Redemoinha o vento, poesia de Fernando Pessoa

10 03 2015

 

vendavalIlustração de George Barbier, 1924.

 

 

Redemoinha o vento,

Anda à roda o ar.

Vai meu pensamento

Comigo a sonhar.

 

Vai saber na altura

Como no arvoredo

Se sente a frescura

Passar alta a medo.

 

Vai saber de eu ser

Aquilo que eu quis

Quando ouvi dizer

O que o vento diz.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 164.





As máscaras, poema de Menotti del Picchia

15 02 2015

 

 

George Barbier, 1919Pierrot, Colombina e Arlequim, 1919

[ilustração para o Balé Carnaval)

George Barbier (França, 1882-1932)

Litogravura policromada

 

As Máscaras

 

 

Menotti del Picchia

 

— O teu beijo é tão quente, Arlequim
— O teu sonho é tão manso, Pierrot

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo…
e a Pierrot a minh’alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrot tristonho,
pois um dá-me o prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
um me fala do céu… outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar,
e em verdade, toda a razão do amor
está na variedade…

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode escrever-se assim:
um sonho de Pierrot…
e um beijo de Arlequim!

 

 

Este poema é baseado na fala final de Colombina em Máscaras, (1920)de Menotti del Picchia.








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