Minutos de sabedoria: Haruki Murakami

3 03 2020

 

 

 

Seikichi Izawa (Japão 1926-1997) 1

Jovem mulher lendo

Seikichi Izawa (Japão,  1926-1997)

 

 

“O luto vive dentro de nós, mas a vida é muito maior do que ele. Há muito espaço para todas as demais vivências.”

Haruki Murakami

 

murakamiHaruki Murakami




Haruki Murakami aconselha…

6 05 2019

 

 

 

 

Geskel Saloman - The Love Letter (1889)A carta de amor, 1889

Geskel Saloman (Dinamarca, 1821 – 1902)

óleo sobre tela, 91 x 71 cm

 

 

 

“…se você deseja escrever um romance, observe atentamente seu entorno. O mundo pode parecer monótono, mas está cheio de diamantes brutos, atraentes e misteriosos. Romancistas são aqueles que conseguem identificá-los. e, ainda melhor, eles são oferecidos quase gratuitamente. Se você tiver um bom par de olhos, conseguirá escolher e coletar livremente essas pedras preciosas brutas”.

 

Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.75.

 





Murakami sobre narrativas

17 03 2019

 

 

 

 

Henri Paull Mottez, LeituraJovem lendo

Henri-Paul Mottez (Inglaterra, 1855 – 1937)

óleo sobre tela,  33 x 41 cm

 

 

“O romancista narra uma história. E narrar uma história é, em outras palavras, tomar a iniciativa de adentrar no inconsciente. É descer para as trevas do interior da mente. Quanto maior for a história que o escritor quiser contar, mais fundo ele precisará descer. Da mesma forma que, quanto mais alto for o prédio a ser construído, maior terá que ser sua fundação subterrânea. Quanto mais densa for a narrativa, mais pesada e mais espessa serão as trevas subterrâneas”.

 

Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.100.





Resenha: “Romancista como vocação” de Haruki Murakami

13 11 2018

 

 

 

 

Belinda del Pesco (EUA, contemporânea) aquarela, 20 x 25 cmAlmofada vermelha

Belinda del pesco (EUA, contemporânea)

aquarela, 20 x 25 cm

 

 

Não se trata de ficção.  Este é um livro de ensaios sobre escrita, literatura, escolhas e preferências do autor e ainda outros temas surgidos nas entrevistas que Haruki Murakami deu.  Não se trata tampouco de um guia para o escritor neófito, nem uma cartilha de como se tornar um escritor de sucesso.  Invés disso temos um belo preenchimento do retrato de Murakami como pessoa, intelectual e pensador.

 

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Mesmo assim é um livro que encanta, principalmente àqueles como eu, que apreciam os livros do autor.  Saímos dessa leitura com a sensação de quem é Murakami, um cara sóbrio, que tem dúvidas, muitas delas sobre suas criações.  Conhecemos o início de sua carreira como escritor e suas ideias sobre a educação nas escolas japonesas. É um livro leve, de fácil leitura, repleto de vinhetas ou histórias  ilustrando suas ideias.  Nesta obra passeamos pelas memórias do autor,  e vislumbramos os processos de sua escrita.

 

2-Murakami-RexHaruki Murakami

 

Tudo me pareceu de interesse: seu desprezo pelos prêmios literários; o hábito de sair do Japão para um lugar onde não é conhecido (por exemplo, Paris) e viver lá pelos 6, 8, 10 meses necessários para escrever o romance que tem na cabeça e que surgiu no Japão (ele gosta deste distanciamento físico); o descaso que críticos japoneses têm por sua obra, por acreditarem que é repleta de perspectivas estrangeiras (americanas na maioria); o cuidado detalhado, minucioso, vagaroso necessário para completar uma obra e sobretudo a seriedade com que trata de sua vocação.

Leitura encantadora.  Difere de todos os outros Murakamis que li.  Com ele começamos a perceber o homem que cria o mundo paralelo em que nos deliciamos.  Vale a pena!  Muito bom.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

 





Conselho a futuros escritores, Haruki Murakami

24 09 2018

 

 

arnewestermanHilary lendo com Cyrus

Arne Westerman (EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela

 

 

“Especialmente quando se é jovem, deve-se ler o maior número possível de livros. Os excelentes, os não tão excelentes e até aqueles insignificantes, que não têm (nenhum) problema. O importante é ler tudo o que estiver ao alcance. Fazer passar pelo corpo o máximo de narrativas possíveis. Encontrar textos maravilhosos e outros de menor qualidade. Passar por essas experiências é o mais importante. Corresponde a criar a bagagem indispensável para um romancista. Recomendo focar nessa etapa enquanto ainda se tem uma visão boa e tempo de sobra. Escrever também deve ser importante, mas tenho a impressão de que deve ser deixado para mais tarde, que não vai haver nenhum problema.

Em seguida — provavelmente antes de começar a escrever de fato — acho que é importante adquirir o hábito de observar detalhadamente os acontecimentos e fenômenos à sua frente. Olhar com cuidado e atenção as pessoas, enfim, tudo à volta. E refletir sobre tudo. Falei “refletir”, mas não há necessidade de julgar as coisas, avaliar se estão corretas ou não. As conclusões devem ser deixadas pendentes, e adiadas pelo maior tempo possível. O importante não é chegar a uma conclusão, mas manter na mente a imagem nítida das coisas do jeito que são, da forma mais próxima possível da realidade, para que sirvam de material.”

 

 

Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.64.





Haruki Murakami e a leitura

18 01 2018

 

 

Linda Apple (EUA, contemp)Momento à sós, 2010, ost, 20 x 20 cmMomento à sós, 2010

Linda Apple (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 20 x 20 cm

 

 

“Assim, dos vinte aos trinta anos trabalhei duro de manhã até a noite e todo o meu tempo era utilizado para conseguir pagar  as dívidas. Quando me lembro dessa época, só me vem à cabeça que eu trabalhei muito. Imagino que a vida das pessoas normais na casa dos vinte seja mais divertida, mas quase não tive condições de aproveitar a juventude por falta de tempo e dinheiro. Mas mesmo nessa época eu lia livros sempre que conseguia. Por mais que estivesse ocupado, por mais que a vida fosse difícil, a leitura continuou sendo uma grande alegria para mim, assim como a música. Ninguém podia tomar de mim essa alegria.”

 

 

Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.24.





Palavras para lembrar: Haruki Murakami

14 01 2018

 

 

 

Leisure afternoon A good book Richard Boyer living in Salt Lake City (Utah), USA,Boyer+-+Studies+16x12Estudos

Richard Boyer (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

 

“Todos os escritores têm o direito de experimentar as possibilidades da língua através de todas as formas imagináveis e ampliar ao máximo o limite da sua eficácia. Sem esse espírito aventureiro, nada de novo será criado.”

 

Haruki Murakami





Lendo: “Romancista como vocação”, Haruki Murakami

13 01 2018

 

 

DSC03717ROMANCISTA COMO VOCAÇÃO

Haruki Murakami

Alfagura: 2017, 168 páginas

 

SINOPSE

“Haruki Murakami é um dos mais conhecidos autores contemporâneos do Japão. Quando seus livros são lançados, a imprensa noticia filas enormes nas livrarias de Tóquio e traduções para mais de quarenta idiomas. Ícone da escrita fluida, Murakami transita bem em diversos estilos narrativos: ficção, ensaio, reportagem, nada parece estar fora de seu talento literário. Para abarcar toda essa multiplicidade, chega agora Romancista como vocação, uma série de proposições sobre a escrita, a literatura e a vida pessoal do recluso escritor. Escrito na linguagem acessível típica de Murakami, este livro é um convite a todos que desejam habitar o mundo dos romancistas, bem como uma declaração de amor ao ato da escrita.”





Minhas melhores leituras em 2015

30 12 2015

 

 

153.1LLeitora, por Jule Monti, cópia de Harrison Fisher.

 

Este foi um ano de muitos altos e baixos nas minhas leituras. Nos primeiros seis meses do ano, gostei muito pouco do que li. Depois veio uma onda de bons livros.  O final foi positivo mais até do que em outros anos.

Aqui vai a minha listinha, do que recomendo lido neste ano. Tenho um gosto bem eclético para assuntos, mas gosto de uma boa história, bem contada.

 

Os melhores:

 

Nora Webster de Colm Tóibín

Tirza de Arnon Grunberg

Stoner de John Williams

Na praia de Ian McEwan

Norwegian Wood, de Haruki Murakami

Meio sol amarelo de Chimamanda Ngozi Adichie

O sentido de um fim de Julian Barnes

Nadando de volta para casa de Deborah Levy

A linha da beleza, Allan Hollinghurst

 

Menção Honrosa para:

 

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Toda luz que não podemos ver de Anthony Doerr

O leitor do trem das 6h27 de Jean-Paul Didierlaurent

Estação Atocha de Ben Lerner

O corpo humano, de Paolo Giordano

 

 





Resenha: “Norwegian Wood” de Haruki Murakami

20 09 2015

 

 

UWSrams1TokyoMarketRua do Mercado em Tokio, c. 2012

Ian Ramsey (GB, contemporâneo)

aquarela, 48 x 50 cm

Ian Ramsey

 

 

Toru é um herói como qualquer outro rapaz vivendo no final da década de 1960. Bom menino, educado, respeitador dos mais velhos. Vivendo pela primeira vez fora de casa, está aberto à experimentação. A história se passa no final da década de 1960. Tudo está em mudança da França, aos Estados Unidos, ao Japão. Experimento de vida nada tem a ver com radicalismo. Mas com a vontade de explorar as possibilidades. E é assim que encontramos Toru Watanabe pela primeira vez. Sua independência, sua busca, passa pela vida num dormitório, pelas novas amizades de rapazes que como ele procuram um caminho. Tem o ímpeto de dedicar-se às matérias que provavelmente serão úteis no teatro, carreira na qual imagina o seu futuro, mas procura acima de tudo o amor. Sair da casa paterna teve seu peso, mas a vida deixou de ser segura e previsível para ele desde a morte de seu melhor amigo Kizuki. Com ele e a namorada dele, Naoko formavam um trio de amigos inseparáveis. No entanto, Kizuki se suicida e Toru acaba se apaixonando pela namorada do amigo.

Para crescer emocionalmente e finalmente tornar-se o adulto que almeja ser há de fazer escolhas. Para isso precisa experimentar. Como Nagasawa, um amigo do dormitório explica: “Se você só lê o mesmo que todo mundo lê, acaba pensando o mesmo que todo mundo pensa” [43]. E Toru experimenta, não só novas amizades masculinas, pessoas com quem jamais imaginara pudesse se relacionar, como com garotas nos bares, numa incessante procura de satisfação sexual. Não leva muito tempo para descobrir que pelo menos essa busca deixa o sexo insosso e sem sentido. À medida que se abre para conhecer novas pessoas Toru desenvolve seu próprio julgamento.

 

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Mais do que um romance de passagem da adolescência para a vida adulta Haruki Murakami retrata uma era. Talvez a melhor representação do período que eu já encontrei na literatura contemporânea. Não importa que seja situada no Japão. Este é um retrato de uma geração inteira, chamada no ocidente de baby-boomers, que chegou à idade adulta antes de 1974, do final da Guerra do Vietnã. E o título, referência à música dos Beatles do mesmo nome, não é coincidência. A letra de “Norwegian Wood” é um paralelo bem feito à trama – ou falta dela – no romance.

Diferente de muitos não achei a história deprimente, nostálgica, nem achei as cenas de sexo despropositadas. Fiquei encantada ao ler os capítulos sobre o retiro nas montanhas. Só ali deu para perceber o que Murakami iria eventualmente desenvolver até chegar à sua extraordinária obra 1Q84.

 

haruki-murakamiHaruki Murakami

 

Eu poderia dar a minha interpretação aqui sobre as três mulheres da vida de Toru. Mas não quero me alongar para não revelar mais do que o necessário. Mas são três as mulheres importantes em sua vida: uma – um sonho inatingível; outra contato com a realidade, uma união com a terra, com o sólido e seguro. E a terceira um sopro de vida, fértil de possibilidades. Ele faz a escolha certa.

Maravilhoso.








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