Os grupos de leitura selecionam os melhores do ano!

13 12 2016

 

 

gilberto-geraldo-livros-oleo-sobre-tela-60x80-cm-acieNatureza morta com livros

Gilberto Geraldo (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Dois grupos de leitura votaram nos livros lidos durante o ano.

 

Ao Pé da Letra

(grupo formado por 18 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 — Um homem chamado Ove, de Fredrick Backman

2 — Infiel, de Ayaan Hirsi Ali

3 — A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir

4 — O romance inacabado de Sofia Stern, de Ronaldo Wrobel

5 — Dom Quixote, de Cervantes

6 — A garota de Boston, Anita Diamant

7 – Imperatriz Orquídea, Anchee Min

8 – Pequena abelha de Chris Cleave

9 – A elegância do ouriço de Muriel Barbery

10 – O último amigo, Tahar Ben Jelloun

11 – Cavalos roubados, Per Petterson

12 – O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman

 

 

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Melhor livro do ano:

 

a-elegancia-do-ourico1º lugar — A elegância do ouriço

Muriel Barbery

Editora Cia das Letras, 2008, 352 páginas

 

SINOPSE: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou por que não? duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A “Elegância do Ouriço”, seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

 

12443009_1121336827886049_827048097_n2º lugar — O romance inacabado de Sophia Stern

Ronaldo Wrobel

Editora Record: 2016, 256 páginas

 

SINOPSE: Autor de Traduzindo Hannah, livro finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010, Ronaldo Wrobel constrói um thriller instigante neste novo romance. Na trama, o protagonista Ronaldo vive com a avó, Sofia Stern, em Copacabana. Ela é uma refugiada da guerra: nasceu na Alemanha em 1919 e veio para o Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Quando Ronaldo encontra um diário da avó perdido no apartamento, percebe que as histórias de sua juventude revelam paixões, traições e conflitos. Ele decide trazer os fatos à tona e embarca numa viagem para preencher as lacunas do relato.

 

Capa_Um homem chamado Ove.indd3º lugar — Um homem chamado Ove

Fredrik Backman

Editora Alfaguara: 2015, 352 páginas

 

SINOPSE — Sucesso de vendas na Suécia, uma história divertida e emocionante sobre como uma única pessoa pode mudar a vida de outras — e ter sua própria vida mudada por elas.
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda.
Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo.
Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.
Um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

 

Papalivros

(grupo formado por 20 pessoas, leu 12 livros este ano):

1 — Nora Webster, Colm Tóibin

2 — Um homem chamado Ove, Fredrik Backman

3 — O rouxinol, Kristin Hannah

4 — Bonita Avenue, Peter Buwalda

5 — O ruído das coisas ao cair, Juan Gabriel Vásquez

6 — O romance inacabado de Sofia Stern, Ronaldo Wrobel

7 — A maleta da Sra. Sinclair, Louise Walters

8 — Esnobes, Julian Fellowes

9 — A garota de Boston, Anita Diamant

10 — A garota no trem, Paula Hawkins

11 — Cinco esquinas, Mario Vargas Llosa

12 — O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman

 

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Melhor livro do ano

 

o_rouxinol_1444939285531952sk1444939285b1º lugar — O Rouxinol

Kristin Hannah

Editora Arqueiro: 2015, 428 páginas

 

SINOPSE —  França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.
Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.

 

a_garota_no_trem_1454108802454388sk1454108802b2º lugar — A garota no trem

Paula Hawkins

Editora Record:2016, 378 páginas

 

SINOPSE — Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

 

 

Capa_Um homem chamado Ove.indd3º lugar — Um homem chamado Ove

Fredrik Backman

Editora Alfaguara: 2015, 352 páginas

SINOPSE — Sucesso de vendas na Suécia, uma história divertida e emocionante sobre como uma única pessoa pode mudar a vida de outras — e ter sua própria vida mudada por elas.
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda.
Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo.
Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.
Um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

 

Que 2017 traga bons livros a esses dois grupos de leitores.

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Resenha: “Um homem chamado Ove” de Fredrik Backman

22 01 2016

 

Anne Redpath (Escócia, 1895-1965), aquarela, Casas em Skye, 1965Casas em Skye, 1965

Anne Redpath (Escócia, 1895-1965)

aquarela sobre papel

 

 

Nem todo livro de ficção fica conhecido pelo estilo poético do autor, pelo torneio de frases. O de Fredrik Backman será lembrado pelo oposto: consegue extrair grandes emoções, através da narrativa fria e impassível detalhando as idiossincrasias de um personagem carrancudo e sem senso de humor. Talvez por isso, esse improvável herói literário consiga desde o primeiro capítulo cativar o leitor. Todos nós conhecemos alguma versão de Ove. Quem não tem na família, no bairro, no emprego, algum conhecido que mantém hábitos de pensamento e ação rígidos? Os cinquenta e nove anos de posicionamentos imutáveis são a coluna dorsal de Ove, o homem simples que habita essas páginas.  Suas verdades incontestáveis e valores incorruptíveis são a essência do seu caráter.

Apesar de sua postura irredutível sobre muitos aspectos do dia a dia, Ove é capaz de grandes paixões.  Paixões cegas, que não admitem qualquer desvio.  Elas podem ser pela marca de um carro ou por uma mulher.  Através dessas paixões conhecemos a lealdade desse herói escandinavo. Nos apaixonamos por ele assim como Sonja, sua esposa, o fez.

 

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Quando encontramos Ove, ele está deprimido.  Aposentado aos cinquenta e nove e viúvo, sente o peso da solidão.  Tudo o que deseja é seguir o caminho dela.  No outro lado.  A vida perdeu a razão de ser.  Planeja cuidadosamente um suicídio.  Depois outro e ainda outro, mas é interrompido cada vez pela mão do acaso, na figura de vizinhos bisbilhoteiros, que parecem tão determinados nas suas demandas quanto ele na sua decisão.  Porque se trata de pessoa tão meticulosa, o dar errado de cada tentativa é inesperado. Narrado com objetividade a situação leva o leitor a rir.  Não só a sorrir.  Mas rir. Com gosto.  Divertido.

No entanto, logo depois, nas conclusões dos capítulos somos presentados com um pensamento de Ove, sucinto, que exprime sua dor, seu amor, a falta que Sonja lhe faz.  E do riso brotam as lágrimas. Com a mesma facilidade.

 

backmanFredrik Backman

 Um homem chamado Ove demonstra a necessidade humana de ser útil, e de ser membro de um grupo. Na falta do amor, amigos mostram como a nossa presença é importante para o melhor desempenho deles.  Mesmo o mais turrão dos homens, a pessoa menos gentil de um grupo, tem com que contribuir para o bem estar de todos e de si próprio.  Essa é uma história que faz bem à alma e nos eleva.  Acabamos a leitura com a lembrança do que nos faz humanos.  Poucas histórias conseguem isso.  Divertido e sensível, recomendo a todos, homens e mulheres, jovens ou anciãos. É tempo de lembrar do nosso mais importante quinhão: a cooperação.  E de sua consequência, a aceitação.

 








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