Imagem de leitura — Tala Madani

5 02 2017

 

 

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A lição, 2014

Tala Madani (Iran, 1981)

óleo sobre tela, 96 x 62 cm





Resenha: Setembros de Shiraz, de Dalia Sofer

30 01 2016

 

 

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965) ostEstudando

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

 

Leio hoje que a Itália, ao receber o presidente iraniano, cobriu as antigas obras de arte de nus e não serviu vinhos para não ofender o visitante, ao passo que a França fez justamente o contrário, não cedeu às imposições geradas pelo ortodoxismo islâmico. Essas ações mostram como a leitura que fiz nessa semana, Setembros de Shiraz, está atualizada e nos ajuda a entender o momento presente.  O texto de Dalia Sofer se concentra no período imediatamente após a queda do Xá da Pérsia [Irã]. E descreve os problemas dos cidadãos persas que não seguiam os preceitos da nova teocracia, uma ditadura com a intenção de acabar com qualquer vestígio de influência cultural fora do islamismo.

A autora é descendente de uma dessas famílias e emigrou da Pérsia para os Estados Unidos. Lá elas encontraram um lugar em que puderam manter intactas tanto a herança cultural, quanto sua religião. Dalia Sofer é judia e o personagem principal do livro, Isaac Amin, foi baseado nas experiências sofridas por seu pai, preso pelo regime instalado na revolução iraniana de 1979.

 

 

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Ditaduras são sempre iguais, sejam elas de direita, de esquerda ou religiosas, ou ambas. Elas interferem nos direitos essenciais dos seres humanos.  Cortam a liberdade do pensamento.  Cansamos de ver ditaduras no século XX, Alemanha, Rússia, China, Cuba, Brasil, Chile,Venezuela, Iraque, Irã são apenas algumas que ainda detêm grande parte da nossa memória coletiva. Ditaduras reduzem e deformam a grandiosidade da experiência humana. Definhamos sob seu domínio.  A comunidade judia que estava estabelecida há mais de quatro milênios na Pérsia foi uma das minorias atacadas pelos Aiatolás do novo regime. E sem boa causa essas famílias que ajudaram a formar a história do lugar foram singularmente destacadas para sacrifício, prisão e morte nas cadeias, numa continuação tardia de atos semelhantes da Segunda Guerra Mundial na Europa.  Por isso mesmo a história de Isaac Amin e sua família, que se assemelha a tantas outras vindas da Pérsia nesse período, precisa ser contada e recontada para que não se esqueça os fundamentos, as raízes mesmo, do pensamento ocidental.

 

 

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Setembros de Shiraz faz esse trabalho. Detalha a vida diária de uma família de um comerciantes judeu, classe média alta, que é mandado para a prisão por causa nenhuma a não ser por ter servido ao Xá, por manter bebidas alcoólicas em casa, por ter posse de objetos de luxo, por ter parentes em Israel, por conseguir pensar além dos horizontes locais. Conhecemos a vida dos filhos, da esposa, dos pais de Isaac Amin, dos empregados.  Sabemos das vantagens e das dificuldades que eles passaram antes e depois da prisão e conseguimos reconstruir, sem nunca termos ido ao Irã, como seria essa vida.  O livro é detalhado nesse aspecto e a narrativa flui em pequenos capítulos cobrindo da vida diária no Irã às aventuras de sobrevivência do filho do casal estudante nos EUA.

O que faltou nesse livro: melhor resolução dos conflitos.  Talvez, porque esteja tão baseado na vida de seus pais, e como a vida nem sempre se resolve por grandes atos, mas por acomodação paulatina a uma nova realidade, a narrativa perde impacto no final.  Até mesmo o romance do rapaz em Nova York com Rachel, uma menina de uma família judia ortodoxa, simplesmente se dissolve, perdendo o momento. Este é o meu grande senão sobre a obra, ela perde o ímpeto inicial.  Mas para quem tem curiosidade sobre a época, o livro oferece uma fatia interessante do dia a dia desse período no Irã, detalhada e complexa.

 





Casas tranquilas nos EUA, texto de Dalia Sofer

24 01 2016

 

 

Jessica Rohrer (EUA, 1974) 2014-Street-Center-12x19, ospRua Central, 2014

Jessica Rohrer (EUA, 1974)

óleo sobre placa, 30 x 48 cm

 

 

“Na sala de aula, durante uma projeção de slides de arquitetura, ele escreve uma carta para os pais. Na semi-escuridão do auditório de palestras ele escreve que tudo está bem na faculdade, que o proprietário do apartamento é muito simpático e cuida bem dele. Quando termina, levanta a cabeça e vê os perfis dos colegas de classe iluminados pela luz do projetor, hipnotizados pelo clique-clique das transparências, pelo tom de voz monótono do professor e pelas brilhantes imagens das casas californianas na tela — o exterior de madeira, os pátios, as grandes extensões de vidro com vista para os jardins. Essas casas todas parecem muito limpas, simples, ensolaradas e alegres, portando em suas linhas descomplicadas a promessa de décadas dóceis, passadas na mesma cidade, na mesma rua, na mesma casa, mas sem oferecer proteção nenhuma contra o tédio que acompanha tudo isso. Olhando para as imagens, ele conclui que seus colegas de classe — simpáticos, com seus trajes impecáveis e essencialmente ilesos — são produtos de tais lares.”

 

 

Setembros de Shiraz, Dalia Sofer, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, p. 40

 

 





Palavras para lembrar — Provébio chinês

17 06 2014

 

 

Iman Maleki (1976) Teerã, Irã Dizziness 1998Tonteira iraniana, 1998

Iman Maleki (Irã, 1976)

óleo sobre tela

 

“Um livro é como um jardim para se carregar no bolso”.

Provérbio chinês








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