue receber mensagens de texto ou vídeo.  Se fosse um telefone “inteligente” poderia se comunicar com a sua casa, e vice-versa.   A nível residencial isso significaria que você saberia exatamente que aparelhos estariam desperdiçando energia e como usá-los de forma mais eficiente.   A nível municipal, uma rede inteligente pode mudar o modo do consumo de energia.  A municipalidade poderia facilmente cobrar mais dinheiro pela energia em horas de grande uso.  O indivíduo poderia até mesmo vender o excesso de energia renovável sem uso de volta para a rede.  Algumas cidades pioneiras e alguns consumidores já usam redes inteligentes: na cidade de Boulder, no estado do Colorado, a companhia Xcel Energy lançou um plano piloto de contadores inteligentes que permite aos consumidores de verem a cada segundo as estatísticas sobre o seu gasto de energia e que permite também a mudança de temperatura da casa ou outras variáveis de maneira automática.

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PODCARS

 

A cidade de Masdar, a ser construída em Abu Dhabi tem em plano experimental “pós-petróleo”.  Ela será a primeira cidade do mundo a apresentar em grande escala um sistema rápido trânsito de pessoas.  Será um pequeno túnel subterrâneo movido a baterias, servindo a 4 pessoas por veículo.   Esquemas semelhantes estãosendo testados em Londres, no aeroporto Heathrow;  e em Uppsala, na Suécia.  Todos esses podcars usam rodas, o que significa que eles precisam de faixas nas ruas da cidade.  Mas há locais, como a cidade de Boston, que poderiam ser melhor servidos com o uso da tecnologia de levitação magnética, semelhante a utilizada nos trens de alta velocidade.  A empresa californiana Unimodais Systems construiu um protótipo mag-lev podcar no sistema da NASA Ames Research Center.  Ela afirma que o sistema é leve o suficiente para usar postes de luz como pontos de apoio.  Há muito tempo que um projeto de podcars da Universidade de West Virginia em Morgantown foi financiado durante a administração Nixon, e ainda está até hoje transportando estudantes pelo campus universitário.

 

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ESTAÇÕES DE PERMUTA

 Para trânsito alternativo há muitas idéias brotando em inúmeras cidades usando empresas que dividem serviços de carros e motos.  Um dos problemas que todas encontram é a falta de conexão entre pontos, especialmente quando se engloba distâncias mais afastadas do centro das cidades.  Estações de permuta, bem planejadas, poderiam ligar estes serviços, da mesma maneira que eles funcionam nas linhas de trens urbanos, ou nos metrôs, e com serviços de taxi.    A cidade de Bremen, na Alemanha criou um sistema que conecta ônibus e trem, motos, táxis, e grupos de caronas para que residentes possam se locomover com mais facilidade, sem ter um carro. Um sistema integrado de pagamento significa que eles podem fazer toda a viagem com apenas um cartão, ou até mesmo um celular.  Outras “estações de permuta” já estão organizadas em cidades como Washington, São Paulo, Cidade do Cabo, e Chennai, na Índia.  Entusiastas também vislumbram  online mapas inteligentes que liguem todos os meios de trânsito disponíveis ao público, com GPS e estimativas de tempo de viagem.

 

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RE-CONFIGURAÇÃO DE IMÓVEIS  

 Edifícios novos e eficientes são ótimos.  Mas não se pode simplesmente derrubar os edifícios já existentes para construir novos. Em vez disso, os construtores começam a reconfigurar o acabamento externo de concreto dos edifícios mais velhos, esfoliando as suas superfícies e acrescentando novas camadas térmicas.  Estas invertem a tendência normal de absorção do calor no verão e de perda deste mesmo calor no inverno.  Uma cuidadosa reconfiguração pode cortar o gasto de energia pela metade enquanto que o novo acabamento pode também englobar uma melhoria nas tubulações de serviços essenciais assim como nas tubulações elétricas.  É a cidade de Berlim que lidera neste caminho.  Com a esfoliação de um complexo de edifícios de 40 anos compreendendo 16.000 apartamentos.  Um edifício de escritórios em Manchester, na Inglaterra, foi reconfigurado com células foto-voltaicas.  Até mesmo edifícios ícones, parte da paisagem de cidades turísticas  podem passar por esse processo.  Um exemplo é o Empire State Building  que está em processo de reconfiguração começando de seu interior, e adicionando janelas com 3 painéis, além de atualizações mecânicas.  O resultado será a economia de USD 4.400.000 por ano em gastos de energia.  E tudo isso sem alterar sua aparência exterior.  O grande problema destes projetos é que eles são difíceis de serem repetidos em outros edifícios.  A Zerofootprint, uma organização sem fins lucrativos em Toronto criou um prêmio de USD $ 1 milhão para um projeto de reestruturação exterior que possa ser facilmente adaptado para muitas cidades.

 

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ALUGUEL DE ENERGIA SOLAR

Um dos maiores obstáculos para os donos de casas  mudarem suas residências para a energia solar, é o custo.  Em média custa nos EUA cerca de USD $ 25.000 para um conjunto de painéis de telhado.  Cidades como São Francisco conseguiram atrair subsídios federais  para reduzir esses custos pela metade.  Mesmo assim ainda é muito dispendioso.  Agora empresas privadas como SolarCity e SunRun andam seduzindo consumidores com uma outra maneira para consumo de energia solar.  Com o pagamento de USD $ 1.000 iniciais, proprietários de imóveis  podem alugar painéis solares por uma pequena quantia mensal baseada no uso de eletricidade por unidade. Inicialmente estas companhias se concentraram em partes ensolaradas do país, principalmente na Costa Oeste dos EUA.  Mas a SunRun começou recentemente,  no início deste ano, um programa de locação de painéis  em Massachusetts.

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