Patrimônio Cultural da Humanidade: Timbuktu

14 11 2014

 

 

TombouctouTimbuktu ©UNESCO

 

 

Mali

 

Timbuktu

 

Local da prestigiada universidade corânica Sankore e de outras madrassas, Timbuktu era um capital intelectual e espiritual e um centro para a propagação do Islã em toda a África nos séculos XV e XVI. Suas três grandes mesquitas, Djingareyber, Sankore e Sidi Yahia, lembram a era de ouro de Timbuktu. Embora continuamente restaurados, esses monumentos estão hoje sob ameaça de desertificação.  Sitiada na entrada para o deserto do Saara, dentro dos limites da zona fértil do Sudão e em um local excepcionalmente propício perto do rio, Timbuktu é uma das cidades da África, de maior ressonância histórica no continente.

Fundada no século V, o apogeu econômico e cultural de Timbuktu surgiu nos séculos XV e XVI. Foi um importante centro para a difusão da cultura islâmica, irradiando conhecimentos vindos da Universidade de Sankore, e de  180 escolas corânicas e 25.000 alunos. Também era uma encruzilhada de rotas pelo deserto e por isso mesmo um importante mercado para o comércio de manuscritos, sal de Teghaza no norte, o ouro,gado e de grãos do sul.





Yusuf al-Qaradawi — número três na lista dos intelectuais de maior influência

19 09 2008

É um dos mais radicais líderes muçulmanos no momento, apesar de sua idade avançada.  Nasceu  no Egito, numa pequena aldeia no Delta do Nilo em 1926.   O menino desde cedo se negou a trabalhar onde a família o aconselhava: como carpinteiro ou a na quitanda dos pais.  Com 9 anos já tinha lido e decorado todo o Corão.   Na sua juventude foi bastante influenciado por Hasan al-Banna fundador  nos anos 20 do século passado da Irmandade Muçulmana, um dos maiores movimentos muçulmanos do século, uma organização atenta à revitalização dos princípios mais rígidos do Islã.

 

The Telegraph, UK.

Yusuf-al-Qaradawi. Foto: The Telegraph, UK.

 

Yusuf al Qaradawi formou-se me teologia islâmica pela universidade Al-Azhar no Cairo, em 1953.   Neste período de estudos universitários continuou com seus contatos com a Irmandade Muçulmana, participando de treinamento paramilitar onde aprendeu e ensinou aos universitários a usar armas e explosivos.  Incentivou também o treinamento da doutrina islâmica como motivação para a expulsão dos ingleses e israelitas do oriente médio.

 

Apesar de se considerar e de ser considerado por muitos uma voz moderada, não conseguiu até hoje se desvencilhar da reputação anteriormente adquirida de extremista,  quando participou ativamente da Irmandade Muçulmana —  que é uma organização ilegal no Egito.  Para uma pessoa do ocidente é difícil considerá-lo moderado.  Hoje é um estudioso do Islã que trabalha na Universidade do Qatar. E principal responsável pelo Conselho Europeu para Pesquisas e Fátuas.

 

O permitido e o proibido no Islã, livro de Yusuf al-Qaradawi, publicado em 1982

O permitido e o proibido no Islã, livro de Yusuf al-Qaradawi, publicado em 1982

Sua popularidade aumentou muito no mundo ocidental depois que ele começou a aparecer semanalmente num programa interativo de perguntas e respostas chamado Al-Shariaa wa Al-Haya [Lei islâmica e a vida] em que ele responde a comentários do publico.   Neste programa ele pretende demonstrar como a ideologia islâmica tem uma resposta para qualquer problema.  

 

 

 

 

Apesar de ter se distanciado dos controversos bomba-suicidas, ele ainda se manifesta a favor dos bomba-suicidas (mesmo que o atentado seja contra civis) e apóia principalmente o suicida palestino contra o estado de Israel.  Ele tem encontrado bastante resistência aos seus ensinamentos, principalmente entre mulheres ocidentais com dificuldade em aceitar suas posições em relação não só à circuncisão feminina.  Vale lembrar que a circuncisão feminina é uma prática considerada universalmente como inaceitável pela Organização Mundial da Saúde e pelas Nações Unidas já que é uma forma de mutilação genital das mulheres.    Ele também freqüentemente no seu programa na Al-Jezeera  fala em defesa do espancamento de mulheres, chegando a dizer até que há mulheres que gostam de serem assim tratadas.

 

Ele tem muitos muçulmanos entre as pessoas que não concordam com ele.  Dos dois lados, ou seja aqueles que o acham mais radical do que precisa e impressionantemente aqueles que acreditam que ele é moderado demais principalmente porque  ele condenou publicamente os ataques de 11 de setembro de 2001, e não condenou música e canto nos filmes muçulmanos, como muitos esperavam que fizesse. 

 

Fica a impressão de que Yusuf al-Qaradawi é uma pessoa difícil de se delinear e bastante complexa para que uma mulher ocidental como a autora deste blogue se sinta satisfeita de vê-lo não só incluído entre os 10 mais importantes intelectuais do mundo, mas ocupando o número 3 da popularidade mundial.  

 

 

Veja postagens anteriores:

Muhammad Yunus — quem é segundo mais votado intelectual?

Fethullah Gülen – quem é o intelectual n° 1 do mundo?

Você conhece os 10 mais importantes intelectuais de 2008?

 





Fethullah Gülen – quem é o intelectual n° 1 do mundo?

16 07 2008
Fethulah Gülen

Fethulah Gülen

Este é o primeiro da série de perfis das pessoas votadas como os maiores pensadores do mundo de hoje em pesquisa feita pelas revistas Prospect da Inglaterra e Foreign Policy dos EUA no primeiro semestre deste ano. 

O primeiro colocado foi o filósofo e líder religioso Fethullah Gülen. 

 Fethullah Gülen nasceu na Turquia. É um líder islamita que desde 1999 mora no estado da Pensilvânia, nos EUA, onde sua permanência até meados deste ano poderia ter sido considerada como um asilo político, já que, até então, encontrava-se acusado pelo Tribunal de Segurança da Turquia, por supostamente estabelecer uma organização cujo objetivo seria corromper a estrutura secular do governo e estabelecer uma sólida base corânica no país.  Mas, no dia 24 de junho de 2008, a Suprema Corte de Apelações rejeitou a objeção da Procuradoria Geral da Turquia à absolvição do intelectual.  Assim, absolvido, Fetullah Gülen poderá voltar à Turquia e ser recepcionado por seus muitos seguidores não só para comemorar a decisão da Suprema Corte, mas também a votação na pesquisa mencionada acima.

Não é de hoje que Gülen se tornou uma das mais influentes mentes muçulmanas no mundo, com milhões de seguidores, não só na sua terra natal, como em todos os países muçulmanos da Ásia Central à Indochina; da Indonésia à África.   Suas posições que levaram ao chamado Movimento Gülen, são baseadas em três dogmas: a advocacia da tolerância; a crença no diálogo e a procura sistemática da reconciliação entre os povos.  Sua incessante requisição para diálogo, tem-se tornado ainda mais urgente à medida que as comunicações internacionais se ampliam e o mundo torna-se a grande aldeia prevista pelo filósofo canadense Marshall McLuhan.   De acordo com Gülen os muçulmanos não podem, nem devem, construir uma identidade baseada em qualquer valor destrutivo, como o conflito e a confrontação.  Estes não estariam de acordo com os valores humanos e universais do Islã.

  

 
 

 

Freqüentemente mal compreendido, este movimento não se considera um movimento político ou ideológico.  Trabalha principalmente na ação social, próxima da filosofia sufi, e, como tal, é bastante diferente de todos os outros movimentos islâmicos.  Muito moderno, não faz parte de nenhuma ordem religiosa — numa definição, mais restrita, mais histórica da palavra — não é uma fraternidade e nem mesmo uma ordem sufi (uma tarica).  É um movimento que demonstra uma capacidade imensa de organização e um dinamismo em geral não associados ao Islã.  Estas características já germinaram respostas entusiasmadas no campo cultural e social.  Tolerância e relações amistosas entre diferentes comunidades são a demonstração, para muitos, de que o movimento Gülen pode ter sucesso.   Pregando a abnegação e o altruísmo, que na visão sufi de Gülen, fazem a essência da religião muçulmana, sua filosofia prega idéias bastante democráticas, considerando que os povos devem escolher seus governantes, ao invés de serem governados por uma autoridade superior.  Para Gülen, o indivíduo tem prioridade sobre a comunidade e cada ser humano deve ser livre para escolher seu próprio estilo de vida.

 

 

 

Mas este individualismo não é para ser levado a extremos.  O ser humano tem melhor qualidade de vida no seio de uma sociedade e para isto precisa adaptar seus desejos e sua liberdade aos critérios da vida social do grupo a que pertence.  Então aquele que quiser reformar o mundo deve primeiramente olhar para si próprio e se reformar, se remodelar.  É seu dever mostrar aos outros o caminho para um mundo melhor.

Rodopio Dervixe, de Maria Taurus, Unesco

Rodopio Dervixe, de Maria Taurus, Unesco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gülen diz que um dos problemas de se falar, hoje em dia, em cultura islâmica, vem da associação que muitos fazem do Islã a um sistema político. Quem vê o Islã como um sistema político, é quem precisa admitir que o que o leva a agir é uma raiva pessoal, até social, uma hostilidade, incompatível com o verdadeiro Islã.  Porque esta é uma religião que tem o ardor da verdadeira crença, uma forte essência espiritual e valores morais profundamente enraizados.  Estas qualidades que dão aos muçulmanos grande retidão de caráter permitem que eles possam absorver a supremacia científica, tecnológica, econômica e militar do ocidente, sem que estas os corrompam. O Islã, ele defende, trata da alma das pessoas, do que é sentida por dentro, como conseqüência, as vantagens materiais desenvolvidas pelo ocidente não poderiam corromper a verdadeira alma muçulmana.   Mas, alguns muçulmanos e políticos ao invés de verem o Islã como uma religião, fazem dele uma ideologia política, sociológica e econômica.  Esquecendo-se de que o muçulmano é aquele protege os outros contra o mal; de que é o verdadeiro representante da paz e da segurança. 

Por mais de 1400 anos o ocidente e os muçulmanos se combatem.  Agora, nesta aldeia global, é necessário que estes dois lados se entendam.  E que aceitem que o ocidente não conseguirá eliminar o Islã, assim como o Islã não conseguirá dominar o ocidente.   Ambos terão que fazer concessões.

 

 

—-

NOTA: O nome de Fethullah Gülen, também pode aparecer com dois “ll” como em Güllen.

——-








%d blogueiros gostam disto: