Resenha: “Kafka e a boneca viajante”de Jordi Sierra i Fabra

11 02 2017

 

 

 

 

 

1939-524_wFooting no Central Park, 1905

William Glackens (EUA, 1870- 1938)

óleo sobre tela, 64 x 81 cm

Cleveland Art Museum

 

 

Em 2007 o Ministério da Cultura da Espanha deu a esse livro, Kafka e a boneca viajante, o Prêmio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil. Desde então a publicação tem recebido atenção não só do público infanto-juvenil, mas sobretudo do leitor maduro, aquele que também sonha com um lado suave do escritor checo Franz Kafka, conhecido por obras angustiantes, de cunho surrealista como A metamorfose e O processo. A razão é simples não conhecemos toda a obra de Kafka, mesmo ele tendo morrido aos 40 anos em 1924.

Há ainda manuscritos de Kafka que não foram destruídos após sua morte, como o escritor havia instruído seu testamenteiro Max Brod. A ordem foi, na verdade, prontamente desobedecida. E alguns livros publicados. Mas nem todos. Estima-se que haja centenas de obras acabadas ou não, sem publicação. Hoje, são fruto de uma interminável batalha entre as atuais herdeiras e o estado de Israel. Além disso, Kafka, que era conhecido por muitos casos românticos, deixou em poder de sua última amante uma série de cadernos e cartas que foram confiscados pela Gestapo. Tudo isso suscitou através de décadas muitas teorias fantasiosas sobre o que restou. Entre elas estariam algumas cartas que Kafka escreveu de consolo a uma menina que ele encontrou chorando, num parque de Berlim. Ela estava triste com a perda de sua boneca. Essas cartas, que nunca foram encontradas, fazem parte das lendas do remanescente legado do escritor. Baseando-se neste causo romântico Jordi Sierra i Fabra escreveu a deliciosa e lírica narrativa de Kafka e a boneca viajante.

 

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Firmemente apoiado nos relatos de Dora Diamant, última companheira de Kafka, que mencionou a existência das cartas, o autor tece uma história comovente, criativa e delicada de um “carteiro de bonecas” que recebe e lê as cartas que Brígida, a boneca fujona escreve para Elsi, a menina inconformada, de diversos lugares do mundo.

Jordi Sierra i Fabra entrelaça dados conhecidos da vida de Franz Kafka com o romance das cartas e o resultado é uma obra fina, sutil, sensível e agradável. Um relato em que o jovem leitor aprende um tantinho sobre o autor checo e pode se encantar com a história de Brígida.

A obra ganha muito com as ricas ilustrações de Pep Monserrat.

 

jordi-sierra-i-fabraJordi Sierra i Fabra

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

 





Grandes começos, II de XII, escolha de Ana Maria Machado

7 03 2015

 

Gabriella Piccatto. aquarela, 30 x 40Sem título

Gabriella Picatto (Itália,contemporânea)

Aquarela, 30 x 40 cm

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Alguém deve ter dito mentiras sobre Joseph K., pois, sem ter feito nada de errado, certa manhã ele foi preso.”

 

Franz Kafka, O Processo

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 

 








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