Julho, férias… O que ler?

8 07 2011

Hora de descanso, s/d

Itzchak Tarkay (Iugoslávia/Israel, 1935)

Acrílica sobre tela, 100 x 80

Woodside Antiques and Estate Auctions

O portal de sebos brasileiros Estante Virtual, pediu para que seus clientes adicionassem o nome dos livros que gostariam de recomendar para a leitura nas férias.  A lista está em processo de ser feita na página da Estante no Facebook.  Vale a pena dar uma olhadinha e tirar algumas idéias do que ler.

Acabei contribuindo para a lista e resolvi colocá-la aqui para os leitores desse blog. Essa lista imagina que a leitura de férias deve ser uma leitura que não se pode deixar a leitura de lado,  sem estar pensando no desenrolar da história.  São livros que entretêm, que garantem horas de prazer. Divertem, aumentam o conhecimento, deixam a imaginação fértil e nos levam a outros lugares maravilhosos.

1 – O tempo entre costuras, da escritora espanhola Maria Dueñas [Planeta Brasil: 2010] um livro grosso e que a gente vira página após página sedentamente e fica com pena de que acabou.

2 – A senhora das savanas do brasileiro Hilton Marques [Ediouro:2008], você não vai deixar de lado, essa aventura com uma heroína brasileira na África.

3 – A catedral do mar, do escritor espanhhol Ildefonso Falcones [Rocco: 2007]– ficção histórica, passada na Barcelona medieval, século XIV. Vale quanto pesa… Muito, muito bom.

4 –A  história do rei transparente da escritora espanhola Rosa Montero [Ediouro: 2006] — ficção histórica, sensacional.

5 – As viúvas das quintas-feiras, da escritora argentina Claudia Piñeiro, [Alfaguara: 2007] uma trama de mistério, muito bem escrita, retratando problemas bem atuais. Um prazer…

6 – Tuareg, do escritor espanhol Alberto Vazquez-Figueroa, [LP&M: 2000 – bolso]excelente história de aventura no deserto do Saara.

7 – Maria de Sanabria, do escritor uruguaio Diego Bracco,[Rio de Janeiro, Record: 2008], uma ótima aventura histórica sobre a colonização da América Latina.

8 – A costureira e o cangaceiro, da escritora americana/brasileira Frances de Pontes Peebles, um romance e tanto, histórico, passado em Pernambuco dos anos 30.

Esta não é uma lista para crianças de férias.  É uma lista para adultos, jovens ou não.  A maioria já teve resenha publicada aqui neste blog.  Já os emprestei e dei de presente a muitos dos meus amigos e todos sem exceção gostaram desses livros.  Espero, então, satisfazer o seu desejo de leitura e entretenimento.





Conselhos a um escritor de ficção, várias opiniões — II

25 05 2010

 

Professor Pardal lê ficção científica, ilustração Walt Disney.

AL Kennedy

 

Alison Louise Kennedy , nasceu em 1965 em Dundee na Escócia.  Comediante e escritora de ficção, contos e também não-ficção.  Combina realismo e fantasia.  É colunista para diversos jornais na Grã-Bretanha e na Comunidade Européia. 

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1 – Tenha humildade.  Escritores mais velhos, com maior experiência, mais convincentes podem dar todo tipo de conselho.  Considere bem o que dizem.  Mas, não lhes dê automaticamente controle sobre o ser cérebro,  — eles podem estar amargos, cansados, podem ser manipuladores ou não gostar de você.

2 — Tenha mais humildade.  Lembre-se que você não conhece os limites da sua habilidade.  Com sucesso ou não, se você sempre tentar ultrapassar os seus próprios limites, você se enriquecerá – e talvez até agradar a  algumas pessoas.

3 – Defenda os outros.  Você pode, é claro, roubar histórias e detalhes da sua família e de seus amigos, preencher as fichas de pesquisa depois de uma noite de amor etc.  Talvez seja melhor celebrar aqueles a quem você ama – e também o próprio amor – escrevendo de tal maneira que todo mundo possa manter sua privacidade e dignidades intactas.

4 – Defenda o seu trabalho.  Organizações, instituições e indivíduos frequentemente acham que conhecem mais sobre o seu trabalho – principalmente se eles estão lhe pagando.   Quando você achar – realmente – que as decisões deles irão causar danos ao seu trabalho – despeça-se, vá embora.  Corra.  O dinheiro não vale isso tudo.

5 – Defenda-se.  Descubra o que o faz feliz, motivado e criativo.

6 – Escreva.  Não há autopunição, estado alterado da mente, suéteres negras ou atitude pública anti-social que irá ajudar a você ser um escritor.  Escritores escrevem.  Faça-o.

7 – Leia.  Tanto quanto puder.  Tão profundamente, tão abrangente, tão famintamente e irritantemente quanto você puder.  E as coisas boas se farão lembrar, de modo que você não precisará tomar notas.

8 – Seja destemido.  É impossível, mas deixe que os pequenos medos lhe direcionem quando r for re-escrever, passar a limpo e deixe de lado os grandes medos – até que eles se comportem – aí então use-os, talvez até escreva sobre eles.  Medo demais e tudo o que você consegue é silêncio.

9 – Lembre-se de que você adora escrever.  Não valeria a pena se você não gostasse disso.  Se a paixão diminuir, faça o que for necessário para tê-la de volta.

10 – Lembre-se de que a escrita não te ama.  Ela não tem sentimentos.  Não obstante ela pode se comportar de maneira bastante generosa.  Fale bem da escrita, encoraje outros,  passe-a adiante.

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Hilary Mantel

 

Hilary Mary Mantel CBE nasceu em Derbyshire, 1952.  Ela é uma escritora e crítica literária britânica. O seu trabalho versa desde a memória pessoal à ficção histórica, tendo várias obras finalistas em prêmios literários. Em 2009 foi premiada com o Prêmio Man Booker pela sua novela Wolf Hall.

1 – Você está pensando nisso seriamente?  Então ache um contador.

2 – Leia Becoming a Writer de Dorothea Brande.  Aí faça o que ela diz, inclusive as tarefas que você acha impossíveis.   Você provavelmente vai detestar o conselho de escrever assim que acordar, mas conseguirá fazê-lo, talvez até seja a melhor coisa que você venha a fazer para você mesmo.   Esse livro é sobre tornar-se um escritor de dentro para fora.  Muitos dos manuais com conselhos sobre o assunto derivam deste.  Você realmente não precisará de nenhum outro deles, mas se você quiser aumentar a sua auto-confiança, manuais de auto –ajuda raramente fazem mal.  Você pode começar um livro inteiro com um pequeno exercício de escrever. 

3 – Escreva um livro que você gostaria de ler.  Se você não o fosse ler, por que alguma outra pessoa iria fazer isso?  Não escreva para uma audiência ou um mercado determinado.  É possível que eles já não existam mais quando você acabar o livro.

4 – Se você tem uma boa história,  não assuma que precise ter uma narrativa em forma de prosa.  Talvez funcione melhor como uma peça de teatro, de cinema ou um poema.  Seja flexível.

5 – Lembre-se de que qualquer coisa que venha a aparecer antes do “Capítulo Um” pode ser pulado.  Não coloque nesse local sua chave do mistério.

6 – O primeiro parágrafo pode frequentemente ser um tiro no escuro.  Você está dançando a haka [NT: uma dança Maori] ou simplesmente mexendo com os pés?

7 —  Concentre a sua energia narrativa no momento da mudança.  Isso é muito importante principalmente para a ficção histórica.  Quando o seu personagem está num lugar novo, ou quando as coisas mudam à sua volta, é aí que você deve se afastar e preencher os detalhes de seu mundo.  As pessoas não observam os seu ambiente ou sua rotina diária a toda hora, então quando o escritor os descreve pode parecer como se ele estivesse dando instrução ao leitor.

8 – Descrições precisam funcionar para o lugar.  Não podem ser simplesmente ornamentais.  Em geral elas funcionam melhor se tiverem um elemento humano; é melhor quando são feitas com uma visão subjetiva ao invés de uma visão pelos olhos de Deus.  Se as descrições mostram a visão do personagem que está observando, ela se transforma em uma parte a definição do personagem, outra na ação do personagem.  

9 – Se você tiver um bloqueio, saia da sua mesa de trabalho.  Vá dar um passeio a pé, tome um banho,  vá dormir,  faça uma torta, desenhe, ouça música, medite, se exercite;  o que quer que seja que você venha a fazer, não fique sentado por ali, olhando para o problema.  Mas, não dê telefonemas, não vá a uma festa; se você for, as palavras de outras pessoas entrarão no texto no lugar das suas palavras perdidas.   Abra um espaço para elas.  Seja paciente.

10 – Esteja pronto para qualquer coisa.  Cada história tem requerimentos próprios e talvez haja razões para quebrar estas ou quaisquer outras regras.  Exceto regra número um:  você não pode se dar de corpo e alma à literatura se você está pensando no seu imposto de renda. 

Chico Bento escreve à noite, ilustração Maurício de Sousa.

Michael Moorcock

 

Michael Moorcock,  nascido em Londres em 1939, é um escritor britânico de ficção científica e fantasia e também autor de diversos romances literários.

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1 – Minha primeira regra me foi dada por TH White, autor de The Sword in the Stone e outras fantasias do Rei Artur: Leia.  Leia tudo o que cair nas suas mãos.   Sempre aconselho a quem quer escrever em fantasia ou ficção científica ou romance que pare de ler tudo nesses gêneros e comece a ler todo o resto de Bunyan a Byatt.

2 – Escolha um autor a quem você admire ( no meu caso foi Conrad) e copie suas tramas e personagens para fazer sua própria história, da mesma maneira que as pessoas aprendem a desenhar e pintar copiando os velhos mestres da pintura.

3 – Apresente seus principais personagens e temas no primeiro terço do romance.

4 – Se você está escrevendo em um gênero que é desenvolvido pela trama, não deixe de apresentar todos os temas e elementos da trama no primeiro terço do livro: a introdução.

5 — Desenvolva seus temas e personagens no segundo terço: o desenvolvimento.

6 – Ache a resolução dos seus temas, mistérios e tudo o mais no último terço: a solução.

7 – Para um bom melodrama estude o famoso Lester Dent master plot formula que você encontra na internet.  Foi escrito para mostrar como você escreve um conto para publicações populares mas que pode ser adaptado com sucesso para qualquer história de qualquer tamanho ou gênero.

8 – Se possível ponha alguma ação enquanto seus personagens estão fazendo uma exposição ou filosofando.  Isso ajuda a manter a tensão dramática.

9 – Manter atração:  faça seus personagens serem perseguidos ( por uma obsessão ou por um vilão) e eles mesmos perseguindo (uma idéia, um objeto, um pessoa ou um mistério).

10 – ignore todas as regras e crie suas próprias regras, para que se adquem ao que você tem a dizer.

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 Michael Morpurgo

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Michael Andrew Bridge Morpurgo, OBE FKC AKC , nasceu em 1943 na Inglaterra.  Ele é um romancista, poeta, dramaturgo, libretista ( autor de librettos de ópera e outros musicais), e mais conhecido ainda por seus livros infanto-juvenis. 

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1 – Meu pré-requisito é manter meu poço de idéias cheio.  Isso quer dizer viver uma vida cheia, com bastante variedade e ter minhas antenas ligadas o tempo todo.

2 – Ted Hughes me deu este conselho e funciona as mil maravilhas:  anote momentos, impressões passageiras, diálogos ouvidos, sua própria tristeza, encantamento e alegrias.

3 — Para mim a idéia de uma história é a confluência de eventos reais, talvez históricos ou da minha própria memória para criar um fusão excitante.

4  — O que conta é o periodo de gestação.

5 —  Com o esqueleto da história completo começo a falar sobre ele, principalmente para Clare, minha esposa, fazendo o teste com ela.

6 – Quando chega a hora de eu me senta e encarar a página em branco eu pronto para a partida.  Eu conto a história como se eu a tivesse contando para o meu melhor amigo, ou para um de meus netos.

7 – Com um capítulo escrito no primeiro rascunho/esboço  – escrevo com letra bem miúda para que eu não tenha que mudar de página  e ter que olhar para uma próxima página em branco – Clare digita no computador, imprime, às vezes adicionando seus comentários.

8 – Quando estou muito envolvido com uma história – vivendo-a à medida que escrevo – sinceramente não sei o que irá acontecer. Eu tento não direcioná-la, não ter o papel de Deus.

9 – Quando o livro está acabado, no seu primeiro rascunho, eu o leio em voz alta para mim mesmo.  Como ele soa aos meus ouvidos é tremendamente importante.

10 – Com a edição, não importa quão delicada – e eu tenho tido muita sorte aqui – não reajo muito bem no início, mas aí eu me acalmo e mando a bola para frente, e um ano mais tarde tenho o livro em minhas mãos.  

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Mercador oferece manuscrito para Margarida,  ilustração Walt Disney.

Andrew Motion

 

Sir Andrew Motion, FRSL, nasceu em 1952 na Inglaterra: poeta, romancista e biógrafo.  Foi   Poet Laureate  na Grã- Bretanha de 1999 a 2009.

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1 – Decida quando no dia ou na noite é a melhor hora para você escrever e organize a sua vida de acordo com essa decisão.

2 – Pense com os seus sentidos além do seu cérebro.

3 – Honre o milagroso no comum.

4 —  Tranque personagens/ elementos diferentes numa sala e diga a eles para se comunicarem.

5 – Lembre-se de que não há essa coisa que se chama de nonsense.

6 – Lembre-se da expressão de Oscar Wilde “ só o que é  medíocre se desenvolve – e faça disso seu desafio.

7 – Dê um tempo ao seu trabalho antes de decidir se vale ele vale a pena ou não.

8 – Pense grande, mas atento aos detalhes.

9 – Escreva para o amanhã, não para o dia de hoje.

10 – Trabalhe muito.

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Joyce Carol Oates

 

Joyce Carol Oates, também conhecida como “JCO”, nascida em 1938, é uma escritora americana, autora de romances de importância da atualidade americana.  Detentora dos prêmios norte-americanos National Book Award e o The Pen/Malamud Award for Excelllence in Short Fiction.

1 – Não tente antecipar o seu “leitor ideal” – talvez haja um, mas ele ou ela estão lendo um outro autor.

2 – Não tente antecipar o seu “leitor ideal” – exceto por você mesmo, talvez, em algum ponto do futuro.

3 – Seja seu próprio critico/editor.  Leia com simpatia, mas sem piedade.

 4 – A não ser que você esteja escrevendo uma coisa muito avant-guarde – rosnados, resmungos, tudo obscuro – lembre-se da possibilidade de usar parágrafos.

5 —  A não ser que você esteja escrevendo alguma coisa muito pós-moderno – muito auto consciente, auto-reflexivo, e “provocador” – lembre-se  de usar palavras comuns, familiares a todos, ao invés das “grandes” palavras, polissilábicas.

6 – Lembre-se de Oscar Wilde:  “ um pouco de sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade   é completamente fatal”.

7 – Mantenha um coração leve e esperançoso.  Mas, — espere pelo pior.

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Pato Donald, o jornalista de A PATADA, anota suas observações,  Ilustração Walt Disney.

Annie Proulx

Edna Annie Proulx, nascida em Connecticut nos EUA, em 1935 é uma escritora e jornalista norte-americana, de origem franco-canadense.  

1 – Proceda com vagar e cuidadosamente.

2 — Para ter certeza de que você trabalha devagar, escreva à mão.

3 – Escreva devagar e à mão só os assuntos que são do seu interesse.

4 – Desenvolva a arte de escrever através de anos de leitura variada.

5 – Re-escreva e faça a edição até que você consiga a melhor frase, sentença, parágrafo, página, história, capítulo.

Philip Pullman

Philip Pullman nascido nma Inglaterra em 1946 é um escritor de renome internacional, conhecido primeiramente pela trilogia Fronteiras do Universo (A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar). A série já ganhou vários prêmios de literatura no mundo.

A minha regra é não dizer nada sobre coisas como essa, que me tentam a deixar o meu trabalho de lado.

Ian Rankin

 Ian Rankin nasceu em 1960 em Fife na Escócia.  Psudônimo:  Jack Harvey.  Romancista e escritor de mistérios, autor da série do Inspetor Rebus.  Escreve também crítica literária.

 1 – Leia muito.

2 – Escreva muito.

3 – Aprenda a se auto-criticar.

4 – Aprenda a que críticas aceitar.

5 – Tenha persistência.

6 —  tenha uma história que valha a pena contar.

7 – Não desista.

8 – Conheça o mercado.

9 – Tenha sorte.

10 – Mantenha-se sortudo.

 

Amadeu escrevendo seu romance é interrompido por Pateta, ilustração Walt Disney.

Will Self

William Woodard “Will” Self nascido em 1961 é um romancista ingles, critico literário,  e colunista para jornais.  Conhecido principalmente por seus romances e contos  fantásticos e satíricos.

1 – Não olhe para trás até que você tenha escrito o primeiro rascunho, total.  Comece cada dia com a última sentença que escrevei no dia anterior.  Isso previne que você tenha sentimentos críticos e também faz com que você tenha um número substantivo de páginas para trabalhar quando o verdadeiro trabalho começa que é….

2 – Editar.

3 –  Sempre leve consigo um caderno de notas.  E isso quer dizer sempre.  A memória retém informação só por três minutos; a não ser que esteja gravada no papel, você poderá perder uma idéia para sempre. 

4 –  Pare de ler ficção – é mesmo tudo mentira, não lhe dirá nada que você não saiba (assumindo é claro que você já tenha lido muito de ficção no passado;  se você não leu, você não tem nada que estar pensando em se tornar um romancista).

5 – Conhece aquela sensação de doentia de se sentir inadequado, de se export demais que se tem ao ler a nossa prosa?  Relaxe sabendo que essa sensação jamais o deixará, independente do seu grau de sucesso e de aprovação publica.  É uma sensação intrínseca do negócio de escrever e deve ser apreciada.

6 –  Viva a vida e escreva sobre a vida.  O processo de fazer um livro é infinito, mas há mais do que o suficiente de livros sobre livros.

7 – Do mesmo modo, lembre-se de quanto tempo as pessoas passam vendo tv.  Se você está escrevendo um romance situado no mundo contemporâneo, há de haver longas passagens em que nada acontece exceto ver televisão:  “Mais tarde, George assistiu ao Grand Designs enquanto petiscava HobNobs.  Mas tarde ainda ele viu o canal de vendas por algum tempo…”

8 – A vida do escritor é essencialmente uma vida de prisão solitária – se você naão gosta disso  não precisa se candidatar.

9 – Ah, e não esqueça de uma surra vez por outra admnistrada pelos sádicos guardas  da imaginação. 

10 —  Considere-se como uma pequena empresa.  Deixe de lado exercícios de grupo (longos passeios a pé).  Faça uma festa de Natal todos os anos em que você fica num canto do seu escritório,  gritando em voz alta para si mesmo enquanto bebe um garrafa de vinho branco.  Depois, masturbe-se embaixo da mesa de trabalho.  No dia seguinte você se terá uma profunda e coerente sensação de embaraço.

Helen Simpson

 

Helen Simpson é uma escritora inglesa nascida em Bristol em 1959.  Trabalho na revista Vogue por cinco anos antes de se lançar como escritora de romances e contos. 

O que tenho de mais próximo de regras é uma notinha colada na parede na frente da minha escrivaninha que diz: “Faire et se taire” ( Flaubert), que eu traduziria para” Cale-se e faça”.

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Zadie Smith

 

Zadie Smith , nascida em 1975 em  Londres. É uma escritora inglesa.  Tem três romances publicados e inúmeros contos, pelos quais já foi considerada uma das mais importantes escritoras inglesas da atualidade.

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1 – Em criança, leia muitos livros.  Faça mais isso do que qualquer outra coisa.

2 —  Como adulto, tente ler seus próprios livros como se fosse uma pessoa estranha, ou melhor ainda, como um inimigo os leria. 

3 – Não faça um romance da sua vocação.  Ou você sabe escrever boas frases, ou não sabe.  Não há “estilo de vida de escritor”.  O mais importante é o que você deixa na página.

4 – Evite os seus pontos fracos.  Mas faça-o sem dizer para  si mesmo que o que você não sabe fazer não vale a pena ser feito.  Não mascare a sua insegurança com desdém.

5  — Dê um bom tempo entre escrever o texto e editá-lo.

6 – Evite, grupos, grupinhos, gangues.  A presença de um grupo não fará o seu texto melhor do que é.

7 – Trabalhe num computador que esteja sem conexão de internet.

8 – Proteja a hora e o espaço em que você escreve.  Mantenha todo mundo longe, até mesmo as pessoas mais importantes para você.

9 – Não confunda homenagens com realizações.

10 – Diga a verdade através de qualquer ângulo que lhe apareça, mas diga-a.  Resigne-se à tristeza de uma  vida inteira em que não se está nunca satisfeito.

Ilustração, Luluzinha escreve cartas, 1987.

Colm Tóibín

 

Colm Tóibín, é um escritor irlandês, nascido em 1955 que trabalha como romancista,  jornalista e crítico literário.

1 – Acabe tudo o que começar.

2 – Siga em frente.

3 – Fique com seu pajama mental o dia inteiro.

4 – Pare de se sentir um pobre coitado.

5  — Nem álcool, nem sexo, nem drogas enquanto escreve.

6 —  Trabalhe de manhã, faça uma pequena pausa para o almoço, trabalhe à tarde e aí veja as notícias das 18:00 horas e depois volte a trabalhar até a hora de dormir.  Antes de dormir, ouça Schubert, algumas canções.

7 – Se você tiver que ler, para se alegrar, leia biografias de escritores que ficaram loucos.

8 – Aos sábados, você pode ver um filme antigo de Bergman, de preferência Persona ou Sonata de outono

9 – Nenhuma viagem a Londres.

10 – Nenhuma viagem a qualquer outro lugar.–

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Rose Tremain

 

Rose Tremain é uma escritora inglesa, nascida em Londres em 1943;  conhecida por seus romances, contos e sua dramaturgia. Vive em Norfolk, Londres, no Reino Unido.

1 – Esqueça a máxima antiga “escreva sobre o que conhece”.  Ao invés, procure pelo desconhecido e ainda pelo conhecimento da experiência que vai aumentar o seu entendimento do mundo e do que você escreve.

2 – Não obstante, lembre-se de que é na particularidade da sua própria vida que se encontra a semente que irá alimentar o seu trabalho imaginativo.  De modo que não jogue tudo na sua autobiografia.  (Ainda mais que já há bastante autobiografias de escritores).

3 —  Nunca se satisfaça com o primeiro rascunho, na verdade não se satisfaça nunca com o seu texto, até que você esteja convencido de que está tão bom quanto o poder finito que você tem de  deixá-lo melhor. 

4 – Ouça a crítica e as preferências dos seus confiáveis  “primeiros leitores”.

5 – Quando uma ideia lhe vier à mente, passe algum tempo com ela, em silencio.  Lembre-se da idéia de Keats da capacidade negativa e do conselho de Kipling  de “ vagar, esperar e obedecer”.  Junto com a pesquisa de dados permita-se sonhar a sua idéia fazendo-a real.

6 – No planejamento de um livro, não planeje o fim.  Ele precisa se desenvolver por tudo o que veio antes.

7 – Respeite a maneira como os personagens podem mudar depois que você estivar com umas 50 páginas escritas.   Reveja o seu plano original nessa hora e veja se alguma coisa não precisa ser alterada para que  essas mudanças se desenvolvam.

8 – Se você está escrevendo ficção histórica,  não tenha personagens conhecidos, reais, como seus protagonistas.  Isso só irá trazer dificuldades biográficas aos lietores e mandá-los de volta aos livros de história.  Se você precisa escrever sobre gente real,  então faça alguma coisa pós-moderna e criativa com eles.

9 – Aprenda com o cinema.  Seja econômico nas suas descrições.  Separe os detalhes significativos dos que não tem vida própria.  Escreva um dialogo que as pessoas falariam. 

10 – Nunca comece um livro quando você quer começá-lo, mas espere um pouco mais de tempo. 

Margarida prepara a máquina de escrever, ilustração Walt Disney.

Sarah Waters

 

Sarah Waters  nasceu em Pembrokeshire, País de Gales, em 1966.  Ela é uma escritora britânica, conhecida principalmente por seus romances históricos baseados na época da rainha Vitória.  Mora em Londres.  

1 – Leia como um louco.  Mas tente fazê-lo de maneira analítica – o que pode ser muito difícil porque quanto melhor e fascinante um romance é, menos você reconhecerá suas ferramentas.  Mas vale a pena tentar descobri-los porque podem vir a ser de uso para o seu próprio trabalho.  Também acho assistir a filmes muito instrutivo.  Quase todos os filmes de sucesso de bilheteria de Hollywood são longos e pesados.  Tente visualizar como os filmes seriam bem melhores se fossem submetidos s cortes radicais.  Este é um bom exercício na arte de contar histórias.  O que me leva a ….

2 – Corte como um louco.  Quanto menos, melhor.  Frequentemente leio manuscritos – inclusive os meus – que quando chego ao capítulo dois, penso:  “Era aqui que este romance deveria ter começado”.  Uma quantidade enorme sobre o personagem e seu passado podem ser transmitidos através de pequenos detalhes.    A ligação emocional que você tem com uma cena ou um capítulo perde a cor a medida que você entra em outras histórias.  Seja bastante frio a respeito.  Na verdade…

3 – Trate a escrita como um negócio.    Tenha disciplina.  Muitos escritores  chegam a ficar obsessivos- compulsivos a este respeito.  Graham Greene ficou famoso por escrever 500 palavras por dia.  Jean Plaidy conseguia 5.000  antes do almoço, e depois passava a tarde respondendo às cartas de seus fãs.   Meu mínimo é 1.000 palavras por dia – o que às vezes é fácil de atingir, e às vezes, francamente, é difícil, but eu me forço a ficar na minha escrivaninha até chegar lá, porque eu sei que fazendo isso estou empurrando milimetricamente o livro à frente.   Aquelas 1.000 palavras podem vir a ser lixo – e o são muitas vezes.  Mas  então, é sempre mais fácil, mais tarde, voltar ao lixo e transformá-lo em algo melhor.

4 – Escrever ficção não é auto-espressão ou terapia.  Romances são feitos para leitores, e escrevê-los significa uma construção de efeitos feita com altruísmo, paciência e arte.  Imagino os meus romances como aqueles brinquedos num parque de diversões:  minha tarefa é amarrar o leitor naquele carrinho, no início do primeiro capítulo, então dirigir e deslizá-lo através das cenas e surpresas, num passeio cuidadosamente planejado, e num ritmo afiado.

5 – Respeite os seus personagens, mesmo os de menos importância.   Na arte, assim como na vida, cada qual é o herói de sua própria história; é importante pensar sobre as histórias de seus personagens menos importantes, mesmo que eles não cruzem muito com seu protagonista.    Mas por isso mesmo…

6 – Não encha de personagens demais sua narrativa.  Personagens devem ser individualizados, mas ficcionais – como figuras num quadro.  Pense em no quadro Jerônimo Bosch A coroação de espinhos, em que um Jesus paciente e sofredor está cercado de quatro homens ameaçadores.   Cada um desses personagens é único, e ,no entanto, cada qual representa um tipo; e coletivamente eles formam uma narrativa que é ainda de maior impacto por estarem tão juntas e construídas tão economicamente.  Num tema semelhante….

7 – Não escreva demais.  Evite frases redundantes, adjetivo que distraiam, e advérbios desnecessários.  Iniciantes, principalmente, parecem acreditar que escrever ficção requer uma prosa rebuscada, completamente diferente de qualquer tipo de linguagem que uma pessoa possa encontrar no dia a dia.  Isto é um conceito errôneo sobre efeitos produzidos pela ficção, e podem desaparecer se observarmos a regra número um.   Ler alguns textos de Colm Tóibín ou Cormac McCarthy, por exemplo, é descobrir como um vocabulário deliberadamente restrito pode produzir um impacto emocional surpreendente.

8 – Ritmo é crucial.  Boa prosa não é suficiente.  Estudantes são capazes de criar uma única página de prosa muito bem trabalhada;  o que eles às vezes deixam a desejar é na habilidade de levar o leitor na jornada, com todas as mudanças de terreno, velocidade e atmosfera que aparecem em uma longa viagem.   De novo, acho que a ajuda pode vir do cinema.   A maioria dos romances tem uma maneira de se mover mais perto, de se estender,  de ir para trás, ir à  frente, de maneira bastante cinematográfica.  

9 – Não entre em pânico.  No meio do caminho de um romance, eu já sofri momentos de grande ansiedade, quando contemplava  a tela à minha frente e via além, numa sucessão, as críticas negativas,  o embaraço dos amigos, a carreira dando para trás,  o dinheiro diminuindo, a casa hipotecada, o divórcio…  Trabalhar obstinadamente através de crises como estas, no entanto, sempre me levou ao final.  Deixar a sua mesa de trabalho por um tempo pode ajudar. Conversar sobre o problema pode me lembrar de onde eu queria chegar antes de parar.   Dar uma longa volta a pé quase sempre me ajuda a pensar sobre o meu manuscrito de uma maneira diferente.  E se tudo isso não der certo, há sempre a oração.  São Francisco de Sales, o patrono dos escritores, tem me ajudado nos momentos de crise.  Se você quiser algo ainda mais geral, pode pedir a Calíope, a musa da poesia épica. 

10 – O talento vence sempre.  Se você é um grande escritor, nenhuma dessas regras serão necessárias.  Se James Baldwin tivesse achado que era necessário abreviar o ritmo um pouco, talvez ele não tivesse chegado a intensidade lírica de Giovanni’s Room.  Sem a prosa “trabalhada”  não teríamos tido a exuberância lingüística de Dickens ou de Angela Carter.  Se todo mundo fosse econômico com seus personagens, não haveria Wolf Hall…  Mas, para nós, os outros, as regras são necessárias.  E, especialmente, só entendendo porque elas existem e como elas funcionam você pode experimentar e quem sabe quebrá-las.

Jeanette Winterson

 

Jeanette Winterson, nasceu em Manchester, na Inglaterra em 1959.   Escritora de romances, contos, colunista para diversos jornais britânicos e dramaturga.

1 – Trabalhe diariamente.  A disciplina permite a liberdade criativa.   Nenhuma disciplina é igual à liberdade.

2 – Nunca pare quando você tem um bloqueio.  Talvez você não resolva o problema, mas  puxe-o de lado e escreva alguma outra coisa.  Não pare de vez.

3 – Ame o que você faz.

4 – Seja honesto com você mesmo.  Se você não for tão bom, aceite esse fato.  Se o trabalho que você está fazendo não é tão bom, aceite esse fato.

5 –  Não insista num trabalho pobre.  Se já era ruim quando foi para a gaveta, continuará a ser ruim quando sair dela.

6 – Não preste atenção a quem você não respeita.

7 – Não preste atenção a ninguém que tenha uma agenda de gênero.  Muitos homens ainda acham que mulheres não tem uma imaginação fogosa.

8 – Seja ambicioso pelo trabalho e não pela recompensa.

9 – Confie na sua criatividade. 

10 – Aprecie o seu trabalho.





Conselhos a um escritor de ficção, várias opiniões — I

22 05 2010

 

Ilustração, Snoopy escreve seu romance, Charles M. Schulz.

No ano passado, foi lançado nos Estados Unidos um livro que se tornou líder de vendas:  10 rules of good writing [10 regras da boa escrita].  Recentemente , o autor deste sucesso  Elmore Leonard, foi lembrado pelo jornal The Guardian da Inglaterra, que repetiu um sumário dessas regras e pediu também a outros autores que listassem suas recomendações para a boa escrita.

Traduzo livremente o artigo.

Elmore Leonard

 

10 regras para se escrever bem:

1 –  Não comece o texto com o tempo.  Se for para criar uma atmosfera, e não uma reação do personagem ao tempo, você não deve se prolongar.  O leitor tenderá a ir em frente procurando por gente.  Há exceções.   Se você for Barry Lopez, que tem mais maneiras de descrever gelo e neve do que um esquimó, como no seu livro Artic Dreams [Sonhos do Ártico], você poderá fazer qualquer descrição de tempo que queira.  

2 – Nenhum extra: prólogo, introdução, prefácio.  Evite os prólogos: eles podem ser cansativos, especialmente se for um prólogo após uma introdução que vem depois de um prefácio.  Mas estes, em geral, só são encontrados em trabalhos de não-ficção.  O prólogo num romance é a história anterior e você pode inseri-la quando quiser.  Há um prólogo no livro de John Steinbeck Sweet Thursday, mas tudo bem, porque o personagem do livro justifica o que as minhas regras expõem.   Ele diz: “Gosto de muito diálogo num livro e não gosto de ter alguém me contando sobre a aparência do cara que está falando.  Eu quero imaginar a cara dele a partir da maneira como ele fala.”

3 – …disse.  [é o bastante!].  Use sempre o verbo “disse” para indicar o diálogo.  A sentença do diálogo pertence ao personagem; o verbo é uma interferência do escritor.  Mas “disse” é muito menos manipulador do que “murmurou”, “mentiu”, “aconselhou”, “suspirou”.  Lembro-me de uma vez em que Mary McCarthy acabou um diálogo com “ela asseverou” e tive que parar de ler para ir ao dicionário. 

4 –  Fora com os advérbios.   Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”… ele sobriamente advertiu.  Para usar o advérbio dessa maneira ( ou em quase todas as maneiras) é um pecado mortal.  O escritor  se expõe ao usar uma palavra que distrai a atenção e que pode interromper o ritmo da troca de idéias.  Tenho um personagem em um de meus livros que explica como ela escrevia romances históricos; “cheios de estupros e advérbios”.

5 –  Pouquíssimos pontos de exclamação! Mantenha o número dos pontos de exclamação sob controle.   Só é permitido usar dois ou três por cada 100.000 palavras de prosa.  Se você tem  a habilidade de exclamações como a do escritor Tom Wolfe, você pode colocar muito mais.

6 – Corte os: de repente ou equivalentes de “tudo foi para as cucuias”.  Nunca use as expressões “De repente” ou “ e tudo foi para o brejo”.   Essa regra não precisa de explicações.  Já notei que escritores que usam “de repente” raramente têm controle sobre os pontos de exclamação.

7 – Evite dialetos regionais.  Use raramente dialetos regionais.  Quando você começar a escrever palavras foneticamente em um diálogo e encher as páginas com apóstrofes, você não vai conseguir parar.  Preste atenção, por exemplo, na maneira como Annie Proulx captura o sabor das vozes de Wyoming no seu livro de contos Close Range.

8 – Não detalhe os personagens. Evite as  descrições detalhadas dos personagens, Steinbeck notou isso.  No livro de Ernest Hemingway Hills Like White Elephants, como era a aparência da americana com ele?  “ Ela tinha tirado o chapéu e o pousara sobre a mesa. “   Este é o único traço de uma descrição física na história.

9 – Não perca tempo com paisagens.  Não descreva coisas e paisagens com  muitos detalhes, a não ser que você seja uma Maragaret Atwood e consiga pintar cenas com linguagem.  Você não deve interromper uma cena de ação, o movimento da história, não deve pará-la.

10 – Não escreva o que você não leria.  Tente deixar de lado as partes que os leitores pularão.  Pense no que você pula quando lê um romance: longos parágrafos de prosa que você vê que têm palavras demais no seu conteúdo. 

A regra mais importante, que contém todas as outras 10:  se soa como prosa, re-escreva.

Mas quem é Elmore Leonard para dar conselhos?

Ele é um escritor que começou sua carreira escrevendo faroeste.  Depois voltou sua atenção para a ficção detetivesca: crime e mistério.   Ele é um escritor dos mais prolíficos.   Já escreveu mais de 30 romances, a maioria deles grandes sucessos de vendas.  É um escritor que é levado a sério  pelo mundo literário.  Elmore Leonard nasceu em Nova Orleans, Louisiana (EUA), em 1925.  Muitos de seus romances foram adaptados para o cinema.  Também é roteirista e redator de publicidade. Tornou-se conhecido a partir dos anos 80, quando chamou a atenção da crítica e do público. Sua obra recebeu diversas premiações, entre elas o Grand Master Award da associação Mystery Writers, concedido apenas aos autores cujo conjunto de suas publicações deu contribuição significativa para o desenvolvimento do gênero. Ele tem seis livros publicados pela Rocco, entre eles Ponche de rum, que inspirou ao cineasta Quentin Tarantino o filme Jackie Brown. Os outros são: Maximum Bob, Pronto, Cárcere privado, Irresistível paixão e Cuba Libre.

Pascoal, sobrinho do Professor Pardal, escrevendo uma carta, ilustração Walt Disney. 

Diana Athill

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Nascida em 1917, Diana foi funcionária da BBC na Segunda Guerra. Em sua longa carreira de editora trabalhou com autores do calibre de Elias Canetti, Philip Roth e John Updike, ajudando André Deutsch a consolidar a empresa que levava seu nome, uma das mais prestigiosas casas editoriais de seu país.

1 – Leia em voz alta para você mesmo.  Esta é a única maneira de saber se o ritmo das frases está certo.

2 – Corte ( talvez isso devesse ser CORTE):  só as palavras essenciais contam.

3 –  Você não precisa acabar com as suas frases favoritas, mas aquelas que lhe são muito caras, aquelas das quais você está orgulhoso, volte a lê-las.  Invariavelmente seu texto ficará melhor sem elas.

Margaret Atwood

 

Margaret Atwood é canadense.  Publicou seu primeiro livro aos 22 anos. Hoje, sua extensa e diversificada bibliografia conta com mais de 30 títulos, entre romances, coletâneas de contos, poesias, livros infantis e textos não-ficcionais. Sua vasta experiência inclui também roteiros para rádio e televisão. Traduzida para dezenas de idiomas, sua obra já lhe rendeu prêmios como o Booker Prize, recebido no ano 2000 pelo romance O assassino cego. A autora ostenta títulos honorários de mais de dez universidades e já teve um livro adaptado para o cinema.

1 – Para escrever num avião leve um lápis.  Canetas vasam.  Mas se o lápis quebra, você não pode apontá-lo, porque não pode levar o apontador dentro do avião.  Então, leve dois lápis.

2 – Se ambos os lápis quebrarem, você poderá afiar  a ponta, numa emergência,  com uma lixa de unhas.

3 – Leve algum material em que escrever.  Papel seria bom.  Numa emergência pedaços de madeira ou seu próprio braço servem.

4 – Se você usa um computador, sempre proteja o seu novo texto com um pen drive.

5 – Faça exercícios para as costas.  Dores tiram a atenção.

6 – Mantenha a atenção do leitor.  (Isso fluirá melhor se você conseguir manter a sua própria atenção).  Mas você não conhece o leitor, então é como caçar com uma única bala no escuro.  O que fascina A certamente aborrecerá B.

7 – Provavelmente você precisará de um bom dicionário, de uma gramática elementar e de uma boa dose de realidade.  Isso quer dizer:  nada é de graça.  Escrever é trabalho duro.  Também é uma aposta.  Você não tem plano de aposentadoria.  Outras pessoas podem lhe ajudar um pouco, mas – basicamente você estará sozinho, por si só.  Ninguém o está forçando a fazer isso:  é sua escolha, não reclame.

8 – Você jamais poderá ler seu próprio livro com a ingênua antecipação com que lê a primeira página de um novo livro, porque você o escreveu.  Você conhece os bastidores; viu como os coelhos foram escondidos dentro do chapéu.   Então, peça a um ou dois amigos para lerem o texto antes que você o envie para uma editora.  Esse amigo não deve ser alguém com quem você mantém um relacionamento amoroso, a não ser que vocês queiram se separar.  

9 – Não se sente no meio da floresta.  Se você se perder no enredo ou se tiver um bloqueio, volte nos seus passos at onde você se perdeu.  Aí, pegue a  outra estrada.  E/ou mude de personagem.  Mude o tempo verbal.  Mude a primeira página.

10 – Uma oração pode funcionar.  Ou ler uma outra coisa.  Ou visualizar ininterruptamente o Santo Graal que é o final, a versão publicada e esplendorosa do seu livro.

Ilustração Pato Donald escritor,  Walt Disney.

Roddy Doyle

 

Roddy Doyle nasceu em Dublin, Irlanda, em 1958. Escreveu diversos romances, muitos  adaptados para o cinema. Também foi ganhador do Man-Booker Prize, em 1993. O autor também escreve roteiros e scripts para o cinema. Mora em Dublin.

1 – Não coloque a foto de seu escritor favorito na sua mesa de trabalho, principalmente se ele for um daqueles famosos que se suicidou.

2 – Seja generoso consigo mesmo.  Preencha páginas o mais rápido possível; espaço duplo, ou escreva pulando uma linha.  Veja cada nova página como um pequeno triunfo.

3 – Até que você chegue à página 50.  Aí acalme-se, e comece a se preocupar com a qualidade.  Sinta a ansiedade, ela faz parte do trabalho.

4 – Dê um nome ao seu livro o mais rápido possível.  Tome posse dele, visualize-o.  Dickens sabia que Bleak House se chamaria assim antes de começar a escrevê-lo.  O resto deve ter sido mais fácil. 

5 – Restrinja suas visitas a uns poucos portais na internet, por dia.  Não procure por livros na rede, a não ser que seja para pesquisa.

6 – Mantenha próximo um dicionário, mas guarde-o no junto coma as ferramentas do jardim ou atrás da geladeira, em algum lugar que você precise fazer um esforço para consultá-lo.  Provavelmente as palavras que lhe vêem à cabeça serão adequadas, como “cavalo”, “correr”, “disse”.

7 – Vez por outra seja seduzido.  Lave o chão da cozinha, pendure as roupas lavadas.  É pesquisa.

8 – Mude de idéia.  Boas idéias em geral são assassinadas por melhores idéias.  Eu estva escrevendo um romance sobre um grupo chamado  The Partitions.  Aí decidi chamá-los The Commitments. [NT: Ele se refere ao seu grande sucesso nas telas do cinema, ao filme que, no Brasil, levou o título Loucos pela Fama.]

9 –  Não procure pelo livro que você ainda não escreveu na Amazon.com.

10 – Gaste alguns minutos por dia trabalhando no blog do seu livro, mas depois volte ao trabalho.

Helen Dunmore

 

Helen Dunmore é uma poetisa inglesa, romancista e escritora de livros infanto-juvenis.  Ganhou já diversos prêmios de ficção entre eles o Orange Prize.  Alguns de seus livros infanto-juvenis são hoje em dia adotados nas escolas britânicas.  Ela mora em Bristol.

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1 – Acabe cada dia de escrita enquanto você ainda quer continuar a escrever.

2 – Ouça o que você escreveu.  Um erro no ritmo de um diálogo pode mostrar que você ainda não entende seus personagens tão bem quanto o necessário para transcrever suas vozes.

3 – Leia as cartas de Keats.

4 – Releia, re-escreva, releia, re-escreva.  Se o texto ainda não estiver certo jogue-o fora.  Vai se sentir bem, e você não quer ficar cheio de poemas mortos e histórias que tem tudo neles menos a vida de que precisam.

5 – Memorize seus poemas.

6 – Torne-se membro das organizações profissionais que contribuem para os direitos dos autores.

7 —  Um problema de texto com freqüência é resolvido se você sai para uma longa caminhada.

8 —  Se você acha que tomar conta das crianças e da casa vão estragar a sua escrita lembre-se do escritor J.G. Ballard.

9 – Não se preocupe com a posteridade. Como Larkin observou “ o que sobreviverá de nós é o amor”.

Ilustração Walt Disney, Nestor e Peninha conversam sobre um livro.

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Geoff Dyer

 

Geoff Dyer nasceu em Cheltenham, Inglaterra, em 1958, e estudou em Oxford. É autor de três romances, de diversos livros de não-ficção, e escreve artigos para publicações como The Guardian, The Independent, New Statesman e Esquire.

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1 – Nunca se preocupe com as possibilidades comerciais do seu projeto.  Isso é ou não preocupação  para os agentes e editores.   Conversa com meu agente americano.  Eu: “ Estou escrevendo um livro tão chato, com possibilidades comerciais tão pequenas, que se você publicá-lo provavelmente vai perder o seu emprego.”  Agente:  “É exatamente isso que me faz querer manter o meu emprego.”

2 – Não escreva em lugares públicos.  No início dos anos 90 fui morar em Paris.  Pelas razões conhecidas pelos escritores:  naquela época se você fosse apanhado escrevendo num bar na Inglaterra, você poderia ter apanhado, enquanto em Paris, nos cafés…  desde então tenho aversão a escrever em público.  Hoje acredito que deva ser feito só em casa, como qualquer outra atividade de limpeza.

3 – Não se torne um daqueles escritoires que se limitam a passer a vida inteira bajulando Nabokov.

4 – Se você usa um computador, faça melhorias, estabeleça novos parâmetros nas correções automáticas.  A única razão de permanecer file ao meu pobre computador é que eu já investi tanta imaginação nele, construindo uma das melhores pastas de auto-correção da história literária.   Palavras perfeitamente soletradas aparecem com apenas algumas poucas teclas:  “Niet” se transforma em “Nietzsche”, “phoy” se torna “photography”  e assim por diante.  Genial!

5  — Mantenha um diário.  Um dos meus maiores arrependimentos é de nunca ter mantido um diário.

6 – Tenha alguns arrependimentos.  Eles são energia.  Na página eles se transformam em desejos.

7 – Trabalhe mais de uma idéia ao mesmo tempo.  Se tiver que fazer uma escolha entre escrever um livro e não fazer nada eu sempre escolherei a última opção.  Só se eu tenho uma idéia para dois livros é que eu escolho trabalhar num ao invés do outro.  Tenho sempre que me sentir como escapando de algum projeto.

8 – Tome cuidado com os clichês.  Não só os clichês com que Martin Amis está sempre brigando.  Há respostas que são clichés, assim como expressões.  Há clichês de observação e de pensamento – até mesmo de conceito.   Muitos romances, até mesmo alguns razoavelmente bem escritos, têm clichês no formato assim como clichês nas expectativas.

9 – Escreva todos os dias.  Crie o hábito de colocar suas observações em palavras e gradualmente isso se tornará instintivo.  Essa é a regras mais importante de todas e eu, naturalmente, não a sigo.

10 – Nunca ande numa bicicleta sem freios.  Se alguma coisa se mostra muito difícil, desista e faça alguma outra coisa.  Tente viver sem ter que se submeter à perseverança.  Mas para escrever tudo é perseverança.  Você tem que insistir.  Quando eu estava com uns 30 anos eu ia malhar, apesar de detestar fazer isso.  A intenção era pospor o dia em que eu iria parar de ir.  É isso o que escrever é para mim:  uma maneira de pospor o dia em que eu não o farei mais, o dia em eu entrarei numa depressão tão profunda que será indistinguível da felicidade total.

Anne Enright

 

Anne Enright (1962, Dublin, Irlanda) arrematou o Man Booker Prize de 2007 com o romance O Encontro, um mergulho no passado de uma família disfuncional. Atualmente é crítica de Literatura do Guardian.  Teve seus textos publicados nas revistas New Yorker, Granta e London Review of Books. Os recônditos da vida familiar, tema central de suas obras, são explorados em linguagem inventiva.

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1 – Os primeiros 12 anos são os piores.

2 – A maneira de escrever um livro é na verdade escrever um livro.  Uma caneta é útil, bater à máquina também.   Esteja sempre colocando palavras na página.

3 – Só os escritores ruins pensam que seu trabalho é realmente bom.

4 – Descrições são difíceis.  Lembre-se de que toda descrição é uma opinião sobre o mundo.  Acha o seu ponto de vista.

5 – Escreva o que quiser.  Ficção é feita de palavras numa página; realidade é feita de outra coisa.  Não importa o quão a sua história é “real”, ou quanto é “inventada”:  o que importa é a sua necessidade.

6 – Tente ser preciso sobre as coisas.

7 – Imagine-se morrendo.  Se você tivesse uma doença incurável você acabaria o seu livro?  Por que não?  O que aborrece nesta vida de 10 semanas de sobrevivência é o que está errado como seu livro.   Mude.  Pare de argumentar com você mesmo.   Mude. Vê?  É fácil.  E ninguém precisou  morrer.    

8 – Você também pode fazer tudo isso com uísque.

9 – Divirta-se.

10 – Lembre-se, se você se sentar  à sua mesa de trabalho por 15 ou 20 anos, todos os dias, sem contar os fins de semana, isso mudará algo em você.  Simplesmente acontece.  Pode mudar a sua disposição, mas consolida outra coisa.  Faz você ficar mais livre.

Ilustração: Margarida escreve em seu diário, Walt Disney.

Richard Ford

 

Richard Ford é um escritor americano, romancista e contista, vencedor do Pulitzer Prize.  Alguns de seus livros já foram passados para o cinema com grande sucesso.

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1 – Case-se com alguém que você ame e que ache que você ser escritor é uma idéia maravilhosa. 

2 – Não tenha filhos.

3 – Não leia críticas.

4 – Não escreva críticas ( seu julgamento é sempre preconceituoso).

5 – Não tenha discussões com sua mulher de manhã ou tarde da noite.

6 – Não beba e escreva ao mesmo tempo.

7 – Não escreva cartas para o editor ( ninguém está interessado).

8 – Não deseje mal aos seus colegas.

9 – Pense que a sorte dos outros é um bom encorajamento para você.

10 – Se possível, não deixe ninguém lhe encher o saco.

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Jonathan Franzen

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Nasceu em Western Springs, Illinois, em 1959.  Colabora com as revistas The New Yorker e Harper’s. Foi eleito pela revista literária Granta um dos vinte melhores jovens romancistas americanos. Polêmico, recusou-se a ir ao talk show de Oprah Winfrey, um dos programas de TV de maior audiência dos Estados Unidos, para divulgar o romance As correções.

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1 – O leitor é um amigo, não é um adversário, nem um espectador.

2 —  Ficção que não é a aventura pessoal de um autor num mundo desconhecido ou perigoso não vale a pena ser escrita, só vale a pena ser escrita por dinheiro.

3 – Nunca use a palavra “então” como conjunção – temos “e” para essa função.  Substituir “então” é uma maneira preguiçosa, para um autor sem ouvido, para o problema de “e” demais numa página.

4 – Escreva na Terceira pessoa a não ser que você tenha um primeira voz muito distinta e que se ofereça sedutoramente.

5 —  Quando uma informação se torna gratuita e accessível universalmente, a pesquisa volumosa para um romance se torna tão sem valor quanto a informação.

6 – A mais pura ficção autobiográfica requer pura invenção.  Ninguém escreveu uma história mais autobiográfica do que “ A Metamorfose”.

7 – Você vê mais se sentando imóvel do que indo atrás.

8 –  É duvidoso que qualquer pessoa com uma conexão à internet na sua área de trabalho esteja escrevendo boa ficção.

9 – Verbos interessantes raramente são muito interessantes.

10 – Você precisa amar antes de ser implacável.

Ilustração: Mickey tenta escrever, Walt Disney.

Esther Freud

 

Nasceu em Londres em 1963, filha do pintor Lucien Freud e bisneta de Sigmund Freud.  Foi atriz antes de se dedicar à literatura.

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1 – Corte as metáforas e símiles.  No meu primeiro livro prometi a mim mesma que não iria usar qualquer uma delas – mas eu me quebrei a promessa – durante um por de sol no capítulo 11.  Ainda enrubesço quando leio essa passagem.

2 – Uma história precisa de ritmo.  Leia em voz alta para você mesmo, se não parece mágico há algo que está faltando.

3 – Editar é tudo.  Corte até que você não possa cortar mais.  O que resta em geral ganha vida.

4 – Ache a melhor hora do dia para escrever e escreva.  Não deixe qualquer outra coisa interferir.  Depois não fará a menor diferença se a sua cozinha está bagunçada. 

5 – Não espere pela inspiração.  Disciplina é o segredo.

6 – Confie no seu leitor.  Não precisa explicar tudo.  Se você sabe alguma coisa e se colocou vida nisso, os leitores também saberão.

7 – Não se esqueça até mesmo suas regras foram feitas para serem quebradas.

Neil Gaiman

 

Neil Gaiman é um autor inglês, de romances e quadrinhos que escolheu viver nos Estados Unidos, em Minneapolis.  É internacionalmente conhecido como roteirista por seu trabalho na série Sandman.  Gaiman não se fixou nos quadrinhos, também escreve roteiros para séries televisivas e atualmente vem se dedicando à carreira literária. 

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1 – Escreva.

2 –  Coloque uma palavra atrás da outra.  Ache a palavra certa, escreva-a.

3 —  Acabe o que você está escrevendo.  Não importa o que seja necessário, chegue ao fim.

4 – Ponha o que escreveu de lado.  Leia como se não tivesse nunca lido antes.  Mostre aos amigos cujas opiniões você respeita e que gostam do tipo de ficção que você escreve.

5 – Lembre-se:  quando alguém diz que há alguma coisa errada ou que não se entusiamaram, eles estão quase sempre certos.  Quando eles dizem a você exatamente o que está errado e mostram como consertar, eles estão quase sempre errados.

6 – Conserte o texto.  Lembre-se de que, mais cedo ou mais tarde, antes de chegar à perfeição, você terá que deixar o texto ir embora e continuar a sua vida, começar a escrever seu próximo texto.  Perfeição é como querer caçar o horizonte.   Vá em frente.

7 – Ria-se de suas próprias piadas.

8 – A principal regra da escrita é que se você faz isso com bastante segurança e confiança, você tem permissão de fazer o que quiser.  (Esta talvez seja uma regra para vida assim como para a escrita.  Mas é verdadeira para a escrita).  Então, escreva sua história como ela precisa ser escrita.  Escreva com honestidade e conte-a da melhor forma possível.  Não sei se há qualquer outra regra.  Nenhuma que seja importante.

Ilustração, Chico Bento estuda ao som de música, Maurício de Sousa.

David Hare

 

Dramaturgo e argumentista inglês, nascido em 1947, em St. Leonards, no Sussex.

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1 – Escreva só quando tiver alguma coisa para dizer.

2 – Nunca siga os conselhos de pessoas para quem o resultado não tem importância.

3 – Estilo é a arte de sair do caminho e não de se colocar nele.

4 – Se ninguém encenar a sua peça, encene você mesmo.  

5 – Piadas são como os pés e as mãos de um pintor.  Talvez não seja o que você pretenda fazer, mas você tem que saber fazê-las no caminho.

6 – O teatro pertence primeiramente ao jovem.

7 – Ninguém chega a consitencia sendo um dramaturgo.

8 —  Nunca vá a um festival de pessoas da TV com pretensões de festival literário.

9 – Nunca reclame de não ser compreendido.  Você escolhe se quer ser compreendido ou não.

10 – As duas palavras mais deprimentes na língua inglesa são: “ficção literária”.

PD James

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Phyllis Dorothy James, OBE, nasceu em Oxford, Inglaterra.  É a Baronesa James de Holland Park, membro da House of Lords (Câmara dos Lordes) e uma escritora britânica de ficção policial que usa o nome P. D. James ao assinar as suas obras.   É reconhecida como uma das escritoras que mais influenciaram o género literário do romance de mistério, sendo especialmente notável a forma como caracteriza as suas personagens e a sua habilidade em construir atmosferas cheias de detalhes.

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1 – Aumente o seu poder com as palavras.  Palavras  são a matéria prima da sua arte.  Quanto maior o seu vocabulário mais efetiva a sua escrita. 

2 – Leia amplamente e com discriminação.   Má escrita é contagiante.

3 – Não só planeje escrever – escreva!  É só escrevendo, e não sonhando a respeito, que você poderá desenvolver o seu próprio estilo.

4 – Escreva aquilo que você precisa escrever, e não o que está na moda no momento, ou  o que você acha que será vendável.

5 – Abra a sua mente para novas experiências, particularmente para o estudo das pessoas.  Nada que acontece com um escritor – feliz ou trágico – é desperdiçado.

FIM DA PRIMEIRA POSTAGEM — PRÓXIMA POSTAGEM CONTINUAÇÃO COM OUTROS AUTORES.





Papa-livros: O tigre branco de Aravind Adiga

19 04 2010

Andando de riquixá, 2003

J. Hossain

aquarela em preto e branco  — 35 x 55 cm

http://www.bengalartgallery.com

Passamos a semana em discussões sobre a possibilidade de os países do grupo BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China  — formarem um acordo para juntos negociarem com os gigantes do primeiro mundo.  Isso me lembrou que em fevereiro deste ano, o meu grupo de leitura se dedicou ao romance vencedor do prêmio Man Booker em 2008:   O tigre branco de Aravind Adiga.  Como emprestei o livro imediatamente após a leitura, com forte recomendação, retardei sua resenha por dois meses, até poder reler algumas passagens.

Esse é um romance que se esbalda no humor negro e sarcasmo.  Retratada de início ao fim  está a história de Balram Halwai, que toma para si a incumbência de explicar através de longas cartas e com muita ironia —  para o Primeiro Ministro da China, que está com visita à Índia marcada para uma data próxima — “o mundo como ele é”, na Índia.  Não é nada bonita a realidade que Balram nos passa e da qual se intitula justo representante.  Esse homem, que fez de tudo, incluindo assassinar sem empregador para poder subir na vida, se apresenta como o verdadeiro indiano, produto de um sistema social arcaico, extremamente injusto e feito mais corrupto ainda depois da ocidentalização do país através do colonialismo inglês.  Nascido nas camadas sociais mais carentes – habitando um mundo quase invisível para os dirigentes do país, um lugar a que ele chama Escuridão–  ele explica como desde o dia em que veio ao mundo estava, assim como milhões de outros exatamente como ele, predestinado ao fracasso, subordinado às máfias locais, à corrupção dos dirigentes.

O grande trunfo desse romance, seu motor, está na narrativa.  O uso da primeira pessoa permite que desde o início os leitores se identifiquem com Balram, afinal, vemos o mundo através de seus olhos e mesmo que as ações, os valores descritos se mostrem desprezíveis, seu tom, a ingenuidade, a candura com que mostra seus mais deploráveis sentimentos, no deixa presos entre a simpatia e o desprezo.   No final, a narrativa é cativante:  ela seduz pela solidariedade. Não podemos evitá-la ao contemplarmos as sórdidas condições de vida de Balram; mas é uma narrativa que nos diverte também quando sua visão simplória do mundo nos mostra um outro ângulo: aquele das necessidades da sobrevivência.  Com essa mistura de pontos de vista somos obrigados a perpetuamente reconsiderar o que sabemos, não só sobre a realidade da Índia, mas temos que checar os nossos valores morais.  Há razão para assumirmos que eles são ou devem ser universais?

A ironia é mestra nessa narrativa.  A imensa pobreza incomoda e a naturalidade com que somos obrigados a aceitá-la machuca.   Mas é uma história de vitória, de sobrevivência, em termos diferentes daqueles que estamos acostumados a considerar, a ver, a aplaudir por exemplo no cinema americano.  Somos colocados diante dos mesmos paradigmas das histórias de menino pobre que chega a mega empresário apesar de todas as dificuldades que lhes são impostas. Mas o protótipo dessas histórias não é válido para essa realidade, a história de Balram é diferente, e temos que julgá-la e julgar os nossos preceitos, os nossos preconceitos e valores, apesar de, no final, os resultados serem muito semelhantes aos que conhecemos dos heróis cinematográficos. 

Aravind Adiga

Esse é um livro para ler e pensar.  Recomendo sem restrições.  Um dos melhores livros lidos recentemente.  Não perca tempo, abra suas páginas e garanto que a  leitura será inesquecível.





Eu a amava, de Anna Gavalda

17 02 2010

Nunca cheguei a ser uma boa jogadora de Bridge, apesar de gostar do jogo.  Mas joguei o suficiente para aprender a respeitar qualquer adversário capaz de finesse sua mão.  Esta expressão, vinda do francês, mas usada no mundo inteiro no jogo de Bridge,  se refere à maneira como um jogador consegue se livrar de cartas perigosas sem que seus parceiros o percebam.  Depois que aprendi a expressão e entendi a combinação de destreza e sutileza imbuídas no vocábulo, já a usei tantas vezes, em contextos tão diferentes, que acho inacreditável que não exista em português um verbo que expresse no todo a astúcia e finura de gesto, que combinadas dão peso à palavra.

É natural então que essa expressão francesa seja a que me vem à mente no fim da leitura do livro Eu a amava, da autora Anna Gavalda [Record:2002], nascida em Boulogne-Billancourt, em Île de France.  Isso porque sua prosa demonstra uma habilidade de escrever carregada de grande sutileza, que consegue retratar o mais corriqueiro dos temas – histórias de amor que não deram certo – com astúcia e perícia.  Seu retrato dos sentimentos mais corriqueiros, mundanos, pequenos, acabrunhantes,  que nos afligem na hora da perda de um amor é composta de maneira tão singular, bem humorada e livre de sentimentalismos, que merece grande admiração.  E mais, seu romance oferece um penso para almas feridas, um curativo para a emoção exposta do amor não correspondido. 

O enredo é tão simples quanto a linguagem usada: uma mulher, abandonada pelo marido, vai com suas duas filhas e o sogro, Pierre Dippel, para a casa de campo deste.  Traída, sofrida, com o coração em pedaços, Chloé deixa à mostra toda sua infelicidade e revolta.  Seu estado de espírito pode ser resumido na frase: O perigo é pensar que temos o direito de ser felizes.   Pierre Dippel que até então havia se mostrado um homem reservado, aparentemente insensível, revela, para surpresa da nora, uma grande história de amor na qual foi um dos personagens principais.  E com essa lembrança de um amor perdido, Pierre Dippel acalenta a nora e a si próprio, tranqüiliza-a sobre o futuro, consola-a com o exemplo, serena seus sentimentos, nutre suas esperanças, alimenta sua alma.  No todo são 170 páginas, quase todas de diálogos que formam esta leitura comovente, às vezes irônica, bastante sutil.  Não é a toa que, com esse romance, Anna Gavalda tenha conquistado os leitores franceses; surpresa é que sua obra não tenha ainda sido “descoberta” pelos leitores brasileiros, que ainda não a abraçaram na proporção gigantesca com que foi recebida e aplaudida na França.

Anna Gavalda

Este não é o primeiro livro de Anna Gavalda que leio.  Há uns poucos anos li  Enfim, juntos [Rocco: 2006], um volume que corrobora a insinuante prosa da autora.  Há, no entanto, uma característica entre esses dois romances: a troca de experiências entre diferentes gerações, que me parece um motivo, um padrão freqüente nas criações francesas mais recentes.  Essa troca de experiências entre pessoas e gerações distintas está presente também nos filmes:  Um lugar na platéia, 2006, [Fauteuils d’orchestre] de Danièle Thompson; O fabuloso destino de Amélie Poulain, 2001, [Le fabuleux destin d’Amélie Poulain] de Jean-Pierre Jeunet; e também no romance, A elegância do ouriço [Cia das Letras: 2008] de Muriel Barbery.  É claro que a minha mostra é pequena e provavelmente irrelevante, no entanto fica aqui o registro de que além da apurada sensibilidade que se estende por muitos dos romances franceses atuais, — e aqui ainda posso adicionar Casas de família de Denis Tillinac [A Girafa: 2005] e  Um toque na estrela de Benoîte Groult [Record: 2008]–  há um tema ímpar, único e inexistente nos romances de outros países: o retrato benfazejo da comunicação entre diferentes gerações, o relacionamento positivo entre jovens e pessoas de uma ou duas gerações mais velhas.  Esse tema parece trazer uma nova perspectiva na produção literária e cinematográfica da França atual.  Um tema bem-vindo, positivo, confiante, útil, que muito enriquece textos e leitores.  Uma atitude diametralmente oposta ao eterno conflito de gerações, representado com grande minúcia nas literaturas norte-americana e brasileira, entre outras, que chega às vezes a um retrato narcisista e vaidoso de jovem escritores.  Essa troca de experiências, no romance de Anna Gavalda, é apurada e escrupulosa, retratada com vigor e entusiasmo. Vale a leitura de Eu a amava.

 

***

 

Nota sobre a edição brasileira:  Li este livro novo.  Nenhum outro leitor havia ainda manuseado o volume.  No entanto, ao final da leitura, tive em mãos um livro cujas páginas se soltaram, cujo dorso teimou em querer se descolar e cujos pontos de alinhavo pareceram feitos em linha muito grossa, incompatível com o peso do papel em que foi impresso.  As páginas mostraram o desejo de voarem para fora do volume, sendo picotadas pelo cordão que as segurava ao dorso.   O livro foi  composto na tipologia Aldine 721 em corpo 12/26 e impresso em papel off-set 90g/m² no Sistema Cameron da Divisão Gráfica da Distribuidora Record.  Tive que colar de volta diversas páginas do livro.  É inacreditável que uma editora, tão grande como a Record, não tenha se esforçado para manter um mínimo de controle de qualidade.  Fica aqui o meu protesto pelo desprezo que a companhia demonstrou pelo leitor e pela autora.





Jornada com Rupert, de Salim Miguel

13 02 2010

Maria Fumaça, s/d

João Barcelos ( Brasil, contemporâneo)

óleo sobre linóleo, 38 x 46 cm

Os americanos têm uma expressão —  “coming of age” –  [chegada à idade] que resume a passagem de um período da vida para outro, a superação dos conflitos em cada um de nós, quando descobrimos que deixamos a adolescência para entrarmos numa outra fase da vida.  Quando finalmente encontramos a nossa identidade, independente daquela que herdamos de nossas famílias ou da cultura à nossa volta.  Este período, esta mudança, tem servido há muitas décadas como tema de inúmeros romances, filmes e peças teatrais, principalmente no mundo anglo fônico.  A idade em que essa mudança ocorre difere de cultura para cultura, de pessoa para pessoa.  Dentre os mais famosos romances em língua inglesa que retratam essa transformação estão: Grandes Esperanças, [Great expectations], de Charles Dickens, O apanhador no campo de centeio, [Catcher in the Rye] de J. D. Salinger,  O sol é para todos [To Kill a Mockingbird] de Harper Lee, A insígnia vermelha da coragem [The Red Badge of Courage] de Stephen Crane.  Mas a lista é numerosa.    Na Alemanha, o “Das Bildungsroman” — o equivalente do romance de iniciação — tem no Os sofrimentos do jovem Werther, [Die Leiden  des jungen Werther] de Goethe, um grande exemplo.  No Brasil esta temática não é tão popular, talvez mesmo porque, na nossa cultura, custamos a deixar a casa paterna em busca do nosso próprio destino.  É uma questão cultural.  E é justamente esta transformação, este momento de autoconhecimento que o romance de Salim Miguel, Jornada com Rupert [Record: 2008] retrata com mestria.

Rupert, o nosso protagonista, chega à vida adulta tarde.  Está com 30 anos quando cria suficiente coragem para deixar para trás o lar paterno e procurar sua própria vida, sua independência.   Encontramos Rupert começando sua viagem para o desconhecido.  E nos lembramos com ele da vida que deixou para trás, das expectativas de seus pais para o seu futuro, expectativas impossíveis de serem preenchidas pelo jovem.    

Nesse ínterim somos levados a considerar as tradições familiares herdadas por Rupert, neto de imigrantes alemães.  E, por causa da memória familiar, das histórias recontadas, sempre que possível, sobre a chegada dos avós ao Brasil,  viajamos no tempo, observando esses primeiros imigrantes, em Santa Catarina, suas expectativas e seus sonhos pelo estabelecimento de uma sociedade mais justa do que a que haviam deixado em solo europeu.  Este relato é maravilhoso pelo contexto histórico que oferece, e ninguém melhor que o filho de imigrantes (Salim Miguel chegou ao Brasil aos 3 anos de idade] para retratar esse complexo de emoções trazidas nas bagagens dos que aqui aportaram em busca de um futuro, de uma vida melhor. 

À medida que a viagem ao passado se desenrola podemos perceber que o problema de Rupert não é só causado pela chegada à vida adulta, solucionável  pela partida da casa dos pais, mas é, sobretudo, um problema de identidade.   Diferente da colônia portuguesa, por exemplo, que no Rio de Janeiro teve seus integrantes assimilados rapidamente na cultura local, os imigrantes alemães, vieram para o Brasil e formaram comunidades, onde língua, hábitos, comidas tudo se reportava ao país de origem.  Essa vida, em pequenas aglomerações de outros alemães, fomentava uma cultura paralela, não só à brasileira, mas também à alemã.  É interessantíssimo seguir a narrativa de Salim Miguel e ver que a realidade que fez com que esses imigrantes deixassem a Alemanha em meados do século XIX, vai sendo romanceada à medida que é recontada.  Aos poucos, o lugar que deixaram é diferente, é idealizado, é sonhado.  É muito melhor do que anteriormente.

Salim Miguel

Quando nos anos 40 do século XX, encontramos Rupert, mais de cem anos depois da imigração de seus avós, vemos seus pais apoiando Hitler.  Rupert, que se considera primeiro brasileiro, não os apóia, nem a Hitler.  Mais do que uma questão política, para ele, o apoio ou não a Hitler foi uma questão de identidade, de identidade brasileira.   E cada qual, desses netos de imigrantes, dessa geração que chegou à idade adulta na década de quarenta, acha sua maneira de expressar a sua brasilidade.   Ilze, a amiga de infância de Rupert, chega primeiro à independência, ao conforto de deixar co-habitarem suas raízes alemãs e brasileiras, simultaneamente.  Embarca para o Rio de Janeiro e consegue, vivendo como tradutora, fundir todas as partes numa só.  Acredita-se que Rupert saberá fazer o mesmo, e terá sucesso nessa empreitada.  É o que esperamos, mas para Rupert a viagem só começava. 

Muito bom.  Vale a leitura e, sem dúvida, uma re-leitura.





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.








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