Esmerado: cálice da Rainha Dona Urraca

25 03 2019

 

 

 

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Cálice da Infanta Urraca de Zamora (1033-1101), século XI
Ourives desconhecido
Bronze
Tesouro de San Isidro, León, Espanha

 

 

Mantido no Museu da Congregação de San Isidro em León, na Espanha, o cálice da Infanta Urraca de Zamora, filha mais velha de Fernando I de Leão ede sua esposa, rainha Sancha I de Leão. Urraca viveu entre os anos 1033 e  1101, tendo vida longa para este período, 68 anos.  Herdou, como determinado ainda em vida, os territórios de Zamora.

O cálice é composto por duas taças  muito antigas de  origem greco-romana anterior ao cristianismo.  Uma serve de base, outra de recipiente.  Feitas em pedra ônix,  elas apresentam algumas lascas anteriores à construção do cálice. Desconhece-se a origem destes dois copos assim como não se sabe porque Doña Urraca decidiu entregar aos ourives da corte algo que materialmente não tinha grande valor. Especula-se sobre uma possível consagração destas duas peças ao culto litúrgico, feito talvez por algum personagem venerável da primitiva Igreja Cristã, mas não existem documentos ou testemunhos escritos a este respeito. Mas os ourives de Leão fizeram um excepcional trabalho artístico.  E converteram o que na época era um objeto pagão, em uma taça digna de admiração.

As peças de ônix são cobertas em ouro: copo, haste e base, expondo parte do copo e quase toda a base. O interior da taça também é forrado em ouro. Os ourives fizeram com grande maestria e delicadeza as filigranas que formam desenhos, arcos, espirais e pequenos caracóis. Pérolas, esmeraldas, ametistas e safiras foram embutidos nos buracos. Incorporada também há uma máscara de vidro imitando uma camafeu,  adicionado após o trabalho da composição do cálice. Na base e antes do nó, vê-se a inscrição:  EM NOMINE DOMINI VRRACA FREDINANDI.

No século XI o reino de Leão teve um de seus momentos de maior esplendor. Fernão I, o Grande, tornou-se um dos reis mais importantes da cristandade na Europa, levando a cabo a reconquista, de Coimbra a Valência. Quando faleceu, Fernão I, entregou a seus filhos terras: a Alfonso, León; Sancho herdou Castela; Galícia a Garcia; Toro foi para as mãos de Elvira e Urraca foi feita Senhora de Zamora.

 

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Tesouro de Carambolo, um mistério resolvido

10 03 2019

 

 

 

1200px-El_Carambolo_Treasury_-_7th-5th_cent._b.C._-_Seville_-_Museo_Arqueológico_de_Sevilla3Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

 

Um mistério resolvido.  Em 1958 um tesouro foi descoberto por arqueólogos no Morro El Carambolo, a 2 km oeste de Sevilha, Espanha. Foram 21 peças de ouro de 24 quilates, trabalhadas: um colar com pingentes, duas pulseiras, dois peitorais de couro de boi e 16 placas que podem ter feito um colar ou um diadema. As joias foram enterradas dentro de um vaso de cerâmica, deliberadamente enterrado no século VI aEC.

Desde de sua descoberta, o Tesouro de Carambolo, como ficou conhecido, foi fonte de especulação para estudiosos.  As peças datavam de aproximadamente 500 anos antes da Era Comum, ou seja, tinham 2700 anos de idade.  Por causa de sua idade e da proficiência na manufatura, essas joias, pareciam ser prova de uma civilização conhecida unicamente por livros, uma cidade mítica, portuária, na foz do rio Guadalquivir, na Andaluzia, costa sul da península ibérica, cujo nome em grego seria Tartessos, que para os gregos, seria o ponto de nascimento da cultura europeia.

 

Does-the-Treasure-of-El-Carambolo-s4Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

Muitas fontes da antiguidade se referem a esse local, inclusive Heródoto que o descreve, assim como descreve os Pilares de Hércules (Estreito de Gibraltar) e até menciona um rei em Tartessos, chamado Arganthonios, cujo reinado compreendia os oitenta anos entre 625 –545 aEC.  Os tartessianos teriam fundado a cidade  de Tartessos 1000 anos antes e seu auge estaria nos trezentos anos entre os séculos IX e VI aEC.

De acordo com historiadores gregos a cultura Tartessiana se caracterizava pelo adiantado uso de metal.  O historiador Éforo de Cime (400 – 330 aEC) cita “um mercado muito próspero chamado Tartessos, com muito estanho transportado por rio, bem como ouro e cobre de terras celtas“.  O comércio de estanho era lucrativo na Idade do Bronze, pois é um componente essencial para a manufatura de bronze e não é um metal comum. O povo de Tartessos tornou-se importante parceiro comercial dos fenícios e sabemos que esses estavam presentes na península ibérica desde o século VIII aEC.  Diversos povoados ao longo do vale do Guadalquivir estão documentados.  Juntos formavam um todo, cuja capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje está o Porto de Santa Maria.  Com os fenícios houve aumento na exportação das minas de cobre e prata e Tartessos se tornou um dos portos mais importantes na exportação de bronze e prata para o Mediterrâneo.   Imperadores eram os chefes do sistema político desta civilização.  Eles também se utilizavam da escrita.  Suas leis eram registradas em placas de bronze. Mas no século VI aEC., Tartesso desaparece possivelmente destruída por Cartago

The Carambolo Treasure consists of 21 pieces of gold jewelry discovered by construction workers near Seville, Spain in 1958.Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

Nos anos 50 do século passado, muitos pensaram que o Tesouro de Carambolo representasse peças vindas do Leste do Mediterrâneo, ou dos fenícios ou pelos fenícios.

O mistério da origem do Tesouro Carambolo foi resolvido graças aos novos métodos de análises químicas e isotópicas que permitiu examinar minúsculos fragmentos de ouro que se separaram de uma das joias.  Esta análise revelou que o material veio das mesmas minas associadas a túmulos subterrâneos monumentais em Valencina de la Concepción, que datam do terceiro milênio aEC., também próximos a Sevilha. As joias encontradas no Tesouro Carambolo marcam o fim de uma tradição contínua de processamento de ouro que começou cerca de 2.000 anos antes com Valencina de la Concepción.

 

AAvHwGb.img©Jose Lucas, Alamy O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi, e pesa mais de cinco quilos.

 

O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi e pesa mais de cinco quilos. Embora o ouro fosse adquirido localmente, as joias foram fabricadas usando técnicas fenícias. Um templo fenício foi identificado na área onde a horda do Tesouro Carambolo foi encontrada, e o tesouro em si é provavelmente o produto de uma cultura mista de fenícios e tartessianos ou seja uma cultura que amalgamou povos nativos do Mediterrâneo Ocidental e marítimos do Oriente Próximo.

 

GettyImages-122316776-1200x943Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC.  Museu Arqueológico de Sevilha.

 

 

270-0Exemplo da escrita Tartessiana.




12 de outubro 1492, descobrimento da América

11 10 2018

 

Vintage portrait of Christopher Columbus and the Santa Maria, lithograph, 1930Cristóvão Colombo, descobridor da América, em 1492, com a Nau Santa Maria ao fundo.

Litografia colorida de 1930

Anônima





Esmerado: pote chinês com tampa e ormolu

9 01 2018

 

 

 

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Pote de porcelana com acabamento em verde-jade [celadon] decorado com desenhos de pinheiro e bambu crescendo por entre pedras, uma corça e dois pássaros em azul cobalto sob o vidrado,  com acabamentos em bronze dourado no estilo de Luis XV e carrapeta final em forma de crisântemo.

Fabricado na China, e na França, 34 x 31 x 21 cm

Coleção Real da Inglaterra, [Royal Trust Collection]© Her Majesty Queen Elizabeth II, 2017

 

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Provavelmente esta é a mesma peça de porcelana listada em 1826 como pertencente ao Pavilhão Brighton, antiga residência real localizada em Brighton, Inglaterra. Depois de importado da China, foi ornamentado com bronze dourado [ormolu].

 

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Esmerado: bolsa militar, século IX

31 10 2017

 

 

00purseBolsa militar, c.  800-20

Couro

Museu Nacional da Hungria, Budapeste

 

 

Os magiares  das estepes da Europa do Leste, invadiram a Itália no século IX, antes de se estabelecerem na Hungria.  Aqui temos um ‘sabretache‘ ou bolsa militar usada na cintura dos oficiais da cavalaria, do início do século IX.

 





Todos os caminhos levam a Roma

25 04 2017

 

 

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O imperador Augusto (63 a. E.C. —  19 E. C.) era um homem que gostava de dados.  Colocou na cidade de Roma, capital do império, uma pedra com a distância de Roma a todas as cidades mais importantes do domínio imperial.  Mais tarde Constantino iria se referir a esta pedra como o “umbigo de Roma” [Umbilicus Urbis Romae].  Esta é a origem da expressão “todos os caminhos levam a Roma”.   Os romanos construíram 87.000 Km de estradas pavimentadas à volta do Mediterrâneo, no auge do império.

Para dar uma ideia da grandeza do império, estima-se que haja em todo o Brasil 212.798 km de estradas pavimentadas (dados de 2010).





Esmerado: broche de Milton, 600-700 E.C.

23 02 2017

 

 

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Broche de Milton , c. anos 600 a 700

Artista desconhecido

Região de Kent, Inglaterra

Prata, bronze, ouro, granadas e conchas

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Esse é um dos mais sofisticados trabalhos de joalheria descobertos desse período, com uma intrigante escolha de materiais e desenho primoroso, decorado por granadas em cloison, nós em filigrana, sobre ouro e conchas. Foi encontrado em 1832, num cemitério em Milton, a oeste de Dorchester-on-Thames.








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