Fernão Dias Paes Leme, poema de Afonso Louzada

8 03 2009

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A morte de Fernão Dias Paes Leme, década de 40

Raphael Gaspar Falco ( Oran, 1885- São Paulo 1967)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

Fernão Dias Paes Leme

 

 

                                              Afonso Louzada

 

 

Varando as regiões desconhecidas,

entre matas e rios e montanhas,

no calor das audácias e façanhas,

buscando as pedrarias escondidas.

 

 

as “bandeiras” rasgavam as entranhas

da terra virgem;  mil lutas renhidas,

desbravando paragens mal feridas,

no assombro das florestas mais estranhas.

 

 

Na braveza das serras misteriosas

atrás das esmeraldas, alma brava

que era de um povo o símbolo gigante,

 

 

as mãos crispadas apertando, ansiosas,

as suas pedras verdes, expirava

Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante.  

 

 

Em:  Templo Abandonado, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1945.

 

 

 

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje seu nome pode ser escrito assim: Afonso Lousada,

 

 

Obras: 

 

Peço a palavra, (1934),  – fábulas em versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938 )

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Templo abandonado (1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 

Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) nasce provavelmente na vila de São Paulo do Piratininga, descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente. A partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. Em 1661 fixa-se nas margens do rio Tietê, perto da vila de Parnaíba, e administra uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Em julho de 1674 parte de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Fazem parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Aracuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.





Metamorfose — poema de Cassiano Ricardo — para crianças

6 11 2008

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Domingos Jorge Velho, o bandeirante (DETALHE)

Benedito Calixto (Brasil 1853 — 1927)

METAMORFOSE

 

 

                                                 Cassiano Ricardo

 

 

Meu avô foi buscar prata

mas a prata virou índio.

 

Meu avô foi buscar índio

mas o índio virou ouro.

 

Meu avô foi buscar ouro

mas o ouro virou terra.

 

Meu avô foi buscar terra

e a terra virou fronteira.

 

Meu avô, ainda intrigado,

foi modelar a fronteira:

 

E o Brasil tomou a forma de harpa.

 

 

Em: Martim Cererê, Cassino Ricardo, José Olympio:1974, Rio de Janeiro, 13ª edição.

 

 

 

 

Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.

 

 

Obras:

 

 

Dentro da noite (1915)

 

A flauta de Pã (1917)

 

Jardim das Hespérides (1920)

 

A mentirosa de olhos verdes (1924)

 

Vamos caçar papagaios (1926)

 

Borrões de verde e amarelo (1927)

 

Martim Cererê (1928 )

 

Deixa estar, jacaré (1931)

 

Canções da minha ternura (1930)

 

Marcha para Oeste (1940)

 

O sangue das horas (1943)

 

Um dia depois do outro (1947)

 

Poemas murais (1950)

 

A face perdida (1950)

 

O arranha-céu de vidro (1956)

 

João Torto e a fábula (1956)

 

Poesias completas (1957)

 

Montanha russa (1960)

 

A difícil manhã (1960)

 

Jeremias sem-chorar (1964)

 

Os sobreviventes (1971)

 

 

– –  —   – –  —  —

 

Benedito Calixto de Jesus (Itanhaém, 14 de outubro de 1853 — São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor, desenhista, professor e historiador brasileiro.

 

 

 

 

 








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