A casa de papel, de Carlos Maria Dominguez

25 06 2008

A Casa de Papel de Carlos Maria Dominguez

Acabo de ler A Casa de Papel do escritor argentino Carlos Maria Dominguez.   Lê-se numa tarde, com tempo suficiente para degustar o texto e para reler as partes mais interessantes.  É um livro pequeno, quase um conto prolongado.  Uma novela, no sentido mais tradicional da palavra, são 98 páginas. E, no entanto, é uma delícia entrar no mundo mágico de Dominguez e nos encontrarmos nesta sala de espelhos que ele criou tão cuidadosamente.

 

O livro mostra o comportamento de colecionadores de livros ou mesmo de colecionadores em geral.  Porque suas atitudes, não importa o que colecionem, (quer sejam caixinhas de fósforo, porcelana japonesa ou livros), suas paixões, suas manias e estranhezas, são todas as mesmas.   Carlos Maria Dominguez nos faz pensar nos excessos, no comportamento extremo.  Seu livro questiona onde fica aquela linha divisória, invisível, que marca a diferença entre o comportamento do louco e a maneira de ser de quem é considerado normal.    Seu foco são  livros.  Ele explora as conseqüências da paixão por livros como objetos e guardiões de idéias.  Mostra também  as armadilhas, os perigos, de comprar, armazenar e colecionar  livros.  Onde e quando parar?  Quem determina o limite?   Que limite?   E com destreza ele faz a pergunta que é o pesadelo de qualquer amante de livros:  qual deles guardar, como guardar, onde e por quanto tempo?  Depois de algum tempo o que se deve fazer com os  livros que você sabe que não irá mais ler?  

 

Na verdade, A Casa de Papel é uma grande reflexão na arte de ler, de estudar e na arte de se colecionar livros e idéias.  O texto está repleto de alusões literárias.  Diversos escritores e suas curiosas vidas são mencionados.  A referência mais central ou talvez eu deva dizer a referência mais entremeada no texto, a que mostra maior afinidade com o livro, é a história do escritor Joseph Conrad, publicada em 1917, que leva o título de Linha de Sombra.  Nesta história um marinheiro que quer deixar a vida no mar é seduzido a fazer uma última viagem na qual ele será o capitão do navio.  Ele aceita.  A viagem se transforma num pesadelo e os homens no navio ficam desesperados e à beira da loucura.  Será que colecionar pode levar a um tipo de loucura?  Onde está a linha que separa o são,  do doente quando o assunto é colecionar?

 

É impossível ler-se esta jóia de uma só vez sem perder muito de seu charme e tampouco de perder todas as possíveis reviravoltas e afinidades a outros livros que conhecemos.  Este é um texto muito compacto:  uma segunda leitura certamente enriquece a experiência.  Leia uma vez, e depois de novo.  Você não se arrependerá. Vai adorar.

 

Carlos Maria Dominguez

 

 

 

 

 

 

                  Carlos Maria Dominguez








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