Resenha: “Os criadores de coincidências”, Yoav Blum

4 01 2018

 

 

John Brack, Jack, Queem and KingValete, dama, rei, 1989

John Brack (Austrália, 1920 – 1999)

óleo sobre tela, 106 x 136 cm

 

 

 

Os criadores de coincidências de Yoav Blum, tradução de Fal Azevedo,  é um livro divertido, uma mistura de thriller e romance; leitura rápida, inconsequente, amena.  É um dos maiores sucessos de vendas em Israel, traduzido e publicado no Brasil antes mesmo de atingir o mercado americano, onde será lançado em março de 2018.

Produzir coincidências é o trabalho de três agentes Guy, Eric e Emíly que recebem ordens para produzirem coincidências na vida de pessoas comuns.  Estas ordens aparecem de maneira misteriosa, indicando a existência de uma organização maior, acima de todos nós simples mortais, onisciente, toda poderosa, com poderes de influenciar diretamente nos nossos destinos.  A partir daí esses agentes, treinados na tal organização, usam de análises matemáticas e complexos projetos, para construir diversos eventos que em cadeia levam a um acontecimento final quando duas ou mais partes se encontram.

 

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A ideia é interessante e divertida. Depois desta leitura você vai pensar duas vezes quando perder um documento num táxi, quando manchar sua camisa com café depois de esbarrar num obstáculo, e certamente jamais achará que existem encontros casuais com conhecidos ou desconhecidos.  Mas houve momentos em que tive a impressão de que o autor estava particularmente orgulhoso de sua obra, e que lhe faltou um bom editor, para ajudá-lo a reduzir algumas ideias bastante astutas.  Os capítulos dedicados às cartilhas dos agentes, às regras a que se submetem, são pela primeira vez que aparecem, e interrompem a narrativa, uma curiosidade repleta de humor, mas quando a história é interrompida mais de uma vez por esses capítulos, temos um  artifício cansativo na composição da história.

 

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Através desta leitura tive a sensação de estar acompanhada do espírito do filme Agentes do Destino (2011), com Matt Damon e Emily Blunt, baseado no conto do escritor de ficção científica já falecido PKD [Philip K. Dick] Adjustment Team, originalmente publicado em 1954.  Não conheço o conto.  Mas vi o filme mais de uma vez, já que é uma das minhas comédias românticas favoritas. Não se trata de cópia, mas a ideia é semelhante.

Se você precisa de distração, este pode ser o livro ideal para colocar na mala e ler nas férias, depois da piscina ou numa rede à beira-mar. É uma leitura leve, divertida, sem consequências, um pouco de mistério, um pouco de romance. Agradável.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Empatia e entendimento do mundo aumentam com leitura de ficção

14 02 2015

 

 

kai-mccall-retratos-imaginados livroO grito está todo lá, 2008

[The screaming is all there]

Kai McCall (Canadá, 1968)

óleo sobre tela, 81 x 53 cm

www.kaimccall.com

 

 

Todo mundo já sabe que ler faz bem ao cérebro, aumenta a conectividade entre partes da nossa massa cinzenta, como comprovado por um estudo feito em 2013 na Emory University nos EUA.

Mas ler ficção é ainda mais interessante.

Você gosta de ler ficção? Mistérios, Romances, Espionagem, Ficção Científica, Ficção Histórica, Memórias? Pois saiba que as pessoas que gostam de ler ficção, em geral, têm maior empatia por outros seres humanos. Consequentemente leitores de ficção são bons amigos, capazes de se sensibilizar com as emoções dos outros. Na instituição New School for Social Research, os psicólogos David Comer Kidd e Emanuele Castano aprofundaram o estudo sobre leitura, contrastando a ficção literária com a ficção comercial mais estereotipada.  Concluíram que a ficção literária ainda é melhor para o nosso entendimento do mundo, da sociedade que nos circunda, por apresentar uma realidade com personagens mais complexos que melhor refletem a vida real.

Ler, na verdade, ativa o nosso cérebro de tal maneira que ele imita as ações que lemos, passando para o leitor um pouco das emoções vividas pelos personagens fictícios.

[A título de curiosidade: recentemente senti meu coração bater mais rápido do que o normal, ao ler uma cena aterrorizante, de um inimigo batendo na porta de um apartamento onde se escondia um personagem, herói, na trilogia 1Q84, de Haruki Murakami.]

Tudo indica que quanto mais complexos os personagens, quanto mais ambíguos, quanto menos estereotipados, maior é o leque de emoções que permite o leitor de ter empatia pelo próximo  e melhor compreensão do mundo à sua volta.  No fundo, você se torna uma pessoa melhor.

Vamos ler…

 

Fonte: Mic





Inspirações certeiras de Jonathan Swift e Voltaire?

3 10 2013

523px-J._VERMEER_-_El_astrónomo_(Museo_del_Louvre,_1688)

O astrônomo, 1668

Johannes Vermeer (Holanda,1632-1675)

Óleo sobre tela, 50 x 45 cm

Museu do Louvre, Paris

Jonathan Swift  em 1726 publicou o livro Viagens de Gulliver, hoje considerado uma das obras precursoras da ficção científica. Nesse romance picaresco  no capítulo III, intitulado Viagem a Laputa, astrônomos, personagens de Swift, descrevem duas luas em Marte, mencionando seu tamanho e órbita. A descrição foi bastante próxima da realidade encontrada 150 anos mais tarde, quando  Asaph Hall em 1877 descobriu as luas Phobos e Deimos circulando em volta de Marte.

Mas Swifft não foi o único a escrever sobre as duas luas de Marte.  Voltaire, 24 anos depois de Swift, em 1750, publicou o conto Micromégas, onde também descrevia essas duas luas de Marte.  Teria ele sido influenciado por Swift?  Teriam ambos tido uma ajuda externa?  De algum visitante extra-terrestre?

Hoje há duas crateras em Deimos chamadas de Swift e Voltaire em homenagem a esses dois escritores.





Novos rumos na ficção científica?

30 03 2013

books logo rodney mathews

Ilustração de Rodney Mathews.

Um artigo interessante no Irish Times sobre a literatura de ficção científica, The new future od sci-fi,  atraiu a minha atenção nessa semana que passou.  Há muito que se fala da dificuldade de classificação das obras de ficção científica.  A fantasia e a ficção científica parecem se misturar em muitos momentos. Mas não importa, algumas obras acabam saindo da prateleira estritamente reservada às literaturas de gênero e entram para a categoria de clássicos da literatura mundial.  Desde de o século XIX que não faltam exemplos desse tipo de ficção considerada hoje parte integral, e essencial de uma boa educação.  Lá estão enfileirados nessas prateleiras  livros que estabeleceram o ramo da ficção científica  Frankenstein de Mary Shelley (1818), ao longo das obras do popularíssimo Júlio Verne, considerado o autor mais traduzido no mundo ( 148 línguas) com títulos como Viagem ao Centro da Terra (1864) Vinte Mil Léguas Submarinas (1870),  A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873). No reino da fantasia, há também exemplos brilhantes do passado: As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1726) parecem ter aberto essa porta para o mundo moderno, ainda que a tradição do gênero venha desde a antiguidade. A criação literária classificada como fantasia parece ser mais inclusiva do que a ficção científica, e conta com contribuição no século XIX, de George MacDonald com Phantastes (1858) e de diversos outros que ocasionalmente embarcaram nessa nave, como William Morris The Well at the World’s End (1892), The Wood Beyond the World (1892) livros que foram de grande influência para autores como C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien.

Mas aonde cai realmente a linha divisória que separa a ficção científica do resto da literatura?   E será essa uma questão importante?  Aparentemente escritores contemporâneos resolveram a questão simplesmente escrevendo.  E no processo não deram atenção a quaisquer limitações,  combinando a bel prazer características de ambos os gêneros para preencher suas necessidades narrativas.  O resultado é uma nova geração de escritores de ficção científica que não se enquadra perfeitamente aos moldes anteriormente determinados. Esses autores, ainda que não estejam ligados a qualquer movimento ou causa, parecem ter encontrado um meio de renovar um gênero considerado estagnado há algum tempo.  Se você está curioso faça uso da lista de autores selecionados por Gareth L Powell  para mostrar essa nova geração que é feita de escritores de diversas nacionalidades.  E  boa leitura!

Escritores:  Adam Christopher  autor de Empire State e Seven Wonders, Aliette de Bodard com a trilogia Obsidian and Blood;  Lauren Beukes autora de In Moxyland Zoo City;  Chuck Wendig com seu Black Birds ;  Lavie TidharLou Morgan,Emma Newman, com o título Between Two Thorns; Kim Lakin-Smith com o livro Cyber Circus e Tim Maughan.





Ficção científica para jovens leitores, escolhida por quem escreve

16 06 2012

Ian e Moki, ilustração em pastel de Jan McDonald.

As férias estão chegando e começamos a pensar no que nossas crianças irão ler.  Uma das boas coisas nas férias é expandir horizontes, ler livros diferentes do que lemos durante o ano.  Trago a lista de livros para crianças desde as mais novas — o livro em décima colocação pode ser lido para uma criança —  assim como aquelas que já se aventuram no mundo dos adolescentes.  Tratamos aqui de ficção científica, com sugestões de leitura de Steve Cole escritor de livros de ficção científica para o público jovem que publicou no final verão inglês no  jornal The Guardian uma lista do que considera os dez melhores livros de aventuras no espaço.

A ficção de Steve Cole parece estar sempre um passo além do que se faz naquele momento.  Ele, por exemplo, foi o autor que colocou dinossauros no espaço, na série Astrossauros.  E suas observações sobre os melhores livros de ficção científica para jovens e muito jovens leitores são um reflexo contra o que ele considera uma grande dose de realidade que adulterou grande parte dos mundos imaginários do espaço.

Steve Cole acredita que a popularidade de conhecimentos científicos sólidos, por exemplo  sabermos que não há florestas na lua, que não há pequenos homens verdes em Marte, parece ter colocado uma camisa de força na imaginação daqueles que escrevem ficção científica, fazendo com que nos esqueçamos de que o universo é imenso e que há lugar para que os mundos mais estranhos possam ser imaginados.

Tendo essa perspectiva em mente ele  nomeou os livros que considera serem os melhores no momento.  [Vou listar aqui todos, tanto os que encontramos no Brasil, traduzidos,  assim como os que só encontramos em inglês, porque há, hoje, muitos leitores em inglês no Brasil, principalmente entre o público mais jovem.

1 – George e a caça ao tesouro cósmico, de Lucy e Stephen Hawking, no Brasil publicado pela Ediouro: 2010, com tradução de Laura Alves – 318 páginas.

2 — Doctor Who and the Daleks  de David Whitaker, em inglês, originalmente publicado em 1964, série de livros em que o seriado televisivo, de grande sucesso foi baseado.   As obras de David Whitaker estão sem tradução no Brasil.

3 – Uma dobra no tempo, de Madeleine L’Engle, no Brasil publicado pela Rocco:2011, com tradução de Sônia Coutinho – 264 páginas.

4 –  The Comic Strip History of Space de Sally Kindberg e Tracey Turner, sem tradução no Brasil.

5 — Kings of Space de Capt WE Johns, apesar de ter sido autor de mais de 169 livros, dos quais 96 são das aventuras de Biggles, não há uma única tradução no Brasil.

6 — Space, Black Holes and Stuff de Glenn Murphy.

7 – Rumo aos anéis de Saturno: ou a vingança das aranhas brancas! de Philip Reeve, no Brasil publicado pela Cia das Letras: 2009, tradução de Ricardo Gouveia – 296 páginas.

8 – O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams, no Brasil publicado pela Arqueiro: 2009, com tradução de Paulo Fernando Henriques Britto e Carlos Irineu da Costa — 208 páginas

9 – Além do planeta silencioso: trilogia cósmica, de C. S. Lewis, publicado no Brasil pela Martins Fontes: 2010, com tradução de Waldea Barcellos – 220 páginas

10 – Marcianos adoram cuecas, de Claire Freedman e Bem Cort, no Brasil publicado pela Globo: 2009, com tradução de Rosemarie Ziegelmaierl – 24 páginas.





A ficção cientifica no cinema

17 10 2010
Cascão lê notícias no jornal sobre discos voadores, ilustração Maurício de Sousa.

Li hoje m artigo interessante no Booksblog, do jornal inglês The Guardian, que  me levou a pensar sobre os melhores filmes de ficção científica de Hollywood.  A postagem, na verdade, se refere à incapacidade das companhias cinematográficas baseadas em Hollywood de fazerem um filme de ficção científica cuja qualidade possamos considerar perene.   

A premissa é de que a ficção científica é um gênero baseado em idéias.  E que se um filme tem sucesso é porque seu argumento foi capaz de preservar o essencial de cada elemento do gênero. O autor menciona só dois filmes com as qualidades necessárias:  2001 Odisséia no espaço, de Stanley Kubrick  lançado em 19  e Blade Runner: o caçador de andróides, de Ridley Scott, de 1982.

Assim, 2001 teria trazido para a tela algo que pressentimos ser verdade, ao retratar a evolução da existência humana do tempo em que éramos um pouco mais do que grandes macacos até nosso destino intergaláctico retratado no final.  Nosso momento atual é o próprio período de transição.  Por isso o filme nos cala, porque sentimos que nele há algo de verdadeiro.

Por outro lado, em Blade Runner,mostra uma outra realidade que nos toca como intrinsecamente verdadeira  e é projetada na habilidade que nós humanos temos de desumanizar nossos semelhantes quando nos convém.  Sabemos que isso é verdadeiro, temos exemplos todos os dias ao nosso redor que comprovam essa ser uma característica nossa, de seres humanos.

Foto, Contatos Imediatos de Terceiro Grau.

Além dessas observações, concordo com muitos dos outros pontos do argumento.  Gosto particularmente da lembrança de que a ficção científica é um gênero de idéias.  Como tal é um gênero bastante abstrato e quando projetado em imagens pode facilmente parecer pobre em contraste com as nossas imaginações; limitado aos recursos de época, a não ser que sua linha principal repercuta no nosso âmago mais recôndito, como verdades nossas de seres humanos.  É justamente aí que a agulha da balança pesa para um lado ou para o outro quando julgamos filmes de ficção científica que fossem significativos em qualquer época para qualquer geração. E é muito difícil esta balança pesar mais para o lado universal dos nossos sentimentos e daquilo que sabemos ser verdadeiro, quando nos encontramos face a face com uma realidade desconhecida de todos nós, como é mundo sci-fi.

Mas eu gostaria de adicionar um outro  filme que acredito ter os requisitos para se perpetuar:  Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg , lançado em 1977.  Por quê?  Porque também me parece trazer aquelas características que consideramos perenes:  a nossa curiosidade – sem ela não teríamos chegado ao nivel que chegamos na nossa evolução.  E também, o conhecimento intrínseco  que temos, lá nas profundezas de nossos seres, que as chances de sermos o único lugar com vida no universo são pequenas, muito pequenas. Quase inexistentes.  Sabemos, também, que iremos de alguma forma, algum dia,  nos comunicar com estes outros seres, quer de maneira inteligível, quer através de uma comunicação à base de trocas de celulas ou de DNA.  A genialidade do argumeto de Spielberg foi associar essa comunicação a um nivel de grande abstração como o  som, a música. Impossível de ser limitado e de ser descrito de alguma outra forma. 

Então, para ter longa vida a ficção científica no cinema tem que mostrar uma verdade intrínseca nossa, de seres humanos, que repercuta nas nossas almas, e mais ainda, que sua representação não limite a  nossa imaginação, mas ao contrário que nos faça expandi-las.

E você, o que pensa?





Viajando? Que livros levar?

11 04 2009

viajantes

 

Amigos me mandaram um link para um artigo do escritor Frank Bures, na Worldhum, onde ele fez uma provocadora lista para nos ajudar a selecionar os livros que devemos levar numa viagem, principalmente se esta é uma viagem longa e para terras estrangeiras.   Gente que lê mal pode imaginar não carregar um peso extra na mala para preencher com leitura não só as horas de espera nos aeroportos, como as horas passadas nos aviões, as horas em que se acorda no meio da noite por conta de diferentes fusos horários, assim como os minutos antes e depois de dormir.  Cada qual tem seu ritual, mas se você é um leitor provavelmente fica num marasmo em frente de sua mala feita, pensando no que levar para ler nos dias que se abrem numa viagem internacional.

 

Como gostei imensamente das razões explicitadas na lista do autor, coloco aqui, em linhas mais gerais sua maneira de selecionar os oito tipos de livros que devem fazer parte da lista de itens nas suas malas.  

 

 

Categoria I:

 

Escapismo:  Em geral são os livros que nos deixam confortáveis, envolvidos na trama, sem nos sentirmos ameaçados, tais como  uma boa ficção científica ou um bom livro de mistério.

 

Categoria II:

 

História:  Devemos conhecer pelo menos as linhas gerais da história do lugar que visitamos.  Isso certamente enriquece a nossa visita e nos faz entender melhor o que vemos.

 

Categoria III:

 

Guia:  Guias de turismo sempre nos ajudam na seleção do que ver e como fazê-lo.  É um guia.  Direciona.  E combinado com a Categoria II: história local, pode nos ser de grande serventia.

 

Categoria IV:

 

Literatura local: é sempre bom ler um livro que mostre a literatura local, para que se conheça valores ou guias culturais do lugar que visitamos.

 

 

Categoria V:

 

Antologia: uma antologia de contos, crônicas ou até mesmo de ensaios pode resolver muitos problemas, principalmente se a viagem é longa e a gente não sabe exatamente o que gostaríamos de ler em certos momentos.  A variedade de autores numa antologia nos dará a chance de sempre podermos encontrar um texto que nos apeteça num momento especial.

 

Categoria VI:  

 

Língua local: Sempre haverá um momento oportuno para usar uma palavra ou uma frase na língua local.  Livros de frases feitas na língua local são uma excelente ferramenta.  Há horas em que estas palavras podem fazer a diferença entre uma bem sucedida ida a um ponto turístico, ou fazer com que se evite no cardápio aquele marisco que nos dá alergia.  

 

Categoria VII: 

 

Saudades de casa: se a viagem é longa, certamente um livro que leve sua imaginação de volta à casa, à infância à cultura que você deixou para trás certamente terá um lugar especial para aquele momento em que a saudade bate.

 

Categoria VIII:  

 

Observações de viagem: Livros com observações de outros viajantes em terras estranhas podem aguçar a nossa sensibilidade a respeito do que estamos vendo de diferente e como estamos percebendo o mundo que nos cerca.  Muitos escritores famosos tiveram suas melhores páginas ao viajar e descrever o que viam.  Indiretamente eles podem ajudar na nossa própria maneira de observar aquilo que nos cerca.  





Nova vida para a ficção científica de Monteiro Lobato

26 10 2008

 

Para uma grande parte dos brasileiros Monteiro Lobato (1882-1948), o escritor paulista da primeira metade do século XX,  existe no nosso imaginário só pelas criações das histórias infantis que se desenvolvem à volta do Sítio do Picapau Amarelo.  Mas a obra de Lobato é muito maior do que este grupo de livros.  Entre os muitos outros títulos do autor está O presidente negro, lançado em 1926. 

Agora, graças às eleições americanas deste ano, esta obra não muito conhecida nem do público brasileiro volta a ser editada, aqui no Brasil pela Editora Globo.  No entanto, ganha também um edição na Itália: Il presidente nero.  E negociações estão sendo feitas para seu lançamento nos Estados Unidos, desta maneira preenchendo uma grande aspiração, um sonho pessoal do autor.  A obra considerada no campo da ficção científica, se passa no ano de 2228, ou seja, 220 anos no nosso futuro, quando os Estados Unidos elegem um presidente negro para a Casa Branca.   A história contada nesta obra de ficção científica, é a de Ayrton, um homem comum que tem a felicidade de cruzar o caminho do professor Benson e sua filha Jane. Os dois passaram anos reclusos, desenvolvendo uma máquina capaz de observar o futuro – o porviroscópio.  A partir dessas visões do que está por vir, Jane relata a Ayrton o episódio das eleições de 2228 – uma história cheia de reviravoltas e tensão. E vale a pena ler. 

 

Capa da edição italiana





Geek ou Nerd? Conhece as diferenças?

13 09 2008

 

 

Nerd ou Geek?

 

Depois da postagem de 31/8/2008 Geek?  Os 11 livros de ficção científica essenciais para a sua leitura  fui abordada por parentes e amigos para explicar a diferença entre um Geek e um Nerd.  Francamente não sou a melhor opção para esta tarefa.  Como se eu tivesse alguma especialidade no assunto… Rs…. Tirando um pouco daqui e dali eu estaria mais para NERD do que para GEEK, ainda que há muitas características do GEEK que podem ser facilmente aplicadas ao meu perfil e eu realmente preferisse ser GEEK do que NERD.  Frustração pessoal.    Mas, onde é que nós estamos?!  Tudo isto me parece muito anos 90.    Passé e Déjà vu! Mas resolvi dar uma procurada por aí e achei uma diferenciação entre estes dois termos que prontamente traduzo livremente.  Mas confesso que não sei se esta postagem foi feita com ironia e um sorriso nos lábios, ou se foi feita a sério.  Sou em geral contra este tipo de rótulo, mas facilita a vida de quem quer entender os valores dos outros.  O site é para bibliotecários e o post pode ser encontrado aqui:

http://www.web2learning.net/archives/316

 

 

 

Aqui então vai a tradução:

 

 

 

 

Bem, há uma clara diferença;  na verdade há características que fazem parte dos dois perfis, mas no todo são poucos os pontos em comum.

 

 

Características dos GEEKS

 

 

Muito ligados à tecnologia

Eles se identificam com as ciências

Ligados em ficção científica, literatura fantástica e cyberpunk.

Provavelmente fã de jogos de ação RPG jogo de interpretação de personagens

Provavelmente adeptos de  BDSM —  iniciais para  a expressão Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo

Provavelmente seguidores de romances gráficos/ mangás, etc

Sabem programar um computador e o fazem freqüentemente

Têm um blogue

Têm interesse na cultura de massa

Pode ter ou não sido um bom aluno na escola.

 

 

 

Características dos NERDS

 

Lêem muito: filosofia, literatura séria, ciência, história, assuntos acadêmicos.

Pessoas intensas, passionais, preocupadas ou fascinadas com assuntos intelectuais que a maioria das pessoas acharia chatos ou irrelevantes.

Aluno nota 10 na escola

Nem um pouco interessados na cultura de massa, exceto talvez no seu sentido mais antropológico.

Dados a problemas relacionados com excesso ou intensidade de leituras.

 

O que ambos têm em comum?

 

Ambos dançam mal.

Ambos não se dão bem nos esportes.

Ambos têm dificuldades com namoros, mesmo que seja com outros GEEKS ou NERDS

 

 

Um bom fim de semana a todos e não se atrapalhem muito na categorização de seus amigos e conhecidos.  Graças a Deus, somos todos muito mais complexos do que esta pequena lista de comportamentos e atitudes.  





Geek? Os 11 livros de ficção científica essenciais para a sua leitura.

31 08 2008

 

 

 

Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

O portal Inside Tech publicou uma lista dos 50 livros de leitura essencial para a formação dos geeks.  Não sou capaz de julgá-los nas outras áreas, mas gostei muito do que vi em termos de clássicos da literatura de ficção científica e feliz de ver que 10 dos 11 títulos mencionados encontram-se traduzidos e publicados no Brasil.   O único não traduzido, o livro de Doug Coupland deve estar a caminho.  Já há tradução para o espanhol.  Além do mais, se você é um verdadeiro geek, deve poder lê-lo em inglês.   

 

 

 

 

 

 

 

  

 

http://www.insidetech.com/

 

 

Coloco abaixo a lista com seus respectivos dados. 

 

1 – Nevasca — Neal Stephenson

 

Algum tempo no futuro. Os Estados Unidos, como conhecemos, não existem mais. O país está nas mãos de mercenários e corporações de toda espécie. Hiro trabalha para uma dessas corporações como entregador de pizzas. Mas isso é no mundo que conhecemos. Na realidade virtual, o Metaverso, pertence à elite que criou aquele lugar, habitado por avatares de toda espécie. Em qualquer dos dois mundos, Hiro também é um exímio samurai, que precisará de todas suas habilidades para salvar esses mundos de uma terrível ameaça. Seu nome – Snow Crash.

 

Editora: Aleph
ISBN: 8576570548
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 440
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

2 – Neuromancer —  William Gibson

 

Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais…
 
 
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o primeiro – e ainda hoje o mais famoso – livro de William Gibson. É considerado não só o romance que deu origem ao gênero cyberpunk, mas também o seu melhor representante. Edição especial com nova tradução, nova capa e projeto gráfico, novo prefácio e notas explicativas.

 

Editora: Aleph
ISBN: 8585887907
Ano: 2003
Edição: 3
Número de páginas: 304
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

3 —  Eu, Robô Isaac Asimov

 

Isaac Asimov vive circulando pelo espaço, achando histórias em estrelas e planetas distantes e nos visitando de vez em quando. O que poderia ser só uma licença poética para descrever seu ofício de autor de ficção científica é a mais pura verdade desde que um asteróide foi batizado com seu nome. Poucas honras poderiam ser maiores para um autor do gênero, e Asimov ainda tem outras: recebeu da Associação Americana de Escritores de Ficção Científica o título de Grande Mestre e escreveu quase 500 livros.

 

Eu, robô é parte de uma das três grandes séries de Asimov ? Robôs, Fundação e Império. Retoma uma das personagens principais, a grande roboticista Susan Calvin, e a faz contar, em retrospecto, histórias que resumem a evolução da robótica. A narrativa engenhosa conduz o leitor com um didatismo disfarçado: levados pela imaginação e pelo humor de Asimov, nem nos damos conta da lição de história da robótica que acabamos aprendendo. Entre a babá da primeira história e a Máquina, com maiúscula, que controla toda a Terra, na última, há ainda espaço para robôs que enlouquecem, que fazem piadas, que lêem pensamentos e até robôs orgulhosos de serem mais espertos do que os seres humanos.. Eu robô também apresenta as três leis da robótica, outro alicerce da ficção científica. De acordo com elas, a primeira obrigação de um robô é proteger seres humanos, a segunda é obedecer às ordens de humanos e a terceira é se proteger. A aparente simplicidade esconde os numerosos conflitos que podem surgir, e servem de mote para mais de uma história. Eu robô foi adaptado para o cinema, e tem previsão de lançamento mundial em agosto. 

 

Editora: Ediouro
ISBN: 8500015292
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

4 —  O Guia do Mochileiro das Galáxias, – Douglas Adams

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetárias. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

 

Editora: Sextante
ISBN: 8575421042
Ano: 2004
Volume: 1
Edição: 2
Número de páginas: 192
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

5 —   Do Androids Dream of Electric Sheep?  Philip K. Dick  em português

 

Editora: Oxford do Brasil
ISBN: 01947922226
Ano: 2008
Volume: 1
Edição: 3
Número de páginas: 120
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

6 —   O Jogo do Exterminador. – Orson Scott Card

No romance, Ender Wiggin é uma criança de seis anos de idade, quando é recrutado para a Escola de Combate Espacial. No futuro criado por Orson Scott Card, a humanidade está em guerra com alienígenas invasores, e muitos dos combates são travados em outros sistemas solares, distantes do nosso. Como não existe uma tecnologia de vôo mais rápido que a luz, nessa ficção científica, os muito jovens são recrutados porque eles estarão maduros quando estiveram em batalha ou quando retornarem à Terra. Usar crianças-soldados como personagens também foi um modo do autor afirmar que toda guerra é um processo de destruição da inocência.

O romance de ficção científica O Jogo do Exterminador foi originalmente lançado nos Estados Unidos em 1985. Ele é uma expansão da noveleta O Jogo do Exterminador, que foi a grande responsável pelo fato de seu autor, Orson Scott Card, ter recebido o Prêmio John W. Campbell, Jr. de melhor escritor estreante, em 1978. A versão romance recebeu os prêmios Hugo 1986 e Nebula 1985 – os dois principais prêmios da ficção científica em língua inglesa. O livro também está na lista de clássicos de John Clute, considerado um dos principais críticos de ficção científica. O Jogo do Exterminador foi publicado no Brasil em 1990, com esse mesmo título, pela Editora Aleph, quando recebeu o Prêmio Nova de Ficção Científica, conferido pela comunidade brasileira de FC.

 

Editora: Devir
ISBN: 8575322575
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 380
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

7 —  A Máquina do Tempo, —   H G  Wells   

 

Poderemos, algum dia, viajar no tempo? O herói de Wells foi ao futuro. O que viu ali encheu sua alma de terror e piedade pela espécie humana. O viajante do tempo percorre milhares de anos e encontra um espelho para sua alma…

 

Editora: Nova Alexandria
ISBN: 9788586075209
Ano: 1994
Edição: 1
Número de páginas: 126
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

8 — Micro Servos, Doug Coupland  

 

 

 

Editora: Nova Fronteira
ISBN: 
Ano: 1995
Edição:
Número de páginas: 440
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

  

9 — Planolândia: um Romance de Muitas Dimensões, — Edwin A. Abbott

 

Publicado pela primeira vez em 1884, na Inglaterra, ironiza o sexismo e o autoritarismo da sociedade vitoriana por meio deste romance habitado por figuras geométricas. Em Planolândia, figuras geométricas dotadas de características humanas convivem em um universo bidimensional onde a ordem é mantida a ferro e fogo por autoridades poligonais, os nobres, e circulares, o clero.

 

Editora: Conrad
ISBN: 8587193678
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 126
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

10 —  1984,  George Orwell  — edição comemorativa.

 

Este livro não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar para o cenário antevisto em 1984, o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo.

 

Editora: Nacional
ISBN: 8504006115
Ano: 2003
Edição: 29
Número de páginas: 302
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

11 – O admirável mundo novo, — Aldous Huxley

 

Edição revista da clássica ficção científica que descreve as formas mais sutis e engenhosas que pode assumir o pesadelo do autoritarismo.

 

Editora: Globo
ISBN: 8525033227
Ano: 2001
Edição: 2
Número de páginas: 309
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Então, está esperando o quê?  Mãos a obra…

Para verificar a lista toda, inclusive os livros mais técnicos aqui está o link:
 







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