Em três dimensões: Tomie Ohtake

13 01 2019

 

 

 

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Homenagem aos 100 anos de Imigração Japonesa, 2008

Tomie Ohtake (Japão/Brasil, 1913 – 2015)

Aço pintado, 15 metros de altura

Parque Roberto Santini, Santos, Estado de São Paulo

Inaugurada em 2008 pelo Príncipe Naruhito do Japão.

 

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Em três dimensões: Tomie Ohtake

13 02 2015

 

 

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[comemoração dos 80 anos de imigração japonesa]

Tomie Ohtake (Japão/Brasil, 1913-2015)

Concreto armado e pintado, 40 m de comprimento

Avenida 23 de Maio, São Paulo

Patrocinada e construída  pela Método Engenharia, SP

Governo Municipal de São Paulo

 

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Nihonjin, de Oscar Nakasato: o jardim zen da literatura brasileira

22 12 2012

FUKUDA, Roberto Kenji (SP 1943) Abstrato - Óleo s tela 50 x 50 cm. ass. inf. direito

Sem título

Roberto Kenji Fukuda (Brasil, 1943)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

Coleção Particular

Há alguns anos, amigos meus nos Estado Unidos, transformaram seu quintal, em um jardim de pedras, um Karesansui, um jardim zen.  Com eles aprendi, naquela época, alguns truques de paisagismo oriental que permitem a impressão de grande espaço em uma pequena área, quer por meio de telas, quer por caminhos em passeios sinuosos que levam a cantos raramente explorados do terreno ou que passam sobre um pequeno  lago com carpas. O Karesansui, no entanto, permite distanciamento e  mais do que isso: uma inimaginável sensação de paz e tranqüilidade, mesmo que sua localização esteja no meio da cidade. O minimalismo das pedras, do cascalho, da água fazem-no um jardim reservado unicamente aos elementos essenciais e parece levar à introspecção e à descoberta daquilo que nos é vital.  Karesansui é um jardim que favorece a meditação.  A leitura de Nihonjin me lembrou este jardim.  Há na sua narrativa, que cobre três gerações de japoneses e seus descendentes no Brasil, um arranjo artístico igualmente sensível que faz com que suas 176 páginas sejam suficientes para o retrato da complexidade emocional, da dificuldade física e cultural de adaptação dos imigrantes japoneses que chegaram a este país.

Ainda não visitei o Japão, em pessoa.  A literatura japonesa tem aos poucos encontrado seu lugar nas minhas prateleiras de livros favoritos, enquanto suas famosas xilogravuras policromadas foram objeto de estudo e admiração nas artes visuais. Por causa delas e dos netsuquês, botões de roupa esculpidos com grande detalhe, estudei um ano de japonês. Mas a complexidade da língua e das formas de tratamento me deixaram perplexa e logo abandonei o aprendizado, estudando em seu lugar um pouco de hindu, língua igualmente complexa e frustrante. Foram  assim os meus vinte anos, tempos de expansão cultural, onde  estudante em terra alheia, uma quase imigrante, tentei alargar meus horizontes e, com afinco, me embrenhar pelos caminhos do outro.  Essa atividade não acompanhou a maioria dos imigrantes japoneses no Brasil, como bem mostra Oscar Nakasato em Nihonjin. O outro, nesse caso nós, brasileiros, era exatamente isso: OUTRO.  E assim ficaria até que voltassem à terra do sol nascente.

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A temática do imigrante é um dos mais importantes tópicos literários dos últimos 100 anos.  Sobretudo a partir de meados do século XX quando a geração dos filhos ou netos de imigrantes que se estabeleceram na Europa, EUA e Brasil, entre outros, é escolarizada e começa a desvendar os caminhos traçados pelas gerações que os antecederam. Muito tem sido escrito sobre a questão da  adaptação e do forjar de uma nova identidade para o imigrante. O movimento  voluntário, de massas,  de milhares de pessoas de um canto para o outro do mundo procurando melhoria de vida, quer na Europa —  mãe de dezenas de países recém delimitados na África e do Oriente Médio —  quer nas Américas, recipientes de milhares de trabalhadores braçais da Itália, Alemanha, Irlanda, Suiça, Espanha, Portugal, Rússia, Polônia, nunca havia sido tão persistente e grande através da história da humanidade.  Seu clímax parece ter sido nos anos que seguiram imediatamente a Segunda Guerra Mundial, ainda que tenha havido fuga numerosa também, nas décadas seguintes,  daqueles que  não aceitavam a ditadura comunista nos países da antiga Cortina de Ferro.

Mas o caso japonês no Brasil, que hoje tem o maior grupo de pessoas de ascendência japonesa no mundo fora do Japão, é único. Único porque foi o resultado de uma ostensiva política de desafogamento populacional daquele país.  Os primeiros contatos diplomáticos entre os governos do Brasil e do Japão sobre esse assunto datam de 1892, ou seja, do governo de Floriano Peixoto. Por causa da maneira como lhes foi mostrada, a emigração japonesa, para  cá, trouxe cidadãos que se sentiam cumprindo um plano estratégico de seu Imperador e, por consequência,  mais do que outros imigrantes sentiam que precisavam voltar com dinheiro, para benefício da própria Terra Mater. Desse modo, mesmo em se deixando de lado diferenças marcantes,  e importantes como dignidade cultural e responsabilidade social, que a maioria sentia em relação à terra mãe, a situação psicológica dos imigrantes japoneses, diferia substancialmente  das demais nacionalidades que por aqui aportaram, cujos membros, partiam por conta própria, aventurando-se sozinhos,  como se ao léu, a caminho do desconhecido, na luta pela sobrevivência, na esperança de uma vida melhor, muitas vezes com fome, sofrendo perseguição política ou religiosa. Diferente dos japoneses, esses imigrantes não sentiam uma dívida de honra com o país de origem, ao contrário, estavam gratos por uma terra para trabalhar, uma oportunidade de criar raízes, constituir família sem perseguições políticas ou religiosas, num lugar de natureza abundante, gerador de maior dignidade de vida.

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Oscar Nakasato

Nihonjin não é uma obra unicamente focada na vida dos colonos japoneses por aqui, ainda que precise ser contada. É verdade que na leitura desse romance aprendemos  muito sobre o assunto. Mas o romance é mais do que isso. Nele  testemunhamos a estética do ”menos é mais” aplicada  a um texto literário de forma confiante.  A linguagem precisa, repleta de vestígios poéticos, torna o texto  fluido e a história corre como água de riacho, num murmurejar incessante. Seu tom é a meia voz e a narrativa, que é simples, despojada de rebuscadas figuras de linguagem, torna o texto relaxante e hipnótico. Como num Karesansui somos convidados a refletir, a ponderar sobre os vagares da mente, sobre o enigma das emoções.  Mais tarde, somos levados a reconsiderar o tempo e a memória. Oscar Nakasato é um minimalista da linguagem. E com isso inova a estética literária brasileira.  Não há personagens a mais ou a menos, assim como palavras, frases ou histórias.  Não é jornalístico.  Não é anedótico. Detém-se no essencial.  Ninhojim não chega a ser um haikai da forma narrativa, mas está perto: sucinto, poético, reflexivo. Mínimo.  Uma beleza!





Japão quer atrair 300 mil estudantes estrangeiros

31 07 2008
Crianças orientais, ilustração de DEMI.

Crianças orientais, ilustração de DEMI.

 

No dia 25/7 postei aqui no blogue algumas notas sobre imigração e emigração:

 

Hoje recebo notícias de que o Japão num esforço de melhorar a sua situação quanto ao crescimento negativo do país aprovou terça-feira um plano do governo para estudantes irem se especializar em aproximadamente 30 universidades.  A intenção final de tanta generosidade não será só a educação destes alunos, mas também facilitar a permanência deles no Japão após a graduação.  

 

São seis ministérios que juntam esforços: Justiça, Relações Exteriores, Cultura, Esporte, Educação e Ciência.  O objetivo é sair do patamar de 120.000 alunos estrangeiros que o país tem, adicionando a estes 300.000 mais. A idéia é que já em 2020 o Japão tenha 420.000 alunos estrangeiros.

 

Este me parece um passo muito inteligente para enfrentar o esvaziamento populacional.

 

1)      Podem atrair alunos de outras nacionalidades mas de origem nipônica.  Filhos, dos emigrantes que fugiram de um Japão com excesso populacional de cem anos atrás.  Estes descendentes de japoneses, [no Brasil, Peru e em outros países] acredita-se que teriam talvez uma maior chance de se adaptarem aos costumes orientais.

2)       Dando oportunidade a estudantes há a possibilidade, discreta, de atrair para o país os melhores qualificados, os melhores alunos, aqueles que provavelmente brilhariam em qualquer lugar do mundo e garantir sua permanência no país.  Isto tudo além da esperança de resolver o problema particular do povoamento da terra. Em outras palavras, é uma seleção inicial dos “cerébros”, uma pré-aprovação para a imigração definitiva. 

3)      Trazendo jovens na faixa etária de 18 a 30 anos, eles estarão garantindo que seus futuros imigrantes se estabeleçam no país numa faixa etária compatível com a reprodução.  Numa faixa etária em que podem contribuir ainda por muitos anos para o sistema de aposentadoria e assim manter aquela população de mais de 65 anos prevista para 40% em 2050.

4)      Garantindo a permanência destes estrangeiros já devidamente educados como qualquer japonês o seria, devidamente selecionados, o Japão também garante a viabilidade de muitas das empresas que se encontram em território nipônico e que já podem sentir que o gargalo populacional vai deixá-las sem mão de obra especializada.

 

Que o plano é elitista, não se pode negar.  Mas é muito inteligente.  Não muito diferente do que foi feito pelos Estado Unidos, Grã-Bretanha, França e demais países ocidentais que ao oferecerem por décadas e décadas boas condições de estudos para estudantes do mundo inteiro, puderam contar com uma renovação acadêmica constante assim como o “discreto” furto da inteligência alheia.  

 

Essa mesmo que VOS FALA.  Estudou fora,  formou-se numa carreira que não é regulamentada no Brasil, porque lá fora não existe isto de regulamentação.  Se existe a necessidade, existe a carreira.  E passou boa parte de sua vida produtiva produzindo para os outros, porque não havia quem quisesse esta produção no Brasil.  

 

Se continuarmos no caminho que temos trilhado até agora, sem dar prioridade à educação e ocasionalmente até mesmo nos vangloriando de termos chegado aonde chegamos sem grande necessidade de estudos, veremos muitos brasileiros indo em busca de novos caminhos lá fora, no Oriente.  Perpetuaremos a nossa condição de exportadores ora de “cérebros”, ora de mão de obra desqualificada.  Será este o nosso futuro?  Inevitavelmente?








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