Quadrinha do flamboyant

9 06 2012

Paisagem, s/d

Paulo Gagarin ( Rússia, 1885- Brasil, 1980)

óleo sobre tela, 33 x 41cm

Coleção Particular

Quando de rubro vestida,

me vens, formosa e louçã,

julgo ter, nas mãos prendida,

uma flor de “flamboyant”.

(Josué Silva)





Boas novas sobre este Blog vindas com o Ano Novo!

2 01 2011
Amadeu usa o computador, ilustração de Walt Disney.

Comecei este ano com uma surpresa gratificante, um email do portal WordPress mandando congratulações pelo desempenho deste blog no ano de 2010.  Segue abaixo o primeiro parágrafo do email, em verde:

O ano de 2010 no seu blog

Feliz Ano Novo do WordPress.com! Para começar o ano em beleza, gostaríamos de partilhar alguns dados sobre o desempenho do seu blog. Aqui está um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Blog-Health-o-Meter Uau

Blog-Health-o-Meter™

Achamos que foi fantástico!

Números apetitosos

Imagem de destaque

O Museu do Louvre é visitado por 8,5 milhões de pessoas todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 1,100,000 vezes em 2010, o que quer dizer que se fosse uma exposição no Louvre, eram precisos 47 dias para que as mesmas pessoas a vissem.

Em 2010, escreveu 375 novos artigos, aumentando o arquivo total do seu blog para 1377 artigos. Fez upload de 795 imagens, ocupando um total de 201mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por dia.

O seu dia mais activo do ano foi 21 de setembro. O artigo mais popular desse dia foi Primavera, poema infantil de Olavo Bilac.

……………………………………………………………………….

E assim segue o email, com mais números e informações.  Fica registrada aqui, então, a minha percepção sobre o que faço com este blog.

Foram 323.272 visitas à minha página principal.  A postagem mais vista, por incrível que pareça, devo-a a Olavo Bilac, com seu poema A Primavera, que recebeu 8 comentários.  A entrada com o maior número de comentários, não é a mais popular… é o poema de Cecília Meireles  A Bailarina, onde, no momento,  mostra ter 109 comentários.   O dia mais visitado — 21 de setembro de 2010 — trouxe mais de 6.500 pessoas ao blog.

Além dos poemas para serem usados nas escolas, artigos sobre ciências e sobre o meio ambiente, com ilustrações e material sólido, que possam ser usados na sala de aula foram os itens de maior visibilidade.

Desde o início da Peregrina Cultural tenho notado a presença regular de professores de todos os níveis, principalmente aqueles que preparam seus alunos no nível médio.   A maior parte deles visita este blog regularmente e vêm do interior de outros estados:  Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo são os estados de onde recebo a maior parte das visitas.

O que estes números mostram junto ao restante das estatísticas é aquilo que comecei a perceber nos primeiros meses de postagens: há uma necessidade imensa nas escolas brasileiras de fontes de apoio ao ensino.  Fontes de textos que possam ser usados paralelamente ao  que é dado em classe, quer de literatura quer de ciências.  As minhas postagens sobre os ornitorrincos e os équidnas  estão entre os textos mais populares do blog, com pedidos de alunos e de professores, através do email da peregrina:  peregrinacultural@hotmail.com  quase todas as semanas para que outros textos semelhantes sejam postados.

A entrada sobre o jequitibá:   Você conhece o jequitibá?  — está há meses entre os mais visitados do blog, o que me surpreende muito.  Uma revelação!  Tenho que agradecer a meu pai, professor de física e químico industrial,  pelo interesse que fomentou em nós, seus filhos, pela natureza e pelo meio ambiente, numa época em que não se falava nisso.   As minhas postagens sobre história têm seus fãs.  Em menor número do que aqueles que procuram poemas para serem usados nas escolas.  E a razão é simples: quem as lê são principalmente os professores, que escolhem a seleção colocada aqui, uma seleção baseada nas descobertas feitas pelo mundo, como fonte de iniciar um assunto ou lembrar a seus alunos de alguma faceta interessante sobre o que está sendo ensinado na sala de aula.

Paisagem, sem data

Levino Fanzeres ( Brasil, 1884-1956)

Óleo sobre tela colado sobre madeira

8 x 11cm

Sempre escrevi.  Tenho textos que só aos pouquinhos venho colocando no blog.  Em sua grande maioria são meditações, reflexões, apreciações de viagem.  Os meus textos não são assim tão populares, talvez porque a descrição, a reflexão, a meditação não sejam formas populares na nossa cultura.  Dos meus textos há dois lidos e repassados para outros blogs que se mostram os mais populares: o poema favorito é  O flamboyant da casa ao lado; e  em prosa a popularidade está com o contoAdaptações sem limites, que faz parte de uma série de contos, baseados em memórias dos meus anos de menina, a que dei o título provisório de “Nossa vida com papai”,  textos não publicados, mas já lidos e relidos pelos familiares mais próximos.  Mas a visita a estes textos pessoais é modesta o suficiente para adormecer qualquer ambição que eu pudesse vir a ter no âmbito da publicação.

O meu orgulho pessoal está nas minhas resenhas de livros: muitas delas foram colocadas nos sites dos autores dos livros sobre os quais fiz minha apreciação.  Mesmo sendo autores estrangeiros, minhas resenhas foram escolhidas para postagens e duas delas foram selecionadas também pelos sites das editoras dos livros.  É verdade que já fiz resenhas de livros para o jornal, antes de ter voltado ao Brasil.  Essa experiência há de ter ajudado.  Mas, por outro lado, cada livro é um livro, um novo mundo a ser descoberto.

As minhas Imagens de leitura continuam populares, assim como Filhotes Fofos.  São divertidas maneiras de nos lembrarmos da natureza e da importância da leitura.  E continuarei colocando o maior número possível de ilustrações.  Sou uma pessoa que pensa com imagens.  Talvez mesmo pela minha própria formação – historiadora da arte.  E continuarei a dar ênfase à arte brasileira, que tão mal conhecemos.

As listas de sugestões de livros para adolescentes [ são quatro postagens através de dois anos] continuarão a aparecer no blog.  Em julho e no mês de dezembro essas postagens tiveram um número enorme de visitantes.

Finalmente, aos meus leitores obrigada pelo apoio; espero poder fazer juz à confiança que me depositam, de novo neste ano que se inicia.  Mais uma vez:

Muito obrigada!





O flamboyant da casa ao lado, poema de Ladyce West

21 09 2008

Para comemorar a chegada da Primavera!

 

Paisagem com flamboyant, 1955

Armando Viana, (RJ 1897- RJ 1992)

Óleo sobre tela

Coleção Particular

O Flamboyant da casa ao lado

Ladyce West

 –

Morreu o flamboyant da casa ao lado.

Foi-se o calor de verão da minha infância.

Apagaram-se suas flores alaranjadas,

Fogosos anúncios do início da estação.

Doente e velho, tombou calado e emagrecido.

Sóbrio e distinto, evaporou-se nos cupins.

Deixou em seu lugar espaço raro,

Um ar aberto, um nada enorme, que me espanta.

Um espaço devassado diariamente,

Onde antes, a sombra clara era presente.

O vácuo preencheu meu horizonte.

Galhos partidos, quebrados sobre a ponte.

O tronco doente jogado num instante.

Vergou molhado, encharcado pela chuva.

Mostrando a todos o que só a terra conhecia:

Suas raízes, engrossadas pelo tempo,

Eram agora desvendadas pelo vento.

Tombou sozinho com um único gemido

Doloroso, aceitando o seu destino.

Pernas pra cima em impudico descaso.

Meu companheiro de verões ardentes,

Guardião de minha infância e adolescência.

Exuberante, florescia ano após ano

Desabrochando incandescente em dezembro.

Entre nós havia um rio bem estreito,

Que nascia lá no alto da Rocinha,

Cascateava da nascente até a Gávea,

De onde então serpenteava rumo ao mar.

Era aqui, que deslizava sob as pontes

E atravessava minha rua de mansinho.

De um lado, o flamboyant enraizado;

Do outro, o edifício com meu ninho.

Crescemos juntos, eu e ele aqueles anos.

Nossa distância era pouca e amenizada,

Pois reservava uma flor para meu gozo,

Que escondida pelo batente da janela,

Aos poucos, foi-se chegando espevitada.

E me espreitava, esticando o seu florão.

Curiosa, assim passava os dias quentes.

A cada ano parecia mais chegada.

Era de casa.  Sem receio se hospedava.

Com jeitinho, batia na vidraça,

E enrubescendo se apoiava ao janelão.

Esta flama de verão me viu crescer,

Chorar amores, estudar, adormecer.

Custa-me vê-lo cair, velho soldado!

Quem irá agora anunciar-me o verão?

 

 

Dezembro 2006

 

© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro.








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