Rio de Janeiro, uma joia tropical

27 08 2021

No Tempo dos Vice-Reis, 1977

[Da série Aquarela do Brasil]

Glauco Rodrigues (Brasil, 1929 – 2004)

Óleo sobre madeira, 46 x 55 cm





Mais um ângulo da colonização brasileira, Francisco Antonio Doria

22 10 2020

 

 

 

Nuremberg_chronicles_f_58v_1 The city of Genoa in a woodcut from the Nuremberg Chronicle, 1493Vista da cidade de Gênova, encontrada nas Crônicas de Nuremberg, 1493, 58 v 1, xilogravura policroma Afonso a.

 

 

“…Gênova comercia com Bizâncio, possui interesses em Creta e em Chipre, onde os genoveses competem em constantes escaramuças com os venezianos. Associam-se os genoveses aos normandos na Sicília, onde são, apenas os genoveses, senhores feudais — e comerciantes. E dominam sem contestação, o Mediterrâneo ocidental.

Os genoveses revoam, por sobre o Mediterrâneo ocidental, também desde fins do século XI. Sua presença na península ibérica é muito antiga; devemos lembrar que em  1092, Afonso VI o bravo de Castela fez uma aliança com Sancho Ramírez, rei de Aragão, e com este convidou Gênova e Pisa para, todos juntos, atacarem Valência.  As duas cidades italianas teriam fornecido 400 navios à empresa, e teriam participado de um cerco infrutífero a Tortosa. Em 1147 Afonso VII o imperador, por sua vez, conquista Almeria com a ajuda dos genoveses.

Exploram, enfim, o Atlântico e buscam as Índias. Em 1291, os irmãos Guido e Vadino Vivaldi partem de Gênova à busca do caminho das Índias costeando a África.  Atingem a costa da Guiné onde naufragam, segundo nos deixa em seu testemunho Antoniotto Usodimare, mercador e cronista.  Mais ou menos ao mesmo tempo certo messer Emmanuele Pezagno, mercador também, também genovês, organiza a pedido de D. Diniz o lavrador (n. 1261, f.1325; rei em 1281) a marinha portuguesa.  Todos Usodimare, como o diz o nome desta família: têm o hábito das coisa do mar. Nos Pezagno fica hereditário o posto de almirantes de Portugal; são os almirantes Peçanhas.

 

City by the sea, a view of Lisbon, 1548, Spanish woodcut.Vista da cidade de Lisboa em 1548.  Xilogravura espanhola.

 

Chegam à Madeira. Em 1446, Bartolomeu Perestrelo, português, neto de um lígure ou lombardo, messer Gabriele Palastrelli, mercador sempre, recebe a donatária da ilha de Porto Santo.  Sua filha caçula, Filipa Perestrelo Moniz, casa-se com mais um genovês, Cristoforo Colombo, o descobridor. Concentrados em Sevilha e em Cádiz, os genoveses espraiam-se de vez, na segunda metade do século XV, por sobre o Atlântico. Giovanni Usodimare fixa-se na Madeira; e também Urbano Lomellini, junto com o parente de ambos, o banqueiro de Cádiz que financiará Colombo, Lodisio d’Oria.  Lodisio d’Oria esteve comprovadamente na Madeira em 1480, onde possui engenhos de açúcar em Santa Cruz, Santana e Porto de Seixo.

Por que este avanço por cima do Atlântico? Os genoveses espalham o cultivo da cana de açúcar, que viera do oriente e fora primeiro cultivada em Creta.  Usodimare, Lomellini, d’Oria, são todos senhores de engenhos açucareiros na Madeira. O dinheiro das casas bancárias de Gênova é sacarino, e vem do mel da cana. Colombo fora, provavelmente, agente comercial destes potentados da Ligúria, assim como os filhos segundos, bastardos, os parentes pobres. Cristoforo d’Oria, nascido em Faro no Algarve e filho de Lodisio d’Oria, leva a cana de açúcar às ilhas São Tomé e Príncipe, cuja governança recebe, e onde morre, talvez no mesmo naufrágio no qual provavelmente morrem seus primos os mercadores, e genoveses, Lazzaro e Lorenzo d’Oria.

Os Dorias da ilha da Madeira descendem de Leonor Doria, “filha de um Cavalheiro Doria, genovês,” conforme se indica no título “Velloza” do Nobiliáriosa Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha.  Os da Bahia descendentes de Clemenza Doria filha de Lorenzo ou Lorenzino d’Oria, conforme Ferlgueiras Gayo no seu Nobiliário, título “Silvas”.”

 

Em: Herdeiros do poder, Francisco Antonio Doria, e outros, Rio de Janeiro, Revan: 1994, pp 91-92





Festa de reis, texto das memórias de Anna Ribeiro de Goes Bittencourt (1843-1930)

10 09 2020

Rodrigues Lessa (Brasil, 1972)Folia de Reis,2006,ast,30 x 40 cmFolia de Reis, 2006

Rodrigues Lessa (Brasil, 1972)

acrílica sobre tela, 30 x 40 cm

Reunidas as famílias na Marmota, partiu o imenso terno às oito ou nove horas da noite. Cada família levava alguns de seus agregados que tinham filhas que dançassem bem o lundu, única dança então conhecida em nossa terra, à exceção de uma valsa de que depois falarei. Eram também convidados alguns desses agregados só pela estima ou deferência que mereciam do proprietário; iam como meros espectadores. Algumas senhoras iam a cavalo, bem como os homens. Todas as famílias, porém, levavam carros puxados a bois, não só para as senhoras que preferiam aquele modo de transporte, como para os meninos, agregados e mucamas. porque iam também as que dançavam bem ou tinham boa voz para tirar os reis.

Os instrumentos musicais eram ordinariamente flauta, rebeca e violão. Chegando a certa distância apeavam-se os que iam nos carros, cujo chiado estridente podia ser ouvido na vivenda. Os que iam a cavalo prosseguiam até mais perto. Então, reunidos, a pé, no maior silêncio, dirigiam-se à casa do proprietário. Não tanto para causar surpresa aos donos da casa, que haviam sido avisados, mas para que se conservassem as portas fechadas e em silêncio, talvez para simular surpresa. Era a praxe.

No silêncio profundo da noite, rompiam de repente os sons das vozes e instrumentos. Era de um efeito agradabilíssimo. Às trovas em referência ao nascimento do Messias, seguiam-se as de saudações aos donos da casa e outros membros da família. Vinham depois as quadras mais ligeiras e alegres,  pedindo para ser aberta a porta. Com pequenas variantes, tudo isto era obedecido até há pouco tempo. Aberta a porta, era a sala invadida em alegre alvoroço. Não ricamente mobiliada, como acontecia com as nossas vivendas campestres, todas muito simples, a sala estava, porém, adornada com o mais precioso adereço para os hóspedes. a alegria e bom acolhimento dos donos da casa. Então, todos em pé formavam a circunferência de um grande círculo vazio que devia ser ocupado pelos que dançavam. Somente os instrumentistas tinham cadeiras.

As mais peritas cantadeiras entoavam as alegres cançonetas chamadas chulas, acompanhadas dos instrumentos e palmas dos assistentes. Algumas dessas chulas não deixavam de ter o sainete da graça e o espírito popular. Depois, o que dirigia o samba, logo que terminava a última copla, saía na roda dançando, acompanhado dos instrumentos. Os homens não tinham em grande apreço o lundu baiano, executado pelo sexo masculino. Portanto, só saíam dançando para ter lugar de tirar as belas raparigas. Davam algumas pernadas, sempre em ar de galhofa, e iam topar –– era  o termo —em uma das dançadeiras. Cantavam então a segunda copla no final da qual saía à roda a rapariga. Se era bonita e conhecido seu mérito dançante, as palmas dobravam de entusiasmo e estrepitosos bravos cruzavam-se no ar. Isto não durava muito tempo: todos desejavam o descanso depois da caminhada. Era dado o sinal, e a dançarina topava mo instrumentista da viola ou do violão. Eram oferecidas bebidas, e todos se dispersavam pelas salas e outros aposentos, conversando alegremente.

Findo o breve descanso, devia recomeçar o samba. Desta vez, porém, não foi assim. Todos ardiam na impaciência de ver as danças altas — assim eram chamadas — que iam ser executadas pelos sobrinhos de minha mãe. Estas danças eram de bem poucos ali conhecidas, e foi tal a aglomeração de espectadores, que com dificuldade deixaram o espaço, no centro da sala, para a execução das mesmas. Vi, pela primeira vez, a gavota, a cachucha, o minueto, o fandango e o solo inglês, que foi o mais apreciado em razão das múltiplas figuras ou modos de dançar. O rapaz mais moço, Manoel Paulino, de treze anos, era muito vivo e engraçado, sendo por isso muito aplaudido. Do mais velho, Pedro da Trindade, já sério e refletido, diziam: “Dança bem, mas não tem a graça do outro.” Depois houve a repetição do samba, a que não assisti, Minha mãe nessas ocasiões tratava de arranjar um cômodo para agasalhar-me o sofrimento dos olhos, que foi o constante martírio de minha vida, não me permitia perder as noites,  e ela, pouco apreciadora do samba, não voltava à sala.

Pela manhã, encontrei as senhoras cuidando dos preparativos do almoço. Todas, parentas e amigas, auxiliavam a dona da casa, embora não fosse preciso, visto o crescido número de escravas empregadas em todas as casas no serviço doméstico. Mas é que todas aquelas senhoras tinham muito garbo de boas donas de casa e gostavam de ostentar seus conhecimentos culinários, embora muito simples, como era tudo naquele tempo. Os homens, ao se levantarem da mesa, dispersavam-se pelas salas da frente, e as senhoras agrupavam-se nos aposentos interiores, onde estas conversavam sobre coisas domésticas e costuras, que mostravam, comentando a beleza ou os defeitos. Em todas as casas havia costureiras e rendeiras escravas que trabalhavam para a família. Depois do suculento almoço, todos voltavam às suas vivendas satisfeitos,  a combinar novos reisados, que repetiam na maior parte das casas.

Em: Longos Serões do Campo; infância e juventude, Anna Ribeiro de Goes Bittencourt (1843-1930), volume II, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1992, pp 52-55





O nome América …

23 06 2020

 

 

 

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889), Américo Vespucio,1848, ost, 50 x 40 cmAmérico Vespúcio, 1848

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

“Por iniciativa do jovem cosmógrafo Martin Waldessemüller [sic], o Ginásio Vosgense decidiu ‘revisar e ampliar’ a obra de Ptolomeu, tendo como base as ‘descobertas’ feitas por Vespúcio. E assim, em um texto que se tornaria profético, Waldessemüller [sic] escreveu: “Agora que uma outra parte do mundo, a quarta, foi descoberta por Americum Vesputium, de nada sei que nos possa impedir de denominá-la, de direito, Amerigem, ou América, isto é, a terra de Americus, em honra de seu descobridor, um homem sagaz, já que tanto a Ásia como a Europa receberam nomes de mulheres.”

Em um dos mapas que fez para acompanhar o livreto de 52 páginas, Waldesemüller [sic] usou pela primeira vez a palavra ‘América’, colocando-a sobre o território que representa o Brasil, na mesma latitude em que se localiza Porto Seguro. O novo continente estava batizado.

Cristóvão Colombo morrera quase que exatamente um ano antes, em 20 de maio de 1506, amargurado e na miséria. Os eruditos de Saint-Dié não ignoravam suas descobertas. Mas, até pelo menos 1514, muitos geógrafos – Waldessemüller entre eles – acreditavam que as ilhas achadas por Colombo em outubro de 1492 de fato eram os limites ocidentais da Ásia, enquanto que a América do Sul (supostamente descoberta por Vespúcio na viagem de 1497 e de fato explorada por ele próprio entre 1501 e 1504) seria um continente autônomo, totalmente separado delas ou, quando muito, interligado ao arquipélago por um istmo. Foi só depois da descoberta do oceano Pacífico, feita por Vasco Nuñes de Balboa, em setembro de 1513, que os cartógrafos do século XVI passaram a ter uma ideia um pouco mais próxima da realidade. E somente após o descobrimento do estreito de Magalhães, em 1519, o quadro geográfico iria adquirir molduras mais definidas.

 

Waldseemuller_map_closeup_with_AmericaO Mapa de Waldseemüller, ou Universalis Cosmographia

 

Em fins de 1513, cedendo às pressões da Coroa castelhana, Martim Waldesemüller[sic] retirou sua proposta de batismo. Chegou a sugerir que o Novo Mundo fosse chamadode Colômbia. Mas era tarde demais: as múltiplas ressonâncias da palavra América caíram no gosto popular. Em 1516, até o genial Leonardo da Vinci passaria a utilizas esse nome, colocando-o em um mapa que preparou a pedido da poderosa família Médici.

Vinte anos mais tarde, quando ficou claro que Vespúcio — ou alguém agindo em seu nome, com ou sem conhecimento dele – havia forjado a viagem em 1497, o nome ‘América’ começava a se popularizar na Europa, tendo sido adotado até por cartógrafos portugueses e, embora com muita relutância, aceito até pelos espanhóis. Desta forma, a ‘quarta parte do mundo’ acabou sendo batizada com o nome de um homem que não fora o seu descobridor. De acordo com um texto escrito em 1900 pelo historiador brasileiro Capistrano de Abreu, a ‘falsidade e a galanteria’ foram ‘pavoneadas pela imprensa e, por força delas, temos hoje o nome de americanos’.”

 

Nota — Martin Waldseemüller –  no texto aparece com 2 grafias ambas diferem da grafia padrão.

Em: Náufragos, traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998, p. 61-63.





Bananeiras, por Gandavo, 1576

28 05 2020

 

 

PAULO GAGARIN (1885-1980). Bananeiras ao Fundo Serra dos Órgão - RJ, óleo s tela, 41 X 34.Bananeiras, ao Fundo Serra dos Órgão – RJ

Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)

óleo s tela, 41 X 34 cm

 

“Uma planta se dá também nesta província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruta da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar na terra. Esta planta é muito tenra e não muito alta, não tem ramos senão umas folhas que serão sei ou sete palmos de comprido. A fruta dela se chama bananas; parecem-se na feição com pepinos, e criam-se em cachos; alguns deles há tão grandes que tem de 150 bananas para cima. E muitas vezes é tamanho o peso delas que acontece quebrar a planta pelo meio. Como são de vez colhem-se estes cachos, e dali a alguns dias amadurecem. Depois de colhidos, cortam esta planta, porque não frutifica mais que a primeira vez, mas tornam logo a nascer dela uns filhos que brotam do mesmo pé, de que se fazem outros semelhantes. Esta fruta é mui saborosa, e das boas que há na terra; tem uma pele como de figo (ainda mais dura) a qual lhe lançam fora quando a querem comer; mas faz dano à saúde e causa febre a quem se demanda nela.”

 

Em: História da província de Santa Cruz, Gandavo [Pero Magalhães de Gandavo], organização de Ricardo M. Valle, São Paulo, Editora Hedra: 2008, pp 89-90.





O caminho do sertão, Hercules Florence, 1826

14 05 2020

 

 

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)Bênção dos canhoões (Porto Feliz) Museu Paulista da USP, 1920, Óleo sobre tela, 101 x 134 cm Museu PaulistaBênção dos canoões (Porto Feliz), 1920

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)

óleo sobre tela, 101 x 134 cm

Museu Paulista da USP

 

 

“Porto Feliz é uma cidadezinha assente na margem esquerda do Tietê, em terreno elevado e desigual. As casas são térreas e as ruas tortas, e não como as de Itu e Jundiaí. Estão tão mal calçadas que à noite é impossível das um passo sem muita cautela. A classe dos habitantes agrícolas a mais numerosa sem dúvida, não concorre a ela senão aos domingos e dias santos, de modo que só nessas ocasiões é que se vê alguma gente nas ruas.

Com o auxílio do cirurgião-mor pude sem demora achar os mestres construtores e operários de que precisava. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Tinham cinco pés de çargo sobre cinquenta de comprimento e três e meio de profundidade, feitas de um tronco só de árvore, cavado e trabalhado por fora, de fundo chato e com pouca curvatura.  Esse fundo era de duas e meia polegadas de espessura, à qual ia diminuindo até à borda, onde não tinha mais de uma polegada. Uma larga faixa de madeira, pregada solidamente, guarnecia as duas bordas e bancos deixados no interior das canoas aumentavam-lhes a solidez, além de duas grandes travessas que concorriam para o mesmo fim. Estas embarcações, assim construídas, são muito pesadas: entretanto, embora fortes, não podem comumente resistir ao choque nos baixios, quando impelidas pela rapidez das águas.

Além de uma canoinha, de uso para caçadas e pescarias, arranjei um batelão que, como as duas canoas grandes, lavava uma barraca de pano verde armada à popa.

Não tive grande trabalho em contratar gente para as tripulações. Consegui um guia, e seu substituto, um piloto e dois ajudantes, três proeiros (homens que vigiam à proa) e dezoito remadores.

…………….

Acompanhados de Francisco Álvares, sua família, o capitão-mor e o juiz, dirigimo-nos para o porto, onde achamos o viário paramentado com suas vestes sacerdotais, a fim de abençoar a viagem, como é costume, e rodeado de grande número de pessoas que viera assistir ao nosso embarque. Os parentes e amigos se abraçavam, despedido-se uns dos outros.  Dissemos adeus à mulher e filha de Francisco Álvares e, como este amigo que quisera vir conosco até os últimos lugares povoados da margem do rio, tomamos lugar nas canoas.  Romperam então da cidade salvas de mosquetaria correspondidas pelos nossos remadores e, ao som desse alegre estampido, deixamos as praias, onde tive a felicidade de conhecer um amigo, de conviver com gente boa e afável e de passar vida simples e tranquila.”

 

Em: O caminho do sertão (Descendo o Tietê- 1826),  texto de Hércules Florence incluído no livro O planalto e os cafezais: São Paulo, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-74-75.

 

NOTA: Hércules Florence, (França, 1804 – Brasil, 1879) participou como desenhista da expedição do Barão de Langsdorff, através das províncias de São Paulo, Mato Grosso e Pará, de 1825 a 1829.  O diário de Florence foi publicado, em português,  com o título de “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”.

 





Retrato do Imperador, Paulo Setúbal

8 05 2020

 

`D. Pedro I, Imperador do Brasil - Paisagem com Casario ao Fundo`. Miniatura s marfim. Passpartout em casco de tartaruga burilado e moldura de bronze em filetados com laços e encordoamento13 x 10 cm.D. Pedro I, Imperador do Brasil – Paisagem com Casario ao Fundo

Miniatura sobre placa de  marfim.

Passpartout em casco de tartaruga burilado

e moldura de bronze em filetado com laços e encordoamento

13 x 10 cm

 

 

“Nascendo e vivendo numa corte onde a ilustração era um luxo desconhecido, onde o gosto pela educação artística não chegou nunca a deitar raízes, D. Pedro possuía, por um dom da natureza, a impressionabilidade vibrátil que, se tivesse sido devidamente desenvolvida e disciplinada, poderia ter feito dele um artista, um poeta, um homem intelectualmente distinto.

Mas, entregue a si mesmo, depois da morte do erudito João Rademaker, que lhe guiou os primeiros passos, o herdeiro de D. João VI não passou nunca dum curioso, dum amador incorreto, que amava a música e a poesia e que, com mau feitio, revelava , em lances difíceis, agudeza de espírito e facilidade de percepção.

Esse “mau feitio era, em muitas ocasiões de sua vida, o bom humor imoderado, que chegava até o sarcasmo; era a expansão inconveniente que chegava à indiscrição irritante; era o azedume desregrado que não  escolhia palavras, nem poupava pessoas; era a desconfiança, o receio da perfídia, a dúvida constante que tinha aprendido com seu pai.

De resto, não havia pessoa de hábitos mais simples, príncipe menos ostentoso na sua maneira de viver, D. Pedro passou sempre como um burguês trabalhador que se levanta com o sol e que se deita às 10 horas da noite, tendo uma mesa frugal, um guarda-roupa escasso e uma aproximação facilmente acessível. Predominava nele a alegria expansiva; mas não era raro vê-lo descair de repente na irritabilidade agreste ou no obumbramento taciturno. Com a gente moça, especialmente com as crianças, mostrava-se ordinariamente afetuoso, muito jovial.”

 

Em: ‘Um retrato do Imperador‘, Ensaios históricos, Paulo Setúbal, São Paulo, Saraiva: 1950, páginas 69-70.





Descobrimento do Brasil: 22 de abril de 1500

22 04 2019

 

 

 

DESEMBARQUE DE PEDRO ÁLVARES CABRAL EM PORTO SEGURO – OSCAR PEREIRA DA SILVA – 1922Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1922

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)

óleo sobre tela, 190 x 333 cm

Museu Paulista, São Paulo





11 de junho: Batalha Naval de Riachuelo

11 06 2018

 

 

1024px-Palácio_Pedro_Ernesto_-_Batalha_do_Riachuelo_-_cópiaBatalha naval de Riachuelo, 1883

Victor Meirelles (Brasil, 1832 — 1903)

óleo sobre tela, 420 x 820 cm

Museu Histórico Nacional, RJ

 

 

Batalha Naval de Riachuelo aconteceu no dia 11 de junho de 1865, durante a Guerra do Paraguai, no Rio da Prata.





Descobrimento do Brasil!

22 04 2016

 

 

Descobrimento do Brasil, 1954. Painel de Candido Portinari. 5m x 4m acervo do banco centralDescobrimento do Brasil, 1954

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

Painel de 5 m x 4 m

Acervo do Banco Central








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