Cadê? poesia de Wilson W. Rodrigues

13 07 2016

 

 

cadê o pessoalZé Carioca procura por seus amigos, ilustração de Walt Disney.

 

 

Cadê?

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

Cadê o pé de cantiga

que quando criança cantei?

Nem minha gente se lembra

e nem na saudade achei.

 

Que sabe o verso perdido?

Por que ninguém o guardou?

Onde leva a nossa vida

que o verso bom não levou?

 

Quem me recorda sua rima?

Quem minha lembrança traz,

para cantar a cantiga

de que não me lembro mais?

 

Nem me responde a alegria

Nem a tristeza responde.

Cadê o pé de cantiga

onde vou encontrá-lo? Onde?

 

 

Em: Bahia Flor: poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949.p. 19.

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Despacho de Iemanjá, poesia de Wilson W. Rodrigues

29 12 2015

 

 

romaneli iemanjáIemanjá noturna, 2015

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela,  60 x 60 cm

www.romanelliart.com

 

 

Despacho de Iemanjá

 

Wilson W. Rodrigues

 

Tão longe, tão longe,

nas ondas do mar,

nos véus da neblina,

no vento a cantar,

na areia doirada

do fundo das águas

eu ouço Iemanjá…

Nem velas, nem brumas

vêm onde ela está,

nem sonho de amante

um dia virá…

Tão longe, tão longe

amada longínqua,

fantasma do mar.

 

Tão longe as rosas

que vão-se afogar,

levando a tristeza

que não sei matar,

por essa lonjura

que a vida separa

de minha Iemanjá…

Tão longe, tão longe,

minha alma a cantar,

há muito já foi,

pro fundo do mar,

sofrer do mistério

da amada distante,

ó doce Iemanjá!…

 

 

Em:  Bahia Flor: poemas, de Wilson W Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1948, p.35-36.





Trova do parafuso

26 10 2015

 

 

Picture 083Ilustração anônima, década de 1960.

 

 

O parafuso anda cheio,

pois tem o corpo enrolado,

cabeça partida ao meio,

e vive sendo apertado.

 

(Izo Goldman)





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

5 02 2015

 

 

???????????????????????????????Ilustração Maurício de Sousa.

 

 

“Os vícios antecipam a velhice e as virtudes a retardam.”





Amanhecera, poema de Bernardino Lopes

25 11 2014

José Marques Campão Cavalgada 17 x 24 cm – OSM Ass. CIE e Dat. 1947Cavalgada, 1947

José Marques Campão (Brasil, 1892-1949)

óleo sobre madeira, 17 x 24 cm

IX

Bernardino Lopes

Amanhecera. O tropeiro

Passa, cantando na estrada;

No seu casebre o roceiro

Prepara as foices e a enxada.

Ao rumor a luz casada

Enche de vida o terreiro;

Parecem bruma cerrada

As flores, lá! do espinheiro…

Aspira-se o olor suave

Do bom café… Alto e grave

Bate o pilão nas cozinhas.

Há junto à horta uns barrancos

Onde a  mulher de tamancos,

Distribui milho às galinhas.

Em: Cromos, 1881





Trova do chapéu

22 11 2014

 

chapéu amarelo, al parkerChapéu amarelo, ilustração de Al Parker.

 

Que chapéu extravagante

dessa madame travessa!

Virou moda de elegante

– por chapéu sem ter cabeça!

 

(Eva Reis)

 





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

18 11 2014

 

 

???????????????????????????????Bolinha vai caçar borboletas, ilustração de Marjorie Handerson Buel.

 

“O comer e o coçar está só no começar.”








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