Sobre a Inocência, Lachambeaudie

19 07 2018

 

 

03-woman-combing-her-hair-in-front-of-a-mirror degasMulher penteando os cabelos em frente a espelho, 1877

Edgar Degas (França, 1834 -1917)

óleo sobre tela, 46 x 32 cm

Norton Simon Art Foundation

 

 

“Tendo perdido a roupa, diz-se que a Inocência em vão, para encontrá-la, procurou o Prazer, a Fortuna e o Poder.
Quem lha resistiu?
Foi o arrependimento.”

 

Lachambeaudie (França, 1806-18720

Lachambeaudie

 





Autores estrangeiros nos EUA: os cinco mais cotados pela NPR

10 12 2008

 

Como parte dos rituais de fim de ano a NPR: National Public Radio, Washignton DC, EUA revelou a lista dos cinco melhores livros estrangeiros publicados naquele país em 2008.  É sempre muito interessante ver, não só para onde a indústria editorial está levando seus leitores nos EUA, mas também, ver o que foi considerado importante o suficiente para merecer o trabalho de um tradutor.  Os EUA são conhecidos por sua insularidade cultural, apesar do grande número de leitores no país.  O americano é notório por preferir autores nacionais no lugar dos estrangeiros.  E dos estrangeiros preferem os de língua inglesa, ao invés das publicações em que há necessidade de traduções.

 

A lista deste ano inclui dois livros escritos em espanhol, um em húngaro, um em italiano.  O outro foi escrito em inglês, mas seu autor é escocês.  Será que estes livros virão a interessar o leitor brasileiro?

 

 

 

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1 – SENSELESSNESS ( em espanhol: A insensatez) de Horácio Castellanos Moya — escritor de Honduras.  Uma sátira sobre um escritor latino americano que se encontra exilado e pobre.  Arranja um emprego para editar um documento descrevendo detalhadamente as torturas infringidas pelo governo ditatorial militar aos índios locais, num país vizinho. 

 

 

 

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2 – KIERON SMITH, BOY do escocês James Kelman é um romance que tem como personagens centrais dois irmãos: Kieron e Matt.  Matt é considerado o mais inteligente, o favorito e é tratado diferentemente pelos avós que os criam em Glascow  O livro PE narrado por Kieron.

 

 

 

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3 – 2666, Roberto Bolaño do escritor chileno/mexicano, que morreu recentemente (2003), já havia arrebatado os críticos nos EUA, no ano passado quando seu livro Os detetives selvagens [no Brasil: Cia das Letras: 2006] foi lançado.  Originalmente imaginado com um grupo de cinco livros diferentes, 2666 é um volume grosso, quase mil páginas em inglês, que começa com a vida de um escritor alemão no México.

 

 

 

 

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4 – METROPOLE de Ferenc Karinthy, autor húngaro, que neste livro descreve a saga de Budai, um homem que se encontra perdido num país desconhecido, numa cidade com milhões de pessoas que n ao falam a sua língua e incapaz de se comunicar o suficiente para evitar um final previsível e caótico.

 

 

 

 

 

 

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5 – THE LOST DAUGHTER – a Itália se faz representar nesta lista com a obra de Elena Ferrante, cujos romances anteriores já haviam sido publicados nos EUA.  Este é um pseudônimo adotado para os trabalhos mais controversos deste/desta escritor.  Aqui é explorado, aparentemente com grande suspense, os sentimentos de uma mãe que não gosta de suas filhas.





Imigrar ou não? Thrity Umrigar em A doçura do mundo — Resenha

23 08 2008

Muitos de meus amigos recomendaram a leitura do livro:  A doçura do mundo de Thrity Umrigar (Editora Nova Fronteira, 2008 ) cujo lançamento foi marcado também pela presença da escritora indiana no Festival Literário de Florianópolis em maio deste ano.  O livro, como todos os outros que li desta autora, é muito bem escrito e diferente de sua fama pelas obras anteriores, esse é um livro alegre, às vezes mesmo até engraçado, com um final feliz ou satisfatório. 

 

A recomendação veio também porque sempre tive curiosidade sobre os problemas desenvolvidos com a identidade cultural de uma pessoa que passa a viver como imigrante.  Por mais que se doure a pílula, por mais que se pinte a realidade de um país contra os aspectos de outro, a verdade é que a não ser que a sua imigração seja feita quando você ainda é muito jovem, quando você ainda está no processo de forjar uma identidade própria, a adaptação a um novo país assim como a adoção dos valores culturais da nova terra podem freqüentemente ser de difícil aceitação intima para o imigrante.

 

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

 

Thrity Umrigar é uma imigrante.  Sensível como escritora e objetiva como jornalista, duas profissões que exerce nos Estado Unidos, ela está familiarizada e demonstra isso e em seus livros, com os problemas peculiares da identidade cultural, dos preconceitos, da saber-se de fora, do sentir-se de fora, assim como do saber e sentir-se acolhido.  Ela conhece pela própria experiência todas as idiossincrasias culturais que perduram no imigrante, além de seu sotaque na língua estrangeira.   Assim sua narrativa é verdadeira e aponta para os sentimentos mais delicados que envolvem a imigração.

 

 

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

 

A história deste livro é simples.  Um rapaz, Sorab, nascido em Bombaim tem como sonho ir para os EUA.  Conseguindo entrar para a universidade naquele país ele imigra, primeiro como estudante e depois permanece nos EUA a trabalho.  Seguindo suas aptidões consegue desenvolver uma brilhante carreira.  Neste meio tempo apaixona-se por uma americana com quem se casa e tem um filho.   Seus pais, jovens ainda pelos padrões de hoje, o visitam regularmente.  Até que o pai morre subitamente de um problema cardíaco.  Sua mãe, Tehmina [Tammy para os americanos] se encontra então com uma difícil escolha: aos 66 anos precisa decidir se deverá  imigrar para os EUA e ficar junto ao seu único filho, sua nora e neto, porém numa sociedade que a espanta e surpreende pela diferença de hábitos que seus habitantes demonstram; ou ficar no seu país natal, no apartamento onde sempre morou, rodeada das pessoas que conhece, que também ama e com quem sempre conviveu.  A história se desenrola muito bem aprumada na inteligência e sensibilidade de Tehmina; que se encontra também aterrorizada por tomar esta decisão sozinha.  Desde jovem todas as suas decisões eram balanceadas pela opinião do marido.

 

Muito rico em verdadeiras situações pelas quais um recém-chegado passa num país estrangeiro em que começa a viver, o romance de Thrity Umrigar mantém um ritmo muito bom por quase todo o livro.  Minha única crítica é sobre o fechamento da história.   A escritora parece ter adotado a visão americana de narrativa e leva os dois últimos capítulos fechando cada  fio da meada com uma soluções redundantes para o bom leitor.  Esses detalhes me lembraram os programas de televisão daquele país que conseguem resolver e solucionar os problemas mais amplos e delicados em comédias de 30 minutos.  Fora esta necessidade de aferrolhar os tópicos, de não deixar nada para a imaginação do leitor, não tenho maiores críticas ao livro que certamente deve ser lido por todos aqueles que pensam em imigrar ou que conhecem alguém que o fez.  Esse é um retrato sensível das muitas questões envolvendo o imigrante.

 

 

A escritora Thrity Umrigar.

A escritora Thrity Umrigar.





Mangás são os preferidos dos adolescentes franceses no verão de 2008

4 07 2008

 

Hoje, passando rapidamente pelos portais de leitura da França, para contrabalançar as notícias da FLIP de Parati, encontrei a lista dos ítens de leitura mais vendidos na França para adolescentes.  Como na semana passada coloquei aqui a lista da Inglaterra e a do Brasil, nada mais justo do que adicionar os preferidos dos franceses. 

 

Astérix e Obélix, os heróis gauleses.

Astérix e Obélix, os heróis gauleses.

 

Os livros mais populares para a juventude na França, em 2008

 

 

1 —      Naruto, Volume  37, de Masashi Kishimoto (não está a venda em português – Panini)

 

2 —      Death Note, Volume 11, de Tsugumi Ohba —  No Brasil :  Death Note: Concordância – vol. 11   de Tsugumi Ohba

 

3 —      Hunter X Hunter, Volume  24, de Yoshihiro Togashi  — JBC

 

4       Les Chevaliers d’Emeraude, Volume 5 : L’Ile des Lézards de Anne Robillard

 

5 —      Le Monde de Narnia de C-S Lewis  As Crônicas de Nárnia, Martins Fontes

 

6       35 kilos d’espoir de Anna Gavalda

 

7 —      La Cabane Magique, Volume 1 : La vallée des dinosaures de Mary Pope Osborne

 

8 —      Journal d’un chat assassin de Anne Fine –  Diário de um Gato Assassino, SM

 

9 —      Humanitude : Comprendre la vieillesse, prendre soin des Hommes vieux

de Yves Gineste (Auteur), Jérôme Pellissier

 

10 —    La Sixième de Susan Morgenstern

 

 

Em azul os títulos encontrados em português.

 

Observe-se a popularidade dos Mangás.





Você conhece os 10 mais importantes intelectuais de 2008?

2 07 2008

 

A revista inglesa Prospect, fundada em 1995, tem feito jus ao seu slogan: “a conversa inteligente da Grã-Bretanha”.  Sempre apresenta uma faceta diferente da visão mundial e gosto de seguir suas reportagens.  Junto com a revista Foreign Policy, a Prospect  faz de tempos em tempos uma enquête para descobrir quem seus leitores consideram ser os 100 maiores pensadores da atualidade.  A última tomada de pulso foi em 2005 quando Noam Chomsky, professor de Linguística  no MIT, foi o primeiro colocado.  Seguido de Umberto Eco, escritor, crítico e professor de semiótica em segundo lugar e por Richard Dawkins, eminente zoólogo, professor da Universidade de Oxford.  Seguiram-se Vaclav Havel, escritor e dramaturgo, Christopher Hitchens,  jornalista e crítico literário, Paul Krugman, economista e jornalista,  Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo,  Amartya Sen, economista laureado com o Nobel, Jared Diamond,  biólogo evolucionário, fisiologista, biogeógrafo e Salman Rushdie, escritor.  Estes foram os dez primeiros colocados há três anos. 

 

Quando a revista fez a mesma enquête este ano, ficou surpresa ao receber mais de meio milhão de votos, e mais ainda com o resultado da pesquisa.  A lista publicada agora, no mês de julho, mostra que os nomes dos 10 mais votados são todos de intelectuais muçulmanos.   Os organizadores logo procuraram saber se havia um hacker atrás da votação, e que tipo de campanhas haviam sido montadas e para que nomes.   E é claro que o vencedor deste ano, Fethullah Güllen, escritor, pensador e filósofo Suni, teve uma grande campanha por votos dentro da Turquia, a partir de maio quando Zaman o jornal de maior circulação no país e associado ao movimento de Güllen, publicou que havia esta competição para pensadores influentes.   Como explica Tom Nuttal em uns dos artigos deste mês na revista, antes de publicarem a lista, Prospect e Foreign Policy se certificaram da validade dos votos e das campanhas existentes.

 

 

  

 

 

 

 

 

 

Fethullah Güllen

Veja: 

https://peregrinacultural.wordpress.com/2008/07/16/fethullah-gulen-%E2%80%93-quem-e-o-intelectual-n%C2%B0-1-do-mundo/

 

https://peregrinacultural.wordpress.com/2008/08/12/muhammad-yunus-quem-e-segundo-mais-votado-intelectual/

 

  

 

Houve campanhas a favor de Mario Vargas Llosa, de Al Gore, Gary Gasparov, para dar alguns nomes, mas nenhuma delas vingou.  Provavelmente porque nenhuma destas campanhas teve a disciplina entre seus seguidores de manter o interesse pela votação vivo e a disciplina de arrecadar votos, que os seguidores de Güllen tiveram.  Cada eleitor poderia sugerir 5 nomes.  Mesmo assim, como é amplamente explicado em considerações sobre a lista, nenhuma campanha, poderia justificar o posicionamento de 10 muçulmanos entre os maiores e mais influentes pensadores do momento. 

 

O que estamos testemunhando, como diz Tom Nuttal, é a emergência de um novo tipo de intelectual, aquele que tem uma grande corrente de amigos e seguidores, que podem ser facilmente mobilizados.  Entre os nomes que apareceram entre os 10 mais votados estão também Yusuf al-Qaradawi, Amr Khaled .  Yusuf al-Qaradawi que já tinha aparecido na lista em 2005, subindo da posição 56 para a 3ª colocação e  Amr Khaled religioso muçulmano e produtor de programas televisos, que entrou na lista este ano, obtendo a 6ª posição.  Ambos seguidores próximos de Güllen com campanhas angariando votos, bem organizadas no Facebook.  Muhammad Yunus, economista e banqueiro em Bangladesh e Shirin Ebadi, advogada e ativista sobre direitos humanos no Iran, foram ambos agraciados com o Nobel da Paz e também tiveram bastante sucesso.

 

Os outros nomes entre os 10 mais votados em 2008 são: o escritor Orhan Pamuk;  Aitzaz Ahsan, advogado, membro da Suprema Corte do Paquistão e ativista em direitos humanos;  Abdolkarim Soroush o filósofo,  Rumi estudioso; Tariq Ramadan professor universitário e pensador muçulmano e Mahmood Mamdani, antropólogo e sociólogo,

 

A lista completa dos 100 mais votados se encontra aqui.  Em parênteses a colocação de cada um na enquête de 2005.  Asterisco significa que esta é a primeira vez que esta pessoa está sendo citada. 

 

 

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Ernest Hemingway um favorito das americanas

1 07 2008

 

Uma pesquisa em 2002 pelo National Endowment for the Arts, descobriu que nos EUA 80%  dos leitores de ficção são mulheres.  E que as mulheres lêem mais que os homens em todos os gêneros com exceção de história e de biografia.  Nestes dois gêneros os homens ultrapassam as mulheres.  No entanto, mais meninos leram a série de livros do Harry Potter  de J. K. Rowling do que meninas. 

 

Estes números não significam que mulheres só lêem o que é chamado chick-lit ou seja literatura para mulherezinhas.  Não, não, não…  Ernest Hemingway está entre os escritores de ficção mais lidos por mulheres.

 

Um dado interessante também encontrado pela mesma pesquisa é que mulheres compreendem o maior numero de bloguistas sobre leitura e literatura.  Uma diferença mais ressaltada ainda quando consideramos que os velhos e respeitados papas da crítica literária e da literatura são em sua maioria homens.

 

Uma mulher nos EUA lê em média nove livros por anos.  Um homem menos que a metade: quatro.  

Madame Min prepara o jantar. Walt Disney.





BUZZ e A louca da casa — o marketing boca a boca

30 06 2008

A louca da casa de Rosa Montero

Recentemente tive a oportunidade de presenciar um exemplo típico do marketing chamado de “boca a boca”.  O assunto era a leitura do livro A louca da casa.  Boca a boca é considerado o melhor tipo de promoção.  Algo que quando temos um ponto comercial, em qualquer ramo, consideramos um dos maiores sucessos de uma companhia, de um comércio. Porque é o cliente entusiasmado que sozinho faz sua propaganda.  A promoção mais poderosa de todas: o burburinho de quem foi lá, comprou e saiu satisfeito.  É a palavra do amigo, do parente, do amigo do amigo.  

 

Este vírus oral — recomendações passadas sem nenhuma intenção comercial, comunicadas simplesmente pela vontade de que o outro acerte — ainda não está muito bem conscientizado no gerenciamento do pequeno comércio no Rio de Janeiro.  Diferente dos EUA, aqui vai-se a uma pequena loja e nunca somos perguntados como ouvimos falar daquela loja, como chegamos até lá.  Esta curiosidade, que parece regular no comércio americano, está ligada ao tipo de propaganda usado e ao gerenciamento de recursos para propaganda.  Infelizmente o pequeno comerciante no Rio de Janeiro, apesar de ter muita concorrência, qualquer que seja seu campo de especialização, ainda não descobriu a vantagem de treinar seus vendedores a fazerem estas perguntas, para que ele possa saber como a clientela chega ao seu endereço. 

 

A súbita procura pelo livro A louca da casa, de Rosa Montero, foi um exemplo típico da promoção boca a boca, ou do BUZZ através da internet.  A notícia de que era um livro imperdível foi passada de chat em chat, principalmente nos locais da internet freqüentados por pessoas ligadas à leitura, às artes, à educação e à literatura.   Rosa Montero já havia causado surpresa na imprensa cobrindo a Feira Internacional de Parati de 2004, quando se mostrou muito mais popular do que o imaginado, sendo abordada por fãs a procura de fotos e de autógrafos, em todo lugar, durante sua estadia.   A fama de Rosa Montero entre leitores exigentes vem de seu trabalho ímpar: artes, literatura, imaginação e a condição feminina.  Com esta agenda, livros tais como: A filha do canibal, A história do rei transparente, se tornaram leituras obrigatórias para a leitora brasileira. 

 

Eis que no grupo do ORKUT chamado Livro Errante dedicado à leitura de livros que são passados de leitor em leitor numa cadeia, cobrindo o Brasil inteiro das grandes cidades a remotas localizações, a curiosidade sobre Rosa Montero foi atiçada no início deste ano, quando alguns de seus livros começaram a circular e a serem lidos e discutidos pelos trezentos e poucos brasileiros que compõem a comunidade.   De repente, Rosa Montero havia se tornado um nome corriqueiro, uma pessoa familiar, conhecida.  Seus livros já publicados no Brasil foram procurados mais insistentemente.  Assim, A louca da casa, um livro sobre a imaginação e o processo criativo, publicado pela Ediouro em 2004, passou a ser uma obsessão do grupo.  Apesar de ser um livro recente está esgotado e de acordo com a editora sem perspectivas de nova tiragem ou edição.   Constatou-se também que este era um livro difícil, quase impossível, de ser achado em sebos.  Tudo contribuiu para o crescimento do BUZZ na internet, para a NECESSIDADE IMEDIATA de se ler o livro.  

Escritora Rosa Montero

 

É a velha história da oferta e da procura.  Havia muita procura e nenhuma oferta.  O Livro Errante abriu então um tópico dentro da comunidade para que se localizasse um volume que pudesse ser emprestado.   Telefonemas foram feitos para se descobrir em sebos no Recife, no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.  O site Estante Virtual, recebeu alguns pedidos.  Finalmente quando um volume apareceu imediatamente 25 pessoas se comprometeram a ler o livro.  Este volume agora passeia pelo Brasil e está sendo lido por muito mais do que estas 25 pessoas, porque cada leitor satisfeito ainda o passa entre amigos, para que seja desfrutado, antes do livro ir embora se encontrar com outros leitores.

 

O ponto de desequilíbrio de Malcolm Gladwell, autor do também muito aclamado Blink,  ambos livros publicados pela editora Rocco, tenta estudar e justificar justamente este fenômeno de marketing, ou seja aquele ponto em que um objeto, um aparelho, um modismo, deixa de ser simplesmente mais um no estoque de um comerciante e passa a ser o item quente, o procurado por todos.  Este momento, que Gladwell chama de ponto de desequilíbrio é o que todos almejam ter quando são fabricantes, produtores, comerciantes, escritores e até mesmo editores de livros.    

 

Infelizmente, nem todas as companhias brasileiras estão ligadas ao poder econômico do burburinho virtual.  Ou o que é pior, ainda não aprenderam o valor e o poder do boca a boca através da internet.  Além disso, se mostram indiferentes à clientela.  Quando alguns dos membros da comunidade Livro Errante escreveram e-mails para a editora Ediouro perguntando sobre a possibilidade de uma nova impressão ou de uma nova edição do livro de Rosa Montero, todos receberam um e-mail automático da companhia, generalizado, sem qualquer atenção específica ao livro ou aquele leitor em potencial.  Esta falta de maleabilidade no trato com o consumidor, não é porque a companhia é muito grande.  Tanto a Amazon.com, como a Ebay.com, assim como o Submarino.com.br, apresentam maneiras com que um cliente possa ter seus e-mails respondidos por alguém além de uma máquina. 

 

Ao que tudo indica há empreendedores brasileiros que ainda acreditam que dinheiro gasto em propaganda e marketing é dinheiro posto fora.  Torna-se dinheiro posto fora  quando eles mesmos não se dispõem a avaliar o marketing que fazem.  No caso do livro A louca da casa, a companhia parecia achar que a culpa era destes leitores que não haviam comprado o livro assim que publicado, em 2004.  Mas não é.  A culpa é da companhia: neste caso ela não conseguiu entregar o produto para o qual um grande marketing boca a boca se desenvolveu naturalmente.  O BUZZ havia cumprido a sua função.  A falha foi no planejamento a longo prazo.   Uma pena!

 

 








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